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quinta-feira, 22 de setembro de 2011

O dólar já não é mais o mesmo.


Prever o dólar para 31.12.2011 é fácil. Difícil é aguentar a ansiedade diária. O genial SINFRÔNIO, no Diário do Nordeste, avisa que a fera despertou... 

Ah, esse dólar....


Alberto Tamer, hoje no ESTADÃO, comenta, como não poderia deixar de ser, sobre o US$.

O dólar valorizado, mais de 14% este ano, está criando um dilema para o governo que tudo fez para chegar a esse resultado. Ele estimula a indústria, mas pressiona a inflação, em parte contida até agora por importações a preços menores em reais. E isso deve continuar ainda por algum tempo - já passa de R$1,80 e se fala em dólar próximo de R$ 1,90 - porque o Banco Central sinalizou novas reduções do juro para evitar uma retração ainda maior do PIB. A nova previsão de crescimento do FMI para o Brasil é de 3,8%, o governo já admite 3,7% e já existem instituições no mercado que falam em 3,5%.
A equipe econômica parece não ter aceito o dilema "é possível evitar a recessão sem perder o controle da inflação". Mas a pergunta permanece: até onde a valorização do dólar favorece a indústria sem aumentar excessivamente os seus custos de produção? Isso não acabaria por anular os efeitos positivos que se pretendia via câmbio?
Toda a questão se resume em avaliar quanto tempo levará para que o dólar valorizado beneficie a indústria e até quando pressionará o aumento dos preços dos produtos importados.
Não aumenta já. Os economistas também estão divididos quanto aos efeitos imediatos do câmbio na inflação. Para Antonio Comune, coordenador da Fipe, instituto que tem maior experiência no acompanhamento semanal dos índices, a contaminação via câmbio não é generalizada nem imediata. Pode afetar mais rapidamente alguns itens de bens de consumo, como informática e eletrodomésticos, mas não toda a cadeia dos importados.
O que pressiona os preços nos próximos meses são os alimentos, que dependem mais da entressafra atual do que da cotação do dólar, afirma ele. Mas a maioria dos analistas discorda. A contaminação da alta dos preços das commodities agrícolas ou minerais era sentida no mercado interno antes da alta do dólar. Um fato evidente que o IBGE registrou nas suas pesquisas. Os preços internos desses produtos dependem mais do valor real, agora desvalorizado, do que das cotações internacionais. Mesmo que as cotações recuem no mercado internacional, os preços em reais continuarão aumentando por força da desvalorização da moeda nacional em face do dólar. É inevitável e não há sinais de mudança.
Isso demora? Parece que não, porque os produtores de commodities, da soja ao petróleo e o minério, optam por exportar a preços melhores do que atender a um mercado interno, que lhes rende menos. Não é apenas uma "contaminação", são vasos comunicantes com efeito imediato sobre os preços internos.
Além disso há o que se chama em economia de "reposição de estoques." Os importadores antecipam reajustes dos preços prevendo que pagarão mais nas compras futuras para recompor seus estoques. Se não fizerem isso, terão de dispor de mais recursos nas novas importações.
Sem aliado. A verdade é que o governo perdeu um poderoso aliado na estabilização dos preços. O impacto da desvalorização vai atingir diretamente os preços. Principalmente agora que, nos últimos anos, as indústrias usaram e abusaram do produto importado, seja na forma direta, trazendo o produto final e montando aqui, seja na forma indireta, importando a matéria-prima.
Tudo indica que poderemos terminar o ano com uma inflação acima de 6,5%.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

A hora da virada cambial.


Roberto Giannetti da Fonseca é economista e empresário, presidente da Kaduna Consultoria, e diretor titular de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo.

Dias atrás em reunião do Conselho Superior de Economia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) realizamos uma discussão extremamente esclarecedora acerca do mercado de derivativos cambiais. Muitos leitores talvez não compreendam a importância ímpar deste tema para o país e para suas próprias vidas, uma vez que a indústria brasileira há tempos sofre os efeitos deletérios de um câmbio sobrevalorizado, tendo os derivativos cambiais um papel predominante na formação da taxa de câmbio do real.

Por conta dessa situação, mercados para produtos brasileiros foram perdidos, muitas fábricas foram fechadas e milhões de empregos desapareceram. A atual conjuntura econômica é propícia para discutir o papel dos derivativos cambiais na economia, de forma a entender a formação da taxa de câmbio brasileira, mas também para evitar que novas rodadas de apreciação da moeda brasileira prejudiquem ainda mais os setores industriais e a geração de empregos.

Primeiramente, o tema dos derivativos de câmbio não deve ser tratado de forma estigmatizada. Esses instrumentos financeiros não são de natureza inerentemente especulativa, muito pelo contrário, eles são fundamentais para a atividade econômica na medida em que reduzem incertezas associadas ao processo produtivo. Tampouco se deve minorar a importância da BM&F como principal centro de negociação de derivativos e de oferta de hedge para os agentes econômicos no Brasil. Essa instituição é símbolo da sofisticação do sistema financeiro brasileiro e faz do mercado de derivativos no Brasil um dos mais transparentes do mundo.

Contudo, deve-se reconhecer o caráter dual e muitas vezes ambíguo do mercado de derivativos; ao mesmo tempo em que ele reduz incertezas microeconômicas dos agentes que buscam hedge, ele potencialmente aumenta as instabilidades macroeconômicas. Nos derivativos de câmbio, esse problema ocorre quando um excesso de posições especulativas formam tendências na taxa de câmbio e uma excessiva volatilidade da moeda. Quando a especulação é dominante e, sobretudo, quando as apostas são feitas todas na mesma direção, abre-se espaço para distorções da taxa de câmbio e para uma arbitragem de agentes que ganham sempre, sem correr riscos. Dessa forma, pode haver mercados de derivativos, onde a participação dos agentes de hedge seja muito pequena e as transações sejam dominadas por agentes que tem como propósito apenas a especulação e a arbitragem.

No Brasil, o processo de apreciação cambial recente foi em parte conduzido por uma especulação sistemática, conhecida como "carry trade", que no mercado de derivativos se expressa na venda de contratos futuros de dólar para auferir o diferencial de juros e apostar na apreciação do câmbio. A pressão vendedora dos especuladores abre espaço para oportunidades de arbitragem contínuas de agentes que compram dólar futuro para arbitrar entre as taxa de juros externas e o cupom cambial. Com isso, os arbitradores são responsáveis por transmitir as tendências do mercado futuro para o mercado à vista. Nesse contexto, diferentemente da máxima que estabelece que "especulação boa é aquela que se anula por ser bidirecional, e a arbitragem boa é aquela que termina no tempo como consequência do próprio processo de arbitragem", no Brasil há longos períodos de especulação unidirecional e arbitragem ininterrupta no tempo, por conta da rigidez de suas variáveis, no caso, a elevada taxa de juros reais. Essa forma de especulação e arbitragem permanente é anômala e insustentável a médio e longo prazo

Nesses termos, a nova regulamentação sobre o mercado de derivativos de câmbio tem a difícil tarefa de corrigir os excessos e desvios do mercado, atentando para seu caráter desestabilizador. Ao taxar os aumentos de posições vendidas dos agentes, o governo acertou em cheio a engrenagem especulativa que influi na dinâmica da apreciação cambial. No entanto, essas medidas devem ser aperfeiçoadas de forma a preservar ao máximo as características benignas do mercado de derivativos de câmbio, quais sejam: de oferta de hedge para o setor produtivo e para atividades financeiras.

Para tal, é preciso criar instrumentos para identificar os diferentes agentes no mercado de derivativos, de forma a segregar os agentes que fazem hedge daqueles que especulam. Uma vez identificados, a intervenção do governo no mercado de derivativos de câmbio deve isentar do pagamento do tributo os agentes que utilizam o mercado para operações de hedge. Em especial, as empresas não financeiras que fazem cobertura de suas atividades comerciais e produtivas. Além disso, deve-se atentar para o papel dos bancos comerciais no mercado de derivativos que, por muitas vezes, operam para fazer hedge de suas operações de crédito, como por exemplo, ao fazer cobertura cambial das operações de ACC, ou de passivos em moeda estrangeira junto a seus clientes.

No decorrer do processo de implementação das novas regras sobre os derivativos de câmbio, é natural que haja reações contrárias de alguns setores da sociedade, afinal, há agentes financeiros que são diretamente prejudicados. Da mesma forma, se o objetivo for de reduzir a especulação com o câmbio, é inevitável que haja uma redução do volume financeiro da BM&F. Porém, o benefício de uma taxa de câmbio isenta de distorções financeiras supera os pontuais efeitos negativos das medidas. Ademais, o debate acerca do tema deve superar velhos dogmas, como a visão de um mercado financeiro harmônico onde a especulação é estabilizadora, cenário este que há tempos já foi abandonado por economistas de diversas escolas de pensamento e que hoje reconhecem o potencial desestabilizador de mercados excessivamente desregulados e especulativos.

Recentemente afirmei num outro artigo que o especulador é um covarde, e que ao pressentir um aumento de risco, desfaz sua aposta e sai do mercado. Neste caso dos derivativos cambiais, bastou o anúncio das medidas de intervenção e de regulação no mercado em fins de julho passado, para que as operações de "carry trade" fossem drasticamente reduzidas e a tendência de desvalorização do real se acentuasse a partir da segunda quinzena de agosto. Podemos concluir que a covardia superou a ganância, e que a indústria brasileira respira aliviada pela mudança de ventos na tendência da taxa de câmbio e de juros praticados na economia brasileira.

domingo, 7 de agosto de 2011

Vamos ajudar o US$?

O Domingo merece o prazer de uma risada, mesmo sobre uma situação trágica. Porém, o traço de SINFRÔNIO, lá no DIÁRIO DO NORDESTE de Fortaleza, torna o assunto mais leve.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

O BRASIL E A CHINA.

Hoje, na FOLHA DE S. PAULO entrevista com o economista ROBERTO GIANNETTI DA FONSECA, diretor de comércio exterior da Fiesp. "O Brasil não precisa ter medo da China, que não tem opção à soja e ao minério de ferro brasileiros", disse. O economista da Fiesp afirma que é "escandalosa" a carona da China na desvalorização mundial do dólar.Isso porque os EUA desvalorizam devido ao duplo deficit fiscal e comercial, enquanto a China é duplamente superavitária. "Todo mundo tem medo da China, por isso os países articulam uma ação coordenada pela mudança cambial", disse.

Folha - Brasil e China tinham várias posições em comum na reunião do FMI. O Brasil quer parecer ou é "amigo" da China na tal guerra cambial? Roberto Giannetti - Essa pode ser uma posição de parte da diplomacia brasileira, mas não acredito que seja dos ministérios que estão no front da articulação comercial e nos fóruns globais.

E se for? Há uma visão no governo de que a valorização do yuan pode levar à queda no preço das commodities, que não interessa ao Brasil. Seria um absurdo completo. O país está se desindustrializando e eles estão achando que exportar commodity é legal. É totalmente fora da realidade. Vem aqui para o chão de fábrica sujar a mão de graça e depois a gente conversa... Estão vendo milhares de pessoas ficando desempregadas por conta da concorrência desleal com a China e você vai passar a mão na cabeça deles?

Isso seria uma proposta de uma diplomacia míope, dissociada da realidade. Duvido que algum diplomata em sã consciência possa achar que esse movimento coletivo de reação à manipulação da moeda chinesa seja algo em que o Brasil tenha de ficar fora. É de um absurdo inacreditável. Duvido que seja posição oficial. Não tem lógica.

Não pode ser um jogo duplo para aumentar o poder de barganha do Brasil?

Não tem jogo duplo nenhum. Nessas negociações, o país tem de ser muito claro. A posição é essa e o interesse é esse. Não tem barganha.

Qual a melhor estratégia?

É participar de uma ação articulada, coletiva e internacional. Nenhum país isoladamente pode tomar medidas de restrição contra a China, que vai dar risada e não acontece nada. Fica mais fácil se for um conjunto de países, representando dois terços da economia mundial, que bate na mesa dizendo: ou flutua a moeda ou vai colocar 25% de imposto sobre os produtos chineses. Isso é a guerra cambial!

A China pode retaliar o Brasil?

O Brasil não tem de estar preocupado. A China não tem onde comprar esse volume todo de minério de ferro e de soja, que responde por 60% da exportação brasileira para os chineses. A China não tem de onde comprar esse volume todo. Ou compra do Brasil ou tem um problema de suprimento e uma crise estrutural. De certa forma, a China se tornou um país dependente do Brasil.

A China é aberta aos produtos brasileiros? Setores do Itamaraty dizem que os empresários brasileiros não vão buscar aquele mercado.

A China não tem um mercado aberto para importações; é um mercado administrado. E, com a moeda desvalorizada, a importação fica cara. Nós temos um preço muito maior do que o chinês. Não dá para vender lá.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

KRUGMAN NA EXAME - US$/R$

O economista Paul Krugman, Prêmio Nobel de Economia em 2008, disse em São Paulo, que a valorização do real frente ao dólar não é necessariamente uma notícia ruim. "Por um lado atrapalha as exportações das indústrias, mas, por outro, significa mais capital para investir."

Krugman, que participa do IBM FORUM 2010, na capital paulista, apresentou um gráfico que mostra a enorme diferença de comportamento entre o real e o iuane, a moeda chinesa. Ele destacou que o governo chinês intervém e isso está gerando fortes reclamações do mundo inteiro. "O real está valorizado porque o Brasil parece ser um bom lugar para os investidores", insinuando que o câmbio é o preço do sucesso brasileiro na crise.

O economista disse que as taxas de juros devem continuar baixas nos países desenvolvidos, o que levará a uma migração de capital para os emergentes. Krugman arrancou risos da plateia quando disse não entender por que a Rússia faz parte dos Brics (Brasil, Rússia, China e Índia), afirmando que os russos estão num patamar muito abaixo dos demais.

Krugman, que é professor da Universidade de Princeton (EUA) e colunista do jornal The New YorK Times, disse que a solução para a crise mundial não será via exportação. "Precisaríamos de outro planeta para vender os produtos", disse, ressaltando que o problema atual nos países ricos é a falta de demanda.

Em sua palestra, comparou a crise atual com a grande depressão dos anos 30 por meio de um gráfico que mostrava que o primeiro ano (2008) foi tão ruim quanto o daquela época. "Desta vez, nós evitamos uma catástrofe, mas não significa que tudo está bem nem que tudo não possa ficar pior."

Krugman disse ainda que, pela primeira vez na vida dele, uma crise é pior nosEstados Unidos do que na América Latina. O grande risco para os países ricos, segundo ele, é entrar num processo de deflação como o vivido pelo Japão há muitos anos. Ele defende novos incentivos fiscais dos governos, principalmente dos Estados Unidos, como forma de estimular a demanda.

O Prêmio Nobel de Economia afirmou que crises financeiras como a atual são de longa duração e projetou que o desemprego na Europa e nos Estados Unidos ficará perto dos 10% até 2012. "Não há recessão técnica, mas a recuperação econômica atual não é suficiente para reduzir o desemprego."

Krugman disse que vai demorar até a formação de outra bolha imobiliária na Europa e nos Estados Unidos, pois "as pessoas levarão um longo tempo até acreditarem novamente que esse é um bom investimento".

sábado, 26 de junho de 2010

O FUTURO DO REAL.

Um colega tem uma boa reserva em reais e como gostaria de transformar esse valor em dólares pergunta qual o momento certo. Sua preocupação é que a política econômica de JOSÉ SERRA seja diferente da atual, principalmente com relação à queda da taxa de juros.
Respondo-lhe que o momento é agora. Estamos num ano eleitoral, sendo comum a existência de notícias que causam verdadeiro ataque “terrorista” ao mercado. Acredito que se ele conseguir comprar entre R$ 1,75 e R$ 1,85 por US$ 1.00 estará fazendo um bom negócio.
Mesmo com a última pesquisa da FEBRABAN – Federação Brasileira de Bancos prevendo que o dólar fechará dezembro/10 valendo R$ 1,81 e para dezembro/11 valendo R$ 1,88, não sabemos até que momento a entrada de dólares no país continue valorizando o real, considerando a atração da taxa de juros brasileira pelos investidores estrangeiros. A economia mundial ainda não está recuperada e de um momento para outro capitais aqui mantidos, poderão retornar aos seus países de origem, desvalorizando a nossa moeda.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

O DÓLAR EM 2009

Direto da redação da ÉPOCA, uma das principais notícias de 31/12/2009, e que será muito acompanhada em 2010: Com a intervenção da unidade monetária no câmbio, com um leilão para compra de dólares com taxa de corte de R$ 1,7424 e a postura cautelosa do mercado no ultimo dia de negócios do ano, o dólar fechou estável ontem, 30/12, marcando R$ 1,741 para compra e R$ 1,743 para venda. Com o resultado, a queda do dólar em dezembro foi de 0,63%. De acordo com reportagem do Valor, no ano, a moeda americana apresentou desvalorização de 25,32%, invertendo a alta de 31,34% registrada no ano passado. Segundo estudo da consultoria Economatica, baseado na cotação de ontem, a desvalorização nominal do dólar neste ano é a maior da história, superando as perdas de 18,23% verificadas em 2003.

sábado, 21 de novembro de 2009

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

O DÓLAR SEGUNDO PAULO NOGUEIRA BATISTA JR.

PAULO NOGUEIRA BATISTA JR, diretor-executivo no FMI, onde representa um grupo de nove países (Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Haiti, Panamá, República Dominicana, Suriname e Trinidad e Tobago), escreve hoje na FOLHA DE S. PAULO, um artigo para reflexão e análise sobre o DÓLAR.

O leitor é testemunha: tenho sido nesta coluna, há mais de dez anos, defensor incansável, talvez cansativo, da preservação de uma taxa de câmbio competitiva, da diminuição da vulnerabilidade externa da economia e de medidas seletivas de regulação dos movimentos de capital. Nos anos recentes, o governo brasileiro deu vários passos nessa direção geral. Houve acentuada diminuição do desequilíbrio do balanço de pagamentos em conta-corrente, as reservas internacionais aumentaram consideravelmente desde 2006 e, mais recentemente, o governo tributou de forma seletiva a entrada de capitais estrangeiros.

A medida anunciada ontem pelo Ministério da Fazenda - a cobrança de um IOF de 1,5% sobre a emissão de "Depositary Receipts" no exterior - é mais um passo no sentido de preservar a economia nacional dos efeitos decorrentes de operações financeiras externas. O ministro da Fazenda e seus assessores explicaram a natureza e o objetivo da medida. Ela complementa o IOF de 2% incidente sobre certos tipos de investimento estrangeiro (aplicações em ações e renda fixa), que foi introduzido há um mês. O objetivo é evitar que o IOF de 2% sobre aplicações de não residentes em ações emitidas no país estimule a migração de operações para o exterior, prejudicando o mercado de capitais brasileiro.
O problema da apreciação excessiva do real permanece, porém. É verdade que, depois da introdução do IOF de 2% sobre investimentos externos em renda fixa e em ações, a valorização do real foi interrompida. No último mês, a taxa de câmbio real/dólar, que vinha caindo rapidamente, ficou mais ou menos estabilizada entre 1,70 e 1,75.
Mas o que houve nos últimos 30 dias foi a estabilização da taxa cambial num patamar valorizado. Entre as principais moedas, o real foi das que mais se valorizaram em relação ao dólar dos Estados Unidos nos últimos 12 meses. Só o dólar australiano e o rand sul-africano subiram mais do que a moeda brasileira nesse período.
De uma maneira geral, a economia brasileira está indo bem. No exterior, há um verdadeiro entusiasmo pelo Brasil (talvez até exagerado). Há uma convicção bastante generalizada de que o nosso país oferece oportunidades extraordinárias.
Temos, porém, um calcanhar de Aquiles: a excessiva valorização do real, que decorre em parte do referido entusiasmo internacional. Se o problema persistir por muito tempo, pagaremos um preço elevado.
Por enquanto, a situação está sob controle. O Banco Central estima que o deficit de balanço de pagamentos em conta-corrente (que inclui a balança comercial, serviços, rendas e transferências unilaterais correntes) deve ficar em apenas 1,2% do PIB em 2009.
No entanto, o câmbio valorizado, combinado com a retomada da demanda e do nível de atividade da economia nacional, deve provocar, já em 2010, aumento expressivo do deficit em conta-corrente. A moeda forte retira competitividade internacional da economia. Pode prejudicar gravemente diversos segmentos da indústria brasileira e outros setores da economia que exportam ou concorrem com importações de bens e serviços.
O governo brasileiro terá, portanto, de redobrar esforços para preservar a nossa competitividade externa. A medida de ontem, embora de caráter pontual, sugere que o Ministério da Fazenda está atento ao problema e consciente da necessidade de enfrentá-lo. É provável que novas medidas tenham de ser tomadas ao longo dos próximos meses.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

ATÉ ONDE O DÓLAR VAI CHEGAR?

Ainda o dólar. Segundo a Folha de S. Paulo, o REAL foi a moeda que mais subiu neste ano em relação ao dólar. Mesmo assim, o real permanece desvalorizado em 7,2% na comparação com a divisa dos EUA, segundo estudo do Bank of America que leva em conta dados como exportações e taxa de poupança.
Segundo Benoit Anne, do departamento de moedas estrangeiras de emergentes, em dois ou três anos, o dólar deverá valer R$ 1,60 (hoje está cotado a R$ 1,71). A divisa brasileira acumula alta de cerca de 30% neste ano em relação ao dólar. "Em termos nominais, o real ainda está subvalorizado", disse Anne. "Nós achamos que o real deve se apreciar no longo prazo, baseado em nosso modelo”.

sábado, 31 de outubro de 2009

US$ SINAL DE ALERTA - 31/10/2009

Para encerrar o mês de OUTUBRO/2009, vendo que o mundo capitalista NÃO acabou, um artigo do Professor ANTONIO DELFIM NETO, na Folha de S. Paulo, com o sugestivo nome: SINAL DE ALERTA.

A valorização excessiva do real continua sendo o fator principal do fraco desempenho do comércio exterior brasileiro. Inviabiliza uma boa parte das exportações industriais devido à elevação dos preços numa conjuntura mundial já bastante desfavorável; na mão inversa, facilita as importações a baixo custo, expondo a indústria nacional à concorrência muitas vezes predatória em nosso próprio mercado interno.

O argumento de que a valorização do real se assemelha à das demais moedas como contrapartida à desvalorização do dólar não se sustenta: dados do Fed, apresentados na atualizada coluna da jornalista Vera Saavedra Durão no "Valor Econômico" desta segunda-feira, mostram que "a taxa de valorização média de uma ampla cesta de moedas em relação ao dólar foi de 6% entre 31 de dezembro de 2008 e 21 de outubro de 2009, enquanto a valorização do real foi de 37%".

O governo decidiu agir, aplicando um IOF de 2% na entrada de capital externo (na Bolsa e em renda fixa). É um sinal para prevenir excessos especulativos, um "aviso aos navegantes".

Na semana passada, tratei ligeiramente da questão cambial ao comentar as afirmações do presidente da CNI, que procurou mostrar ao governo que o momento é favorável para restabelecer as condições isonômicas que permitam à indústria enfrentar a competição externa. O senhor Armando Monteiro Neto apontou o caminho possível da mobilização do setor industrial para apoiar ações do governo que levem à redução dos custos do crédito à produção e à desoneração das exportações.

Tenho insistido todos esses anos que é um absurdo cobrar impostos na exportação de um par de sapatos que vai ser usado por um irlandês ou um alemão que certamente jamais receberá qualquer contraprestação de serviços do Estado brasileiro.

Existem formas de intervenção que, em tempos de crise, são plenamente justificáveis. É o momento de retomar as iniciativas para uma nova política industrial, orientada basicamente para os investimentos em inovação tecnológica. Há uma revolução em marcha que vai alterar em profundidade a oferta de energia, com a substituição da matéria-prima de origem fóssil pelas variedades não poluentes e renováveis.

O Brasil tem parte nesse processo e está mais adiantado que a maioria dos países emergentes no desenvolvimento de novas formas de energia alternativa. Tem experimentos avançados com a biomassa, mas não pode negligenciar os investimentos em novas tecnologias se pretende garantir o mercado para a sua indústria nas próximas décadas.

domingo, 18 de outubro de 2009

DÓLAR E GASTOS EM 2010

Esta preocupação nacional, notadamente dos exportadores, pelo câmbio valorizado de R$ 1,70 em média, “não é necessariamente ruim”. E quem fala conhece do assunto: JIM O’NEILL, chefe de pesquisa econômica do banco de investimentos Goldman Sachs alçado à condição de popstar do mercado financeiro global pela criação do termo BRIC (grupo de potências emergentes formado por Brasil, Rússia, Índia e China. Preocupação devemos ter é com os gastos “eleitorais” em 2010, não direcionados para áreas como educação e infraestrutura.

DÓLAR PREJUDICA RE-REELEIÇÃO 2010?

E lá vem a intervenção estatal no livre mercado. Qual será o resultado? Veremos em breve. Por que Henrique Meirelles não permanece no BACEN até o final do governo e, ao mesmo tempo, o governo busca incentivar a produtividade das empresas?
Para isso, contamos com o sensacional SINFRÔNIO, no nosso DIÁRIO DO NORDESTE de FORTALEZA.

OS RUMORES DA MORTE DO DÓLAR SEGUNDO MARTIN WOLF SÃO MUITO EXAGERADOS

Conforme prometido anteriormente, leiam abaixo o artigo do MARTIN WOLF “BOATOS SOBRE A MORTE DO DÓLAR”, direto do FINANCIAL TIMES.

É a temporada do pânico quanto ao dólar. E os responsáveis pela propagação do pânico são muitos: os investidores em ouro, os proponentes da linha dura fiscal e muitos outros observadores que parecem concordar em que o dólar está em seu leito de morte. Um colapso hiperinflacionário está à espera. Será que isso faz sentido? Não. Mesmo assim, o sistema monetário mundial baseado no dólar apresenta defeitos. Seria bom começar a construir arranjos alternativos. Deveríamos começar pelo que não está acontecendo. No pânico recente, as crianças correram na direção da mãe, ainda que os erros desta tenham boa parte da responsabilidade pela crise. O dólar subiu 20% entre julho de 2008 e março deste ano. Desde então, perdeu boa parte de seus ganhos. Assim, a queda do dólar é um indicador de sucesso, e não de fracasso.
Será que podemos encontrar sinais mais profundos de que o mundo está abandonando a moeda norte-americana? Um indicador muito apreciado é o preço do ouro, que registra alta de 400% desde o começo de 2000. Mas esse preço é um indicador dúbio quanto aos riscos inflacionários: seu pico anterior foi atingido em janeiro de 1980, pouco antes de a inflação ser derrotada.
O preço mais alto do ouro reflete medo, e não fatos. E esse medo não é generalizado. O governo dos EUA tem a capacidade de tomar empréstimos com prazo de 30 anos a juros de 4,2% ao ano, e com prazo de 10 anos a 3,4%. Durante a crise, as expectativas inflacionárias indicadas pela disparidade entre os rendimentos de títulos convencionais e títulos com correção monetária desabaram. Desde então, recuperaram parte do terreno perdido, o que representa mais um sinal de sucesso para a política econômica. Mas ainda assim continuam abaixo do nível anterior à crise. O perigo imediato, dada a capacidade de produção excedente existente no mundo e nos EUA, é de deflação, não de inflação.
A correção do dólar é não só natural como benéfica. Reduzirá o risco de deflação nos EUA e facilitará a correção dos "desequilíbrios" mundiais que ajudaram a causar a crise. O que poderia substituir o dólar?
A menos que, e até que, a China revogue seus controles cambiais e desenvolva mercados financeiros profundos e de grande liquidez, o que provavelmente demorará uma geração, o euro é o único concorrente sério para o dólar. No momento, 65% das reservas cambiais mundiais estão em dólares e 25% em euros. Sim, é possível que haja algum avanço da moeda europeia. Mas é provável que seja lento. A zona do euro também sofre de altos deficit fiscais e dívidas públicas. O dólar, com certeza, continuará a existir dentro de 30 anos; o destino do euro é menos seguro.
É nesse ponto que convergem as preocupações quanto à estabilidade monetária dos EUA e o papel externo do dólar. Uma recomendação comum, quanto ao primeiro fator, é tanto preservar a independência do Fed quanto garantir a solvência fiscal em longo prazo. Se crescer o medo de que qualquer uma dessas coisas, ou, pior, ambas, estejam em perigo, a preocupação pode bastar para causar uma crise. O dólar poderia despencar, e as taxas de juros de longo prazo disparariam. Em uma crise como essa, seria perfeitamente possível temer um Fed menos independente se vendo forçado a adquirir títulos de dívida pública. E isso aceleraria a fuga ao dólar.
O papel mundial do dólar não serve aos melhores interesses dos EUA.
Os argumentos em favor de um sistema diferente são muito fortes. Isso não acontece porque o papel do dólar esteja em risco, hoje, mas sim porque ele prejudica a estabilidade interna e mundial. A hora de buscar alternativas é agora.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

O DÓLAR É MESMO MOEDA FORTE?

Até onde irá a cotação do dólar? Amanhã, o comentário de MARTIN WOLF, direto do FINANCIAL TIMES sobre a AINDA poderosa moeda.
Pelos menos enquanto estivermos por esta TERRA, não acredito que teremos uma moeda como o US$.
China? União Européia? Brasil?
Esse pessoal ainda tem muito a fazer...

domingo, 11 de outubro de 2009

JORNAL BRASIL ECONÔMICO

É com satisfação que divulgamos a entrada de mais um jornal neste imenso BRASIL. Especialmente ainda por ser na nossa área de economia. Seja bem vindo BRASIL ECONÔMICO - http://www.brasileconomico.com.br e que traga as informações com a credibilidade que merecemos.
E para sabermos se eles vieram para ficar, pinçamos um texto do Ricardo Galuppo, que é diretor de redação do Brasil Econômico. BOA SORTE!
Nos anos 1980 uma máxima em relação ao câmbio — atribuída ao ex-presidente da Volkswagen do Brasil, Wolfgang Sauer — acabou se transformando em verdade nos corredores da FIESP. Dizia o seguinte: “não importa qual é a taxa de câmbio. Ela estará sempre defasada em 30%”.
Enigmática nos dias de hoje, essa frase tinha o peso de chantagem: numa economia que tinha as exportações como única forma de se obter moeda estrangeira, os exportadores de manufaturados sempre conseguiam o que queriam. Isto é, uma quantidade sempre maior de moeda local em troca dos dólares obtidos no comércio exterior.

Essa imagem me vem à cabeça no momento em que acompanho a crescente valorização do real frente ao dólar. No dia 5 de dezembro de 2008, eram necessários R$ 2,50 para se comprar US$ 1.

Na quarta-feira passada, o mesmo dólar custava R$ 1,75 - uma queda livre de quase 30% em 10 meses. E, pelo ritmo do baile, continuará caindo. Mais: de acordo com o BC, até o final deste ano deverão entrar no país um valor entre US$ 20 bilhões e US$ 30 bilhões.

Esse é o resultado do interesse que os lançamentos de ações e de títulos das empresas brasileiras no exterior têm despertado entre os investidores.

O real continuará sua escalada de valorização frente ao dólar. Conforme Brasil Econômico publicou em sua edição de ontem, é provável que esse movimento prossiga até que se volte à paridade que vigorou nos primeiros meses do Plano Real, em junho de 1994: R$ 1 por US$ 1.

E os exportadores de manufaturados, como ficam? Bem, eles terão de aprender a lidar com essa realidade pois a máxima de Sauer - a dos 30% de defasagem permanente do câmbio - nunca mais prevalescerá.

Da mesma forma que, no início dos anos 1990, as empresas tiveram de aprender a lidar com os concorrentes que surgiram com a abertura do mercado, as companhias atuais terão de se adaptar a essa nova realidade. Terão de se tornar mais competitivas. Como aliás, muitas delas já fizeram.

Estadão: A demografia e o capitalismo.

Em artigo publicado na revista  Foreign Affairs  ( The Population Bust: Demographic Decline and the End of Capitalism as We Know It ), Zach...