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domingo, 5 de setembro de 2010

ESCOLA ECONÔMICA: NEOLIBERAL.

Na ÉPOCA desta semana, uma excelente entrevista com o colega GUSTAVO FRANCO, que está lançando “CARTAS A UM JOVEM ECONOMISTA”, texto de leitura obrigatória para economistas ou admiradores da Economia. Na entrevista, já temos uma aula de economia, numa linguagem direta e exata.

ÉPOCA – Em seu novo livro, o senhor diz que a economia é um assunto complexo e que, muita vezes, os economistas a complicam ainda mais. Por quê?

Gustavo Franco – O problema é a comunicação. Primeiro, porque você precisa do vocabulário próprio do saber especializado. É como os médicos. Eles têm um idioma próprio que permite concentrar muita substância em poucas palavras. Segundo, porque é um assunto realmente difícil. E muitos profissionais têm o pudor de não usar analogias do tipo “o país é como se fosse uma família, que tem um orçamento doméstico”. Isso não tem nada a ver. O pudor em usar a simplificação em excesso faz o profissional ser cuidadoso na forma de se expressar – e acho que isso é correto. Agora, é curioso que as pessoas admitam isso do médico, do dentista, mas não do economista, porque é um assunto que todo mundo acha que entende.

ÉPOCA – Em um aspecto as pessoas são tolerantes com os economistas, mas não admitem nos médicos: os erros. Por que os economistas erram tanto?

Franco – Os médicos também erram muito. O tipo de realidade com a qual o economista lida é diferente. Compare, por exemplo, um economista com um físico que quer fazer a previsão do tempo. Ele não é nem capaz de dizer se amanhã vai chover. Não é que as leis da física não funcionem. É que os sistemas que ele examina, com os instrumentos de computação e tecnologia de que dispõe, não lhe permitem previsões. Na economia, é a mesma coisa. A gente erra igualzinho a qualquer outro profissional que se empenhe em prever o futuro.

ÉPOCA – O senhor diz que, se pudesse escolher um lema para a profissão, escolheria “Não há almoço grátis”, de Milton Friedman. O que há de tão importante nisso?

Franco – Ele combina uma tonalidade mundana com algo com o qual cada um de nós está envolvido o tempo todo. Em nosso cotidiano, há dez situações que acontecem durante o dia em que você pode verificar que não há almoço grátis. Tem de fazer escolhas. Tem de escolher entre ficar com o dinheiro e comprar alguma coisa, entre comprar uma bicicleta ou um casaco. São situações em que você não pode escolher as duas coisas. Senão, seria moleza, não teria graça.

ÉPOCA – O senhor fala também sobre as patrulhas que existiam no ensino da economia no país quando era estudante, nos anos 70 e 80. Isso ainda existe hoje?

Franco – Quando eu era estudante, existia mais nitidez em relação às escolas de pensamento, principalmente no campo doutrinário. Hoje, não. Desapareceu aquela situação que havia antes da queda do Muro de Berlim, em que você tinha o economista de esquerda e o chamado economista burguês. Hoje, ainda se tenta manter viva essa lenda criando a noção de que há a Escola Neoliberal e os outros. Acho que isso não existe mais. As diferenças são mais questões de embalagem, nuances. No Brasil, se você analisar a atuação do Banco Central no governo Lula, não vai achar uma diferença relevante do que era o Banco Central no governo Fernando Henrique Cardoso. Mesmo assim, você sempre vai ter economistas marxistas. É um tipo de pensamento econômico que só sobrevive como curiosidade e só deve ser olhado como medicina alternativa. Não vai ajudá-lo a pensar sobre o mundo atual.

ÉPOCA – O senhor diz que, no Brasil, havia um patrulhamento e um grande preconceito na academia contra os economistas internacionais que enfatizavam o papel da matemática. Isso também se diluiu hoje?

Franco – Existem dois tipos de patrulha. A mais badalada, que é a ideológica, é menos importante. A mais importante é a patrulha dos amadores. É qualquer pessoa que, quando está diante de um economista, duvida que ele saiba qualquer coisa sobre economia que quem não é economista já não tenha descoberto, com base na experiência do dia a dia. Muita gente acredita que não é necessário ser um economista profissional, que qualquer pessoa pode entender a economia – e não é assim. Na medicina, se o sujeito for se meter a médico sem se formar, ele pode ir em cana. Na economia, o tempo todo surge um monte de entendidos que falam bobagem.

ÉPOCA – Qual é o maior desafio da economia brasileira para o próximo presidente?

Franco – É o crescimento, sem dúvida. Nosso crescimento ainda está um pouco abaixo do potencial e excessivamente dependente do consumo. Está destinado, portanto, a ser baixo. Esse é o grande desafio, a elevação do investimento. Vai haver diferenças de opinião sobre a melhor forma de fazer isso, e espero que a campanha eleitoral ajude a esclarecer a população.

ÉPOCA – O senhor tem sido um crítico duro dos gastos públicos no atual governo. Isso deve ser uma das prioridades do novo presidente?

Franco – Sem dúvida. Hoje, ao contrário do que acontecia na época da inflação elevada, o governo tem de lidar com uma espécie de avaliação da solidez e da consistência da política econômica pelo mercado, em tempo real. Quando o governo erra, as coisas começam a pesar quase imediatamente. No Brasil, na época do Delfim (Netto, ex-ministro da Fazenda e do Planejamento), o governo podia fazer bobagem durante anos. Não tinha mercado, não tinha liberdade de imprensa. Era um mundo diferente. Agora, com a globalização, a movimentação de capitais serve como um plebiscito contínuo. Isso acaba levando o governo a fazer as coisas certas. Posso até afirmar que algumas coisas feitas pelo presidente Lula não foram feitas por convicção, mas por causa desse entorno.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

GUSTAVO FRANCO E A ECONOMIA 2009

Para este final de semana de viagem, uma entrevista com Gustavo Franco, diretamente do Blog da Miriam Leitão, que merece a devida reflexão e sinaliza para a manutenção dos pés no chão, neste próximo ano totalmente eleitoral. Ex-presidente do Banco Central, Gustavo Franco chama de "gastança pró-cíclica de intuito eleitoral" as medidas do governo para incentivar a economia. Ontem, o ministro Guido Mantega anunciou uma injeção de mais R$ 80 bilhões. Para Franco, o governo está superaquecendo o país e isso vai forçar um aumento da taxa de juros no ano que vem.
Nesta entrevista ao blog, o hoje sócio da Rio Bravo Investimentos afirma que as previsões de um crescimento próximo de zero do PIB em 2009 significam um ritmo muito forte da economia no quatro trimestre, forte a ponto de ser insustentável em 2010. O mercado começa a revisar as perspectivas de crescimento da economia para uma taxa ligeiramente negativa. O que isso significa para a economia? Gustavo Franco - Acho que o resultado está dentro das margens de previsão: os analistas esperavam um crescimento levemente positivo ou negativo para o ano fechado, ou seja, algo próximo de zero, o que é um excelente resultado, por paradoxal que pareça. É preciso lembrar que este crescimento é média de quatro trimestres de 2008, contra média de quatro trimestres de 2009, e que o “peso” da crise é muito grande. Terminar em zero significa que os três últimos trimestres de 2009 serão muito fortes, como têm sido, fortes a ponto de se dizer que é um ritmo insustentável para um ou dois trimestres adiante de 2010. O PIB do terceiro trimestre pode piorar o cenário da economia em 2010? O que está fazendo piorar a perspectiva para o próximo ano é a insistência injustificada em medidas de incentivo enganosamente descritas como “anti-cíclicas”. Já ultrapassamos este assunto, o que temos agora, em bom português, é uma gastança pró-cíclica de intuito eleitoral, cujo impacto será o de superaquecer a economia e forçar a taxa de juros para cima. O dado do PIB em si pouco alterou, então, a perspectiva de aumento de juros no próximo ano? O anúncio alterou muito pouco a expectativa de que os juros vão subir. Quanto mais gasto, mais juro. Tentar demonstrar, na prática, que a teoria econômica não funciona, ou que o Brasil é diferente, fazendo a nação de cobaia, não vai nos levar a lugar algum, exceto a um passado de planos heterodoxos de triste memória. Com esse PIB, você teme que o governo se sinta compelido a injetar ainda mais recursos na economia? Seria péssimo, principalmente porque nos retira de um caminho virtuoso e sustentável de política macroeconômica. Não há cabimento em imaginar que se possa levar muito adiante um processo de “substituição” do gasto privado pelo público, ou seja, reduzir o gasto privado via juros e aumentar o gasto público para compensar. Esta substituição perversa pode ser uma herança maldita, esta sim, verdadeiramente maldita, que este governo estará deixando para o próximo.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

SHAKESPEARE E A ECONOMIA

Por essa eu não esperava: SHAKESPEARE na nossa ECONOMIA. Que o colega GUSTAVO FRANCO está sempre com novidades no prelo, tudo bem. Porém, um livro com o título SHAKESPEARE E A ECONOMIA foi a boa surpresa neste início de semana. Se SHAKESPEARE já era um gênio por toda a sua obra, agora com economia deve permanecer mesmo no OLIMPO ao lado de outros DEUSES.

Livro analisa a economia a partir da vida e obra de William Shakespeare:

E segundo a FOLHA DE S. PAULO, Economia não é a primeira coisa que vem à cabeça quando se pensa em Shakespeare, mas um novo lançamento está mostrando que a vida e a obra do grande bardo podem servir de suporte para pensarmos sobre a economia e a origem do capitalismo.

"Shakespeare e a Economia" traz dois ensaios de abordagens distintas, porém que se complementam. O primeiro é um texto de 1931 de Henry W. Farlan que analisa os primórdios da economia como ciência a partir das peças do dramaturgo, abordando conceitos como os valores de troca. Revelando que mesmo que o dramaturgo não pensasse a economia como os pensadores modernos, muitos conceitos embrionários já estavam presentes em suas peças.

A obra entrelaça também o aspecto empresarial de Shakespeare com o ensaio do economista Gustavo Franco, que mostra que o dramaturgo não era apenas um bom artista, mas também um empresário de sucesso. Franco também aborda a economia do teatro, a linguagem, as companhias teatrais, sua organização e seus resultados financeiros, além de surpreender o leitor com cálculos que mostram como Shakespeare era dono de uma fortuna considerável.

sábado, 8 de agosto de 2009

GUSTAVO FRANCO E MARX

GUSTAVO FRANCO, em 1997, ao ser entrevistado sobre a crítica que recebe por não conhecer nada de MARX, saiu-se com essa pérola: "Eu estudei bastante Marx quando era criança. Tanto como qualquer pessoa. Também li James Joyce, O sujeito não precisa ser um especialista em MARX para entender de ECONOMIA. Talvez pelo contrário (risos)."
O tempo passa mas a verdade continua...

terça-feira, 21 de abril de 2009

GUSTAVO FRANCO NO ESTADÃO

Para melhor entendimento da atual época, vide abaixo, entrevista no Estadão de 17/04/2009 com o Economista GUSTAVO FRANCO:
'Cada mês será melhor, mas pior que o de 2008'' 
Para o economista, a redução da taxa Selic seria mais eficaz para a economia que qualquer pacote do governo Os efeitos da crise internacional na economia brasileira transformaram uma política fiscal "quase irresponsável" em um quase acerto, na opinião do economista Gustavo Franco. Ex-presidente do Banco Central, o hoje sócio-fundador e estrategista-chefe da Rio Bravo Investimentos diz que o sentimento de alívio seria "mais justo" do que euforia no governo. 
Para ele, a redução da taxa Selic para um dígito será mais eficaz para a atividade do que qualquer pacote do governo, "inclusive o PAC, de efeito pequeno na economia como um todo". A seguir, os principais trechos da entrevista: 
Foi um erro classificar os efeitos da crise como marola? 
Uma coisa são as declarações das autoridades, outras são as ações. 
As declarações são, às vezes, infelizes, mas não têm a menor importância, a não ser no noticiário, no imaginário e na política. Para a economia propriamente dita, não creio que seja verdade que as autoridades econômicas tenham tratado a crise com pouca importância. 
Do ponto de vista das medidas efetivamente tomadas, acho que a direção, sem dúvida, é correta. 
E o que, na sua opinião, não está na direção correta? 
A política fiscal. Antes de setembro tínhamos uma situação inadequada, excessivamente expansionista, quase irresponsável, sobreaquecendo a economia. 
Depois de setembro, as coisas se precipitam com enorme velocidade e essa política contracíclica se inverte, fica menos deslocada e excessiva. 
As autoridades começam a falar de política anticíclica e aumentam o gasto público. Isso dá a sensação de observar um relógio parado que pelo menos uma vez por dia marca a hora certa. 
O relógio estava errado, veio a crise, do ponto de vista fiscal ficou certo, mas o tempo não para de passar e daqui a pouco vai precisar encolher, o que será mais complicado. 
Os indicadores econômicos melhoram mês a mês, mas há grande saldo negativo em relação há um ano. Está bom ou ruim? 
Temos agora uma das pequenas armadilhas da estatística. 
O País vinha crescendo a um ritmo bastante veloz e a partir de setembro teve um encolhimento em curva muito rápida. 
A partir daí recomeçamos a crescer lentamente. Vamos continuar, lá pelo meio do ano, com a sensação de que cada mês é melhor do que o anterior, mas ainda pior do que o mesmo mês do ano passado. 
Essa situação vai prevalecer durante muito tempo e as pessoas vão se divertir com os paradoxos da estatística. A sensação vai ser de crescimento e de que as estatísticas estão erradas. 
Essa evolução será suficiente para evitar crescimento negativo este ano? 
Difícil dizer. Dependendo do ritmo que as coisas andarem é possível, sim, crescimento positivo este ano. 
Há muita gente projetando crescimento negativo, ou perto se zero. Mas isso é adivinhação. Depende do que ocorrer no futuro, especialmente em relação à política monetária. 
Há um fato histórico, que é a taxa de juros cair a um dígito. Isso será muito mais útil e relevante do que os impulsos que vêm nessas iniciativas governamentais; são sempre seletivas e de pouco alcance. Eu incluiria aí o próprio PAC. 
O investimento total do setor público este ano de 2009 será um pouquinho maior do que 1% do PIB, mesmo com o PAC, o que não é muito diferente do que foi nos últimos anos.
Este governo, como muitos que o precederam, sempre procura pegar os investimentos que vai fazer de qualquer jeito e reempacotá-los de um jeito que parece uma iniciativa deste governo. 
Há euforia no governo? 
Acho deslocada totalmente a ideia de euforia. Alívio talvez seja o sentimento mais justo de perceber nas autoridades. 
Uma coisa muito séria está se dissipando sem que isso tenha produzido nenhuma catástrofe. 
Mas produziu, sim, um efeito negativo. Não há nada para comemorar. As perspectivas são razoáveis e vamos conseguir sair dessa. 
No setor privado e no mercado financeiro não há nenhum sinal de euforia, mas de cautela. Às vezes Brasília produz um sentimento desvinculado da realidade próprio daquele ambiente.

Estadão: A demografia e o capitalismo.

Em artigo publicado na revista  Foreign Affairs  ( The Population Bust: Demographic Decline and the End of Capitalism as We Know It ), Zach...