domingo, 24 de maio de 2015

A morte de John Nash: A Beautiful Mind.

Neste outono brasileiro um triste domingo para o mundo da Matemática e da Economia com a notícia da morte do genial John Forbes Nash, Jr – gênio matemático, inventor da teoria do comportamento racional e visionário da máquina pensante.

Ganhou o Nobel de Economia em 1984 e dele a jornalista e economista Sylvia Nasar escreveu o belo “Uma mente brilhante”, livro que deu origem ao filme de mesmo nome, estrelado por Russell Crowe.   



John Nash dead.

Nobel Prize-winning mathematician John Nash was killed in a car accident on Saturday, New Jersey State Police told The Huffington Post.
The Princeton University scholar was 86 years old. His wife Alicia was also killed in the crash.
According to police, they were riding in a taxi on the New Jersey Turnpike and were ejected from the vehicle. NJ.com reports that Nash and his wife were not wearing seatbelts.
Nash was the subject of the Academy Award-winning film 'A Beautiful Mind'. The film depicted his groundbreaking work in game theory, for which he won the Nobel Prize in Economic Sciences in 1994. He also received the Abel Prize, one of mathematics' most prestigious honors, in March.
'A Beautiful Mind', which starred Russell Crowe, also depicted Nash's struggles with mental illness. Nash suffered from schizophrenia and, after his recovery, became an advocate for improving mental health care.

"Stunned...my heart goes out to John & Alicia & family," Crowe tweeted on Sunday."An amazing partnership. Beautiful minds, beautiful hearts."

A Quarta Revolução: Micklethwait e Wooldridge.

Segundo a Foreign Affairs trata-se de um livro inteligente e com argumentos afiados.  


Correr: Drauzio Varella.



sábado, 16 de maio de 2015

A vida começa todos os dias: doutorado aos 102 anos.


Leio hoje no UOL:

Uma alemã de 102 anos defendeu sua tese de doutorado cerca de 80 anos depois de ter sido impedida de fazê-lo pelo regime nazista por causa de sua ascendência judaica, comunicou nesta sexta-feira (15) o Hospital Universitário de Hamburgo-Eppendorf.

A defesa da pediatra Ingeborg Syllm-Rapoport, ocorrida na quarta-feira, foi bem-sucedida e ela receberá o título de doutora em junho. A tese sobre difteria havia sido escrita entre 1937 e 1938, mas na época ela foi impedida de fazer o exame oral necessário para obter o título de doutora.

Na época, a direção da Faculdade de Medicina justificou a decisão com a chamada lei de raças, que discriminava pessoas judias ou de ascendência judaica. A mãe de Ingeborg era judia.

"Com esse exame de doutorado não podemos desfazer a injustiça cometida, mas contribuímos para a confrontação com o pior lado da história alemã nas universidades e escolas superiores", disse o diretor da Faculdade de Medicina, Uwe Koch-Gromus.

Ingeborg Syllm-Rapoport nasceu em 1912, filha da pianista judia Maria Syllm, e migrou em 1938 para os Estados Unidos, onde trabalhou como pediatra. Lá ela conheceu seu futuro marido, Samuel Mitja Rapoport, com quem teve quatro filhos.

Em 1952, os dois simpatizantes do socialismo se mudaram para Berlim Oriental, na então Alemanha comunista. Em 1969, Ingeborg assumiu, no hospital universitário Charité, a primeira cátedra de neonatologia na Alemanha. Ela era uma das mais renomadas pediatras da Alemanha Oriental.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

O exemplo do general Marshall - Joaquim Levy.


Joaquim Levy, com brilhante memória, na FOLHA. 

Planejamento, persistência, gestão de pessoas e alinhamento com os princípios da missão são elementos essenciais para o sucesso da maior parte das empreitadas.

Um bom exemplo dessa combinação encontra-se na atuação de George Marshall, que liderou o Exército americano durante a Segunda Guerra Mundial, tendo sido indispensável para a sua vitória, especialmente no cenário europeu, alcançada 70 anos atrás.

O general Marshall anteviu a necessidade de o Exército estar preparado para defender o país bem antes de ele ser atacado. Já antes do início do conflito na Europa, ele alertou o presidente americano da imperiosa urgência de reorganizar e dar meios àquela força.

Como tantos, ele propugnava o desenvolvimento da Força Aérea, que era então primitiva e pequena. Mas, fiel ao seu feitio, quando foi proposto um plano de rapidamente se produzirem 10 mil aviões, ele foi contra, preferindo uma quantidade bem menor de unidades, mas acompanhada dos recursos para treinar pilotos e desenvolver o apoio logístico indispensável para a efetividade daquele investimento.

Essa atenção ao equilíbrio e o foco na organização industrial foram cruciais quando o Exército americano passou de menos de 200 mil soldados em 1939 para 4 milhões quatro anos depois.

Para liderar esse vasto contingente em armas, Marshall valeu-se de alguns critérios para selecionar generais que havia alinhavado anos antes, preferindo aqueles que exibissem bom senso, conhecessem seu ofício, estivessem em boa forma física --demonstrando energia--, fossem otimistas (irradiando um espírito positivo) e cuja lealdade fosse acompanhada de determinação.

Essas características, sem nada de especial na aparência, em geral se traduziam na capacidade de trabalhar em grupo, responder sob pressão e não culpar os outros pela adversidade. Elas também permitiram uma ênfase em preservar a vida dos seus comandados, o que era raramente visto antes na condução de um conflito armado.

Esse respeito foi uma regra básica para o bom funcionamento de um Exército de cidadãos, que abraçaram a missão de defender a democracia. Seu impacto no moral dos combatentes contribuiu para o Exército superar diversos reveses e pautar o comportamento da tropa à medida que foram conquistando território, inclusive em relação aos civis que foram encontrando.

Os princípios de gestão aí ilustrados se aplicam ao grande número de atividades humanas, e suas manifestações não escaparam aos mais argutos participantes da FEB (Força Expedicionária Brasileira), que combateu lado a lado com os Aliados, especialmente os americanos.

Osvaldo Cordeiro de Farias, um dos mais capazes integrantes da FEB, recordava-se de como os americanos souberam aproveitar os talentos de oficiais e soldados das mais diversas origens, transformando, por exemplo, um gerente de supermercado em oficial graduado de logística.

Lembrava-se também de como oficiais com dois ou três anos de experiência se mostravam tão ou mais capazes do que os próprios oficiais de carreira, americanos ou brasileiros.

Isso porque mecanismos que aceleravam a difusão de boas práticas e de experiências malogradas se traduziam no rápido aprendizado a partir de erros iniciais. Essas lições, sem dúvida, auxiliaram esse notável artilheiro brasileiro quando passou para a vida civil e liderou um importante grupo industrial décadas depois.

A confiança na capacidade de pessoas de diversas origens é um dos traços essenciais da democracia e base da inclusão. Ela também esteve presente na visão estratégica do general Marshall, que permitiu dar fundamental contribuição não só para a vitória da guerra mas também para a paz, quando ele idealizou o plano de auxílio para a Europa no pós-Guerra.

Esse plano, que levou seu nome, ao alavancar o potencial do continente, permitiu sua recuperação econômica, culminada com a criação do Mercado Comum Europeu dez anos depois.

Ao se comemorar o fim da maior das guerras no território europeu e merecidamente homenagear os milhares de pracinhas que o Brasil mandou à Itália e que voltaram com tantas e variadas experiências, parece mais atual do que nunca o exemplo desse general que declinou as posições mais visíveis no seu Exército, para garantir o seu bom funcionamento e as grandes escolhas estratégicas que lhe trouxeram a vitória.


domingo, 3 de maio de 2015

Desvendar a trama: Fernando Henrique Cardoso no Estadão.

Eu preferiria não voltar ao tema arquibatido das crises que nos alcançaram. Mas é difícil. Vira e mexe, elas atingem o bolso e a alma das pessoas. Na última semana o início de recessão repercutiu fortemente sobre a taxa de desemprego. Considerando apenas as seis principais metrópoles, ela atingiu 6,2%, a maior taxa desde 2001. A Petrobras, ao tentar virar uma página de sua história recente, pôs em evidência que o “propinoduto”, enorme (R$ 6 bilhões), é incomparavelmente menor do que o “asnoduto”, dos projetos megalômanos e malfeitos: R$ 40 bilhões. São cifras casadas, pois quanto piores ou mais incompletos os projetos de obras, mais fácil se torna aumentar seu custo e desviar o dinheiro para fins pessoais ou partidários.

O setor elétrico foi vítima de males semelhantes (só à Petrobras as “pedaladas” da Eletrobrás custaram R$ 4,5 bilhões) e não é o único no qual os desmandos vêm se tornando públicos. Se algum dia se abrirem as contas da Caixa Econômica, vai-se ver que o FGTS dos trabalhadores deu funding para uma instituição bancária pública fazer empréstimos de salvamento a empreendimentos privados quebrados. No caso do BNDES, a despeito da competência de seus funcionários, emprestou-se muito dinheiro a empresas de solvabilidade discutível, também com recursos do FAT, ou seja, dos trabalhadores (ou dos contribuintes), oriundos do Tesouro.

No afã de “acelerar o crescimento” usando o governo como principal incentivo, as contas públicas passaram a sofrer déficits crescentes. Pior, dada a conjuntura internacional negativa e o pouco avanço da produtividade nacional, também as contas externas apresentam índices negativos preocupantes quando comparados com o PIB brasileiro (cerca de 4%, com viés de alta). Pressionado pelas circunstâncias, o governo atual teve que entregar o comando econômico a quem pensa diferente dos festejados (pelos círculos petistas e adjacentes) autores da “nova matriz econômica”. Esta teria descoberto a fórmula mágica da prosperidade: mais crédito e mais consumo. O investimento, ora, é consequência do consumo… Sem que se precisasse prestar atenção às condições de credibilidade das políticas econômicas.

As consequências estão à vista: chegou a hora de apertar os cintos. Como qualquer governo responsável — antes se diria, erroneamente, neoliberal —, o atual começou a cortar despesas e restringir o crédito. Há menos recursos para empréstimos, mais obras paradas, maior desemprego, e assim vamos numa espiral de agruras, fruto da correção dos desacertos do passado recente. Para datar: esta espiral de enganos começou a partir dos dois últimos anos do governo Lula. Agora, na hora de a onça beber água, embora sem reconhecer os desatinos, volta-se ao bom senso. Mas, cuidado, é preciso que haja senso.

Ajuste fiscal, às secas, sem confiança no governo, sem horizontes de crescimento e, pois, com baixo investimento, é como operação sem anestesia. Pior: política econômica requer dosagem, e nem sempre os bons técnicos avaliam bem a saúde geral do país. Também o cavalo do inglês aprendeu a não comer; só que morreu.

Não quero ser pessimista. Mas o que mais falta faz neste momento é liderança. Gente em quem a gente creia, que não só aponte os caminhos de saída, mas comece a percorrê-los. Não estou insinuando que sem impeachment não há solução. Nem dizendo o contrário, que impeachment é golpe. Estou apenas alertando que as lideranças brasileiras (e escrevo assim no plural) precisam se dar conta de que desta vez os desarranjos (não só no plano econômico, mas no político também) foram longe demais.

Reerguer o país requer primeiro passar a limpo os erros. Não haverá milagre econômico sem transformação política. Esta começa pelo aprofundamento da operação Lava-Jato, para deixar claro por que o país chegou onde chegou. Não dispensa, contudo, profundas reformas políticas.

Não foram os funcionários da Petrobras os responsáveis pela roubalheira (embora alguns nela estivessem implicados). Nenhuma diretoria se mantém sem o beneplácito dos governos, nem muito menos o dinheirão todo que escapou pelo ralo foi apropriado apenas por indivíduos. Houve mais do que apadrinhamento político, construiu-se uma rede de corrupção para sustentar o poder e seus agentes (pessoas e partidos).

Não adianta a presidente dizer que tudo agora está no lugar certo na Petrobras. É preciso avançar nas investigações, mostrar a trama política corrupta e incompetente. Não foi só a Petrobras que foi roubada, o país foi iludido com sonhos de grandeza nacional enquanto a roubalheira corria solta na principal companhia estatal do país.

Quase tudo o que foi feito nos últimos quatro mandatos foi anunciado como o “nunca antes feito neste país”. É verdade, nunca mesmo se errou tanto em nome do desenvolvimento nacional nem jamais se roubou tanto sob a proteção desse manto encantado. Embora os diretores da Petrobras diretamente envolvidos na roubalheira devam ser penalizados, não foram eles os responsáveis maiores.

Quem enganou o Brasil foi o lulopetismo. Lula mesmo encharcou as mãos de petróleo como arauto da falsa autossuficiência. E agora, José? Não há culpabilidade política? Vai-se apelar aos “exércitos do MST” para encobrir a verdade?

É por isso que tenho dito que impeachment é uma medida prevista pela Constituição, pela qual não há que torcer, nem distorcer: havendo culpabilidade, que se puna. Mas a raiz dos desmandos foi plantada antes da eleição da atual presidente. Vem do governo de seu antecessor e padrinho político. O que já se sabe sobre o petrolão é suficientemente grave para que a sociedade repudie as forças e lideranças políticas que teceram a trama da qual o escândalo faz parte. Mas é preciso que a Justiça não se detenha antes que tudo seja posto às claras. Só assim será possível resgatar os nossos mais genuínos sentimentos de confiança no Brasil e no seu futuro.

sábado, 2 de maio de 2015

World War II: The Fall of Nazi Germany May 2, 1945.


On 2 May 1945, after one of the most intense battles in human history, the guns at last stopped firing amongst the ruins of Berlin. According to Soviet veterans, the silence that followed the fighting was literally deafening. Less than four years after his attack on the Soviet Union, Hitler's self-proclaimed thousand-year Reich had ceased to exist. The German Führer himself was dead.

John Maynard Keynes em 2015.

Keynes (1883-1946) foi o inglês mais inteligente de sua geração.

Ele tinha uma capacidade analítica incomum, abordava os problemas por ângulos sempre novos e não receava mudar de ideia.

Foi dono de um poder de persuasão poucas vezes visto na história.

Richard Davenport-Hines em entrevista a VEJA.  

Getúlio Vargas em 2015.

“O Sr. Getúlio Vargas, senador, não deve ser candidato. 

Candidato, não deve ser eleito. 

Eleito, não deve tomar posse. 

Empossado, devemos recorrer à revolução para impedi-lo de governar”.

Tribuna da Imprensa - Carlos Lacerda - 1950. 

Brasil: a economia sem o apoio da política.


No mês onde o mundo comemora o Dia Internacional do Trabalho, o trabalhador brasileiro, governado por um partido dito dos Trabalhadores, espera com paciência bovina a taxa média de desemprego desabar dos 4,8% a.a. em 2014 para estimados 6,8% a.a. e 8,0% a.a. ao final dos anos de 2015 e 2016, respectivamente.

Enquanto isso, a taxa básica de juros (SELIC) sobe de 12,75% a.a. para 13,25% a.a. e o PIB estimado para o final deste 2015 desaba para -1,5% a.a., depois de um 2014 estagnado.

A inflação, sempre ela, há muito tempo ultrapassou o centro da meta de 4,5% a.a. e nas compras o consumidor observa o seu dinheiro não chegar ao final do mês.  

As contas do governo registraram em março um superávit primário de R$ 1,5 bilhão, valor muito inferior ao esperado pelo mercado que era de cerca R$ 3,2 bilhões.

Para complicar, os políticos não se entendem e no horizonte ainda não temos uma liderança capaz de reverter este quadro. 

E quem podia ajudar, hoje mais atrapalha. 

Pelo menos, Joaquim Levy demonstra ser um moço calmo. 

Até quando?

Royal baby born: Kate Middleton gives birth to a girl!


Valor Econômico - 15 anos.

FOLHA DE S. PAULO: Maior jornal de economia e negócios do país, o "Valor Econômico" completa, neste sábado (2), 15 anos de circulação. Uma parceria entre o Grupo Folha e o Grupo Globo, o "Valor" passa a investir em produtos cada vez mais específicos e segmentados de seu conteúdo, produzido por mais de 200 jornalistas.

Segundo a diretora de Redação do "Valor", Vera Brandimarte, essa é a tendência de qualquer empresa, "interpretar o que o cliente quer, como ele muda seus hábitos e adaptar produtos específicos para ele".

Com 60.118 assinantes nas edições impressa e digital, o "Valor" lançou em 2014 o Valor PRO, que oferece em tempo real notícias e informações exclusivas.

Todo o conteúdo feito pela equipe do jornal é inicialmente disponibilizado aos assinantes do Valor PRO e, depois, adaptado e publicado nas edições impressa e digital. O jornal também possui o Valor Empresas, um banco de dados com informações de mais de 5.000 companhias de todo o Brasil.

Lançado em maio de 2000 em meio ao boom de novos sites de notícias, o "Valor" se impôs como jornal de economia em sua versão impressa. A base de sua direção editorial era oriunda da "Gazeta Mercantil", jornal fundado em 1920, que deixou de circular em maio de 2009.

Seu primeiro diretor de Redação --e um dos principais responsáveis pela definição da linha editorial do veículo-- foi o jornalista Celso Pinto, ex-colunista da Folha, que se licenciou do "Valor" em 2003.

Ao longo desses 15 anos, o jornal se firmou em outras plataformas e se tornou referência no seu segmento. Encerrou 2014 com faturamento bruto de R$ 220 milhões.

"O 'Valor' não passou ao largo de todas as situações difíceis e de mudanças no modelo de negócio das empresas do setor, principalmente nos anos entre 2002 e 2004", diz Vera Brandimarte.

"Mas sempre tivemos o lastro financeiro dos controladores e um time de jornalistas que fizeram a diferença nesses anos."


Grupo Folha e Grupo Globo detêm 50% cada um de participação, os conselhos administrativo e editorial do jornal são divididos em partes iguais, e as decisões são sempre tomadas por unanimidade. "A relação é harmônica, e o comando da Redação, muito autônomo", afirma Antonio Manuel Teixeira Mendes, diretor-superintendente do Grupo Folha.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Copom eleva a taxa Selic para 13,25% ao ano.

Brasília – Avaliando o cenário macroeconômico e as perspectivas para a inflação, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic em 0,50 p.p., para 13,25% a.a., sem viés.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Alexandre Antonio Tombini (Presidente), Aldo Luiz Mendes, Altamir Lopes, Anthero de Moraes Meirelles, Luiz Awazu Pereira da Silva, Luiz Edson Feltrim, Otávio Ribeiro Damaso, Sidnei Corrêa Marques e Tony Volpon.


Brasília, 29 de abril de 2015
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domingo, 26 de abril de 2015

Por que não somos japoneses.

Uma aula de Economia hoje na Folha de S. Paulo com o Professor Samuel Pessoa.

Em entrevista ao jornal "Valor Econômico", na quinta-feira passada, a professora da FEA-USP (Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo) Leda Paulani, decepcionada com a alteração do regime de política econômica no segundo mandato da presidente Dilma, fez a seguinte pergunta:

"Qual é o problema de um país como o Brasil, pobre ainda, tendo de se construir como nação, fazer um deficit público de 6,7% do PIB? Por que o Japão pode ter 9% de deficit nominal e ninguém acha que o Japão está quebrado, acabado, destruído, descontrolado, sem condição?".

A resposta à pergunta da professora é que a inflação no Japão é próxima de zero, e a taxa de juros, também. Juros e inflação baixíssimos sugerem que há carência de demanda agregada. Nosso caso é exatamente o oposto. Temos inflação elevadíssima, que deve fechar 2015 na casa de 8,5% ao ano, apesar de os juros reais serem altíssimos. Ou seja, temos excesso de demanda agregada.

Se perguntarmos por que há carência de demanda agregada por lá e excesso por aqui, chegaremos à taxa de poupança. A taxa de poupança no Japão será em 2015, segundo a mais recente avaliação do FMI, de 23% do PIB. Para o Brasil, segundo a mesma fonte, o número será de 15%.

A diferença de oito pontos percentuais entre o Japão e o Brasil é enorme! O motivo é que o Japão tem uma população muito envelhecida e taxa de crescimento populacional negativa. É natural que a taxa de poupança seja relativamente baixa para economias com relativamente muitos idosos.

O Brasil, ao contrário, do ponto de vista demográfico, encontra-se no período em que a taxa de poupança deveria ser máxima. Assim, a taxa de 15% do PIB hoje é ridícula comparada à de 20% que tínhamos nos anos 1970, quando a proporção de crianças era muito maior.

Também é ridícula se compararmos com mais de 30% de taxa de poupança que o Japão apresentava quando estava sendo construído e com os 23% que o envelhecido país tem hoje.

Para entendermos a carência de demanda agregada no Japão e o excesso de demanda agregada no Brasil, temos que olhar não somente a elevada poupança lá e a baixa cá mas também o investimento --que, relativamente à poupança doméstica, é baixo lá e elevado aqui. A taxa de investimento no Japão será em 2015, segundo o FMI, de 21% do PIB, abaixo da taxa de poupança de 23%. Para o Brasil, o investimento será, segundo a mesma fonte, de 19%, bem acima da poupança, de 15%.

Lá temos elevada poupança, investimento baixo, apesar de superior ao brasileiro, juros baixos e inflação baixa. Aqui temos poupança baixa, investimento (relativamente) elevado, juros elevados e inflação alta. A produtividade do trabalho lá é quatro vezes a nossa, e a posição líquida internacional de investimento do Japão é credora. Fica evidente o porquê de eles poderem ter deficit de 6,7% do PIB lá e nós não podermos aqui!

Nos seis anos que vão de 2009 até 2014, tentou-se baixar os juros na marra e aceitar um "pouquinho" mais de inflação, além de inúmeras outras medidas. O receituário defendido pela professora na entrevista, a nova matriz econômica, foi adotado por seis longos anos.

Alguns analistas, entre os quais me incluo, atribuem os desequilíbrios de nossa economia e o desempenho ruim no período 2008-2014 relativamente aos demais países da América Latina à nova matriz econômica. Outros, entre os quais a professora, pensam que a responsabilidade é da crise internacional. Debate em aberto na academia.

A entrevista da professora sugere que a alteração do regime de política econômica foi forçada pelo terrorismo do mercado. Longe disso. O tempo da política não espera os acadêmicos pacificarem suas divergências. Os políticos petistas, liderados por Lula, forçaram a alteração da política econômica. Entenderam que a nova matriz econômica deu com os burros n'água e estão tentando salvar 2018.

Na democracia, os políticos têm a penúltima palavra, a última fica com os eleitores. A professora precisa se perguntar por que os economistas ditos de esquerda perderam o debate após seis anos de experimentalismo. A teoria conspiratória do "terrorismo do mercado" não cola.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Brasil: estimativas PIB - Juros - IPCA - Câmbio 2015.

FOCUS - Relatório de Mercado do BACEN estima os cenários abaixo:

PIB: Para 2015, a mediana das projeções para o PIB passou de -1,01% para -1,03% e sua média se manteve em -1,05%.

Juros: Para 2015, a mediana das projeções para a taxa Selic se manteve em 13,25% e sua média caiu de 13,28% para 13,27%.

IPCA: Para 2015, a mediana das projeções aumentou de 8,13% para 8,23% e sua média subiu de 8,16% para 8,22%.

Câmbio: Para 2015, a mediana das projeções recuou de R$/US$ 3,25 para R$/US$ 3,21 e sua média caiu de R$/US$ 3,23 para R$/US$ 3,22.

sábado, 11 de abril de 2015

Barack Obama e Raúl Castro: fazendo história em 2015.


O encontro de Dilma e Obama.

Sinfrônio, o mestre do humor cearense, demonstra em uma única charge, a popularidade de Dilma e seu encontro, na Cúpula das Américas, com o presidente Barack Obama.  


Economistas.

O Professor Delfim Netto, na FOLHA, uma aula de Economia.

Há um claro exagero na afirmação de que o desenvolvimento econômico depende basicamente da política microeconômica. Bastaria fornecer aos agentes a oportunidade de operarem livremente num ambiente de mercados bem regulados e que funcionem com estímulos adequados para que o crescimento econômico (a produtividade da mão de obra) seja maximizado.

A demonstração dessa proposição é uma joia lógica. Na prática, deixa muito a desejar pelas fantásticas condições econômicas necessárias para obtê-la. Isso para não falar das condições implícitas sobre a estrutura política e de poder de qualquer sociedade concreta.

Ainda que a "receita" genérica possa ser parcialmente aceita para uma sociedade onde a eficiência econômica seja compatível com relativa independência e razoável igualdade, não é possível dispensar a macroeconomia.

As questões da moeda (que é uma instituição social que condiciona o comportamento dos agentes), do crédito que liga o futuro opaco ao presente, da taxa de juro que é a "ponte" entre eles e do sistema financeiro podem acrescentar ainda mais instabilidade a um sistema produtivo que já tem em si um desequilíbrio permanente.

É o reconhecimento da enorme complexidade das inter-relações entre os cidadãos na sua atividade econômica que dá relevância ao economista e torna-o um cientista social "perigoso", se ele não incorporar a diversidade de pontos de vista sobre os problemas. Se é verdade, como disse John Dewey ("The Public and Its Problems", 1927), "que toda ciência do homem deve preocupar-se dos seus efeitos sociais", então nada se compara aos estragos que podem produzir as políticas econômicas inspiradas apenas no pensamento único (sempre ideológico) que dispensa a observação empírica sistemática e cuidadosa.

Um sociólogo, um antropólogo, um psicólogo ou um historiador "certos" são aplaudidos e reverenciados por seus pares. "Errados", estimulam ainda mais a pesquisa. Sempre melhoram o entendimento do mundo sem ganhos ou prejuízos de monta.

Com o economista o resultado é outro. Suas ideias (estejam certas ou erradas) acabam determinando as políticas econômica e social dos governos: beneficiam ou prejudicam desigualmente milhões de cidadãos! É por isso que é preciso alargar o estudo da economia para inseri-lo num modelo em que a eficiência econômica é submetida ao controle do continuado aumento da relativa igualdade de oportunidades.


Isso exige, como temos insistido, a integração das contribuições dos neoclássicos, dos keynesianos e dos marxistas na prática da política econômica.

Barbara Heliodora: 1923 - 2015.


Joaquim Levy e o PIB de 0,1% em 2014.

"O resultado do PIB em 2014, conforme dados das Contas Nacionais, confirmou a pausa no crescimento econômico no ano.

Por outro lado, a revisão das estatísticas decorrente de aprimoramentos metodológicos incorporados pelo IBGE revelou um quadro de maior expansão da atividade econômica desde 2012, como já evidenciado para 2011, de participação mais elevada do investimento na economia e de melhores indicadores de solvência do País.


Numa visão prospectiva, não obstante a evolução desfavorável da atividade no curto prazo, os ajustes macroeconômicos em curso tendem a construir bases mais sólidas para a retomada da confiança e do crescimento econômico".

Fonte: BACEN. 

domingo, 5 de abril de 2015

Fernando Henrique: Oposição e reconstrução.

Para reflexão, Fernando Henrique Cardoso, hoje no "O Estado de S.Paulo".

Nas últimas semanas tenho dado entrevistas aos jornais e às TVs, talvez mais do que devesse ou a prudência indicasse. Por quê? A mídia anda à busca de quem diga o que pensa sobre o "caos" (a qualificação é oficiosa, vem da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República) em que estaríamos mergulhados e é necessário que vozes da oposição sejam ouvidas.

A crise atual marca o fim de um período, embora ainda não haja percepção clara sobre o que virá. Em crises anteriores as forças opostas ao governo estavam organizadas, tinham objetivos definidos. Foi assim com a queda de Getúlio em 1945, quando a vitória dos Aliados impunha a democracia; idem na segunda queda de Getúlio, quando seus opositores temiam a instauração da "República sindicalista"; o parlamentarismo, igualmente, serviu de esparadrapo para que Jango pudesse tomar posse; em 1964 as "marchas das famílias pela liberdade" aglutinaram as forças políticas aos militares contra o populismo presidencial e, posteriormente, entregaram-se a práticas autoritárias; deu-se o mesmo, por fim, quando a frente de oposição, liderada pelo PMDB, em aliança com dissidentes da antiga Arena, pôs fim ao regime criado em 1964.

Em todos esses casos, previamente ao desenlace houve o enfraquecimento da capacidade de governar e os opositores tinham uma visão política alternativa com implicações econômicas e sociais, embora se tratasse fundamentalmente de crises políticas. Mesmo no impeachment de Collor, a crise era política e a solução, idem. Naturalmente, ajustes econômicos foram feitos em seguimento às soluções políticas, basta lembrar a dupla Campos-Bulhões nos anos 1960. Ou, ainda, os Planos Cruzado e Real, que se seguiram à Constituinte e à derrocada de Collor.

No que se distingue o "caos" atual? Em que ele é mais diretamente a expressão do esgotamento de um modelo de crescimento da economia (como também em 1964 e nas Diretas-Já), embora ainda não se veja de onde virá o novo impulso econômico. Mais do que uma crise passageira, o "caos" atual revela um esgotamento econômico e a exaustão das formas político-institucionais vigentes. Será necessário, portanto, agir e ter propostas em vários níveis. Embora haja alguma similitude com a situação enfrentada na crise de Jango Goulart, nem por isso a "saída" desejada é golpista e muito menos militar. Não há pressões institucionais para derrubar o governo e todos queremos manter a democracia.

Explico-me: a pretensão hegemônica do lulopetismo assentou-se até a crise mundial de 2008 na coincidência entre a enorme expansão do comércio mundial e a alta do preço das commodities, com a continuidade das boas práticas econômicas e sociais dos governos Itamar Franco-Fernando Henrique Cardoso. Essas práticas foram expandidas no primeiro mandato de Lula, ao que se somou a reação positiva à crise financeira mundial. Ao longo do seu segundo mandato, o lulopetismo assumiu ares hegemônicos e obteve, ao mesmo tempo, a aceitação do povo (emprego elevado, Bolsa Família, salário mínimo real aumentado) e o consentimento das camadas econômicas dominantes (bolsa BNDES para os empresários, Tesouro em comunicação indireta com o financiamento das empresas, Caixa Econômica ajudando quem precisasse).

Só que o boom externo acabou, os cofres do governo secaram e a galinha de ovos de ouro da "nova matriz econômica" - crédito amplo e barato e consumo elevado - perdeu condições de sustentabilidade. Isso no exato momento em que o governo Dilma pôs o pé no acelerador, em vez de navegar com prudência. Daí que o discurso de campanha tenha sido um e a prática atual de governo, outra. Some-se a isso a crise moral, na qual o petrolão não é caso único.

As oposições devem começar a desenhar outro percurso na economia e na política. Como a crise, além de econômica e social, é de confiabilidade (o governo perdeu popularidade e credibilidade), começam a surgir vozes por "um diálogo" entre oposições e governo. Problema: qual o limite entre diálogo político e "conchavo", ou seja, a busca de uma tábua de salvação para o governo e para os que são acusados de corrupção? A reconstrução de uma vida democrática saudável e uma saída econômica viável requerem "passar a limpo" o País: que prossigam as investigações e que a Justiça se cumpra. Ao mesmo tempo há que construir novos modos de funcionamento das instituições políticas e das práticas econômicas.

As oposições devem iniciar no Congresso o diálogo sobre a reforma política. Em artigo luminoso do senador José Serra, publicado no Estadão de 26 passado, estão alinhadas medidas positivas tanto para a reforma eleitoral como para práticas de governo. Iniciar a proposta de voto distrital misto nas eleições para vereador em municípios com mais de 200 mil eleitores é algo inovador (o senador Aloysio Nunes fez proposta semelhante). Há sugestões de igual mérito na área administrativa, como a criação da Nota Fiscal Brasileira, e ainda a corajosa e correta crítica ao regime de partilha que levou a Petrobrás a se superendividar. De igual modo o senador Tasso Jereissati apresentou emenda moralizadora sobre o financiamento das eleições, impondo tetos de doação de até R$ 800 mil para os conglomerados empresariais e restrições de acesso ao financiamento público para as empresas doadoras. Partidos que até agora apoiam o governo, como o PMDB, também têm propostas a ser consideradas.

Sei que não basta reformar os partidos e o Código Eleitoral. Mas é um bom começo para a oposição, que, além de ir às ruas para apoiar os movimentos populares moralizadores e reformistas, deve assumir sua parte de responsabilidade na condução do País para dias melhores. Deste governo há pouco a esperar, mesmo quando, movido pelas circunstâncias, tenta corrigir os rumos. Tanto quanto popularidade, falta-lhe credibilidade.