sábado, 28 de março de 2015

A morte nos belos Alpes franceses.



Recentemente viajei em um Airbus A320 da companhia aérea Germanwings, uma empresa europeia de baixo custo, de propriedade da gigante Lufthansa.

Estarrecido com a possibilidade do copiloto Andreas Lubitz, ter propositadamente derrubado nos Alpes franceses o mesmo Airbus A320 quando fazia a rota entre Barcelona, na Espanha e Düsseldorf, Alemanha, na terça-feira passada, dia 24/03, onde ele e as demais 149 pessoas a bordo morreram, isso apenas confirma o que todos devem reconhecer:

Apesar de todo o imenso suporte tecnológico disponível, por último, sempre, está a mão do homem. E, como também já conhecemos, é infinita a miséria humana.

Picasso no Brasil.


Para quem está ou viaja à São Paulo até 8 de junho, não deixe de agendar uma visita ao Centro Cultural do Banco do Brasil e conhecer a exposição Picasso e a Modernidade Espanhola – Obras da Coleção do Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía - © Succession Pablo Picasso.

Com cerca de 90 obras a exposição evidencia a influência de Picasso na arte moderna espanhola e os traços mais importantes e originais da sensibilidade artística que o pintor e seus contemporâneos espanhóis imprimiram ao cenário internacional das artes.

A exposição faz referência ao percurso de Picasso como artista e como mito, até chegar à realização de Guernica; à sua relação com mestres da arte moderna espanhola, como Gris, Miró, Dalí, Domínguez e Tàpies, entre outros presentes na mostra; e a suas contribuições para uma noção de modernidade voltada para o tempo presente.

Curadoria: Eugenio Carmona.

Essa exposição foi organizada e realizada em colaboração com o Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía e a Fundación Mapfre. Exposição realizada inicialmente na Fondazione Palazzo Strozzi, Florença.


Fonte: CCBB SP.

A caravela Brasil navega sem destino.

Depois de receber o resultado do PIB 2014 em ridículo 0,1%, o brasileiro tem conhecimento que o novo ministro da Educação é o Professor Renato Janine Ribeiro, um intelectual respeitado, em que pese algumas críticas, como é comum na sua área.

Porém, de imediato, toma-se conhecimento que o também novo ministro das Comunicações é o petista Edinho Silva, que foi tesoureiro de campanha da presidente Dilma Rousseff, para comandar a poderosa SECOM, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.

Como é possível que um péssimo resultado econômico não faça com que a presidente Dilma Rousseff finalmente busque o que temos de melhor na sociedade e construa um ministério de notáveis que trabalhe visando o Brasil e não apenas o benefício de determinada legenda partidária?

O ministro Joaquim Levy já comentou que o desempenho do Brasil em 2014 terá como consequência uma “forte desacelerada” no início de 2015 e que o Brasil passa, atualmente, por um período de transição. Como ministro da Fazenda, Levy deve realmente demostrar à sociedade otimismo, porém todas as análises econômicas, incluindo a do próprio BACEN indicam que o ano de 2015 será, infelizmente, ruim.


Neste início do 2º trimestre de 2015, espera-se que o governo adote medidas que realmente iniciem o processo de melhoria da economia e que parte da política podre não consiga dominar a estrutura do estado e transformar este país em algo pior do que já está.       

sexta-feira, 27 de março de 2015

Brasil - PIB 2014: 0,1%.

No ano de 2014, o PIB variou 0,1% em relação a 2013

A estabilidade do PIB resultou da variação positiva de 0,2% do valor adicionado e do recuo nos impostos (-0,3%). 

Nessa comparação, a Agropecuária (0,4%) e os Serviços (0,7%) cresceram e a Indústria caiu (-1,2%). 

Em 2014, o PIB alcançou R$ 5,52 trilhões (valores correntes)

O PIB per capita ficou em R$ 27.229, com queda (-0,7%), em volume, em relação a 2013.

Fonte: IBGE

sábado, 21 de março de 2015

O que o mundo espera do agronegócio? Marcos Jank responde.

Com excelente conhecimento e didática, Marcos Sawaya Jank na FOLHA DE S. PAULO demonstra "O que o mundo espera do agronegócio".

Ninguém mais duvida de que o Brasil é hoje uma das maiores potências agrícolas do planeta. Graças a agricultores competentes e investimentos em tecnologia tropical, tornamo-nos líderes globais em importantes commodities. Grãos, açúcar, café e algodão são exportados com base em cotações de Bolsas e chegam a mais de 200 países.

Mas a pergunta que fica é: estamos conseguindo entender e atender as expectativas de nossos consumidores finais? Nosso único papel é vender commodities ou há outras oportunidades que não estão sendo exploradas?

Vejo hoje quatro grandes vetores que puxam a demanda do agronegócio no mundo. Nos países pobres, a preocupação central é a "segurança alimentar" da população no sentido mais clássico ("food security") --oferta crescente de alimentos a preços acessíveis.

Quase 1 bilhão de pessoas ainda passa fome no mundo. Na Ásia e na África, mais da metade da população vive em condições precárias de subsistência em pequenas propriedades no campo, sem conhecimento, tecnologia e acesso a mercados.

Para esse imenso grupo, a palavra mágica é "produtividade", obtida pelo aumento do rendimento e escala da produção doméstica, ou pela maior abertura para importações competitivas, reduzindo as barreiras que hoje impedem o comércio. Esse é o segmento em que o Brasil se posiciona muito bem desde que existe, primeiro em produtos tropicais, depois nas grandes commodities da alimentação mundial.

Na sequência, vem outro vetor ainda pouco explorado pelo agronegócio brasileiro: a questão da "segurança do alimento" ("food safety"). Cresce o número de países cuja preocupação central não é mais a quantidade produzida no campo, mas sim a qualidade dos alimentos que chegam à mesa dos consumidores. Aqui o que interessa não é volume, mas sim sanidade comprovada, armazenagem adequada, distribuição rápida, certificação, rastreabilidade etc. Em suma, o consumidor quer ter certeza quanto à qualidade do alimento que vai comer e, para isso, a palavra mágica é "segurança da cadeia de suprimento".

A China deve ser o país em que essa preocupação é hoje mais intensa. O Brasil possui cadeias produtivas consolidadas e bem coordenadas que chegam com eficiência à mesa do consumidor doméstico. Porém, na exportação, com raras exceções, ainda não conseguimos ir além da venda de commodities básicas sem grande diferenciação.

Países de renda média de América Latina, Leste Europeu e alguns asiáticos se encontram no terceiro grupo. Aqui a palavra forte é "valor adicionado", traduzido em segmentação e variedade de produtos, criação de marcas globais, conveniência, sabores, embalagens e logística eficiente.

Oferecer ao consumidor produtos confiáveis, acessíveis, saborosos, de alta qualidade, na hora certa. Este é o estágio em que estamos no mercado interno. Mas no exterior ainda há muito por ser feito, principalmente entre o processamento e o consumidor final. Reside aí a maior oportunidade de internacionalização da cadeia de valor que o agronegócio brasileiro tem hoje.

No quarto grupo, estão consumidores de renda maior, que, na maioria dos casos, vivem em países desenvolvidos em que a dimensão preço x qualidade x variedade já foi conquistada. Para esses consumidores mais ricos, o que interessa são "novas demandas" do tipo de alimentos produzidos localmente, próximos à região de consumo, com mínimo impacto ambiental e menor uso de tecnologia --orgânicos, sem antibióticos, sem transgênicos, sem instalações fechadas. Exigências que costumam elevar o preço do produto.

Esses quatro vetores definem demandas com diferentes comportamentos e velocidades, às vezes em direções opostas. Por exemplo, enquanto o primeiro grupo busca o aumento da produtividade por meio da maior tecnificação da produção, o quarto grupo está disposto a pagar mais por alimentos produzidos com menor intensidade tecnológica.

Cabe às empresas entender esse quadro e buscar satisfazer seus diferentes grupos de clientes e consumidores. Cabe aos países entender as diferentes dimensões da demanda global por alimentos e gerar as políticas e as regulações adequadas.

Claramente cumprimos um papel relevante no suprimento global de commodities. Mas será que estamos nos organizando adequadamente para aproveitar as fantásticas oportunidades que o mundo nos oferece?


quarta-feira, 4 de março de 2015

Taxa Selic 12,75% a.a.: este é o Brasil real.

Copom eleva a taxa Selic para 12,75% ao ano.

04/03/2015 20:03 

Brasília – Avaliando o cenário macroeconômico e as perspectivas para a inflação, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic em 0,50 p.p., para 12,75% a.a., sem viés.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Alexandre Antonio Tombini (Presidente), Aldo Luiz Mendes, Altamir Lopes, Anthero de Moraes Meirelles, Luiz Awazu Pereira da Silva, Luiz Edson Feltrim e Sidnei Corrêa Marques.

A alternativa de Delfim Netto.

ANTONIO DELFIM NETTO continua na FOLHA com seus textos sempre necessários ao leitor leigo, mas, principalmente, aos colegas Economistas.   

Não é preciso ser um sofisticado economista "ortodoxo" ou "heterodoxo", classificação que, às vezes, apenas esconde duas igrejas secretas que guardam para si e seus sacerdotes "verdades" que a outra não vê e que, legítima e reciprocamente, colocam em dúvida, para saber que qualquer medida de política econômica tem, necessariamente, dois efeitos:

1-) sobre o nível da atividade, um aumento ou uma subtração do PIB, isto é, do valor adicionado pela combinação do capital e do trabalho e 2-) sobre como se distribuirão os benefícios (no caso de aumento do PIB) e os custos (no caso da subtração) do valor adicionado apropriado, respectivamente, pelo capital (lucro) e pelo trabalho (salário).

No momento em que, pressionados pelas circunstâncias, os países têm de fazer ajustes fiscais, que, até para efeito de "credibilidade", precisam ser acompanhados de reformas estruturais, como é o caso do Brasil, um país em rápido envelhecimento e com péssimas perspectivas para o seu sistema de seguridade social, o sucesso exige tanto arte política quanto competência técnica.

O novo programa do governo não pretende ser "ótimo", mas apenas o mais razoável possível dentro do espaço político disponível. Ele leva em conta os dois efeitos acima mencionados e tenta calibrá-los sem comprometer o nível de igualdade de oportunidade que já atingimos (efeito catraca). O seu grande problema é acordar as esperanças de todos os agentes e mostrar-lhes que a distribuição dos seus custos tem uma proporcionalidade que lhe garante o mínimo de moralidade para que não seja politicamente rejeitada. Como é óbvio, a tarefa só será executada com a compreensão, aprovação e forte apoio de toda a sociedade.

Honestamente, é preciso deixar de lado a hidrofobia, enfrentar todos os preconceitos, dar claro apoio ao programa do governo e confiar na capacidade de execução de seus ministros.

Deixemos de tentar saber se há gasolina no tanque, iluminando-o com um fósforo aceso. Há! Por mais que seja desagradável, é preciso reconhecer que a perspectiva da tempestade perfeita continua a nos espreitar. A alternativa que resta ao Brasil, se não tiver ânimo e forças para restabelecer, de fato, a sua credibilidade fiscal, é aceitar a perda do seu grau de investimento.

A partir daí, ainda que as agências de risco estejam meio desmoralizadas, será uma questão de tempo (não de se...) sermos vítimas de um turbilhão pelo qual, acreditem ou não os "heterodoxos", os famosos mercados dos "ortodoxos" vão nos impor o seu "ajuste", pouco se importando com seus custos ou com os seus efeitos. Nos meus 87 anos, já vi muito leão virar gato...


segunda-feira, 2 de março de 2015

Forbes 2015: os mais ricos do mundo.

                  1º Bill Gates       $79.2 B 59           Microsoft            United States
                #2           Carlos Slim Helu               $77.1 B 75           telecom               Mexico
                #3           Warren Buffett $72.7 B 84           Berkshire Hathaway      United States
                #4           Amancio Ortega              $64.5 B 78           Zara       Spain
                #5           Larry Ellison        $54.3 B 70           Oracle   United States
                #6           Charles Koch     $42.9 B 79           diversified          United States
                #6           David Koch         $42.9 B 74           diversified          United States
                #8           Christy Walton  $41.7 B 60           Wal-Mart            United States
                #9           Jim Walton         $40.6 B 67           Wal-Mart            United States
                #10        Liliane Bettencourt         $40.1 B 92           L'Oreal  France
                 #11        Alice Walton      $39.4 B 65           Wal-Mart            United States
                #12        S. Robson Walton           $39.1 B 71           Wal-Mart            United States
                #13        Bernard Arnault               $37.2 B 65           LVMH   France
                #14        Michael Bloomberg        $35.5 B 73           Bloomberg LP   United States
                #15        Jeff Bezos           $34.8 B 51           Amazon.com     United States
                #16        Mark Zuckerberg            $33.4 B 30           Facebook            United States
                #17        Li Ka-shing          $33.3 B 86           diversified          Hong Kong
                #18        Sheldon Adelson             $31.4 B 81           casinos United States
                #19        Larry Page          $29.7 B 41           Google United States
                #20        Sergey Brin        $29.2 B 41           Google United States
                 #21        Georg Schaeffler             $26.9 B 50           ball bearings      Germany
                #22        Forrest Mars, Jr.              $26.6 B 83           candy    United States
                #22        Jacqueline Mars              $26.6 B 75           candy    United States
                #22        John Mars          $26.6 B 78           candy    United States
                #25        David Thomson                $25.5 B 57           media   Canada
                #26        Jorge Paulo Lemann      $25 B     75           beer      Brazil
                #27        Lee Shau Kee    $24.8 B 87           real estate          Hong Kong
                #28        Stefan Persson $24.5 B 67           H&M     Sweden
                #29        George Soros    $24.2 B 84           hedge funds      United States
                #29        Wang Jianlin      $24.2 B 60           real estate          China
                 #31        Carl Icahn            $23.5 B 79           investments      United States
                #32        Maria Franca Fissolo      $23.4 B 97           Nutella, chocolates        Italy
                #33        Jack Ma               $22.7 B 50           e-commerce     China
                #34        Prince Alwaleed Bin Talal Alsaud              $22.6 B 59           investments      Saudi Arabia
                #35        Steve Ballmer   $21.5 B 58           Microsoft            United States
                #35        Phil Knight          $21.5 B 77           Nike      United States
                #37        Beate Heister & Karl Albrecht Jr.              $21.3 B -              supermarkets   Germany
                #38        Li Hejun               $21.1 B 47           solar power equipment               China
                #39        Mukesh Ambani              $21 B     57           petrochemicals, oil & gas             India
                #40        Leonardo Del Vecchio   $20.4 B 79           eyeglasses         Italy
                 #41        Len Blavatnik     $20.2 B 57           diversified          United States
                #41        Tadashi Yanai    $20.2 B 66           retail     Japan
                #43        Charles Ergen    $20.1 B 62           Dish Network    United States
                #44        Dilip Shanghvi   $20 B     59           pharmaceuticals              India
                #45        Laurene Powell Jobs      $19.5 B 51           Apple, Disney   United States
                #46        Dieter Schwarz $19.4 B 75           retail     Germany
                #47        Michael Dell       $19.2 B 50           Dell        United States
                #48        Azim Premji       $19.1 B 69           software             India
                #49        Theo Albrecht, Jr.           $19 B     64           Aldi, Trader Joe's             Germany
                #50        Michael Otto     $18.1 B 71           retail, real estate             Germany
                 #51        Paul Allen           $17.5 B 62           Microsoft, investments               United States
                #52        Joseph Safra      $17.3 B 76           banking               Brazil
                #53        Anne Cox Chambers      $17 B     95           media   United States
                #54        Susanne Klatten              $16.8 B 52           BMW, pharmaceuticals Germany
                #55        Pallonji Mistry   $16.3 B 85           construction      Ireland
                #56        Ma Huateng      $16.1 B 43           internet media China
                #57        Patrick Drahi      $16 B     51           Telecom              France
                #58        Thomas & Raymond Kwok          $15.9 B -              real estate          Hong Kong
                #59        Stefan Quandt  $15.6 B 48           BMW    Germany
                #60        Ray Dalio             $15.4 B 65           hedge funds      United States
                 #60        Vladimir Potanin              $15.4 B 54           metals  Russia
                #62        Serge Dassault  $15.3 B 89           aviation               France
                #62        Robin Li                $15.3 B 46           internet search China
                #64        Donald Bren      $15.2 B 82           real estate          United States
                #65        Francois Pinault               $14.9 B 78           retail     France
                #66        Shiv Nadar          $14.8 B 69           information technology               India
                #67        Aliko Dangote   $14.7 B 57           cement, sugar, flour      Nigeria
                #68        Mikhail Fridman               $14.6 B 50           oil, banking, telecom     Russia
                #69        Hinduja Brothers             $14.5 B -              diversified          United Kingdom
                #69        Ronald Perelman            $14.5 B 72           leveraged buyouts         United States
                 #71        Cheng Yu-tung $14.4 B 89           diversified          Hong Kong
                #71        Alisher Usmanov             $14.4 B 61           steel & mining, telecom, investments   Russia
                #73        Henry Sy             $14.2 B 90           diversified          Philippines
                #73        Viktor Vekselberg           $14.2 B 57           metals, energy Russia
                #75        Masayoshi Son $14.1 B 57           internet, telecom           Japan
                #76        James Simons   $14 B     76           hedge funds      United States
                #77        German Larrea Mota Velasco    $13.9 B 61           mining  Mexico
                #77        Rupert Murdoch             $13.9 B 83           media   United States
                #77        Johanna Quandt              $13.9 B 88           BMW    Germany
                #80        David & Simon Reuben $13.7 B 72           investments, real estate             United Kingdom
                 #81        Dhanin Chearavanont   $13.6 B 75           food      Thailand
                #82        Iris Fontbona     $13.5 B 72           mining  Chile
                #82        Lui Che Woo      $13.5 B 85           casinos Hong Kong
                #82        Lakshmi Mittal  $13.5 B 64           steel      India
                #85        Abigail Johnson                $13.4 B 53           money management    United States
                #85        Luis Carlos Sarmiento    $13.4 B 82           banking               Colombia
                #87        Lei Jun  $13.2 B 45           smartphones    China
                #87        Charoen Sirivadhanabhakdi       $13.2 B 70           beverages          Thailand
                #89        Alexey Mordashov         $13 B     49           steel, investments         Russia
                #89        Marcel Herrmann Telles              $13 B     65           beer      Brazil
                 #91        Gerald Cavendish Grosvenor    $12.6 B 63           real estate          United Kingdom
                #92        Hans Rausing     $12.5 B 88           packaging           Sweden
                #92        Jack Taylor          $12.5 B 92           Enterprise Rent-A-Car  United States
                #94        Charles Butt       $12.3 B 77           supermarkets   United States
                #94        Gina Rinehart    $12.3 B 61           mining  Australia
                #96        Vagit Alekperov               $12.2 B 64           Lukoil    Russia
                #96        Harold Hamm    $12.2 B 69           oil & gas               United States
                #96        Patrick Soon-Shiong       $12.2 B 63           pharmaceuticals              United States
                #99        Stefano Pessina               $12.1 B 73           drugstores         Italy

                #100      Richard Kinder  $12 B     70           pipelines             United States

A miséria da política - FHC 2015.

Leio hoje no EL PAÍS mais um artigo do sociólogo Fernando Henrique Cardoso, comentando com melancolia o triste momento por que passa este Brasil. 
Otimista por temperamento com os necessários freios que o realismo impõe, raramente me deixo abater pelo desalento. Confesso que hoje, no entanto, quase desanimei: que dizer, que recado dar diante (valham-me os clássicos) de tanto horror perante os céus?
Na procura de alento, pensei em escrever sobre situações de outros países. Passei o Carnaval em Cuba, país que visitava pela terceira vez: a primeira, na década de 1980, quando era senador. Fui jurado em um prêmio Casa de las Américas. Voltei à Ilha como Presidente da República. Vi menos do povo e dos costumes do que na vez anterior: o circuito oficial é bom para conhecer outras realidades, não as da sociedade. Agora visitei Cuba como cidadão comum, sem seguranças, nem salamaleques oficiais. Fui para descansar e para admirar Havana, antes que o novo momento econômico de relações com os Estado Unidos a modifiquem muito.
Não fui, portanto, para avaliar a situação política (sequer possível em sete dias) nem para me espantar com o já sabido, de bom e de mau, que lá existe. Não caberia, portanto, regressar e fazer críticas ao que não olhei com maior profundidade. Os únicos contatos mais formais que tive foram com Roberto Retamar (poeta e diretor da referida Casa de las Américas), com o jornalista Ciro Bianchi e com o conhecido romancista Leonardo Padura. Seu livro El Hombre que amaba los perros — sobre a perseguição a Trotski em seu exílio da União Soviética — é uma admirável novela histórica. Rigorosa nos detalhes, aguda nas críticas, pode ser lida como um livro policial, especialidade do autor, que, no caso, reconstitui as desventuras do líder revolucionário e o monstruoso assassinato feito a mando de Stálin.
Jantei com os três cubanos e suas companheiras. Por que ressalto o fato, de resto trivial? Porque embora ocupando posições distintas no espectro político da Ilha mantiveram uma conversa cordial sobre os temas políticos e sociais que iam surgindo. A diversidade de posições políticas não tornava o diálogo impossível. Eles próprios não se classificavam, suponho, em termos de “nós” e “eles”, os bons e os maus. Por outra parte, ainda que o cotidiano dos cubanos seja de restrições econômicas que limitam as possibilidades de bem-estar, com todos os populares com quem conversei, senti esperanças de que no futuro estariam melhores: o fim eventual do embargo, o fluxo de turistas, a liberdade maior de ir e vir, as remessas aumentadas de dinheiro dos cubanos da diáspora, tudo isso criou um horizonte mais desanuviado.
É certo que nem em todos os contatos mais recentes que tive com pessoas de nossa região senti o mesmo ânimo. Antes de viajar recebi a ligação telefônica da mãe de Leopoldo Lopes, oposicionista venezuelano que cumpriu um ano de cadeia no dia 18 de fevereiro. Ponderada e firme, a senhora me pediu que os brasileiros façamos algo para evitar a continuidade do arbítrio. Ainda mantém esperanças de que, ademais dos protestos no Congresso e na mídia, alguém do governo entenda nosso papel histórico e grite pela liberdade e pela democracia.
Esta semana foi a vez de Henrique Capriles me telefonar para pedir solidariedade diante de novos atos de arbítrio e truculência em seu país: o prefeito Antonio Ledezma, eleito ao governo do Distrito Metropolitano de Caracas pelo voto popular,havia sido preso dias antes em pleno exercício de suas funções. Não bastasse, em seguida houve a invasão de vários diretórios de um partido oposicionista. Note-se, como me disse Capriles, que Ledezma não é um político exaltado, que faz propostas tresloucadas: ele, como muitos, deseja apenas manter viva a chama democrática e mudar pela pressão popular, não pelas armas, o nefasto governo de Nicolás Maduro. Esperamos todos que o desrespeito aos direitos humanos provoque reações de repúdio ao que acontece na Venezuela.

Até mesmo os colombianos, depois de meio século de luta armada, vão construindo veredas para a pacificação. As FARC e o governo vêm há meses, lenta, penosa mas esperançadamente abrindo frestas por onde possa passar um futuro melhor. Amanhã, segunda-feira, 2 de março, o presidente Santos e outras personalidades, entre as quais Felipe González, estarão reunidos em Madri num encontro promovido por EL PAÍS (ao qual não comparecerei por motivos de força maior) para reafirmar a fé na paz colombiana.
Enquanto isso, nós que estamos longe de sofrer as restrições econômicas que maltratam o povo cubano ou os arbítrios de poder que machucam os venezuelanos, eles também submetidos à escassez de muitos produtos e serviços, nos afogamos em copo d’água.
Por que isso, diante de uma situação infinitamente menos complexa? Por que Lula, em lugar de se erguer ao patamar que a história requer, insiste em esbravejar, como fez ao final de fevereiro, dizendo que colocará nas ruas as hostes do MST (pior, ele falou nos “exércitos”...) para defender o que ninguém ataca, a democracia e — incrível — para salvar a Petrobras de uma privatização que tucano algum deseja? Por que a presidente Dilma deu-se ao ridículo de fazer declarações atribuindo a mim a culpa do Petrolão? Não sabem ambos que quem está arruinando a Petrobras (espero que passageiramente) é o PT que, no afã de manter o poder, criou tubulações entre os cofres da estatal e sua tesouraria? Será que a lógica do marquetismo eleitoral continuará a guiar os passos da Presidente e de seu partido? Não percebem que a situação nacional requer novos consensos, que não significam adesão ao governo, mas viabilidade para o Brasil não perder suas oportunidades históricas?

Confesso que tenho dúvidas se o sentimento nacional, o interesse popular, serão suficientes para dar maior têmpera e grandeza a tais líderes, mesmo diante das circunstâncias potencialmente dramáticas das quais nos aproximamos. Num momento que exigiria grandeza, o que se vê é a miséria da política.