domingo, 11 de novembro de 2012

Keynes, o retorno.


Exclusivamente para o colega de CAEN, atualmente estudando em Portugal, Alexandre Fermanian, a análise de LUIZ FELIPE DE ALENCASTRO, hoje na FOLHA DE S. PAULO, sobre as eleições americanas.  

A reeleição de Obama, na terça passada, deveu-se à radicalização conservadora de seu adversário, que selou o apoio aos democratas de imigrantes, mulheres e jovens, mas sobretudo às políticas sociais e à intervenção estatal para enfrentar a crise econômica, devolvendo à pauta as ideias do economista J.M. Keynes.

Passadas as surpresas de 6/11, parte dos comentaristas banaliza os resultados das eleições americanas. Assim, a campanha de 2012 não teria mudado nada em Washington. Barack Obama permanece na Casa Branca e o Congresso continua dividido como antes: maioria republicana na Câmara e democrata no Senado. Uma manchete do site do "New York Times" resumiu essa interpretação: "Obama obtém uma nítida vitória, mas a balança do poder não mudou em Washington".

Todavia, outros artigos do jornal nova-iorquino - e da mídia americana - alteram tal perspectiva. Efetivamente, como nas grandes viradas políticas geradas por um forte reposicionamento eleitoral, a vitória de Obama tem uma dupla dimensão: ela provoca a debandada de seus adversários republicanos e reforça o Partido Democrata.

Para além da contagem dos votos de uns e de outros no Congresso, um Partido Democrata renovado enfrenta agora um Partido Republicano apoplético: a balança do poder mudou, sim, em Washington. As longas e polêmicas primárias republicanas fragilizaram a candidatura Romney.

Em campanha há seis anos, desde as primárias para a eleição de 2008, o republicano teve primeiro que terçar armas no seu próprio partido. Na sequência da radicalização inaugurada por Sarah Palin em 2008, o sucesso de Rick Santorum entre os partidários do Tea Party e das teses mais conservadoras, levou a campanha republicana muito para a direita.

Romney teve de correr atrás dos votos de Santorum, fazendo declarações que queimaram seu prestígio junto aos republicanos mais liberais, aos latinos e aos trabalhadores das indústrias socorridas pelo governo federal. Aproveitando essas derrapadas e as controvérsias sobre o passado empresarial de Romney, os marqueteiros democratas pegaram pesado, apresentando-o como um ricaço insensível aos pobres.

No meio do ano, um anúncio da campanha de Obama na TV responsabilizava Romney pelo fechamento de fábricas e entrevistava metalúrgicos desempregados que o chamavam de "vampiro".

Houve também uma radicalização de Romney nos temas relativos à política externa e às suas ameaças diretas à Rússia e à China. Sobretudo ficou patente sua hesitação na política interna e sua inexperiência diplomática. Chamando Romney de "volúvel" ("ever-changing"), a revista conservadora britânica "The Economist" declarou seu apoio à reeleição de Obama.

Perdendo o pé junto aos latinos - que anteriormente pesavam menos no eleitorado e, em boa parte, votavam republicano -, afastados do eleitorado feminino e dos jovens, os republicanos saem das eleições enfraquecidos e desorientados. Para alguns comentaristas, a viabilidade nacional do partido está agora posta em questão.

Tais circunstâncias permitiram que Obama se situasse como um líder mais coerente na política econômica e mais moderado no campo internacional. No discurso da vitória, em Chicago, Obama sublinhou dois pontos que considerava como trunfos de seu primeiro mandato: "a economia está se recuperando" e "uma década de guerras está terminando", referindo-se à retirada das tropas americanas do Afeganistão.

A força e o vigor do partido democrata nascem do enraizamento da aliança social e política que levou Obama à Casa Branca quatro anos atrás. Como notaram os editorialistas americanos, o erro mais importante da direção republicana consistiu em considerar que Obama havia sido eleito meio por acaso. Para esses dirigentes, o início da Grande Recessão e o estrondo de setembro de 2008, com a bancarrota do Lehman Brothers, teriam baqueado o governo Bush e entregado a Casa Branca de bandeja para Obama.

Depois disso sua vitória teria virado pó. A prova? Obama sofrera uma pesada derrota nas legislativas de 2010 e, num contexto econômico ainda difícil, não teria condições de se reeleger. A taxa de desemprego beira 8% nos EUA e, desde os anos 1930, nenhum presidente havia conseguido se reeleger com essa taxa acima de 7,2%. A fieira de dirigentes europeus derrubados pela crise nas eleições dos últimos anos parecia confirmar o raciocínio dos republicanos.

Em maio, o portal de notícias "Examiner", baseado em Denver, perguntou: "A eleição de Obama em 2008 foi um golpe de sorte ("fluke")"? Agora, do jornal "Washington Post", numa análise de escopo nacional, ao "Richdmond Times Dispatch", num balanço sobre a Virgínia (Estado vezeiro no cerceamento do voto das minorias, onde Obama venceu pela segunda vez), a maioria dos editorialistas constata: 2008 não foi um "fluke", a reeleição demonstra que o presidente construiu uma base política consistente.

As mulheres solteiras, os jovens, os latinos, os negros, os asiáticos, os trabalhadores industriais e setores liberais dos Estados situados nos litorais oceânicos americanos reelegeram Obama. Essa coalizão deu novo impulso aos democratas, até porque a maioria democrata no Senado também evoluiu.

Conhecido como "Blue Dog", o grupo de senadores democratas conservadores ou moderados reduziu-se, cedendo lugar para senadores mais próximos dos princípios de solidariedade social e de regulação econômica que têm sido esconjurados desde a era Reagan (1981-89). Outros pontos do novo perfil democrata são mais sutis.

Ainda em maio, numa entrevista exclusiva à rede ABC, concedida a uma jornalista amiga, Robin Roberts, Obama declarou-se favorável ao casamento gay. Ele tomou a iniciativa de caso pensado, sabendo que a militância mais jovem, essencial na sua campanha, apoia amplamente tal declaração. Sabia também que a porcentagem dos americanos favoráveis a essa forma de união passou de 27% em 1996 a 53% em 2012, segundo pesquisa do Gallup, e que os casais gays são importantes doadores do Partido Democrata.

A análise detalhada dos resultados eleitorais imprime um significado histórico à vitória democrata. Tome-se o caso de dois Estados-chave nesta e noutras eleições, cujo resultado decide a parada no nível nacional, Ohio e Flórida.

A maioria dos comentaristas concorda que a vitória de Obama em Ohio (nenhum republicano venceu a corrida presidencial sem ganhar neste Estado), e no vizinho Michigan (onde o pai de Romney foi governador, onde ele cresceu e tem parentes) deveu-se à intervenção e aos empréstimos do governo federal para salvar um milhão de empregos da indústria automobilística combalida pela crise.

Na hora em que escrevo, a contagem de votos ainda não terminou na Flórida e o resultado do escrutínio ali tornou-se irrelevante: Obama ganhou a parada, mesmo perdendo na Flórida. Mas a apuração indica a vitória democrata. Além disso, num referendo estadual, os eleitores da Flórida repudiaram restrições ao "Obamacare", a reforma do sistema de saúde que favorece os pobres e regula as empresas do setor.

Na Flórida, e mais incisivamente na Virgínia e noutros Estados onde os democratas venceram, pesou o voto dos latinos e de outras minorias assustadas com a política anti-imigratória apregoada por Romney. Mas há camadas sociais mais densas que ajudaram a reeleger o presidente.

As pesquisas de boca de urna mostraram que Obama venceu entre os eleitores de menor renda (abaixo dos US$ 50.000 anuais) e que sua vantagem é ainda maior entre os mais pobres. Nesse contexto, sua reeleição permite avançar na implementação do novo sistema de saúde, consolidando a reforma e a base social dos democratas.

O apoio mais amplo do eleitorado às intervenções do governo federal na defesa dos empregos industriais e na proteção social, reabilita os investimentos e as políticas públicas.

Considerado peça de museu por boa parte dos economistas e dos ideólogos, o keynisianismo está de novo na ordem do dia nos EUA.

Tripé macroeconômico: sim ou não? Sim e Não.


A FOLHA DE S. PAULO na seção TENDÊNCIAS/DEBATES ao ouvir a opinião divergente de dois especialistas para uma questão propõe um excelente debate de IDEIAS. Nesta semana ela discutiu com dois economistas a questão abaixo e obteve uma aula de economia. Como sempre, na economia, o contraditório é presença constante.  

O Brasil está abandonando o tripé macroeconômico (meta de inflação, superavit primário e câmbio flutuante)?

Para Eduardo de Carvalho Andrade, doutor em economia pela Universidade de Chicago e professor da Faculdade Insper: SIM.

O tripé macroeconômico, composto por meta de inflação, câmbio flexível e equilíbrio fiscal, não existe mais como antigamente. Outros objetivos do governo entraram em conflito com o seu funcionamento. A tendência é que a situação piore.
No que se refere à meta de inflação, pode parecer que não houve alteração. Afinal, é possível que em 2013, como em 2011 e 2012, a inflação não ultrapasse o teto da meta (6,5%). Além do mais, a crise internacional justificaria uma flexibilização, com o Banco Central usando o espaço de manobra permitido pelas bandas do regime -a margem de dois pontos percentuais para mais ou menos, a partir do centro da meta (4,5%).

Um olhar mais cuidadoso, no entanto, mostra outra realidade. Não parece existir uma estratégia por parte do BC de guiar as expectativas de mercado, e por conseguinte a inflação, para o centro da meta num horizonte futuro, como se espera da atuação da autoridade monetária em um regime de metas de inflação.

O nível de atividade da economia brasileira se recupera agora, em um momento em que a taxa de desemprego está em um dos patamares mais baixos. A pressão por aumento de salários deve bater mais forte na inflação quando Dilma estiver se preparando para a sua reeleição.

Assim, será difícil que o BC suba a taxa de juros na magnitude necessária para levar a inflação para 4,5% em 2014. Principalmente depois que a presidenta gastou o seu capital político para alterar a remuneração da poupança e entrou em disputa com os bancos para reduzirem os juros. E tal ação entraria em conflito com seu objetivo de crescimento econômico de curto prazo.

O mais provável então é que, nos anos do governo Dilma, a inflação não chegue perto nem apresente convergência para o centro da meta. Mesmo com o governo utilizando métodos pouco convencionais para controlar a inflação, como segurar o preço da gasolina, com consequências negativas sobre a capacidade de investimento da Petrobras.

Quanto à segunda perna do tripé, taxa de câmbio flexível, não existe dúvida de que o governo simplesmente a abandonou. Está satisfeito com o patamar de R$ 2 por dólar.

É aí que o objetivo do governo, de defesa da indústria, prejudica o funcionamento do tripé. Ao intervir, diretamente e verbalmente, no mercado de câmbio, a equipe econômica impede uma valorização cambial que reduziria a competitividade dos nossos produtos industriais.

É claro que o governo consegue manter o câmbio fixo temporariamente. Mas essa política compromete o trabalho do BC de atingir a meta de inflação. Quando ocorrer uma recuperação mais forte da economia mundial, com uma maior pressão para valorização do câmbio, esse conflito ficará mais evidente.

Por fim, a última ponta do tripé, o equilíbrio fiscal. Ele sempre foi entendido como a gestão das contas públicas para evitar o descontrole da dívida -daí as metas para o déficit primário (diferença entre receitas e despesas não financeiras).

É verdade que o governo reconheceu que não cumprirá a meta para este ano, como já ocorreu em 2009 e 2010. Como antes, a justificativa dada é a crise internacional: redução de impostos e aumento dos gastos para ativar a economia. De fato, não há risco no horizonte de uma explosão no endividamento do governo.

O que preocupa, neste componente do tripé, são os subsídios para o setor privado que são feitos pelos bancos oficiais. É uma política feita sem aprovação do Congresso e vendida como se não gerasse desequilíbrio fiscal. Se não limitarmos essa estratégia, ela colocará em risco a estabilidade macroeconômica.

Metas para o câmbio, juros e crescimento de curto prazo não são compatíveis com o tripé macro. O governo parece já ter feito a sua escolha.



Para Paulo Gala, doutor em economia pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo e professor da mesma instituição: NÃO.

Os pilares de nossa política econômica continuam intactos, só que as metas passaram a ser usadas com bom senso, não de modo dogmático.

Começo pela questão fiscal.

O Brasil tem hoje uma das posições fiscais mais robustas do mundo. Basta ver nossos custos de captação de dinheiro no mercado internacional. Nunca pagamos tão pouco para captar a prazos longos, indicação clara de que o mercado vê a robustez de nossas contas públicas.

É fato que o Ministério da Fazenda já admitiu que não cumpriremos a meta cheia do superávit primário (diferença entre receitas e despesas não financeiras) neste ano, mas isso deve ser analisado em perspectiva.

Num contexto de forte desaceleração mundial e local, ter algum resultado primário é louvável. Basta comparar o resultado de nossas contas publicas de 2011 com as de outros países emergentes ou mesmo ricos. Outra comparação possível é a da nossa relação dívida/PIB, cerca de 35%, uma das menores do mundo. Poucos países apresentam tal solidez.

O sucesso dos últimos dez anos, claro, não permite leniência com o futuro. Mas usar essa margem de manobra em momentos difíceis como o atual me parece fazer total sentido.

Melhor ainda, aliás, se o superavit não for atingido graças às bem-vindas desonerações tributarias. Também não é demais lembrar que os cortes da Selic estão trazendo grande economia fiscal. O deficit nominal zero (que conta os gastos com juros) está logo ali. O governo Dilma não abandonou a solidez fiscal.

Sobre a questão da inflação, a mesma lógica se aplica.

O principio está correto, continua sendo seguido. Novamente, a meta central de inflação de 4,5% não será atingida. Devemos fechar o ano com um IPCA próximo a 5,5%. Mas daí a dizer que a inflação está fora do controle -ou que o governo abandonou a meta- há um longo caminho.

O grande vilão da inflação por aqui, neste ano, foi a subida de preços de alimentos por causa da seca americana. O Banco Central poderia ter combatido (talvez em vão) essa subida com aumentos da Selic, mas é preciso pensar: qual o dilema enfrentado pelo BC nesse caso?

Subir a taxa de juros e agravar ainda mais o nível de atividade econômica no Brasil? Ou acomodar o choque e tolerar uma inflação 1% maior?

O mesmo dilema surgiu em 2011. O BC optou nessas duas ocasiões por não sacrificar ainda mais o já combalido nível de atividade para seguir dogmaticamente o centro da meta.

A subida de preços dos últimos dois anos se deveu ao aquecimento do mercado de trabalho e a importantes choques de oferta nos preços dos alimentos. Vários países emergentes apresentavam inflação de 12 meses em linha com a brasileira (ou maior) em outubro último. Nossa inflação não está fora de controle.

Finalmente, a política cambial.

Há sim um piso informal de R$ 2 que o governo tenta defender. Mas ele é momentâneo, não uma taxa fixa e formal nem uma garantia para o futuro, um comprometimento. O regime formal de câmbio continua sendo o flutuante -ainda que, no contexto atual, flutue muito pouco, mas nada impede que isso mude.

O governo sabe que o cálculo de uma taxa "correta" ou "adequada" para o câmbio é muito complexo e dinâmico. Mas não saber exatamente qual a taxa "correta" não significa que se ausentar totalmente seja o melhor caminho. O mercado comete muitos exageros para cima e para baixo, como bem sabemos. Um comportamento contracíclico do governo não me parece algo ruim.

A experiência internacional é bastante clara. Não precisamos chegar no extremo da China, que acumulou mais de US$ 3 trilhões comprando reservas. Basta olhar o que fazem países como Coreia do Sul, Japão, Tailândia, Malásia e Colômbia.

Os pilares macroeconômicos são iguais. Agora, há mais pragmatismo.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Nate Silver, o gênio da Estatística, acerta Obama.


Leio no UOL um texto muito bom, principalmente para os nossos colegas estatísticos. Realmente, estudar Estatística é um prazer. E com sorte, acertamos até quem será o(a) próximo(a) presidente do Brasil. 

Ele conseguiu novamente. E, não, não se trata de Barack Obama. Depois da vitória do presidente democrata, que garantiu a reeleição na noite desta terça-feira (6) ao derrotar o republicano Mitt Romney, o comentário geral foi de que quem se deu bem foi Nate Silver, o blogueiro do "The New York Times".

Silver, 34, é considerado o gênio da estatística e desta vez acertou os resultado de pelo menos 49 Estados americanos --ainda falta a apuração da Flórida, mas tudo indica que ele vai acertar por lá também.

Logo que a apuração começou, o Twitter foi tomado de internautas dizendo: "Nate Silver is getting laid tonight", algo como "Nate Silver vai ser dar bem esta noite", uma brincadeira com o fato dele ser "nerd" e estar em alta por ter acertado o final de eleição.

O método que ele criou para chegar a um resultado aproximado é considerado extremamente eficiente, pois calcula uma média de diversas pesquisas de opinião, dando diferentes pesos a elas, e considera demografia e registros de votos.

Mesmo quando ninguém botava a mão no fogo pelos candidatos e garantia que eles estavam empatados, ou quando no dia da eleição a apreensão dos dois lados era evidente porque a disputava estava muito apertada, ele acreditava na probabilidade e até apostou com o jornalista Joe Scarborough que Obama venceria.

Sua convicção dos números finais chegaram a irritar republicanos e jornalistas, que tentaram minimizar a importância do método. “Estes especialistas e seus computadores são péssimos para prever comportamento humano”, escreveu David Brooks, no "Times".

No fim, ele previu que Obama tinha mais de 90% de chance de ganhar, receberia 50,8% dos votos populares e conquistaria 332 votos dos colégios eleitorais --Washington, Oregon, Califórnia, Nevada, Colorado, New México, Minnesota, Iowa, Wisconsin, Illinois, Michigan, Ohio, Maine, New Hampshire, Nova YOrk, Massachusetts, Connecticut, Vermont, Pennsylvania, Rhode Island, New Jersey, Maryland, Delaware, Virginia, Havaí e Flórida.

Obama obteve 50% dos votos (59.725.608) contra 48% de Romney (57.098.650) e, se conquistar a Flórida, ele vai terminar com os 332 votos dos colégios eleitorais.

Na eleição de 2008, entre Obama e o republicano John McCain, Silver acertou o vencedor em 49 dos 50 Estados. Em 2010, acertou 34 dos 36 senadores eleitos.

Formado em economia pela Universidade de Chicago, Nate Silver começou a criar um modelo estatístico que calculava o rendimento de cada jogador de beisebol, seu esporte do coração. Dado o sucesso do método, resolver arriscar na política. Parece que deu certo.

sábado, 3 de novembro de 2012

Keynes X Hayek em 2012.


Estava viajando e somente hoje li a matéria que a ÉPOCA publicou sobre as ideias do austríaco Friedrich von Hayek, em pauta na eleição americana, graças ao Paul Ryan, o vice de Mitt Romney. O quadro com a batalha intelectual do século XX entre Friedrich von Hayek e John Maynard Keynes é bastante didático e traz surpresas para quem conhece apenas um dos economistas.

Assim como em 1930 a maioria dos economistas e políticos desprezava as ideias de Keynes e somente em 1950 elas se tornaram a ortodoxia reinante nos Estados Unidos, não é impossível que os estudos de Hayek sejam as próximas ideias na ortodoxia dominante. 

Indiferente de quem está correto, (afinal todos tem a sua razão de pensar), o importante é que são clássicos. Nestes tempos de graves crises econômicas na maior parte do mundo, é um luxo ter a colaboração de Keynes e Hayek na complexa resolução dos nossos problemas. 

China: sem mudança, será sempre a União Soviética.


É comum ouvir que o século XXI pertence a China. Sempre discordo que a China seja a potência que ultrapassará os Estados Unidos e dominará o mundo.

Ainda que eu não tenha concluído a leitura do “Por que as nações fracassam – As origens do poder, da prosperidade e da pobreza”, os autores Daron Acemoglu e James Robinson já deixam claro que “a China sob o domínio do Partido Comunista é mais um exemplo de sociedade que cresce sob a tutela de instituições extrativistas, e é improvável, do mesmo modo, que venha a gerar crescimento sustentável – a menos que sofra uma transformação política fundamental, rumos a instituições inclusivas de fato”.

Isso posto, recordo da extinta União Soviética e de quantos, por exemplo, que afirmaram que a própria renda soviética ultrapassaria a americana em meados de 1984. E olha que o nosso grande mestre, o Nobel Paul Samuelson, defendia repetidamente a “iminente preponderância econômica da União Soviética”. Em 2012, quem ainda lembra que existiu uma União Soviética?

Portanto, colegas que estão desesperados estudando mandarim, peço continuarem com o seu inglês fluente, pois ele será utilizado ainda durante muitos e muitos anos. Exceto, claro, quando os chineses tiverem eleições livres para Presidente, o que acredito isso não acontecerá tão cedo.  

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Brasil rico, Brasil pobre.


Recebi através do Grupo de Economia Política, o direto editorial do ESTADÃO publicado em 28.10.2012. Triste, porém a mais pura verdade. Basta apenas você olhar ao ser redor, independente se você mora em determinadas grandes capitais, quanto no interior sem lei.

O aumento da renda nos últimos dez anos proporcionou uma notável melhora no padrão de vida da maioria das famílias brasileiras, aproximando-o de indicadores de países desenvolvidos, se o que se leva em conta é a aquisição de bens de consumo. No entanto, como mostrou o jornal Valor (21/10), se o critério for o fornecimento de serviços públicos básicos, pelos quais o Estado é diretamente responsável, uma boa parte desses mesmos cidadãos ainda convive com situações típicas dos países mais pobres do mundo. Ou seja: quando depende da renda das famílias, o avanço dos brasileiros na direção do mundo do conforto é significativo; no entanto, quando há necessidade de investimentos estatais, as demandas mais óbvias de grande parte da população ainda estão muito longe de serem satisfeitas.

O Brasil é hoje o oitavo maior mercado consumidor do mundo, segundo o Fórum Econômico Mundial. Desde 2001, saltou de 85,1% para 96,3% o total de domicílios que dispõem de geladeiras. No caso dos televisores, o índice passou de 89% para 97,2%, e no de máquinas de lavar, de 33,6% para 51,6%. Quase 100% das casas agora têm fogão, e o número de residência com computador ligado à internet quadruplicou, chegando a 37,1%. Para o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), esses dados têm relação direta com a redução da desigualdade de renda verificada no período. Houve expansão de 16% do rendimento médio real do trabalho entre 2001 e 2011, e esse crescimento foi mais acentuado entre os 50% mais pobres da população. Estudo da Fundação Getúlio Vargas indica que o ganho nessa faixa foi de 68% acima da inflação. Além disso, o total de trabalhadores com carteira assinada cresceu 48,1% entre 2003 e 2011.

Ao mesmo tempo, a oferta de crédito, capitaneada por bancos oficiais, passou de 25% para 51% do Produto Interno Bruto (PIB) entre 2002 e agosto passado, o que, ao lado do abatimento de impostos para reduzir os preços, também ajuda a explicar o aumento substancial da aquisição de bens duráveis. Com relativa estabilidade de emprego e de ganhos salariais, aliada ao crédito fácil e aos incentivos estatais, os brasileiros foram às compras.

No entanto, muitos desses consumidores da "nova classe média", que passaram a assistir a seus programas favoritos em modernas TVs de tela plana, são os mesmos que topam com lixo na porta de casa, que enfrentam esgoto a céu aberto e que não têm escola com qualidade ao menos razoável para seus filhos.

O IBGE mostra que cerca de 40% das residências brasileiras não dispõem de abastecimento de água e coleta de esgoto. A comparação com os países ricos é dramática: nos Estados Unidos, segundo o Valor, apenas 0,6% das casas não tinham água encanada e vaso sanitário com descarga em 2011. Ainda segundo o IBGE, 11% das casas brasileiras não têm nenhum tipo de saneamento básico e 5% convivem com lixo acumulado. E 40% dos logradouros não têm nenhuma identificação, de modo que seus habitantes não sabem dizer exatamente onde moram. O quadro é igualmente sombrio na educação. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica de 2011 mostra que, no ensino médio, a maioria dos alunos não sabe ir além das quatro operações aritméticas nem consegue ler e escrever de modo satisfatório.

Tudo isso se reflete na capacidade do Brasil de competir por mercados. O último ranking do Fórum Econômico Mundial sobre o tema indica que o País, embora tenha subido cinco posições, para o 48.º lugar, ainda marca passo em indicadores-chave. No item "saúde e educação básica", por exemplo, o Brasil figura em 88.º lugar entre 144 países, perdendo 9 posições desde 2009.

Como se observa, lentamente estamos deixando de ser a "Belíndia", à qual se referiu o economista Edmar Bacha, em 1974, para designar a concentração de renda que gerou o abismo entre o minúsculo Brasil rico, isto é, a "Bélgica", e o enorme Brasil pobre, a "Índia". Agora, o País está mais para um "Engana", apelido dado recentemente pelo ex-ministro Delfim Netto para designar esse festejado Brasil que tem renda da Inglaterra (England), mas que ainda dispõe de serviços públicos de Gana.

Seminário em SP: Economia em 2013.


InterNews promove em 30 de novembro de 2012 em São Paulo, seminário para melhor identificar os fatores que irão influenciar o desempenho da economia em 2013.  

A economia brasileira terá um crescimento, já praticamente assegurado, de 3% a 4% em 2013. O ambiente de negócios deve melhorar para a maioria das empresas. A economia está em aquecimento neste 4º trimestre de 2012, o que estabelecerá um novo patamar para as atividades econômicas.

No entanto, os desafios estruturais que o país não consegue superar impõem um teto neste crescimento. As expectativas de um desempenho mais dinâmico, que existiam em 2009 e em 2010, tornaram-se altamente improváveis. Mesmo o crescimento ainda baixo que se espera no Brasil para 2013 é vulnerável à possibilidade de agravamento da crise da zona do euro, de uma piora na economia americana ou de um pouso forçado do crescimento chinês.

Para ter um crescimento mais dinâmico e sustentável, o governo terá que melhorar a qualidade dos seus gastos correntes, criar condições para o aumento de produtividade, aprimorar os marcos regulatórios, promover uma reforma tributária, investir na educação e na qualificação de mão de obra e criar condições para a efetiva eliminação de gargalos de infraestrutura.

O crescimento do PIB em 2013 está limitado em 3,5%?

Qual o risco de um choque externo frustrar o crescimento esperado para o ano que vem?

O Brasil tem condições de resolver os entraves que impedem um crescimento mais dinâmico?
Quais as condições para a estabilidade nos patamares atuais das taxas de câmbio, juros e inflação?

Tudo isso e muito mais será respondido pelos conferencistas abaixo:

Amaury Bier
Presidente da Gávea Investimentos. Ex-diretor executivo do Banco Mundial, IFC e MIGA, foi secretário-executivo e secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda. Doutor em Economia pela USP.

Luiz Roberto Cunha
Professor da PUC-RJ, especialista em inflação, mestre em Economia pela Universidade de Vanderbilt (EUA).

Raul Velloso
Consultor econômico especializado em Contas Públicas Brasileiras. É sócio-diretor da ARD Consultores Associados. PhD em Economia pela Universidade de Yale, foi secretário-adjunto da Secretaria Nacional de Planejamento do Ministério da Economia.

Roberto Padovani
Economista –chefe da Votorantim Corretora. Mestre em Economia pela FGV-SP. Foi assessor do Ministério da Fazenda durante o Plano Real, sócio da consultoria Tendências e economista para América Latina do Banco WestLB.

O novo livro do Rodrigo Constantino.


Nas melhores livrarias, o novo livro do colega economista e blogueiro Rodrigo Constantino, sempre no ótimo http://rodrigoconstantino.blogspot.com.br/.

Segue a resenha publicada na “Livraria da FOLHA”. O livro, com 400 páginas, foi publicado pela Editora LEYA. 

Em Privatize Já, o economista Rodrigo Constantino procura desmistificar o termo "privatização", expondo as vantagens de um processo como este quando é bem feito.

Para o autor, está provado que o modelo de empresas estatais no Brasil não funciona. Hoje, são as menos lucrativas e as que mais empregam. Ainda assim, boa parte da população treme ao ouvir o palavrão ""privatizado"". Mas se o serviço público não funciona, por que a privatização se tornou essa heresia? De acordo com Constantino, por pura falta de informação.

O economista destaca o caso das empresas brasileiras de telefonia, que há alguns anos eram as detentoras das linhas e licenças. Quando um cidadão queria uma linha telefônica devia preencher um pedido, enfrentar uma fila, passar por um sorteio e, mesmo assim, só podia adquirir um número depois de meses, ou anos. Hoje, após as privatizações, o consumidor pode ter quantas linhas quiser, brigar por taxas mais baixas e optar pelas opções pré-pagas. A quantidade e a qualidade dos serviços aumentaram exponencialmente.

Tomando por base a lei do livre comércio, Constantino afirma que a concorrência entre empresas privadas costuma ser garantia de bons serviços, e um passo extremamente importante na direção de mais progresso, prosperidade e liberdade.

Minha homenagem à NYC.




Através do texto de RUY CASTRO, hoje na FOLHA DE S. PAULO, a minha homenagem a Nova York, a cidade que nunca dorme e que é um dos meus melhores destinos no mundo.   

Nova York, devastada pela furacão Sandy, não esperou a chuva estiar para sair às ruas, começar a passar o rodo e cuidar dos estragos. É como se milhões de pessoas tivessem se cansado de ficar sem energia - elevadores parados, gente presa no 80° andar, hospitais fechados em meio a cirurgias, telefones mudos, voos cancelados -, de metrô, trens e túneis alagados, prédios, garagens e estacionamentos idem, com pisos, móveis e carros destruídos, e ruas cobertas de lixo, lama e, dizem, ratos mortos, vindos dos subterrâneos.

Toda a Costa Leste americana foi atingida, mas é inevitável que Nova York atraia as atenções. Não se entende a cidade sem o comércio funcionando, as luzes piscando e o dinheiro girando. E não se a concebe também sem seus cidadãos se mobilizando de forma coletiva e solidária, todos se empenhando em resolver os problemas de todos -sem desprezar a ajuda dos poderes oficiais, apenas antecipando-se a eles e fazendo a sua parte.

Foi assim no 11/9, quando, poucos dias depois do ataque aéreo e com a poeira ainda no ar, Blossom Dearie começou a cantar "It's All Right to Be Afraid" num clubinho; os teatros reabriram as portas e as pessoas voltaram à vida em vez de ficar olhando para o céu. Normal ter medo, dizia a canção, desde que ele não as impedisse de fazer o que tinham a fazer.

A maratona de Nova York, a maior do mundo, programada há meses para este domingo, poderia ter sido cancelada. As ruas estão um caos e inúmeros participantes, vindos de toda parte, não tiveram ou terão como chegar. Mas será realizada assim mesmo. A imagem dos corredores cruzando os cinco distritos e terminando no Central Park simbolizará a invencibilidade desta cidade, ultimamente mais posta à prova do que nunca.

Os furacões passam longe das nossas costas, melhor assim.

domingo, 28 de outubro de 2012

29 de outubro - Dia Nacional do Livro.


Você sabe por que comemoramos o dia Nacional do Livro no dia 29 de outubro? Por que foi nesse dia, em 1810, que a Real Biblioteca Portuguesa foi transferida para o Brasil, quando então foi fundada a Biblioteca Nacional e esta data escolhida para o DIA NACIONAL DO LIVRO. 
 
O Brasil passou a editar livros a partir de 1808 quando D.João VI fundou a Imprensa Régia e o primeiro livro editado foi "MARÍLIA DE DIRCEU", de Tomás Antônio Gonzaga. 

Fonte: Instituto Pró-Livro. 

Leia sempre. Ler é cultura. 

O lado pop do Nobel.

Da série: minhas leituras - 3:

"Em A RIQUEZA DAS NAÇÕES, lançado em 1776, ADAM SMITH defendeu, entre outras coisas, a livre concorrência entre os empresários como forma de garantir preços mais justos e a inovação tecnológica. Desde a publicação da obra-prima de SMITH, a população mundial saltou de 1 bilhão para 7 bilhões de habitantes, houve duas grandes guerras mundiais, o surgimento e a derrocada do comunismo e a invenção dos computadores. Com toda essa evolução, é natural esperar que o estudo da economia também esteja se redescobrindo a cada dia. O mais incrível, talvez, seja o fato de SMITH continuar tão atual. Foi ele quem mostrou a utilidade e o dinamismo da economia de mercado e por que - e, em particular, como - esse dinamismo operava. Por mais pop que seja, o Nobel continua tão ortodoxo como sempre".     

Fonte: Revista EXAME. 

Da série: minhas leituras - 2.

Esta vai para os Professores Alexandre Schwartsman e Carlos Pio: "As pessoas deveriam sustentar-se graças a seus esforços e àquilo que ganham [...] e depender o menos possível do Estado."

"Ela acreditava que, em contraste com o Estado socialista, o Estado do bem-estar social era perfeitamente compatível com o livre mercado e a democracia. Apresentava o Estado do bem-estar social como o próximo estágio da evolução natural do Estado Liberal".

Trata-se do pensamento da aqui desconhecida Beatrice Ellen Potter, esposa de Sydney Webb, que juntos criaram o conceito de "Estado do bem-estar social" e do "think tank". Em almoço em Oxford, conheceu Alfred Marshall.

Fonte: A imaginação econômica: gênios que criaram a economia moderna e mudaram a história - Sylvia Nasar. 

7,25%.


Li recentemente na FOLHA, Antonio Delfim Netto e sua análise da última decisão do Copom.

O exercício da política econômica é, por sua própria natureza, um fato datado e incerto. Datado pelo conhecimento acumulado ao longo dos anos, de que seu agente se supõe portador. Incerto porque necessariamente envolve uma perspectiva sobre o ambiente interno e externo em que ela se executará.


O problema técnico encontra o seu limite no conhecimento do agente. Depois, trata-se de uma decisão tomada entre prospectivas razoáveis construídas pela imaginação e a cuja realização pode-se, apenas, atribuir uma probabilidade subjetiva.

Um exemplo parcialmente típico dessa situação foi enfrentado pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, quando decidiu, por 5 votos a 3, reduzir a taxa Selic de 7,5% para 7,25%, "porque o cenário prospectivo para a inflação ainda comportava um último ajuste nas condições monetárias".

Os membros que votaram contra "entenderam que não era necessário mais um corte de juros para garantir a melhora do crescimento econômico", pois o cenário não o recomendava.

Não parece ter havido nenhuma divergência técnica. Podemos supor, com toda razoabilidade, que os oito votantes têm formação profissional competente, colhida em excelentes academias, nenhuma das quais se pode classificar como heterodoxa ou ideologicamente muito diferente.

A mais importante diferença talvez seja a da probabilidade subjetiva que cada um atribuiu ao que supõe será o desenvolvimento da economia mundial no futuro próximo.

Os vencedores apostaram na prospectiva que sugere que a fragilidade e as incertezas que dominam a economia mundial serão mais prolongadas do que se supõe e terão algum efeito "desinflacionário" sobre a doméstica.

Os perdedores apostaram na prospectiva de que os efeitos das medidas já tomadas pela política econômica (fiscal, monetária e cambial) não esgotaram os seus efeitos e que, portanto, mais uma queda marginal dos juros não era necessária para garantir a volta ao crescimento. Estes, talvez, tenham sido atendidos com o registro de que seria o "último ajuste (...) por um tempo suficientemente prolongado" nas condições monetárias.

O que o Banco Central não explicita é que sua hipótese, se verdadeira, ajudará a elevar o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) ao mesmo tempo em que fará a inflação convergir para a sua meta.

Temos a impressão (não é nada mais do que isso) de que a prospectiva dos vencedores tem maior probabilidade de realizar-se, mas isso só o tempo revelará. Não a teoria ou a ideologia. 

Barack Obama for Re-Election.


Como já tinha ocorrido em 2008, o jornal "The New York Times" anunciou ontem que apoia a candidatura de reeleição de Barack Obama.
Abaixo, pequeno trecho do editorial publicado. Isso é liberdade de imprensa. Enquanto isso, no Brasil... 
The economy is slowly recovering from the 2008 meltdown, and the country could suffer another recession if the wrong policies take hold. The United States is embroiled in unstable regions that could easily explode into full-blown disaster. An ideological assault from the right has started to undermine the vital health reform law passed in 2010. Those forces are eroding women’s access to health care, and their right to control their lives. Nearly 50 years after passage of the Civil Rights Act, all Americans’ rights are cheapened by the right wing’s determination to deny marriage benefits to a selected group of us. Astonishingly, even the very right to vote is being challenged.
That is the context for the Nov. 6 election, and as stark as it is, the choice is just as clear.
For these and many other reasons, we enthusiastically endorse President Barack Obama for a second term, and express the hope that his victory will be accompanied by a new Congress willing to work for policies that Americans need.

Da série: minhas leituras - 1.

"Muitos acreditam também que a América Latina jamais enriquecerá devido ao caráter intrinsecamente libertino e carente de seu povo, que além disso sofre do mal da cultura 'ibérica', a tendência a deixar tudo para mañana". 

Fonte: Por que as nações fracassam: as origens do poder, da prosperidade e da pobreza - Daron Acemoglu & James Robinson. .   

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Nobel em Economia 2012.

The Sveriges Riksbank Prize in Economic Sciences in Memory of Alfred Nobel 2012 was awarded jointly to Alvin E. Roth and Lloyd S. Shapley "for the theory of stable allocations and the practice of market design"

sábado, 13 de outubro de 2012

Peso morto.


Editorial de hoje da FOLHA DE S. PAULO e o pessimismo do FMI com a economia global.  

Não são nada animadoras as conclusões do último encontro do FMI, realizado em Tóquio nesta semana. Houve nova revisão para baixo das projeções de crescimento global em 2012 (de 3,5% a 3,3%) e 2013 (de 3,9% a 3,6%).

As incertezas sobre as economias desenvolvidas, cujo PIB deve expandir-se mero 1,3% neste ano, é a principal razão do desalento.

Mais preocupante foi o quadro de médio prazo apresentado pelo economista-chefe do FMI, Olivier Blanchard, para quem é possível que os efeitos da crise financeira de 2008 e o baixo crescimento durem uma década. Ou seja, o mundo pode estar apenas na metade do caminho para resolver os desequilíbrios acumulados.

Foram também reforçados os alertas quanto ao risco de deterioração ainda maior. A Europa não afastou completamente a possibilidade de ruptura do euro. Os EUA podem ter de recorrer a cortes traumáticos no Orçamento, caso democratas e republicanos não entrem em acordo para renovar medidas de estímulo após as eleições.

E a China, a despeito das projeções de crescimento próximo a 8% para 2013, pode ter uma desaceleração abrupta durante o processo atual de transição para um modelo menos ancorado em investimentos estatais.

Por fim, em seu "Relatório de Estabilidade Financeira", o FMI apresentou estimativas das fragilidades do sistema bancário mundial, em especial do europeu. Ainda haveria a necessidade de reduzir a exposição dos bancos em cerca de US$ 2,8 trilhões até o fim de 2013. Nessa perspectiva, certamente o crédito continuará deprimido na zona do euro.

Como o foco da crise permanece na Europa, a diretora-geral do FMI, Christine Lagarde, pediu mais flexibilidade nos planos de ajuste orçamentário. Os países, defendeu, não devem se agarrar cegamente a programas duros, caso o crescimento se mostre aquém do esperado.

É correto, mas a alternativa tampouco soa atraente. Para os países presos na camisa de força da moeda única, dificilmente será com mais endividamento público que a confiança de empresários e consumidores será restaurada.

A única saída -fora do cenário extremo de desmantelamento do euro- parece ser a manutenção do curso no ajuste fiscal e nas reformas estruturais. E, nesse meio-tempo, que o Banco Central Europeu financie os governos, caso o mercado privado não o faça.

Esse é o equilíbrio precário que foi conseguido a duras penas até aqui. O restante do mundo -além da amarra do baixo crescimento- permanece dependente de um desfecho para o imbróglio europeu.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Cair na real com Delfim.


Neste tempo de Círio de Nazaré em Belém do Pará, comento com os meus ainda, espero, dois fiéis leitores, que os atrasos nas postagens ocorrem devido a dificuldades logísticas. Isso posto, como estamos com um final de semana prolongado e para afirmar que não esquecemos deste democrático espaço, abaixo texto do Professor Delfim Netto, publicado nesta data na FOLHA DE S. PAULO.

Alguns analistas econômicos são vítimas de grave processo obsessivo misticamente ligado ao número três.

Há poucos meses, acreditavam piamente num ridículo modelo mágico. Uma espécie de "síntese" de toda a política econômica apoiada nas últimas descobertas da "ciência monetária" que, com três equações, cobriria toda a complexidade do mundo real.
O próprio Banco Central namorou a ideia. Diante da lenda urbana, o setor privado gastou milhares de homens/hora de alta qualificação para mimetizá-la e, assim, "adivinhar" o que faria o Copom na próxima reunião.

A nova obsessão são os famosos "três pilares" da política econômica adotada quando o modelo mágico quase nos levou ao "default", em 1998. Introduzida em 1999, depois da desvalorização cambial, a política de responsabilidade fiscal, de metas de inflação e de liberdade cambial não nos poupou da ameaça de outro "default" em 2002. Só nos livramos graças à assistência do FMI.

No período que vai de 1999 a 2001, em que alguns analistas supõem que aplicamos o regime "puro", os números mostram resultados não muito interessantes: taxa de crescimento médio de 2,1% do PIB; taxa média de inflação anual de 8,8%; déficit público médio de 4,4%.

A dívida líquida/PIB, que era de 39% no fim de 1998, elevou-se a 51% no fim de 2002. No período, acumulamos um déficit em conta-corrente de US$ 80 bilhões. Houve, sim, grande progresso institucional, o maior dos quais, seguramente, foi a Lei de Responsabilidade Fiscal, de 2000, que transformou o Brasil numa área monetária ótima.

Não há nada contra o uso comedido dos três pilares, mas não é possível erigi-los em objetivos religiosos como parecem fazer alguns. Aliás, o competente economista Armínio Fraga, responsável pela política econômica que os criou, sempre pareceu entendê-los "cum grano salis".

Não creio que alguém tenha ouvido dele a proposição de que, com um único instrumento (a taxa de juros nominal de curto prazo), o Banco Central só pode atingir um objetivo (a taxa de inflação)! E a razão é simples: o teorema no qual ela se sustenta é logicamente verdadeiro. O que é falso são suas hipóteses!

Isso, hoje, é reconhecido por excelentes acadêmicos convertidos pela vivência da política econômica a uma pequena "heterodoxia". Dentre eles, dois que tiveram grande importância na formação de nossos economistas: Stanley Fischer e Olivier Blanchard.

Afirmar, portanto, que a política monetária tem de considerar a taxa de crescimento do PIB é pecado apenas no mundo "virtual" em que vivem alguns de nossos analistas.

Marcos Lisboa: A conversa intelectual do economista.

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