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sábado, 4 de junho de 2016
quarta-feira, 4 de novembro de 2015
“Pela democracia, contra a corrupção”
Lendo Lira Neto na ótima biografia de Getúlio Vargas, um trecho
cita que “a cada dia pipocavam escândalos, uns maiores, outros menores, nos
mais diversos setores da administração pública – fato que levou Carlos Lacerda
a cunhar a expressão ‘“mar de lama””.
Isso ocorreu em meados de 1952 e 1953, com a economia em pífio
desempenho.
Estamos em 2015 e parece que voltamos à “Além do Tempo”?!
Que Brasil!?!?!?
sábado, 4 de abril de 2015
O economista de Dilma Rousseff: Thomas Piketty.
Thomas Piketty continua na lista dos livros mais vendidos no Brasil,
agora com dois livros.
Além do já mundialmente famoso “O Capital no Século XXI”, na lista temos o
seu “A Economia da Desigualdade”.
Segundo o site http://glamurama.uol.com.br/sabe-qual-foi-o-livro-que-dilma-devorou-durante-sua-campanha/, "O Capital no Século XXI" foi o livro de cabeceira da presidente Dilma Rousseff
na campanha eleitoral de 2014, tendo a presidente lido em inglês, em apenas um
final de semana.
Em pesquisa por este blog se Joaquim Levy também já devorou o seu Piketty.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2014
Best books of 2014 - The Economist.
Economics and business:
Capital in the
Twenty-First Century. By Thomas Piketty. Belknap Press; 696 pages; $39.95 and
£29.95. Buy from Amazon.com<http://www.amazon.com/exec/obidos/ASIN/067443000X/theeconomists-20>; Amazon.co.uk<http://www.amazon.co.uk/exec/obidos/ASIN/067443000X/economistshop-21>
An unlikely bestseller
by a French economist, who, by looking at historical changes in the
concentration of income and wealth, shows that the importance of wealth in
modern economies is approaching levels unseen since before 1914.
The Forgotten
Depression, 1921: The Crash that Cured Itself. By James Grant. Simon &
Schuster; 254 pages; $28. Buy from Amazon.com<http://www.amazon.com/exec/obidos/ASIN/1451686455/theeconomists-20>; Amazon.co.uk<http://www.amazon.co.uk/exec/obidos/ASIN/1451686455/economistshop-21>
A study of the searing
1920s by the founder of a well-regarded financial newsletter. It sheds light on
a nasty, but largely ignored, episode and demonstrates that a laissez-faire
approach can cure slumps better than the government activism of the 1930s-or
indeed 2008.
Brazil: The Troubled
Rise of a Global Power. By Michael Reid. Yale University Press; 334 pages;
$32.50 and £20. Buy from Amazon.com<http://www.amazon.com/exec/obidos/ASIN/0300165609/theeconomists-20>; Amazon.co.uk<http://www.amazon.co.uk/exec/obidos/ASIN/0300165609/economistshop-21>
Our former Americas
editor, now the Bello columnist, analyses the troubled rise of a global power
and looks at the challenges that lie ahead.
domingo, 23 de novembro de 2014
Thomas Piketty - O Capital no Século 21.
O prêmio Business Book of the Year, do
Financial Times e McKinsey, deste ano foi para o épico "O Capital no
Século 21" (Ed. Intrínseca), do economista francês Thomas Piketty, que
analisa as raízes e consequências da desigualdade e os meios para enfrentar a
questão. Segundo Lionel Barber, editor do FT e presidente do júri, a decisão
foi tomada após um "vigoroso debate" sobre a "incrivelmente
forte" lista de seis finalistas.
Pelo primeiro lugar, Piketty receberá um prêmio de 30 mil libras,
enquanto cada um dos demais autores dos livros finalistas vão receber um prêmio
de 10 mil libras.
Os demais finalistas são: "Hack Attack", de Nick Davies, sobre o escândalo de escuta
telefônica que envolveu o império de mídia de Rupert Murdoch; "The Second
Machine Age", de Erik Brynjolfsson e Andrew McAfee, sobre a promessa da
revolução digital; "Creativity, Inc.", do cofundador da Pixar Ed
Catmull, com Amy Wallace, sobre como Catmull administrou a "criatividade
inteligente" do estúdio de animação; "House of Debt", análise de
Atif Mian e Amir Sufi de como evitar futuras recessões; e "Dragnet
Nation", de Julia Angwin, uma investigação do crescimento da "vigilância
da economia".
domingo, 9 de novembro de 2014
sábado, 1 de novembro de 2014
Thomas Piketty: O Capital no século XXI.
Finalmente, a edição brasileira com a tradução da competente colega Monica Baumgarten de Bolle, do mais recente fenômeno editorial no mundo da economia: Thomas Piketty e O Capital no século XXI.
sexta-feira, 17 de outubro de 2014
Prêmio Jabuti 2014.
Romance
1º) "Reprodução" (Companhia das Letras), de Bernardo Carvalho;
2º) "A Maçã Envenenada" (Companhia das Letras), de Michel Laub;
3º) "Opisanie Swiata" (Cosac Naify), de Veronica Stigger
Contos e crônicas
1º) "Amálgama" (Nova Fronteira), de Rubem Fonseca;
2º) "Você Verá" (Record), de Luiz Vilela;
3º) "Nu, de Botas" (Companhia das Letras), de Antonio Prata, e
"Um Solitário à Espreita (Companhia das Letras), de Milton Hatoum
Poesia
1º) "Bernini" (Demônio Negro), de Horácio Costa;
2º) "Jardim das Delícias" (Kelps), de Marcus Vinicius Quiroga; e
3º) "Ximerix" (Cosac Naify), de Zuca Sardan
Juvenil
1º) "Fragosas Brenhas do Mataréu" (Ática), Ricardo Azevedo;
2º) "As Gêmeas da Família" (Globo), Stella Maris Rezende;
3º) "Uma Escuridão Bonita" (Pallas), de Ondjaki
Infantil
1º) "Breve História de um Pequeno Amor" (FTD), de Marina Colasanti;
2º) Da Guerra dos Mares e das Areias" (Quatro Cantos), de Pedro Veludo; e
3º) "Poema que Escolhi para Crianças" (Moderna), de Ruth Rocha
Biografia
1º) "Getúlio (1930-1045)" (Companhia das Letras), de Lira Neto;
2º) "Wilson Baptista: O Samba Foi Sua Glória" (Casa da Palavra), de
Rodrigo Alzuguir;
3º) "O Castelo de Papel" (Rocco), de Mary del Priore
Reportagem
1º) "1889" (Globo), de Laurentino Gomes;
2º) "Holocausto Brasileiro" (Geração Editorial), de Daniela Arbex;
3º) Um Gosto Amargo de Bala" (Civilização Brasileira), de Vera Gertel
Comunicação
1º) "Mídia e Política na América Latina" (Civilização Brasileira), de
Carolina Matos;
2º) "Comunicação Ubíqua" (Paulus), de Lucia Santaella;
3º) "O Rosto e a Máquina" (Paulus), de Ciro Marcondes Filho
Tradução
1º) "A Anatomia da Melancolia" (UFPR), de Guilherme Gontijo Flores;
2º) "Antologia da Poesia Clássica Chinesa" (Unesp), de Ricardo Primo Portugal;
3º) "O Capital: Crítica da Economia Política, Livro 1" (Boitempo), de
Rubens Enderle
Tradução do inglês
1º) "Vênus e Adônis" (Leya), de Alípio Correia de Franca Neto;
2º) "Contos da Cantuária" (Companhia das Letras), de José Francisco
Botelho;
3º) "Ao Farol" (L&PM), de Denise Bottmann
Capa
1º) "A São Paulo de German Lorca" (Imesp), por Edson Lemos;
"Graffiti Fine Art" (Sesi), por Raquel Matsushita; "Murphy"
(Cosac Naify), por Paulo André Chagas
Ilustração
1º) "Brasil" (Empresa das Artes), por Meire de Oliveira;
2º) "Storyinhas" (Companhia das Letras), por Laerte;
"Decameron" (Cosac Naify), por Alex Cerveny
segunda-feira, 13 de outubro de 2014
A Ordem do Progresso: o livro.
Uma excelente opção para quem gosta de
Economia.
A edição atualizada do célebre “A Ordem do Progresso – Dois séculos
de política econômica no Brasil”.
Recomendado com louvor.
domingo, 31 de agosto de 2014
A ordem do progresso - Dois séculos de política econômica no Brasil.
Por R$ 99,90 a a Elsevier lança edição atualizada do ótimo "A ordem do progresso".
A primeira edição
de A ordem do progresso foi publicada há quase um quarto de século, em
comemoração ao centenário da República. Muitas crises tiveram de ser
enfrentadas. Com a vitória da oposição, a transição em 2002-2003 revelou-se
menos problemática do que se temia, com o Partido dos Trabalhadores abandonando
às pressas os seus excessos mais impetuosos como o repúdio das dívidas interna
e externa. Parecia que se assistia ao fim de ideias equivocadas em matéria de
política econômica. Na esteira do mensalão, em 2004-05, o compromisso petista
com políticas macroeconômicas prudentes começou a arrefecer. De fato, a partir
de 2010, acumularam-se indícios claros de reversão das políticas que haviam
sido estabelecidas na década de 1990 quanto à abertura comercial e ao papel do
Estado na economia. Até mesmo o compromisso com a estabilização passou a ser
relativizado. Esta nova edição pode ser vista como comemoração antecipada dos
dois séculos do Brasil independente e contém artigos de Marcelo de Paiva Abreu,
Dionísio Dias Carneiro, Gustavo Franco, Winston Fritsch, Luiz Aranha Correa do
Lago, Eduardo Modiano, Luiz Orenstein, Demósthenes Madureira de Pinho Neto,
André Lara Resende, Antonio Claudio Sochaczewski e Sérgio Besserman Vianna.
domingo, 10 de agosto de 2014
terça-feira, 13 de maio de 2014
Thomas Piketty: Um admirador crítico do capitalismo
Direto do The New York Times, leio na Folha mais uma matéria sobre o Thomas Piketty e o seu livro, atual sucesso mundial.
PARIS - Quando o Muro de
Berlim caiu, em 1989, Thomas Piketty tinha 18 anos, o que o poupou do debate
intelectual sobre as virtudes e os vícios do comunismo, que durou décadas na
França.
Segundo ele, mais
reveladora foi a viagem que fez com um amigo à Romênia no início dos anos 1990,
após a queda da União Soviética.
"Quando vi aquelas
lojas vazias, aquelas pessoas fazendo fila inutilmente na rua, ficou claro que
nós precisamos de propriedade privada e instituições de mercado, não só por uma
questão de eficiência econômica, mas também pela liberdade individual."
Mas o desencanto com o
comunismo não significa que Piketty deu as costas para o legado intelectual de
Karl Marx.
Como o alemão, ele é um
crítico ferrenho das desigualdades econômicas e sociais produzidas pelo
capitalismo desenfreado -as quais, para ele, se agravarão. "Sou de uma
geração que jamais teve atração pelo Partido Comunista. De certa maneira, isso
facilita retomar com frescor essas grandes questões sobre capitalismo e
desigualdade."
Em seu novo livro de 700
páginas, "Capital in the Twenty-First Century" [O Capital no Século
21], Piketty, 42, desmonta teses sobre a benevolência do capitalismo e prevê
desigualdade crescente em países industrializados, com impacto sobre valores
democráticos como justiça e equidade.
O livro, que está na
lista dos mais vendidos do "New York Times", pretende ser um retorno
ao tipo de história econômica e economia política escrito no passado por Marx e
Adam Smith.
A obra se empenha em
compreender sociedades ocidentais e as regras econômicas que as sustentam. E em
seu decorrer, ao desmascarar a ideia de que "a riqueza ergue todos os
barcos", Piketty desafia governos democráticos a lidarem com o abismo crescente
entre ricos e pobres.
Piketty cresceu em um lar
impregnado de política. Seus pais, esquerdistas, participaram das manifestações
em 1968 que sacudiram a França tradicional.
Mais relevantes e
importantes, disse ele, são as "experiências fundamentais" de sua
geração: o colapso do comunismo, a degradação do Leste Europeu e a Guerra do
Golfo. Tais eventos o incitaram a tentar entender um mundo no qual ideias
econômicas tinham consequências tão nefastas.
Piketty entrou na
elitista École Normale Supérieure aos 18 anos. Sua dissertação de doutorado
sobre a teoria da redistribuição da riqueza, concluída quando ele tinha 22
anos, ganhou prêmios.
Então ele se mudou para
os Estados Unidos, para lecionar no Instituto de Tecnologia de Massachusetts
(MIT), mas se decepcionou com o estudo de economia americano e voltou para a
França.
"Percebi rapidamente
que havia pouco empenho para coletar dados históricos sobre renda e riqueza,
então comecei a fazê-lo".
Com a ajuda dos potentes
computadores atuais, suas conclusões se baseiam em séculos de estatísticas
sobre o acúmulo de riqueza e o crescimento econômico em países industriais
desenvolvidos.
Elas também são
enunciadas de maneira simples: a taxa de crescimento da renda do capital é
várias vezes maior que o ritmo do crescimento econômico.
Isso significa que uma
parcela comparativamente decrescente vá para a renda ganha com salários, os
quais raramente aumentam mais rápido que a atividade econômica.
A desigualdade aumenta
quando a população e a economia crescem lentamente.
A desigualdade em si é
aceitável, diz ele, à medida que incita a iniciativa individual e a geração de
riqueza que, com a ajuda da taxação progressiva e outras medidas, ajuda a
melhorar a situação de todos na sociedade.
"Não vejo problema
na desigualdade, desde que ela seja de interesse comum", afirmou.
Porém, Piketty diz que a
desigualdade extrema "ameaça nossas instituições democráticas". A
democracia não significa apenas cada cidadão um voto, mas a promessa de
oportunidades iguais.
A última parte do livro
apresenta as ideias de Piketty sobre políticas públicas. Ele defende uma
taxação global progressiva sobre a riqueza real (menos dívida), com os
resultados decorrentes não entregues a governos ineficientes, mas
redistribuídos para os que têm menos capital.
O livro tem despertado
críticas, especialmente às prescrições políticas de Piketty, consideradas
ingênuas. Ele recebe bem as críticas. "Certamente estou aguardando
ansiosamente os debates."
domingo, 4 de maio de 2014
Thomas Piketty e Elio Gaspari - O capital no século 21.
Leio hoje na FOLHA o comentário de Elio Gaspari sobre o livro "Capital" do Thomas Piketty, atual destaque no mundo da Economia.
Amanhã o Metropolitan Museum de Nova York abre
a escadaria para o baile anual do seu instituto de moda. A entrada custa US$ 25
mil, e o freguês terá passado pela seleção de Anna Wintour, a bruxa do filme
"O Diabo Veste Prada", diretora da revista "Vogue", czarina
da moda e princesa do mundo das celebridades. O "Met Gala" é o tapete
vermelho mais bonito, rico e exclusivo do mundo. Quem não tiver a graça de
pisá-lo poderá ir para um bar discutir o livro "Capital", do
professor francês Thomas Piketty. Por caminhos diferentes, estará no mesmo
mundo.
Piketty escreve com a elegância com que a
atriz Gwyneth Paltrow se veste. Montado num banco de dados rico como a vitrine
da joalheria Cartier, o professor é claro: o mundo entrou num período de
concentração da renda. As pessoas e os países ricos ficarão mais ricos. Para as
nações emergentes, inclusive o Brasil, fica a suspeita que crescerão a taxas menores.
Nos Estados Unidos, essa época de ostentação
da riqueza é comparada à "Gilded Age", que foi do fim do século 19 ao
início do 20. A expressão designava uma abastança exuberante, porém
superficial. Piketty não a usa, fala mais na "Belle Époque" francesa.
A diferença está no fato de que uma teve o escritor Marcel Proust, e a outra,
bilionários vulgares, cuja ideia de refinamento levava-os a copiar castelos e
casar as filhas com nobres europeus quase sempre falidos, jamais monógamos,
talvez heterossexuais. (Só na cesta dos duques, compraram 22.)
Durante a festa do século 19 também
pontificava um jornalista. Ele organizava o baile anual de Caroline Astor e
dizia que a elite de Nova York tinha 400 pessoas, o número de convidados que
cabiam no salão da milionária. Na lista de La Wintour, entram 700 convidados.
Ela é uma jornalista cuja determinação, instinto estético e visão comercial
deveriam ser matéria de estudo para quem entra nesse ramo da profissão. (O
teste de que uma pessoa é desprovida do sentimento da inveja está em
admirá-la.) Wintour perfilhou o instituto de moda do Metropolitan, para quem
vai o dinheiro dos ingressos. A partir de amanhã a nova ala de roupas do museu
levará seu nome. Será inaugurada por Michelle Obama.
O baile de Piketty tem a harmonia de uma
valsa. No início do século 20 os 1% que estavam no andar de cima ficavam com
20% da renda dos Estados Unidos e da Inglaterra. Até 1980 essa riqueza encolheu
à metade, mas, a partir daí, voltou a crescer e retornou ao ponto inicial. A
queda deveu-se a políticas sociais? Não, foram as duas guerras. Os bilionários
de hoje seriam diferentes, afinal, Bill Gates fez a Microsoft. Tudo bem, mas a
francesa Liliane Bethencourt (L'Oreal) tem US$ 25 bilhões e nunca trabalhou na
vida. Herdou. Entre 1990 e 2010 as fortunas de ambos cresceram 13% ao ano,
apesar de Bill Gates já ter parado de trabalhar.
O "Capital" é um monumento de
pesquisa e elegância. Piketty trabalhou com acervos estatísticos jamais
estudados, e reconhece que isso só foi possível porque apareceu o computador.
Obsessivo, mergulhou até nas listas de bilionários das revistas de negócios,
mesmo ressalvando que têm pouco valor científico. (Os brasileiros que compraram
ações de Eike Batista sabem que é isso mesmo.) Se os números dos bilionários da
"Forbes" merecem pouca fé, as carteiras de investimentos das
universidades americanas merecem toda. Os patrimônios mobiliários daquelas que
têm fundos com mais de um bilhão de dólares cresceram 8,8% ao ano entre 1980 e
2010. Já as pobrezinhas, com menos de 100 milhões, ficaram com 6,1% ao ano.
Harvard, com US$ 30 bilhões, teve rendimentos de 10,1% anuais. (As reservas da
Universidade de São Paulo encolheram.)
Quando Caroline Astor dava seu baile, o andar
de cima sustentava que assim era a vida e o de baixo lotava as ruas para ver a
passagem dos magnatas. A partir de amanhã o mundo poderá ver na rede imagens do
baile de Anna Wintour. Retratará uma época. O "Capital no Século 21"
também está na rede, em inglês, por enquanto. Sai por US$ 21,99.
quarta-feira, 30 de abril de 2014
Capitalismo.
Leio hoje na FOLHA artigo do Professor Delfim Netto elogiando a mais nova sensação do mundo econômico nos últimos dias: o livro do Thomas Piketty.
A Folha prestou mais um
grande serviço traduzindo e publicando na semana passada (26/4) longa e
excelente resenha assinada por um competente provocador, o economista Paul
Krugman, de um livro destinado a ser um clássico. Trata-se de "Le Capital
au XXIe Siècle" (o capital no século 21), de Thomas Piketty, agora
traduzido para o inglês. Krugman acredita que ele vai mudar duas coisas: como
pensamos a sociedade e como fazemos teoria econômica.
Piketty está nos EUA,
numa espécie de "road show" de seu livro, em que expõe a indecente e
quase inacreditável concentração da renda e da riqueza do 1% (e do 0,1%) dos
americanos mais ricos. Num auditório lotado, foi sabatinado e aplaudido por dois
Prêmios Nobel: Joseph Stiglitz e o próprio Krugman. Como de costume, a esquerda
apressada viu nisso o espectro de Marx, e a direita retardada, apenas o
resultado do mérito!
Os números de Piketty
sugerem que o "capitalismo competitivo" está dando lugar a um "capitalismo
patrimonialista". É importante insistir que ele rejeita toda grande
história com suas leis determinísticas. A concentração da renda é, basicamente,
resultado de decisões do sistema político. Em palavras que não são de Piketty,
o processo civilizatório depende de um jogo paciente e dialético entre duas
instituições fundamentais: a urna (em que cada cidadão tem apenas o seu voto) e
o mercado (no qual cada cidadão tem votos proporcionais à sua riqueza), que
exige que elas sejam independentes entre si, o que não é um problema trivial.
Se o mercado se apropria da urna, o processo civilizatório entra em estagnação
ou em regressão. Se a urna se apropria do mercado, temos o populismo, que
termina no autoritarismo.
Nos EUA, Piketty afirmou:
"Acredito na propriedade privada, mas o capitalismo e o mercado devem ser
escravos da democracia, e não o oposto". Ao contrário do que pensam alguns
economistas, o amadurecimento do capitalismo não leva, necessariamente, à maior
igualdade ou à maior liberdade de iniciativa, duas componentes essenciais do
processo civilizatório.
Não é trivial porque o
controle político tem, por natureza, de procurar sua perpetuação e reprodução.
Estamos diante de um problema que só pode ser resolvido por uma profunda
reforma institucional. Por exemplo, o Senado, que é mais facilmente capturado
pelo "mercado", deve ter apenas o poder revisor para equilibrar a
Federação. O senador não deve ter iniciativa legislativa e, muito menos,
suplente. E o deputado deve ser escolhido por uma forma de eleição distrital,
para que o custo de campanha seja muito menor e visível aos eleitores.
Esperemos que alguma
editora enfrente a tarefa de traduzir e publicar o livro de Piketty.
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
Qual é o seu FOCO?
Recomendo a todos o excelente
FOCO – A atenção e seu papel fundamental para o sucesso, do Daniel Goleman, o
famoso autor de Inteligência emocional. São apenas 294 páginas de uma ótima
leitura, que faz o leitor realmente sentir-se envolvido durante todo o texto. Já tinha lido na Veja, Exame e Você S/A boas resenhas sobre o livro, o que apenas confirmei após a leitura.
quarta-feira, 9 de outubro de 2013
Minha liberdade é escrever.
Quando a liberdade de expressão está em jogo, este blog permanece ao lado da LIBERDADE.
Caro
Caetano,
Nos
EUA, quando eu era menino, havia uma campanha para prevenir acidentes na
estrada. O slogan rezava: "Amigos não deixam amigos bêbados dirigir".
Lembrei disso ao ler suas declarações e as de Paula Lavigne sobre biografias no
Brasil. Fiquei tão chocado que me sinto obrigado a lhe dizer: amigo, pelo amor
de Deus, não dirija.
Nós
nos conhecemos há muitos anos, desde que ajudei a editar seu "Verdade
Tropical" nos EUA. Depois, você foi maravilhoso quando lancei no Brasil a
minha biografia de Clarice Lispector, escrevendo artigos e ajudando com o
alcance que só você possui. Admiro você, de todo o meu coração.
E
é como amigo e também biógrafo que te escrevo hoje. Sei que você sabe da
importância de biografias para a divulgação de obras e a preservação da
memória; e sei que você sabe quão onerosos são os obstáculos à difusão da
cultura brasileira dentro do próprio Brasil, sem falar do exterior.
Fico
constrangido em dizer que achei as declarações suas e da Paula, exigindo
censura prévia de biografias, escandalosas, indignas de uma pessoa que tanto
tem dado para a cultura do Brasil. Para o bem dessa mesma cultura, preciso
dizer por quê.
Primeiro,
achei esquisitíssimo músicos dizerem que biógrafos querem ficar com
"fortunas". Caetano, como dizem no Brasil: fala sério. Ofereço o meu
exemplo. A biografia de Clarice ficou nas listas de mais vendidos em todo o
Brasil.
Mas,
para chegar lá, o que foi preciso? Andei por cinco anos pela Ucrânia, pela
Europa, pelos EUA, pesquisando nos arquivos e fazendo 257 entrevistas. Comprei
centenas de livros. Visitei o Brasil 12 vezes.
Fiquei
contente com as vendas, mas você acha que fiquei rico, depois de cinco anos de
tais despesas? Faça o cálculo. A única coisa que ganhei foi a satisfação de ver
o meu trabalho ajudar a pôr Clarice Lispector no lugar que merece.
Tive
várias vantagens desde o início. Tive o apoio da família da Clarice. Publico em
língua inglesa, em outro país. Tenho a sorte de ter dinheiro próprio. Imagine
quantos escritores no Brasil reúnem essas condições: ninguém.
Mas
a minha maior vantagem foi simplesmente ignorância.
Não
fazia ideia das condições em que trabalham escritores e jornalistas
brasileiros. Não sabia quanto não se pode dizer, num clima de medo que lembra a
época de Machado de Assis, em que nada podia ofender a "Corte".
Aprendi,
por exemplo, que era considerado "corajoso" escrever uma coisa que
todo mundo no Brasil sabe há quase um século, que Mário de Andrade era gay.
Aprendi que era até inusitado chamar uma cadeira de Sergio Bernardes de feia.
Aprendi
o quanto ganham escritores, jornalistas e editores no Brasil, e quanto os seus
empregos são inseguros, e como são amedrontados por ações jurídicas, como essas
com que a Paula, tão bregamente, anda ameaçando.
É
um tipo de censura que você talvez não reconheça por não ser a de sua época.
Não obriga artistas a deixarem o país, não manda policiais aos teatros para
bater nos atores. Mas que é censura, é. E muito mais eficaz do que a que
existia na ditadura. Naquela época, as obras eram censuradas, mas existiam.
Hoje, nem chegam a existir.
Você
já parou para pensar em quantas biografias o Brasil não tem? Para só falarmos
da área literária, as biografias de Mário de Andrade, de João Guimarães Rosa,
de Cecília Meirelles, cadê? Onde é que ficou Manuel Bandeira, Rachel de
Queiroz, Gilberto Freyre? Você nunca se perguntou por que nunca foram feitas?
Eu
queria fazer. Mas não vou. Porque o clima no Brasil, financeiro e jurídico,
torna esses empreendimentos quase impossíveis. Quantos escritores brasileiros
estão impedidos de escrever sobre a história do seu país, justamente por
atitudes como as suas?
Por
isso, também, essas declarações, de que o biógrafo faz isso só por amor ao
lucro, ficam tão pouco elegantes na boca de Paula Lavigne. Toda a discussão
fica em torno de nossas supostas "fortunas".
Você
sabe que no Brasil existem leis contra a difamação; que um biógrafo, quando
cita uma obra ainda com "copyright", tem obrigação de pagar para tal
uso. Não é diferente de você cantar uma música de Roberto Carlos. Essas
proteções já existem, podem ser melhoradas, talvez. Mas estamos falando de uma
coisa bem diferente da coisa que você está defendendo.
De
qualquer forma, essas obsessões com "fortunas" alheias fazem parte do
Brasil do qual eu menos gosto. Une a tradicional inveja do vizinho com a
moderna ênfase em dinheiro que transformou um livro, um disco, uma pintura em
"produto cultural".
Não
é questão de dinheiro, Caetano. A questão é: que tipo de país você quer deixar
para os seus filhos? Minha biografia foi elogiosa, porque acredito na grandeza
de Clarice. Mas liberdade de expressão não existe para proteger elogios. Disso,
todo mundo gosta. A diferença entre o jornalismo e a propaganda é que o
jornalismo é crítico. Não existe só para difundir as opiniões dos mais
poderosos. E essa liberdade ou é absoluta, ou não existe.
Imagino,
e compreendo, que você pense que está defendendo o direito dos artistas à vida
privada. Mas quem vai julgar quem é artista, o que é vida privada e o que é vida
pública, sobre quem, e sobre o que se pode escrever e sobre quem e, sobre quem
não? Você escreve em jornal, você, como o artista deve fazer, tem se metido no
debate público. José Sarney, imortal da Academia Brasileira das Letras, escreve
romances. Deve ser interditada também qualquer obra crítica sobre ele, sem
autorização prévia?
Não
pense, Caetano, que o seu passado de censurado e de exilado o proteja de você
se converter em outra coisa. Lembre que o Sarney, quando foi eleito governador
do Maranhão, chegou numa onda de aprovação da esquerda. Glauber Rocha, também
amigo seu, foi lá filmar aquela nova aurora.
Não
seja um velho coronel, Caetano. Volte para o lado do bem. Um abraçaço do seu
amigo,
Benjamin
Moser
Benjamin
Moser é autor de
"Clarice" (Cosac Naify).
sexta-feira, 13 de setembro de 2013
Livros para gestores: de Keynes a Sun Tzu.
Recentemente li no VALOR ECONÔMICO uma excelente matéria sobre LIVROS que devem estar na biblioteca básica de gestores. E do que li, constam grandes mestres da nossa Economia.
A
presença de peso de John Maynard Keynes na biblioteca básica dos gestores também
é um sintoma do interesse pelas crises. Como autor ou tema, o economista inglês
aparece na lista de dois gestores, com três obras. "O mundo em que estamos
vivendo hoje é muito keynesiano", afirma Luiz Carlos Mendonça de Barros,
diretor-estrategista da Quest Investimentos. A crise americana, considera, se
encaixa bem nesse arcabouço teórico. "Um período de boom leva a uma série
de exageros dentro do próprio sistema, vinculados à ganância e à especulação,
que acabam criando uma crise que interrompe esse processo de crescimento",
explica Mendonça de Barros.
O
sócio da Quest diz que seu otimismo quanto à recuperação da economia dos
Estados Unidos está ligado ao fato de considerar que o governo do país tem
seguido a cartilha keynesiana. Na lista recomendada por Mendonça de Barros,
chama a atenção a indicação de "A Arte da Guerra", do chinês Sun Tzu.
O livro ensina as técnicas para vencer um conflito bélico. "Porque
investir ou gerir fundos é uma guerra, é bom estar esperto", brinca o
economista que, em tempos de novas tecnologias, ainda é apegado ao livro de
papel. Em viagens longas, entretanto, ele faz uma concessão às obras
digitalizadas. "Viajar para fora e levar livro virou um negócio de velho
reacionário. E isso eu não sou."
Keynes
também está na lista indicada por Arminio Fraga. Não na versão macroeconomista,
mas na pele de investidor. Biógrafos contam que ele fez fortuna com ações, em
uma faceta menos conhecida. Sobre períodos de estresse, o fundador da Gávea
indica "Manias, Panics and Crashes", de Charles Kindleberger (Manias,
Pânico e Crashes, na tradução para o português). É um clássico sobre crises
financeiras, diz Fraga, baseado em eventos históricos e inspirado em Hyman
Minsky, economista que estudou o surgimento da instabilidade a partir da
estabilidade, "visão hoje muito em voga por razões óbvias", diz
Fraga.
XX Congresso Brasileiro de Economia.
No recente XX Congresso
Brasileiro de Economia ocorreu a entrega do Prêmio Brasil de Economia. Na categoria livro de Economia os vencedores foram os colegas:
1º Lugar (Prêmio de R$ 6.000,00): Reinaldo Gonçalves (CORECON-RJ) - Desenvolvimento às avessas: verdade, má-fé e ilusão no atual modelo brasileiro de desenvolvimento.
2º Lugar (Prêmio de R$ 4.000,00): Gustavo H. B. Franco (CORECON-RJ) - As leis secretas da economia.
3º Lugar (Prêmio de R$ 3.000,00): Eduardo Simões de Almeida (CORECON-SP) - Econometria Espacial Aplicada.
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Artigo do João Ayres, Marcio Garcia, Diogo A. Guillén e Patrick J. Kehoe na NBER Working Paper No. 25421. https://www.nber.org/papers/...
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https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,minha-homenagem-a-affonso-celso-pastore,70002874791






