quinta-feira, 11 de novembro de 2010

BRASIL: O REI DO ALTO CONSUMO.

Direto da FOLHA DE S. PAULO, um dos maiores críticos do gasto público no Brasil, o economista Raul Velloso diz que o país está se tornando o "rei do alto consumo", mas sem poupança para sustentar essa trajetória. Abaixo trechos de sua entrevista à Folha:

Folha - O sr. é um crítico da expansão do gasto público, principalmente dos relacionados a benefícios que não tiveram a contrapartida contributiva de quem os recebe. Mas eles explicam em grande medida a volta do dinamismo à economia brasileira e o crescimento do PIB. Quais são os principais problemas?

Raul Velloso - Muitos pregam que seria possível aumentar o consumo a qualquer custo, puxando-o pelos gastos públicos. O fato é que o Brasil se tornou o rei do alto consumo. Mas poupamos pouco, e, no setor público, a poupança é negativa. No final, para crescer minimamente, temos de absorver poupança externa.

O que não se diz é que o "modelo" do alto consumo não ajuda a indústria de transformação e tem um alto custo fiscal. A indústria paga a conta, porque algum setor tem de gerar deficit externo para a poupança entrar. E não será o setor de commodities que vai fazer isso.

É daí que vem a apreciação cambial. Como a poupança pública não existe, os excedentes de divisas são comprados via endividamento público, o que é caríssimo.

Hoje, o custo de carregar as reservas que temos é de R$ 50 bilhões ao ano, bem mais do que a União investiu no ano passado (R$ 34 bilhões) e 3,8 vezes os gastos com o Bolsa Família (R$ 13 bilhões).

Quem está pagando a conta da valorização cambial é a indústria. É possível resolver o problema com medidas outras que não o corte do gasto público, como impor IOF, tarifas, vigiar o dumping?

Não. É tudo paliativo. Estamos diante de um impasse. Antes mesmo da atual inundação de dólares, o real já estava se apreciando, sob o modelo do consumo elevado. Nele, sobe a demanda em todos os setores. Mas, na indústria, o preço é dado externamente, pois ela compete com os importados. E esse preço não está subindo.

Os recursos que poderiam financiar a indústria migram para o setor de serviços, pois, como não se pode importar serviços, sua rentabilidade aumenta pela falta de competição extra.

Devido a essa falta de investimentos e pelo fato de a indústria ter preços que competem com o dos importados, as compras externas aumentam e há o crescimento do deficit externo.

Diante da enxurrada de dólares, o Banco Central continua comprando o excesso e aumentando as reservas. Faz isso emitindo dívida pública, remunerada por um dos maiores juros do mundo.

A solução correta seria o governo gastar menos e economizar para comprar os dólares com recursos próprios, como fazem os asiáticos.

No esquema atual, o custo fiscal é galopante, e, quanto mais reserva, mais dólar é atraído. Em breve estaremos recriando a CPMF (o imposto do cheque), teoricamente para a saúde, mas de fato para tapar o buraco nas contas.

José Serra disse que, se eleito, dobraria o Bolsa Família. O programa custa menos de 1% do PIB e atinge mais de 40 milhões de pessoas. Não faria sentido concentrar os recursos sociais justamente nesses realmente miseráveis?

Sem dúvida. O Bolsa Família é o programa que mais atinge a classe efetivamente pobre. O que temos de fazer é parar de dar aumentos reais para o salário mínimo, que corrige 27 milhões de benefícios sociais. É só pensar: R$ 50 a mais para quem ganha um salário mínimo (de, digamos, R$ 500) significam um aumento de 10%.

Isso tem efeito distributivo bem menor do que para quem passa a ganhar R$ 70 no Bolsa Família.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

A THE ECONOMIST NO BRASIL.

A publicação mais influente e lida entre os empresários e líderes políticos de todo o mundo é a conhecida revista britânica THE ECONOMIST. Defensora do liberalismo e criada em 1843, a "Economist" é chefiada desde 2006 por John Micklethwait, que está em São Paulo para participar de um debate sobre o potencial brasileiro. Abaixo comentários do mesmo sobre assuntos que hoje dominam o mundo:

Pressão brasileira

Não sou pessimista com o G20 porque minhas expectativas com o sucesso desse encontro são bem baixas. Mas o Brasil deveria pressionar mais a China, junto com os demais emergentes.

Mas a China foi bem eficiente em culpar exclusivamente os EUA. A emissão de dólares dos EUA certamente não ajuda, mas o Brasil precisa lembrar a responsabilidade chinesa, pois as manufaturas muito baratas prejudicam a indústria brasileira. O desequilíbrio é culpa dos dois, não só dos EUA.

Potência regional

Por enquanto, Brasil, China e Índia criaram uma situação em que todos ganham. O que o Brasil vende eles não têm. E a agricultura brasileira é muito mais produtiva que a chinesa ou a indiana.

Dependência chinesa

A balança brasileira está muito dependente da China. O Brasil precisa de produtos de maior valor agregado. A agricultura é fantástica, então tem que fazer produtos finalizados, ter marcas.

O setor de serviços pode se internacionalizar. O sistema bancário pode ser muito forte na América Latina.

Declínio americano

É muito cedo para decretar o declínio absoluto dos EUA. Estão em meio a uma recessão séria, mas onde as pessoas mais talentosas do mundo querem estudar? Em que empresas querem trabalhar?

É sério que houve mudanças. Reagan falava coisas extremas, mas tinha lido Hegel, algo que não posso falar de Sarah Palin.

O achado de Murdoch foi criar uma rede de comunicação para um público conservador que era sub-representado na mídia.

Sempre suspeito quando dizem que em 2025 a China será o maior império do mundo. Não será uma evolução em linha reta. Há desafios na urbanização, na religião e choques com os vizinhos, muitas dificuldades no caminho.

Europa subestimada

Também acho que muita gente está subestimando a Europa. Ela tem um problema sério de pessimismo, mas tem os trabalhadores mais qualificados. Se desregular seu setor de serviços, ele vai virar um gigante.

A Europa já sofreu grandes problemas e tem uma capacidade de se reinventar e de reconstrução enormes.

Alemanha e Europa anglosaxônica avançarão mais. Mesmo os franceses, que foram às ruas lutar contra a aposentadoria mínima aos 62 anos, também sabem que precisam mudar.

Inteligência de massa

O fenômeno da globalização ajuda muito a "The Economist". Nossa tiragem tem crescido muito, já supera 1,5 milhão por semana.

Temos 30 correspondentes internacionais, uma cobertura realmente global, então é normal que muitos brasileiros ou indianos nos leiam.

Vivemos a ascensão da "inteligência de massas". Reclamamos do sucesso das revistas de celebridades e fofocas, do baixo nível da TV, mas nunca tanta gente no planeta foi à universidade, leu ou teve tanto acesso à informação.

Jornalismo Estamos virando blogueiros e aprendendo multimídia. Mas, para 90% da equipe, o que busco são as habilidades do jornalismo de sempre: inteligência para pensar em novas dimensões sobre tudo.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

"FED E O DESCONHECIDO"

Há dias tento postar este texto do LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS, publicado na FOLHA DE S. PAULO, com o título ”FED E O DESCONHECIDO”. Boa leitura!!!

Como era esperado, o Federal Reserve americano decidiu aumentar o estímulo monetário via compra adicional de US$ 600 bilhões de títulos federais em circulação.

Chamado de QE2 - "quantitative easing 2" -, ele representa, na prática, uma clássica emissão de moeda que deve levar o valor do balanço do banco central americano para a incrível cifra de US$ 2,6 trilhões.

Para entender essa decisão do Fed - e ao mesmo tempo os receios de um grupo mais conservador de analistas econômicos -, é preciso ter em conta que estamos em um campo da economia muito pouco explorado na academia.

Afinal, uma recessão como a que estamos vivendo há mais de dois anos no mundo desenvolvido tem acontecido muito raramente.

Talvez apenas a que ocorreu na década de 30 do século passado tenha as mesmas características da crise atual. Mas nesses 80 anos o entendimento teórico de momentos como esse evoluiu muito pouco. São ainda as ideias e sugestões de Keynes que compõem o arcabouço teórico com que contam os governantes para reanimar a economia.

O presidente atual do Fed - Ben Bernanke - é um dos economistas que mais contribuíram para moldar um plano de ação para enfrentar recessões profundas como a de hoje. Mas mesmo ele dá claros sinais de estar agindo mais por intuição do que por firmeza conceitual.

Afinal, os juros de curto prazo estão praticamente a zero e os de médio e longo prazos não superam os 2,5% ao ano. Qual o efeito prático de aumentar ainda mais a liquidez se os bancos não se sentem com coragem de aumentar seus empréstimos a consumidores e a pequenas e médias empresas?

Alguns vão responder a essa questão dizendo que o objetivo maior do Fed é inundar a economia mundial com dólares e provocar uma corrida para outras moedas, forçando, na prática, a desvalorização da moeda americana. Por que um dólar mais fraco ajuda no combate à recessão? Porque os últimos meses trouxeram uma recuperação no consumo do americano médio, que é responsável por mais de dois terços do PIB nos EUA. Mas a recuperação do consumo acabou vazando para o exterior via importações, deixando as empresas americanas sem o apoio necessário para voltar a empregar.

Em agosto, o volume das importações americanas sem o petróleo voltou ao nível de antes da crise. É uma realidade terrível para um país que está com quase 10% de desemprego e fazendo um tremendo esforço fiscal para tentar recuperar o poder de compra dos cidadãos. Para a maioria dos americanos, o grande vilão dessa situação é a China, que não permite a valorização do yuan.

Outro canal importante que pode ser afetado por mais uma rodada de expansão monetária é o da expectativa de consumidores e empresários, via alta dos preços das ações em Wall Street. Existe uma correlação positiva clara entre essas duas variáveis, como mostram séries estatísticas conhecidas. Aliás, é o que vem acontecendo nas últimas semanas, quando os mercados se convenceram de que o Fed iria caminhar para o QE2.

Mas os benefícios dessa nova rodada de estímulo monetário podem ocasionar efeitos contrários importantes se parte dos analistas e gestores financeiros se assustar com uma possível volta da inflação no curto prazo.

Para esses, a inflação é um fenômeno essencialmente monetário e o excesso de liquidez que existe hoje -e que vai aumentar de forma importante nos próximos meses por ação do Fed - vai desembocar em um período de aumento de preços. Não rezo pela cartilha desses analistas, mas estou preocupado com a inflação em 2011 em partes do mundo mais aquecidas.

O excesso de liquidez que vivemos hoje está provocando uma pressão altista sobre os preços das commodities, tanto pelo canal das compras especulativas como pela demanda real das economias de mercado que voltaram a crescer.

Nesse quadro, se a economia norte-americana voltar a respirar por conta do QE2, a inflação pode realmente assustar.

domingo, 7 de novembro de 2010

"DON'T FIGHT THE FED"

The governments of China, Brazil and Germany may think it's worth squaring up to Ben Bernanke, but investors in the UK stock market and plenty of others around the world are wisely acting on that old investment adage: Don't Fight the Fed.

"HELL, NO!"

Há apenas dois anos ele era o fantástico BARACK OBAMA. Porém, hoje ele é um derrotado, consequência "apenas" da atual situação econômica americana. Daqui desta selva amazônica torço pelo sucesso do mesmo, pois o capitalismo americano é forte e, muito em breve, OBAMA estará de volta ao topo.
O cartoon é do inglês INDEPENDENT e retrata muito bem a situação por lá. Ainda bem que SARAH PALIN não tem nenhum companheiro LULA por perto.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

DELFIM E A EMPULHAÇAO.

Lemos na FOLHA DE S. PAULO, coluna de ANTONIO DELFIM NETO, com o sugestivo título: “EMPULHAÇÃO”. Ou prestamos atençao ao que acontece no mundo ou teremos um 2011 complexo.

A proposta de Timothy Geithner, o secretário do Tesouro dos EUA, para corrigir o desequilíbrio global, obrigando dentro de um prazo razoável cada país a limitar o seu superavit ou seu deficit em conta corrente a 4%, pode ser interpretada de várias maneiras.

Primeiro, como uma tentativa para não enfrentar o indigesto problema do câmbio chinês. É ilusão pensar que a resistência seja apenas de Pequim: as empresas americanas instaladas na China têm enorme poder de voto no Congresso americano, e os seus interesses seriam prejudicados com uma ação mais dura dos Estados Unidos.

Segundo, como uma empulhação. Os EUA sabem que o dólar precisa ser desvalorizado. Estão fazendo isso liquefazendo a sua dívida interna. No momento em que as "expectativas" de consumo e investimento se inverterem, poderemos ter uma taxa de inflação maior, que produzirá um aumento substancial da taxa de juro e uma depreciação do valor da sua dívida externa.

Se os países não conseguem controlar suas taxas de câmbio, como esperar que controlem os deficits em conta corrente? Mesmo simplificando o problema, o número de variáveis que precisam de controle (consumo, investimento, poupança, gasto público, taxa de juros, taxa de câmbio, salário real etc.) mostra que se trata de pura empulhação.

A recente descoberta -para dar solidez à proposta americana- de que Keynes sugerira algo semelhante em Bretton Woods (1944) beira o ridículo.

Keynes, no fundo, defendia uma espécie de "controle social dos investimentos" (que nunca se sabe como institucionalizar numa sociedade aberta). Ele, sem dúvida, foi o maior economista do século 20, e pagamos um preço alto por não levá-lo a sério. Podemos pagar outro levando-o, agora, a sério demais!

Lembremo-nos de que costumava responder a críticas de que era "volúvel" com a frase: "Quando o mundo muda, eu mudo. E você?". O que há de comum, afinal, entre o mundo de 1944 e o de 2010?

A despeito de a mídia financeira internacional ter classificado a proposta de Geithner como "sensata", é melhor prestar atenção à reação de quem tem a responsabilidade de manter funcionando a economia do seu país.

Para o ministro das finanças do Japão, Yoshihiko Noda, "a ideia de fixar metas numéricas é irrealista". O primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, acrescentou: "O G20 tem muita dificuldade em avançar tal ideia". E a resposta alemã, realista como sempre, foi certeira e mortal: "Não temos condições legais nem inclinação filosófica para interferir na economia para cortar nosso superavit. Afinal, é natural que países que estão envelhecendo poupem mais do que investem".

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

DILMA ROUSSEFF NA FORBES 2010.

There are 6.8 billion people on the planet. These are the 68 who matter. Dentre eles: na 16a posição, a presidente eleita DILMA ROUSSEFF. O que faz o poder de uma caneta...

Lula's handpicked successor is taking on the reigns as Brazil's first female president. Her victory wasn't the slam dunk originally expected on the first round at the polls, but on October 31 she beat her opponent with 56% of the votes. As Brazil's newly elected president Rousseff will run Latin America's largest economy and world's pantry: top exporter of sugar, orange juice, coffee, beef, poultry. Up to task: Former Marxist guerrilla was once jailed and tortured, twice divorced and recently survived lymphatic cancer. Not yet a household name, but will be soon, as Brazil gears up to host the 2014 World Cup and 2016 Olympics.

A importância de debater o PIB nas eleições 2022.

Desde o início deste 2022 percebemos um ano complicado tanto na área econômica como na política. Temos um ano com eleições para presidente, ...