sábado, 13 de novembro de 2010

REVISTA EXAME.

Parabéns a revista EXAME pela excelente reformulação do site http://exame.abril.com.br/, o mais completo site de negócios, economia e finanças do BRASIL. Vale a pena dar uma espiada!!! E aproveitando o post, STANLEY FISCHER, atual presidente do Banco Central de Israel e nosso velho conhecido do FMI e Banco Mundial, afirma que: "É COMPLICADO MANTER UMA ECONOMIA FORTE COM UMA MOEDA FRACA."

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

O BRASIL NO MUNDO EM 2010.

Por mais que possa existir uma vontade política para a desvalorização do Real, o Brasil não é uma ilha e as grandes potências não tem por hábito curvar-se ao interesse nacional. Antes de envolver-se em contendas externas, temos diversos deveres em casa para realizar. Afinal, não é possível o BRASIL ter o 8º PIB mundial e manter a 73ª posição no ranking do IDH 2010 composto por 169 países.

Acelera Brasil neste bem próximo 2011, porém sem demagogia.

"KIWI TUU"

ALEXANDRE SCHWARTSMAN, economista-chefe do Grupo Santander Brasil, doutor em economia pela Universidade da Califórnia (Berkeley) e ex-diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, escreveu na FOLHA DE S. PAULO sobre o “Kiwi tuu”.

QE2 (PRONUNCIA-SE "kiwi tuu"), como ficou conhecido, é a nova tentativa do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) de impulsionar a economia dos EUA após sinais de perda de fôlego da recuperação.

Concretamente, consiste na compra de mais US$ 600 bilhões em títulos do Tesouro americano, de preferência com prazo entre cinco e seis anos, de modo a reduzir as taxas de juros dos títulos daquela maturidade.

Em condições normais não é exatamente assim que se opera a política monetária. Na prática, bancos centrais preferem agir diretamente sobre a taxa de juros -quase sempre a taxa overnight (aplicável a empréstimos de um dia)-, comprometendo-se a emprestar e a tomar emprestados recursos à taxa-meta determinada pelos seus comitês de política monetária, isto é, pela compra (ou venda) ilimitada de títulos à taxa-meta.

O Fed já reduziu a taxa de juros overnight para praticamente zero e é impossível reduzi-la ainda mais.

De fato, se um título fosse remunerado a taxas nominais negativas, seus detentores sempre poderiam trocá-los por notas de dinheiro, cujo retorno (zero) seria superior.

A ocorrência de juro zero, ainda que rara, não é inédita: aconteceu durante a Grande Depressão e, mais recentemente, tornou-se característica da longa crise japonesa. Passou a ser, desde então, objeto de estudos por parte de economistas monetários, entre eles o atual presidente do Fed, Ben Bernanke.

Em 2002, já no Fed, embora não como seu presidente, Bernanke, numa palestra famosa, sugeriu os passos que deveriam ser seguidos para contornar o problema caso viesse (como afinal veio) a se manifestar.

Dizia então que o Fed poderia estender para maturidades mais longas os mesmos procedimentos que usa para fixar a taxa de juros de um dia, isto é, se comprometer a comprar ilimitadamente títulos de, digamos, cinco anos, para fixar seu rendimento.

A bem da verdade, o Fed não foi tão longe na decisão da semana passada, anunciando, em princípio, que sua intervenção está limitada a US$ 600 bilhões até junho de 2011 (que, somados ao reinvestimento dos títulos a vencer, representam compras de aproximadamente US$ 900 bilhões).

Ainda assim, mesmo antes do anúncio da decisão, as taxas de juros dos papéis mais longos se reduziram nos últimos dois meses: houve uma queda próxima a 0,50% ao ano no caso dos títulos de cinco anos. Em outras circunstâncias isso representaria um impulso considerável à demanda interna.

No entanto, não vivemos em condições normais (fosse o caso, não estaríamos discutindo o QE2) e restam dúvidas sérias acerca da disposição de consumidores e de empresas americanos em elevar seus gastos, mesmo com taxas de juros mais baixas, isso para não mencionar a pouca disposição dos bancos (ainda fragilizados) no sentido de aumentar a disponibilidade de crédito.

Em outras palavras, há chances consideráveis de que essa estratégia não funcione, isto é, de que a trajetória da economia com o QE2 seja muito similar à que ocorreria na ausência do QE2.

Isso dito, deve ser claro que, nas atuais circunstâncias, trata-se de um risco que o Fed tem de correr.

Com efeito, o risco maior é o de pecar por omissão e permitir que a fraqueza hoje existente se transforme no temido "segundo mergulho", que poderia levar os EUA ao território deflacionário, com consequências sérias para a economia mundial. À luz disso, só a obsessão equivocada com a taxa de câmbio real-dólar (deixando de lado todas as demais moedas diante das quais o real se depreciou) poderia explicar a reação de certas autoridades.

Ignorando que o QE2 é uma tentativa de acelerar a demanda interna, tal mania os leva a interpretá-la como uma estratégia para desvalorizar o dólar (numa economia em que exportações representam meros 12% do PIB!), enquanto engolem placidamente práticas bem mais deletérias por parte de outros países.

Internet: www.maovisivel.blogspot.com

BRASIL: O REI DO ALTO CONSUMO.

Direto da FOLHA DE S. PAULO, um dos maiores críticos do gasto público no Brasil, o economista Raul Velloso diz que o país está se tornando o "rei do alto consumo", mas sem poupança para sustentar essa trajetória. Abaixo trechos de sua entrevista à Folha:

Folha - O sr. é um crítico da expansão do gasto público, principalmente dos relacionados a benefícios que não tiveram a contrapartida contributiva de quem os recebe. Mas eles explicam em grande medida a volta do dinamismo à economia brasileira e o crescimento do PIB. Quais são os principais problemas?

Raul Velloso - Muitos pregam que seria possível aumentar o consumo a qualquer custo, puxando-o pelos gastos públicos. O fato é que o Brasil se tornou o rei do alto consumo. Mas poupamos pouco, e, no setor público, a poupança é negativa. No final, para crescer minimamente, temos de absorver poupança externa.

O que não se diz é que o "modelo" do alto consumo não ajuda a indústria de transformação e tem um alto custo fiscal. A indústria paga a conta, porque algum setor tem de gerar deficit externo para a poupança entrar. E não será o setor de commodities que vai fazer isso.

É daí que vem a apreciação cambial. Como a poupança pública não existe, os excedentes de divisas são comprados via endividamento público, o que é caríssimo.

Hoje, o custo de carregar as reservas que temos é de R$ 50 bilhões ao ano, bem mais do que a União investiu no ano passado (R$ 34 bilhões) e 3,8 vezes os gastos com o Bolsa Família (R$ 13 bilhões).

Quem está pagando a conta da valorização cambial é a indústria. É possível resolver o problema com medidas outras que não o corte do gasto público, como impor IOF, tarifas, vigiar o dumping?

Não. É tudo paliativo. Estamos diante de um impasse. Antes mesmo da atual inundação de dólares, o real já estava se apreciando, sob o modelo do consumo elevado. Nele, sobe a demanda em todos os setores. Mas, na indústria, o preço é dado externamente, pois ela compete com os importados. E esse preço não está subindo.

Os recursos que poderiam financiar a indústria migram para o setor de serviços, pois, como não se pode importar serviços, sua rentabilidade aumenta pela falta de competição extra.

Devido a essa falta de investimentos e pelo fato de a indústria ter preços que competem com o dos importados, as compras externas aumentam e há o crescimento do deficit externo.

Diante da enxurrada de dólares, o Banco Central continua comprando o excesso e aumentando as reservas. Faz isso emitindo dívida pública, remunerada por um dos maiores juros do mundo.

A solução correta seria o governo gastar menos e economizar para comprar os dólares com recursos próprios, como fazem os asiáticos.

No esquema atual, o custo fiscal é galopante, e, quanto mais reserva, mais dólar é atraído. Em breve estaremos recriando a CPMF (o imposto do cheque), teoricamente para a saúde, mas de fato para tapar o buraco nas contas.

José Serra disse que, se eleito, dobraria o Bolsa Família. O programa custa menos de 1% do PIB e atinge mais de 40 milhões de pessoas. Não faria sentido concentrar os recursos sociais justamente nesses realmente miseráveis?

Sem dúvida. O Bolsa Família é o programa que mais atinge a classe efetivamente pobre. O que temos de fazer é parar de dar aumentos reais para o salário mínimo, que corrige 27 milhões de benefícios sociais. É só pensar: R$ 50 a mais para quem ganha um salário mínimo (de, digamos, R$ 500) significam um aumento de 10%.

Isso tem efeito distributivo bem menor do que para quem passa a ganhar R$ 70 no Bolsa Família.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

A THE ECONOMIST NO BRASIL.

A publicação mais influente e lida entre os empresários e líderes políticos de todo o mundo é a conhecida revista britânica THE ECONOMIST. Defensora do liberalismo e criada em 1843, a "Economist" é chefiada desde 2006 por John Micklethwait, que está em São Paulo para participar de um debate sobre o potencial brasileiro. Abaixo comentários do mesmo sobre assuntos que hoje dominam o mundo:

Pressão brasileira

Não sou pessimista com o G20 porque minhas expectativas com o sucesso desse encontro são bem baixas. Mas o Brasil deveria pressionar mais a China, junto com os demais emergentes.

Mas a China foi bem eficiente em culpar exclusivamente os EUA. A emissão de dólares dos EUA certamente não ajuda, mas o Brasil precisa lembrar a responsabilidade chinesa, pois as manufaturas muito baratas prejudicam a indústria brasileira. O desequilíbrio é culpa dos dois, não só dos EUA.

Potência regional

Por enquanto, Brasil, China e Índia criaram uma situação em que todos ganham. O que o Brasil vende eles não têm. E a agricultura brasileira é muito mais produtiva que a chinesa ou a indiana.

Dependência chinesa

A balança brasileira está muito dependente da China. O Brasil precisa de produtos de maior valor agregado. A agricultura é fantástica, então tem que fazer produtos finalizados, ter marcas.

O setor de serviços pode se internacionalizar. O sistema bancário pode ser muito forte na América Latina.

Declínio americano

É muito cedo para decretar o declínio absoluto dos EUA. Estão em meio a uma recessão séria, mas onde as pessoas mais talentosas do mundo querem estudar? Em que empresas querem trabalhar?

É sério que houve mudanças. Reagan falava coisas extremas, mas tinha lido Hegel, algo que não posso falar de Sarah Palin.

O achado de Murdoch foi criar uma rede de comunicação para um público conservador que era sub-representado na mídia.

Sempre suspeito quando dizem que em 2025 a China será o maior império do mundo. Não será uma evolução em linha reta. Há desafios na urbanização, na religião e choques com os vizinhos, muitas dificuldades no caminho.

Europa subestimada

Também acho que muita gente está subestimando a Europa. Ela tem um problema sério de pessimismo, mas tem os trabalhadores mais qualificados. Se desregular seu setor de serviços, ele vai virar um gigante.

A Europa já sofreu grandes problemas e tem uma capacidade de se reinventar e de reconstrução enormes.

Alemanha e Europa anglosaxônica avançarão mais. Mesmo os franceses, que foram às ruas lutar contra a aposentadoria mínima aos 62 anos, também sabem que precisam mudar.

Inteligência de massa

O fenômeno da globalização ajuda muito a "The Economist". Nossa tiragem tem crescido muito, já supera 1,5 milhão por semana.

Temos 30 correspondentes internacionais, uma cobertura realmente global, então é normal que muitos brasileiros ou indianos nos leiam.

Vivemos a ascensão da "inteligência de massas". Reclamamos do sucesso das revistas de celebridades e fofocas, do baixo nível da TV, mas nunca tanta gente no planeta foi à universidade, leu ou teve tanto acesso à informação.

Jornalismo Estamos virando blogueiros e aprendendo multimídia. Mas, para 90% da equipe, o que busco são as habilidades do jornalismo de sempre: inteligência para pensar em novas dimensões sobre tudo.

A importância de debater o PIB nas eleições 2022.

Desde o início deste 2022 percebemos um ano complicado tanto na área econômica como na política. Temos um ano com eleições para presidente, ...