domingo, 18 de julho de 2010

ROTEIRO PARA MELHOR CAPITALISMO.

Recebi neste momento do nosso grupo de Economia Política da UnB uma excepcional aula de DANIEL PIZA nestes tempos eleitorais sobre o ROTEIRO PARA MELHOR CAPITALISMO e não poderia deixar de postar para os meus, espero, ainda quase dois leitores. Vale a leitura e a lição de casa.

O maior problema de Dilma Rousseff e José Serra não é a falta de carisma, é a falta de capitalismo. Toda a melhora do Brasil nos últimos quinze anos está relacionada ao desenvolvimento e à integração que a economia moderna requer, como a abertura comercial, o rigor monetário, a competição criativa, o incentivo financeiro; aquilo, enfim, que Marx chamava de “liberar as forças de produção”. É isso que explica que boa parte do crescimento atual esteja relacionado ao consumo, à expansão da classe média – graças a medidas como fim da inflação alta, as privatizações (lembra quando apenas 10% da população tinha telefone e uma linha custava R$ 5 mil?) e a ampliação do crédito. Mas os dois candidatos mais cotados parecem compreender isso apenas parcialmente.

O que o Brasil vive no momento é um vigor capitalista, no melhor sentido da palavra. Não se trata do capitalismo selvagem, mas do capitalismo democrático, que faz o bolo crescer e ser dividido ao mesmo tempo. No regime militar, Delfim Netto dizia que primeiro o bolo tinha que crescer; a esquerda, antiliberal de outra maneira, respondia que só era possível dividir o bolo tirando-o da boca dos abonados. Com atraso de meio século, o Brasil agora percebeu o que os países desenvolvidos tinham percebido: que uma economia saudável é a que cresce para o máximo possível de pessoas, gerando emprego para que os assalariados possam comprar o que desejam. O Estado não é dono do mercado, mas deve ser seu parceiro (inclusive ao amparar os que não têm renda suficiente para consumo) e seu fiscalizador.

Mas ainda há muito por fazer, e o chato é que o (a) próximo (a) presidente deveria estar ciente disso. Temos uma carga tributária pesada e, mais importante, contraproducente, que pune quem deveria ser estimulado; veja a legislação trabalhista, que obriga o empregador a gastar o dobro do que paga ao funcionário. Temos um dos piores ambientes de negócios do planeta, atravancado por burocracia, corrupção, impunidade e desorganização; abrir ou fechar uma empresa sem ser escorchado por fiscais é um parto, ou mais demorado que uma gestação. E temos uma educação de terceira categoria, que não prepara os jovens para o mundo contemporâneo, deixa metade deles pelo caminho e tem aguda carência de engenheiros, cientistas e técnicos em geral.

Dilma e Serra mal falam disso com as devidas clarezas e ênfases. Ela continua enigmática, cada hora apontando para um lado, mais intelectualmente confusa que seu padrinho político. E é um símbolo do segundo mandato de Lula, ou seja, das tentativas de reforçar o papel do Estado intervencionista, por meio de bancos públicos, criação de estatais (a mais nova é a da área de seguros), controle da informação, fundos de pensão, aumento de servidores, etc. Como os institutos de pesquisa a soldo do governo, defende a gastança crescente do dinheiro do contribuinte com argumentos frouxos sobre a suposta “volta do Estado”, esquecendo que os governos deram dinheiro para as financeiras e não tiraram. E ela representa o modo de pensar e agir do velho PT, como mostram os episódios do programa de governo e do dossiê contra Eduardo Jorge.

Serra é mais experiente e mais informado a respeito de economia e administração, mas volta e meia deixa escapar uma visão pseudo-keynesiana (sempre é bom lembrar que Keynes era um liberal, a favor da economia do mercado, defensor do papel do Estado no socorro das crises, não na sangria dos cidadãos), como em suas declarações sobre o câmbio, com teses obscuras como aquela da “lei de responsabilidade cambial”. Também fez pouco pela redução de impostos e sua campanha no momento está mais concentrada em dizer que fará melhor o mesmo, como se fosse escrever mais um capítulo da política tucano-lulista de capitalismo envergonhado, baseada em estabilidade & assistencialismo, não em reformas sérias. Continuísmo por continuísmo, não espanta que Dilma tenha empatado com ele nas intenções de voto.

Dito cruamente, a maioria da população é capaz de discordar, mas o fato é que quer acima de tudo o capitalismo de consumo – e o quer cada vez mais livre de juros absurdos (11% ao mês no cartão de crédito) e regras cartoriais. O novo governo deveria seguir esse roteiro, sob pena de derrapar na curva ascendente.

ECONOMIA NÃO RIMA COM ELEIÇÃO.

O Brasil está em férias escolares com praias e aviões lotados, o péssimo resultado na Copa do Mundo não foi o fim do país, a campanha eleitoral segue com os candidatos desrespeitando a legislação eleitoral e não é visível uma luz verde no final do túnel da economia. Está claro que o Brasil e outros países, incluindo os do BRIC, não sofreram tanto as conseqüências da crise de setembro de 2008 que atingiu tão fortemente a economia dos Estados Unidos e da União Européia. No entanto, num mundo globalizado e com as movimentações financeiras em tempo real, cabe ao Brasil aplicar com mais seriedade ações que produzam crescimento contínuo, independente das alterações no comando da economia e da presidência da república.

É fato que nos últimos governos – apesar do atual entender que descobriu o Brasil – a população brasileira aumentou o seu poder de consumo, fazendo com que atualmente o país tenha 95 milhões de brasileiros somente na classe C. Trata-se do ingresso de uma classe média com grande poder de consumo, o que, espera-se, colaborará na manutenção crescente do PIB. De um PIB em 2009 de negativos 0,2%, as atuais projeções indicam que para este ano esse número poderá atingir 7,8%. A taxa de desemprego registra sinais de queda, caindo dos 8,1% em 2009 para estimados 6,8% em 2010. Porém o perigo mora ao lado, pois o pesadelo da inflação hoje em dia registra sinais de aumento, subindo dos 4,3% em 2009 para projetados 5,5% em 2010, o que em um país que apenas agora está conseguindo conviver em um nível de inflação normal, é um risco numa economia atualmente muito aquecida. Jim O’Neill, diretor do Goldman Sachs já avisou “O crescimento da economia brasileira está ligado à manutenção da inflação baixa.” Sob críticas dos empresários e até de setores do governo, o Banco Central vem aumentando a taxa de juros, mas a incógnita que traz a eleição de um novo presidente, não faz a economia viajar em vôo de brigadeiro.

Diante disso, causa perplexidade que os principais candidatos à presidência passem a maior parte do tempo discutindo a criação de dossiês, invasões de privacidade, utilização da máquina do governo em causa própria, o que causa ao país uma verdadeira “ética da contravenção”. O Brasil não merece isso. As graves situações que o país tem que enfrentar vão desde o combate a corrupção, a melhoria na educação (onde nossos números, por exemplo, em Matemática, estão no nível do Quirguistão), a perversa burocracia, até a deficiente infraestrutura, onde as péssimas condições das estradas e o alto custo de energia somente tendem a aumentar a perda da competitividade dos produtos aqui fabricados, mas são assuntos relegados a um patamar inferior nos debates eleitorais.

E o país não merece que numa campanha eleitoral esses tipos de assuntos não sejam discutidos. Conforme estudo da revista EXAME, um Brasil que em 2009, obteve de suas 500 maiores empresa um faturamento de 1,06 trilhão de dólares e um lucro superior 20% superior aos 50 bilhões de dólares em 2008, confirma que “o nosso capitalismo ficou mais produtivo.” A economia brasileira é forte, os políticos deve aproveitar este momento especial para discutir mais como melhorar este país e a sociedade não deve permitir que o governo gaste mais do que arrecada, principalmente em programas com viés eleitoral ou outros com custos elevados para construção de obras a ser utilizadas na Copa do Mundo e nas Olimpíadas.

USA: PERIGO À VISTA.

Apenas para melhor entendimento do que ocorre com os Estados Unidos, em um de seus recentes posts, MÍRIAM LEITÃO comentou parte do problema e a TIME conseguiu, em uma única imagem, mostrar a real situação.

Os Estados Unidos voltam a vivenciar um quadro de deterioração das contas externas. Em maio, a balança comercial registrou déficit de US$ -42,3 bilhões, o maior desde novembro de 2008. No ano, o saldo está negativo em US$ -198 bi contra US$ -144 bi em igual período de 2009. No acumulado em 12 meses, piorou de US$ -411 bi em abril para U$ -429 bi em maio.

Enquanto as exportações somaram US$ 152,25 bilhões - alta de 2,4% sobre o mês anterior, as importações fecharam em US$ 194,51 bilhões, o que representa aumento de 2,9%. Houve queda nas compras de petróleo e aviões para uso civil, mas alta nas importações de carros, produtos farmacêuticos e roupas.

- Lentamente, a corrente de comércio se recupera - está em patamar próximo a outubro de 2008, mas as importações, na margem, estão crescendo mais, o que fez o déficit comercial entrar em trajetória de piora novamente - dizem os economista do Banco Fator em relatório enviado ao blog.

E o saldo comercial com a China segue piorando: em maio, foi de US$-22,3 bi. Em 12 meses, já está em US$ -235,5 bi. Isso serviu de argumento para os Estados Unidos pressionarem o país a valorizar sua moeda.

AS PROBABILIDADES DE DELFIM NETTO.

Em 14/07/2010, ANTONIO DELFIM NETTO escreveu na FOLHA DE S. PAULO sobre a crise e cenários econômicos, com as probabilidades de acerto ou erro que a situação atual não nos permite acertar com 100% de sucesso.

As opiniões dos analistas sobre a evolução da conjuntura oscilam pendular e rapidamente do otimismo cauteloso ao pessimismo defensivo.
Mark Twain disse uma vez que agradecia ao bom Deus ter-nos criado ignorantes e que se alegrava quando alguém desafiava os Seus planos a esse respeito, mas devia fazê-lo por sua própria conta e risco.
Tomar risco significa apresentar análises e prognósticos que possam ser rejeitados pelos fatos dentro de um horizonte de tempo delimitado.
Por exemplo, é vazia a proposição que "a economia corre agora o risco de sofrer uma recaída ("double dip") com a probabilidade maior do que 50%". Sem dizer "quando", nunca será rejeitada pela experiência.
A mesma coisa se aplica às análises de cenários "alternativos" (de fato contrafactuais) aos quais se atribuem probabilidades: o cenário A, onde tudo dá certo, tem probabilidade de 20%; o B, onde o câmbio se desvaloriza, tem probabilidade 50%; e o C, onde o câmbio se desvaloriza e a taxa de juro real sobe, tem 30%.
Mas 20%, 50% e 30% de quê? Como dar sentido físico e operacional a tais estimativas subjetivas, por mais competentes que sejam seus autores? E como controlá-las "ex post facto"?
A originalidade desta crise é que ela foi construída nos países desenvolvidos. Para mitigá-la eles substituíram a demanda privada pela demanda pública, envolvendo-se em enormes desequilíbrios fiscais.
O duplo problema é mais complexo do que parece porque ele só pode ser resolvido com um crescimento econômico mais robusto.
Se a retirada da demanda pública não for compensada pela volta da demanda privada, o PIB cairá e os deficit e a dívida/PIB continuarão a crescer.
A solução alternativa de aumentar os impostos debilitará ainda mais o setor privado, reduzirá a produtividade do sistema econômico e a taxa de crescimento, sem nenhuma garantia de que o desequilíbrio fiscal seja, de fato, eliminado.
A única solução plausível é a de um ajuste fiscal crível, inteligente e bem calibrado, capaz de construir expectativas positivas que darão oportunidade à recuperação do "espírito animal" dos empresários e estímulo ao emprego.
A teoria econômica sugere e a história revela muitos casos de choques fiscais acompanhados de desvalorização cambial bem-sucedidos. Eles produziram uma expansão do PIB entre 18 e 24 meses pela retomada da demanda privada interna e externa, ao mesmo tempo em que resolveram o problema fiscal.

A IRRACIONALIDADE DO TREM-BALA.

LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS, escreveu na FOLHA DE S. PAULO sobre “A irracionalidade do trem-bala.” É por essas e outras que continuo afirmando que o Brasil obterá mais prejuízos do que lucros sediando Copa e Olimpíada. Por isso, independentemente de ser a favor ou contra o projeto do trem-bala, a leitura deste artigo é obrigatória para quem deseja, de verdade, entender um pouco como funciona as prioridades do governo.

Com o fim da Copa do Mundo, os analistas começam a pensar sobre o Brasil pós-Lula. Diria que o correto seria pensar no Brasil pós-Fernando Henrique Cardoso/Lula, mas isso fica a critério de cada um. Sei que muitos defendem a exclusividade do atual presidente na construção do Brasil dos próximos dez anos, mas estou convencido da dupla paternidade de uma economia brasileira nova.
Preocupa-me muito algumas prioridades do governo atual e que, no caso de vitória da candidata do Planalto, certamente farão parte de sua agenda de trabalho. Elas revelam uma guinada em direção a um estatismo que pensava estar fora da agenda política no Brasil.
Uma nova Telebrás pública e uma Seguradora estatal são sinais claros desse movimento. Mas outra fonte de preocupação minha - e esta não tem nada a ver com questões ideológicas - nasce do critério que está por trás da política de investimentos na infraestrutura econômica do país.
A importância desse tema é hoje quase consensual entre os analistas e de seu encaminhamento correto depende a intensidade do crescimento econômico na próxima década. Se forem realizados investimentos racionais que reduzam os custos de logística e evitem a formação de gargalos de oferta na área de energia, o Brasil pode crescer algo como 6% ao ano por um longo período.
Mas alguns sinais da direção do governo Lula - e certamente de sua candidata - apontam para outro lado. Tomemos o caso do chamado trem-bala, cujo leilão de concessão está marcado para dezembro. Sou radicalmente contra essa decisão, que revela uma leitura errada das prioridades para o país.
Afinal, serão mais de R$ 60 bilhões de investimentos - dos quais a maior parte virá do setor público- em um projeto de retorno econômico muito inferior a uma série de outros existentes.
Para ficar apenas no campo das ferrovias, citaria três outros projetos de importância muito superior a esse trem-bala caboclo: um complexo logístico ligando, por ferrovia, o centro de Mato Grosso a um porto na costa do Pacífico - Peru ou Chile - e a complementação de duas ferrovias hoje já existentes: a Ferronorte, em Mato Grosso, e a Norte Sul, no Tocantins.
Esses três projetos, que exigiriam menos recursos do que o trem-bala, se bem estruturados permitiriam a mobilização de investimentos do setor privado sem subsídios e contribuiriam para a redução importante do "custo Brasil" nas exportações de uma série de produtos primários.
Nosso país passaria a contar com uma extensa rede de transporte barato ligando portos - a leste e a oeste do país - com importantes centros de produção. Uma olhada rápida para os benefícios que a ferrovia que liga Carajás ao porto de Itaqui, no Maranhão, trouxe à economia deveria fazer corar os defensores - no governo e fora del e- desse exótico trem-bala. Além disso, a ligação portuária no Pacífico transformaria o Brasil em um ator de peso na Ásia, o polo mais importante do crescimento mundial nas próximas décadas.
Para enfrentar a questão dos aeroportos de São Paulo existem outras alternativas - talvez menos excitantes mas, certamente, mais eficientes economicamente - que serviriam ao mesmo propósito. Essa talvez seja a única motivação racional desse custoso projeto, pois não existe nenhum ganho logístico em uma ligação por trem de alta velocidade entre São Paulo e o Rio de Janeiro. Basta ver o custo de operação da movimentação de carga no sistema TGV na França apesar de sua rede de trilhos ser muitas vezes maior do que a ligação Campinas-Rio de Janeiro.
E não me venham com a história da Copa e da Olimpíada para justificar esse elefante branco que o governo atual quer deixar como herança para o próximo presidente. Para um empreendimento da dimensão de um trem de alta velocidade - e que precisa de várias décadas para se viabilizar -, não será a demanda gerada por empreendimentos esportivos ao longo de poucas semanas que vai ser decisivo para seu sucesso.

REGULAMENTAÇÃO FINANCEIRA.

MICHAEL SPENCE, que ganhou o Nobel de Economia em 2001 e é professor emérito da Universidade Stanford, escreve hoje na FOLHA DE S. PAULO sobre a “regulamentação financeira”.

Em todo o mundo, o debate sobre a regulamentação financeira vem ganhando intensidade. Há diversos argumentos e propostas em discussão, muitas vezes em competição uns contra os outros - e isso resulta em confusão política e do público.
Uma abordagem quanto à retomada da regulamentação financeira mais rígida envolveria limitar o tamanho das instituições. Há quem alegue que entidades menores poderiam quebrar sem com isso prejudicar o sistema, o que evitaria que os contribuintes tivessem de arcar com os custos de um resgate.
Mas, caso surjam riscos sistêmicos de natureza que ainda não compreendemos, os bancos menores podem todos quebrar ou enfrentar dificuldades simultaneamente, o que prejudicaria a economia real.
Um segundo argumento, fortemente contestado, é o de que limitar o tamanho e a área de atuação dos bancos não acarreta custos fortes em termos de desempenho.
Essa alegação é empregada para reforçar um terceiro argumento, o de que as instituições de grande porte exercem influência política indevida e "capturam" as agências que as fiscalizam.
A bem da franqueza, instituições grandes e lucrativas sempre encontrarão um modo de operar sob o sistema regulatório que preferem - um modelo compatível com uma superestrutura de transações de alta lucratividade que vá além das necessidades de "hedge" e busque maximizar os ganhos de curto prazo.
Uma segunda abordagem, sobre a qual existe concordância substancial em termos de princípios, é a limitação do endividamento. O principal argumento em seu favor é que o endividamento elevado contribui fortemente para o risco sistêmico - uma condição na qual os preços dos ativos se movimentam de maneira altamente correlata e os problemas, quando ocorrem, se espalham rapidamente.
O endividamento é causado, em parte, por percepções incorretas quanto a riscos e por uma formação incorreta de preços no que tange à liquidez. Conter o endividamento excessivo é desejável, mas não ao preço de elevar o custo do capital e do investimento.
Além disso, poucos observadores discordariam de que, com o aumento da complexidade do sistema, as disparidades de conhecimento, informação e domínio técnico estão se multiplicando.
Essas assimetrias prejudicam o desempenho do mercado de diversas maneiras, e conflitos de interesse são especialmente perigosos em um ambiente como esse, porque criam um incentivo para que essas vantagens sejam exploradas.
Existem duas maneiras de enfrentar a complexidade e a assimetria. Uma delas, adotada de forma ampla nos países em desenvolvimento, é simplesmente impor restrições a produtos (por exemplo, derivativos e fundos de "hedge"), sob a alegação de que as vantagens que essas restrições oferecem em termos de limitação de risco superam em muito o custo, na forma de acesso reduzido ao capital e distribuição menos ampla de riscos.
A segunda maneira é tentar reduzir a disparidade de informações ou seu impacto, ao regulamentar os conhecimentos especializados e os incentivos relacionados ao processo de classificação de títulos.
Em nível de certo modo mais profundo, existem duas tendências conflitantes que permeiam o debate público quanto à crise. Uma delas é a teoria da "tempestade perfeita": houve muitas falhas, percepções errôneas, assimetrias de informação e complexidades, bem como muitos exemplos de comportamento repugnante, a um só tempo, mas jamais havia ocorrido aos participantes do mercado, autoridades regulatórias ou acadêmicos que seu efeito combinado pudesse ser o quase colapso do sistema.
Agora parece ser universalmente aceito que os governos têm a responsabilidade de definir a estrutura e as regras do sistema financeiro, e que cabe aos agentes financeiros buscar satisfazer seus interesses dentro dos limites assim definidos.
Caso a estrutura seja a correta, o sistema terá bom desempenho. Cabe às regras garantir que o interesse social coletivo na estabilidade, eficiência e justiça do sistema seja defendido.

domingo, 11 de julho de 2010

PARA INVESTIR MAIS, É NECESSÁRIO POUPAR MAIS.

Abaixo, recente editorial do ESTADÃO, registra o momento econômico atual com relação a questão do investimento e da poupança.

O ano de 2010 será dos investimentos. A sondagem da Fundação Getúlio Vargas (FGV) indica que 86% das empresas têm programas de investimentos; estima-se que o consumo de máquinas aumentará 30% neste ano; e sabe-se que o setor que acusa o maior crescimento na indústria é o de bens de capital, junto com um robusto aumento das importações desses bens. E o governo está promovendo, em razão do período eleitoral, um forte aumento dos investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

A sondagem da FGV coloca, em primeiro lugar, como motivação para investir a necessidade de expandir a capacidade de produção (40% neste ano, ante 24% em 2009). Aumentar a eficiência produtiva explica 28% da motivação (ante 36% no ano passado). Com isso, verifica-se que a indústria aposta, com razão, num aumento do consumo das famílias, ao contrário do ano anterior, quando a aposta errada obrigou-a a aumentar suas importações.

No mesmo dia em que era divulgada a sondagem da FGV, o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, declarava que a necessidade de aumentar o nível de poupança interna, como condição para continuar a crescer, era o principal desafio do momento.

Ora, aumentar a poupança significa diminuir o consumo, seja pelas famílias, seja pelo governo enquanto a aposta da indústria é pela elevação da demanda. O presidente do BC explicou que maior formação da poupança "passa pela maior eficiência do Estado e mercado financeiro mais desenvolvido". Nos últimos meses, foram os gastos do governo que estimularam o crescimento da demanda doméstica, fator que, na verdade, continua existindo, porém, fortalecido agora por uma política de "bondades" suscitada pela campanha eleitoral, a ponto de se ter a impressão de que o governo está comprando os eleitores. No entanto, não se verifica, da parte do governo, nenhuma vontade de aumentar sua poupança, isto é, de apresentar um verdadeiro superávit primário, mesmo depois de ter pago os investimentos do PAC.

Seria possível, por meio do programa imobiliário, aumentar a poupança das famílias, mas por enquanto não se nota essa tendência. Na prática, é anulada pelo excesso de crédito fácil, de modo que os compradores de casa própria não encontram dificuldades para honrar esse tipo de compromisso, mantendo sua propensão ao consumo.

Caberia à autoridade monetária tornar mais difícil o acesso das famílias ao crédito. Para investir mais, é necessário poupar mais.

ESPAÑA, REINA DEL MUNDO 2010!!!

ÁFRICA QUE FALA PORTUGUÊS.

Durante o período de 27 de agosto a 05 de setembro de 2010, Belém, capital do estado do Pará, no coração da floresta amazônica, sediará a XIV FEIRA PAN-AMAZÔNICA DO LIVRO. Com o tema “ÁFRICA QUE FALA PORTUGUÊS, teremos a riqueza cultural africana dos países que falam português: Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe.

Trata-se da terceira maior Feira literária brasileira e no ano passado foi visitada por mais de 500.000 pessoas, o que deverá aumentar ainda mais em 2010.

Estaremos visitando com imenso prazer o evento e conhecendo os nossos colegas lusófonos. Para uma região tão carente desse tipo de feira, contamos com a presença de todos.

Publicamos este post também no site http://perspectiva-lusofona.weebly.com./, que é na verdade um Jornal de Opinião, que se caracteriza pelo pensamento livre e independente, sobre questões de índole econômica, política e social dos países lusófonos.

sábado, 10 de julho de 2010

MY PERFECT SUMMER WITH GREENSPAN AND ROUBINI

Nouriel Roubini - Writer and economist

Where are you going on holiday this year? Recently I have lived like the George Clooney character in Up in the Air (a film I watched on a plane). If I get a vacation this summer it would possibly be a tour of crisis-hit countries – if I am still allowed in them: Spain, Ireland, Iceland, Latvia, Greece and, maybe, the oil spill-ridden US Gulf Coast.

What do you think about during your holiday? How to forget financial crises and get a PhD in Pleasure and Leisure from the Institute for Advanced Vacations.

What will you be reading on holiday? Lofty geo-globaloney tomes on the future of the world.

What will you be listening to on holiday? Cheesy, schmaltzy, corny, syrupy beach songs such as those I would listen to in my teens on the Italian Riviera.

Ideal travelling companion – dead, alive, historical, fictional? Joseph Schumpeter, an Austrian economist who – as a true Renaissance man – argued that his three goals in life were to be the best economist, the best horseback rider and the best lover of his generation. He claims he achieved only two of them: I would ask him which and for good practical tips to achieve such goals.

Do you cook or eat out on holiday? As an economist I strictly believe in the principle of comparative advantage: so I always eat out. Also it is the best way to get to know the local cuisine.

Will you switch on your “Out of Office”? I am a total “crackberry” addict so I never switch off. Last summer I wrote a whole article, that was urgently due, on my BlackBerry while sailing off the St Tropez coast.

Where would you like to go next? Bora Bora in Polynesia for scuba diving among the sharks.

Alan Greenspan - Former US Federal Reserve chairman
Where are you going on holiday this year? Aspen, Colorado, and possibly Jackson Hole, Wyoming, to play golf. Golf at higher altitudes is good for the ego – balls fly further.

What do you think about during your holiday? The same things I think about when not on vacation but obviously to the extent that I’m playing tennis and golf, I do give proper consideration to my form.

What will you be reading on holiday? History – Lords of Finance: The Bankers who Broke the World by Liaquat Ahamed; biography – John Marshall: Definer of a Nation by Jean Edward Smith.

What will you be listening to on holiday? Bach, Vivaldi, Mozart, and Brahms. On occasion, a little Benny Goodman.

Ideal travelling companion – dead, alive, historical, fictional? My wife. She outdistances all other possibilities.

Do you cook or eat out on holiday? Both. Nobody wishes to partake of my cooking.

Will you switch on your “Out of Office”? No. I would spend my vacation worrying about what was going on back home.

What do you most, and least, enjoy about travelling? The scenic views. I find sitting in contemplation as I look up at the peaks of the Grand Tetons in Jackson Hole most rewarding. Airport congestion and long queues can ruin my vacation.

Where did you go on holiday as a child? To the wilds of New Jersey. For a kid brought up on the streets of Manhattan, they seemed truly exotic.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

KEYNES E KEYNESIANOS.

Direto da FOLHA DE S. PAULO, os conselhos de Delfim Netto.

Os problemas fiscais dos EUA e da Eurolândia só podem ser resolvidos com a volta do crescimento. O fundamental é que este não se faça aprofundando-os ainda mais. Quando se recomenda que as medidas de estímulo temporárias que foram decisivas para paralisar o desastre sejam transformadas em permanentes, estamos diante de uma não solução.

Para entender isso consideremos que no curto prazo a oferta global física de bens e serviços produzidos no país é praticamente constante. O seu uso depende da demanda global física. Esta, por sua vez, é constituída pela soma da demanda pública e da demanda privada interna e externa.

Quando se reduz, por qualquer motivo, a demanda privada (crise de crédito, desastres naturais, ataque de pessimismo), a manutenção do nível de atividade depende de um aumento equivalente da demanda pública.

Enquanto a demanda privada não se recupera, a demanda pública deve continuar. Isto não se faz sem graves prejuízos para o equilíbrio fiscal, para o nível de inovação e a produtividade do sistema produtivo, porque a demanda estimulada pelo gasto público em transferência não produz incentivos adequados para o aumento da produtividade do trabalho.

O keynesianismo bastardo incorporado na síntese neoclássica dos livros-texto sugere que a retirada dos "estímulos" governamentais reduzirá necessariamente a demanda privada. Agravar-se-ia, portanto, a redução do nível do PIB e do emprego. Logo, não há solução para o problema. Mas será assim mesmo?

A resposta se resume na "expectativa" que se formará no setor privado como resposta ao programa de restabelecimento do equilíbrio fiscal (condição necessária para o crescimento robusto no longo prazo).

Keynes e Pigou (seu amigo e posterior vítima) intuíram em 1931 que, se o ajuste fosse feito de maneira segura e crível, o aumento da demanda privada (despertada pelas oportunidades vistas pelo "espírito animal" dos investidores) poderia suprir a deficiência da demanda pública.

Teríamos a volta do crescimento juntamente com a solução do problema fiscal, o que é hoje empiricamente reconhecido. A reforma crível inclui: 1) um ajuste pelo lado das despesas (nada de aumento de impostos); 2) incentivos ao uso do trabalho; 3) medidas de flexibilização dos mercados; 4) estímulo à concorrência e 5) uma desvalorização cambial.

A Alemanha acumula credibilidade e essas condições. Com a desvalorização do euro, seu programa levará, provavelmente, a um crescimento mais robusto. Será a melhor contribuição que pode dar à Eurolândia.

domingo, 4 de julho de 2010

E QUE VENHA 2014!!!

Nesta 701ª postagem, início de uma nova semana, mês de férias para muitos, final de Copa do Mundo para nós, fiquem com a alegria de Mestre SINFRÔNIO, hoje no nosso DIÁRIO DO NORDESTE, direto de FORTALEZA - CEARÁ.

sábado, 3 de julho de 2010

CRESCIMENTO COM RESPONSABILIDADE.

Um artigo do Nobel Paul Krugman publicado recentemente no The New York Times traz um sério alerta para a situação atual em que diversos governos, a título de combaterem a crise econômica de 2008, estão gastando acima do que podem. Com o “A Terceira Depressão”, o autor registra que “os governos estão obcecados com a inflação, quando a verdadeira ameaça é a deflação. Além do que ao invés dos governos apertarem os cintos, para ele o problema são os gastos inadequados”.

Esse tipo de problema de déficit público, que já vem trazendo muitos sacrifícios aos governos da União Européia, notadamente Portugal, Espanha, Grécia, Irlanda, Itália, Hungria, Holanda, também vem preocupando o mainstream econômico brasileiro. E não é por acaso ou devido à escolha de um novo presidente da república nos próximos meses. Na realidade, o que já vem acontecendo na Europa, será o nosso breve futuro, evidentemente caso o governo brasileiro continue a gastar mais do que arrecada.

Nesse viés populista que o governo brasileiro realiza visando beneficiar parte da população sem renda, a conta será cobrada rapidamente, pois “Não existe almoço grátis”, como Friedman deve ter falado. Os últimos dados registram que enquanto as receitas governamentais aumentam na faixa de 18% ao ano, os gastos passam dos 20%. Como será coberto este rombo, sem, por exemplo, um aumento na carga tributária do brasileiro, hoje por volta de 36% do PIB, certamente a mais elevada dos países em desenvolvimento?

Segundo a Consultoria Tendências, a dívida do setor público que era por volta de 52% do PIB em 2000, atingirá o valor de R$ 2,2 trilhões até o final deste ano, correspondente a 64% do PIB. Apesar de ter sido sancionada no ano 2000, época do governo de Fernando Henrique Cardoso, uma Lei de Responsabilidade Fiscal que tem o objetivo básico de controlar os gastos dos gestores públicos, no atual governo, principalmente com o pretexto que os gastos são necessários para enfrentar a crise de 2008 como acontece em diversos países, o descontrole das contas públicas coloca em risco a estabilidade macroeconômica alcançada e prejudicará o vencedor das eleições de outubro próximo.

Delfim Netto, um dos mais competentes economistas brasileiros, em recente artigo publicado na Folha de S. Paulo, cita que “a nossa situação ainda está sob controle, mas é cada vez mais evidente que lentamente se acumulam compromissos de despesas permanentes cujo pagamento depende do crescimento permanente da receita, o que não pode ser garantido. Trata-se de uma imprudência que põe em risco a própria estabilidade econômica.” Isso é bastante preocupante, até porque o experiente colega é um dos mais próximos consultores do governo.

Diante disso ou o governo aperta o cinto conforme recomenda Krugman, cortando gastos onde são absolutamente desnecessários, adiando projetos para tempos melhores ou congelando os salários em áreas onde os sindicatos são aliados do governo, ou a situação levará o país a uma crise econômica, onde novamente não teremos um crescimento sustentável do PIB, mas apenas mais um vôo de galinha.

CRESCIMENTO COM RESPONSABILIDADE.

Um artigo do Nobel Paul Krugman publicado recentemente no The New York Times traz um sério alerta para a situação atual em que diversos governos, a título de combaterem a crise econômica de 2008, estão gastando acima do que podem. Com o “A Terceira Depressão”, o autor registra que “os governos estão obcecados com a inflação, quando a verdadeira ameaça é a deflação. Além do que ao invés dos governos apertarem os cintos, para ele o problema são os gastos inadequados”.

Esse tipo de problema de déficit público, que já vem trazendo muitos sacrifícios aos governos da União Européia, notadamente Portugal, Espanha, Grécia, Irlanda, Itália, Hungria, Holanda, também vem preocupando o mainstream econômico brasileiro. E não é por acaso ou devido à escolha de um novo presidente da república nos próximos meses. Na realidade, o que já vem acontecendo na Europa, será o nosso breve futuro, evidentemente caso o governo brasileiro continue a gastar mais do que arrecada.

Nesse viés populista que o governo brasileiro realiza visando beneficiar parte da população sem renda, a conta será cobrada rapidamente, pois “Não existe almoço grátis”, como Friedman deve ter falado. Os últimos dados registram que enquanto as receitas governamentais aumentam na faixa de 18% ao ano, os gastos passam dos 20%. Como será coberto este rombo, sem, por exemplo, um aumento na carga tributária do brasileiro, hoje por volta de 36% do PIB, certamente a mais elevada dos países em desenvolvimento?

Segundo a Consultoria Tendências, a dívida do setor público que era por volta de 52% do PIB em 2000, atingirá o valor de R$ 2,2 trilhões até o final deste ano, correspondente a 64% do PIB. Apesar de ter sido sancionada no ano 2000, época do governo de Fernando Henrique Cardoso, uma Lei de Responsabilidade Fiscal que tem o objetivo básico de controlar os gastos dos gestores públicos, no atual governo, principalmente com o pretexto que os gastos são necessários para enfrentar a crise de 2008 como acontece em diversos países, o descontrole das contas públicas coloca em risco a estabilidade macroeconômica alcançada e prejudicará o vencedor das eleições de outubro próximo.

Delfim Netto, um dos mais competentes economistas brasileiros, em recente artigo publicado na Folha de S. Paulo, cita que “a nossa situação ainda está sob controle, mas é cada vez mais evidente que lentamente se acumulam compromissos de despesas permanentes cujo pagamento depende do crescimento permanente da receita, o que não pode ser garantido. Trata-se de uma imprudência que põe em risco a própria estabilidade econômica.” Isso é bastante preocupante, até porque o experiente colega é um dos mais próximos consultores do governo.

Diante disso ou o governo aperta o cinto conforme recomenda Krugman, cortando gastos onde são absolutamente desnecessários, adiando projetos para tempos melhores ou congelando os salários em áreas onde os sindicatos são aliados do governo, ou a situação levará o país a uma crise econômica, onde novamente não teremos um crescimento sustentável do PIB, mas apenas mais um vôo de galinha.

A GUERRA DO TRÂNSITO E A ECONOMIA.

Este blog é da área de economia e para meus quase dois (milhões) leitores, talvez façam a seguinte pergunta: O que o João Melo quer mostrar com o link para ma foto no blog?

Esclareço a todos que considero o trânsito um dos principais problemas brasileiros. Claro que em algumas cidades é um pouco melhor, noutras é realmente PÉSSIMO. E o pior: além da perda da vida humana, a situação causa a perda de $$$ aos envolvidos. Valores que poderiam ser utilizados em determinada área é alocado em atendimento a motoristas bêbados etc

Tenho total aversão a motorista (?) que na minha frente trafega com o veículo como se fosse o dono do mundo, digo, da rua. É o típico motorista que acha que por ter uma carteira de habilitação no bolso, pode TUDO.

Triste de um país, com tantos problemas, ter uma quantidade imensa de motoristas (?) que mereciam retornar às aulas e aprender como dirigir.

Neste caso da foto - http://noticias.uol.com.br/album/100703_album.jhtm?abrefoto=17, um carro bateu na mureta de proteção de uma ponte na Rodovia Rio-Santos, em Santa Cruz, Rio de Janeiro, e provocou a morte de seu motorista, na manhã deste sábado.

Mais um para aumentar a quantidade de pessoas que morrem diariamente no país. Estamos em guerra! Ou a morte de mais de 53.000 pessoas em 2009 é brincadeira??? É uma pena que os responsáveis e grande parte da sociedade entendam diferente. Na verdade, nem em época de eleição...Pense nisso...

"CAPITALISMO ESTATAL É AMEAÇA"

Na FOLHA DE S. PAULO de hoje, um pequeno livro com uma mensagem para reflexão neste ano eleitoral.

O norte-americano Ian Bremmer, 40, diz em "The End of Free Market" (O Fim do Livre Mercado, Portfolio, 240 págs., US$ 26,95, R$ 47) que o "capitalismo de Estado" será uma marca da geopolítica pós-crise financeira.

O livro pondera sobre os limites do modelo liberal vigente até as quebras de 2008. Busca a melhor regulamentação para multinacionais, interesse central do autor. O presidente da consultoria Eurasia tem a seu lado o apelo do medo; simplificando, argumenta que governantes que usam estatais politicamente ganham tanto economicamente quanto na "luta por poder", o que incentiva sociedades menos livres e afasta multinacionais.

Ele mira China e Rússia. Aponta Brasil e Índia como potenciais capitalismos de Estado, mas ameniza ao falar à Folha sobre Lula e a Petrobras. O livro sai no Brasil em fevereiro, pela Saraiva.

Folha - O Brasil tende ao capitalismo de Estado?
Ian Bremmer - O país é um paradigma da abertura ao investimento externo, o império da lei se fortaleceu. Lula não tem a marca do capitalismo de Estado.

Por que "a Petrobras vai se tornar menos eficiente"?
Se autoridades forçarem a Petrobras a criar oportunidades para empresas locais, como desejo político, não baseado em competição, algumas delas não serão aptas a fornecer os melhores equipamentos ou serviços. É o risco.

Dilma seria a continuação de uma "luta por poder"?
Sob Lula não vimos tal disputa, mas o desejo de continuar a modernização do Brasil. Com a Olimpíada e a Copa, o país precisará de maciço investimento estrangeiro; Dilma Rousseff sabe disso.

A importância de debater o PIB nas eleições 2022.

Desde o início deste 2022 percebemos um ano complicado tanto na área econômica como na política. Temos um ano com eleições para presidente, ...