quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

O Fim do Poder - Moisés Naím em exemplo real.


Para quem busca manter o poder a qualquer custo, lendo recentemente “O Fim do Poder”, o último livro do Moisés Naím lançado no Brasil, ele cita que as estatísticas e estudos mostram claramente que os executivos têm cada vez menor estabilidade em seus cargos.

E isso fica muito claro com a saída do Don Thompson,  CEO do McDonald’s: a decisão foi anunciada depois de a empresa divulgar uma queda de 2,4% na receita em 2014.


Enquanto isso no Brasil...

The Economist - 29/01/2015


domingo, 18 de janeiro de 2015

Delfim Netto: O perigo.

Recentemente li na FOLHA um novo artigo do mestre Delfim Netto. 

Depois de um extraordinário e justificado entusiasmo nacional por termos reencontrado o caminho da construção de uma sociedade "civilizada": 1) com o "milagre" da Constituição de 1988; 2) com o movimento de reequilíbrio geral iniciado, mas nunca terminado, pelo Plano Real de 1994/95 e, afinal 3) com a aceleração da inclusão social a partir de 2003 apoiada por um fantástico e passageiro donativo externo, terminamos 2010 com brilhante superação da maior crise econômica e social que o mundo conheceu depois da Segunda Guerra Mundial.

Com essa história, Dilma Rousseff elegeu-se com relativa facilidade. Os estresses internos estavam escondidos pela velocidade do crescimento e a condição externa estava mudando, o que exigiu um forte ajuste em 2011. O seu primeiro mandato foi testemunha do primeiro grito de desconforto da sociedade brasileira nos últimos 30 anos, e a sua reeleição marcada por um embate político de rara agressividade.

Nossa situação econômica é certamente delicada, mas claramente superável. O fenômeno mais grave que estamos vivendo, entretanto, é a generalização da recusa à política que está se apropriando de boa parte da juventude brasileira.

Sem perceber, ela tem sido vítima da mais incompetente história "engajada" ensinada há décadas nas escolas de todo nível (da base às universidades), sob os auspícios do MEC e de sindicatos de funcionários públicos que se acreditam "professores".

Com raras exceções, não aprenderam nada, nem da história pátria, nem da universal. Continuam comparando o socialismo "ideal" com o capitalismo "real", esquecendo o socialismo "real". Continuam ensinando que a "verdadeira" democracia é o sistema em que a "maioria" decide que a "minoria" não tem outro direito que não o de obedecer-lhes. É a matriz do pensamento autoritário que infecciona a sociedade e que sempre terminará numa "verdadeira" democracia de direita que dura 20 anos, ou numa "verdadeira" democracia de esquerda, em geral mais competente, que costuma durar pelo menos 70...

Quando a maioria da sociedade empodera pelo sufrágio universal um governo para atender a todas as suas vontades, o mais provável é que (inclusive a minoria que se negou a fazê-lo) vai entregar-lhe tudo, a começar por sua liberdade. Disso já sabiam os "founding fathers" da nação americana que construíram, na sua Constituição os mais altos obstáculos ao autoritarismo, sob o controle de um Supremo Tribunal, cuja função básica é garantir os inalienáveis direitos das minorias.


Os fatos dão razão à História: quem a ignora --que é o caso das nossas "direita" boçalizada e "esquerda" imbecilizada-- está mesmo destinado a repeti-la.

sábado, 3 de janeiro de 2015

Daria para voltar a crescer ainda em 2015, mas...

Carlos Pio foi na Universidade de Brasília meu professor e orientador, além de ser um brilhante intelectual. Após longos meses retorna ao Brasil agora em pleno Dilma II. Recentemente publicou no Correio Braziliense a sua visão da atual situação econômica e política brasileira. Crítico severo da então política econômica de Dilma I, mantém um otimismo que esperamos ser realizado a partir de 2015. 

O PT ganhou a eleição presidencial, mas um economista ortodoxo vai mandar na economia. Essa parece ser a conclusão após a nomeação de Joaquim Levy para a Fazenda. Ph.D. em economia por Chicago, a mais ortodoxa escola do planeta, Levy trabalhou para o FMI, para FHC e, sob o comando de Palocci, para Lula. 

Espera-se dele que reverta o arremedo de política macroeconômica legado por Guido Mantega. Solução de mediocridade para o "escândalo do caseiro", que derrubara Palocci, Mantega foi ficando no cargo porque interessou tanto a Lula - que usava seu nome para amainar o esquerdismo anacrônico do PT - quanto a Dilma, que com ele na cadeira de ministro tocava, no grito, uma política econômica dita desenvolvimentista. 

Diga-se de passagem que, no Brasil, desenvolvimentismo sempre significou a submissão completa dos cidadãos mais pobres aos caprichos da ineficiente indústria paulista. Dilma, Mantega, Belchior e Pimentel montaram o pior time econômico de que se tem notícia desde a redemocratização e propagaram uma visão de mundo campineira, contra a qual, bem ou mal, se remava desde a abertura comercial de 1990. Escolhidos a dedo, nenhum dos assessores de primeiro ou segundo escalão tinha currículo acadêmico ou experiência profissional capaz de fazer sombra às parcas credenciais da presidente. 

A cabeça de Mantega foi pedida por todos os que viam nele um medíocre fanfarrão. No entanto, além de aplacar a fome de poder da governanta, sua permanência por longos 9 anos servia para sinalizar ao mercado que Dilma só faz o que quer. Tanto foi assim que, na sequência ao anúncio de Joaquim Levy para comandar a Fazenda, Gilberto Carvalho proclamou: "Quem governa é a presidenta (sic!), não é o ministro. Ministro não tem autonomia para fazer uma política própria, ele faz uma política dirigida pela presidenta, discutida com a presidenta e, ao fim, resolvida pela presidenta (sic! sic! sic!)". 

A obviedade da advertência não é senão a tentativa da cúpula do PT de se mostrar altiva e soberana na hora em que, literalmente, entrega as chaves do cofre ao velho adversário. Mesmo que todos saibamos que Dilma se sujeitou à necessidade de dar qualidade à política econômica, não podemos entender no gesto da presidente o abandono nem do estilo gerentona nem do ranço estatista e dirigista que ela própria imprimiu ao seu primeiro mandato. Dilma se considera uma "economista com perfil tecnocrático" - e não importa que não disponha de diploma ou realizações para darem respaldo à fantasia. 

Mas nem tudo está perdido. Pela primeira vez desde que Henrique Meirelles deixou o Banco Central em 2009, a economia será governada por alguém que, gozando de impecável reputação profissional, não se sujeitará a interferências políticas infundadas, mesmo quando provenientes da mais alta autoridade da República. Ungido ao topo da administração exclusivamente pela reputação como gestor competente e de ideias sensatas, Levy não afagará nem acomodará as diatribes da presidente. 

Seu foco deverá ser nos resultados que pretende impingir às estatísticas econômicas nuas e cruas: inflação declinante e crescimento ascendente; superavit primário crescente; queda nas taxas de risco país e de juros futuros; manutenção do grau de investimento; restabelecimento do equilíbrio nas transações correntes; retomada do investimento privado e da confiança do consumidor. 

O que se espera do ministro é apenas que seja capaz de desbastar o matagal de medidas inconsequentes implementadas por Mantega desde que passou a dividir a gestão da economia com a presidente. O que vai determinar se esses objetivos serão ou não obtidos é a capacidade de Levy para manter Dilma longe da economia. 

Infelizmente, de Levy não se espera que promova uma guinada de 180º na estratégia econômica do país, algo essencial para inaugurar uma rota de crescimento vigoroso e sustentável que poderia ter início já em 2015. Afinal, isso requereria diversas reformas que Dilma e o PT jamais avalizariam. 

Cabe destacar: ambiciosa abertura comercial, gradual e unilateral; transformação do Mercosul em mera área de livre comércio; desmonte imediato do balcão de concessão de privilégios em que se transformou o BNDES e sua transformação num financiador da produtividade do trabalhador; desregulamentação da economia, especialmente a simplificação tributária e o fim das isenções concedidas a setores específicos; gradual eliminação de toda e qualquer restrição à compra, venda, depósito bancário e poupança em moeda estrangeira

Sem reformas desse calibre, as empresas e os trabalhadores brasileiros seguirão ineficientes e pouco integrados à economia global. E seguiremos crescendo menos do que quase todo o mundo. 


CARLOS PIO - Professor de Economia Política Internacional da Universidade de Brasília-UnB http://carlospio.wordpress.com

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Brasil: cenário econômico para 2014/2015.

O cenário macroeconômico brasileiro para encerrar o ano de 2014 sinaliza um ambiente de crescimento tendendo a zero e com a inflação acima da meta.

Enquanto os Estados Unidos estimam para 2014 um PIB de 2,3% e a Zona do Euro média de 1,4%, para o Brasil, com muito otimismo, projetamos algo em torno de 0,3%. Destaque-se que a inflação americana e na Zona do Euro é bem menor que a brasileira, estimada em 6,5%.

Em dezembro ocorreu a última reunião do Copom que, na ocasião, elevou a Taxa Selic para 11,75%. Pelos comentários das autoridades monetárias, é provável que o aumento na taxa de juros perdure pelo menos para o primeiro trimestre de 2015. Lembrando que a Taxa de Juros de Longo Prazo, a TJLT, também em dezembro subiu de 5,0% para 5,5%.

Quanto à balança comercial, desde setembro/2001 não se verificava um resultado tão ruim para um ano, o que faz com que 2014 se encerre com um déficit comercial de US$ 4,7 bilhões, algo como 0,2% do PIB.

E a máquina estatal continua sua disparada de gastos, donde de um superávit de R$ 80,9 bilhões em 2013, até novembro 2014 já alcançava um déficit primário de R$ 19,6 bilhões.

Com os Estados Unidos em expectativa para um breve aumento da taxa de juros, no Brasil o dólar continuará sua trajetória de elevação, tendo fechado o mercado em 30/12/2014 no valor de R$/US$ 2,80.

Esperamos que a nova equipe econômica liderada pelo Ministro Joaquim Levy consiga manter em Brasília força política suficiente que resulte em 2015 em indicadores realmente compatíveis para um Brasil em crescimento e desenvolvimento.               

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Antonio Delfim Netto: um economista notável.

Um momento inesquecível na vida deste economista cearense, que compartilho com os meus ainda, espero, dois (milhões de) leitores deste blog.

Um café na companhia do brilhante mestre Antonio Delfim Netto, que em 1959 defendeu sua tese justamente com o título "O problema do café no Brasil".

Ter o prazer de conversar com uma mente realmente privilegiada e de uma polidez somente encontrada em raras pessoas, não tem preço. 




   

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

CAEN/UFC: Prêmio ANBIMA de Mercado de Capitais 2014.

A Pós-Graduação em Economia da Universidade Federal do Ceará, CAEN/UFC, foi novamente agraciada com o Prêmio ANBIMA de Mercado de Capitais. 

Em sua oitava edição, no ano de 2012, o aluno Wandermon Silva, do Mestrado Profissional em Finanças e Seguros, orientado pelo Professor Paulo Matos havia ganho na categoria de Mestrado.

Agora, em 2014, o aluno Glaylson Sampaio, também do Mestrado Profissional em Finanças e Seguros, sob a orientação do Prof. Paulo Matos, ganha na mesma categoria o 10º Prêmio ANBIMA de Mercado de Capitais, com o trabalho intitulado: Modelagem do Comportamento Forward-looking dos índices setoriais no Brasil.

Os demais trabalhos vencedores são da Universidade de São Paulo (USP), da Fundação Getulio Vargas do Rio de Janeiro (FGV) e do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA).

Atenciosamente, 
Coordenação do CAEN/UFC


domingo, 7 de dezembro de 2014

Vitória amarga.

Fernando Henrique Cardoso, hoje em seu artigo dominical.  

Raras vezes houve vitória eleitoral tão pouco festejada. Nem mesmo o partido da vencedora, tonitruante e dado a autocelebrações, vibrou o suficiente para despertar o país da letargia.

Os mais espertos talvez tenham percebido que seus quadros minguaram, com graves perdas de entusiasmo e adesão na juventude e certo rancor em setores do empresariado mais moderno.

A reeleita possivelmente saboreie o êxito com certo amargor. É indiscutível a legalidade da vitória, mas discutível sua legitimidade. O que foi dito durante a campanha eleitoral não se compaginava com a realidade.

Só mesmo seu ministro da Fazenda, que coabita com o novo ministro designado, pôde dizer de cara lavada que a economia saíra da estagnação e que os males que a assolam vêm da crise mundial.

Recentemente, fazendo coro a esta euforia de encomenda, diante de dados que mostram um “crescimento” de 0,1% do PIB no trimestre passado, houve a repetição da bobagem: finalmente a economia teria saído da “recessão técnica”, de dois ou mais trimestres seguidos.

Palavras, palavras, palavras, que não enganam sequer aos que as estão pronunciando.

Na formação do novo gabinete, a presidenta começou a atuar (escrevo antes que a tarefa esteja completa) no sentido de desdizer o que pregara na campanha. Buscou um tripé “de direita” para o comando da economia.

Na verdade, o adjetivo é despiciendo: a calamidade das contas públicas levou-a a escolher quem se imagina possa repô-las em ordem, pois sem isso não existe direita nem esquerda, mas o caos.

Menos justificável, senão pela angústia dos apoios perdidos, é a composição anunciada do resto do Ministério de cunho mais conservador/clientelístico. Esperemos.

A presidenta, com esta reviravolta, deve sentir certa constrangedora falta de legitimidade. Foi a partir da ação dela na Casa Civil, e daí por diante, que se implantou a “nova matriz econômica”: mais gastança governamental e mais crédito público, à custa do Tesouro.

Foi isso que não deu certo, e serviu de alavanca para outros equívocos que levaram o governo do PT a perder a confiança de metade do país. Sem falar da quebra moral.

Metade, sim, mas que metade? É só ver os dados eleitorais com maior minúcia, município por município: a oposição ganhou, em geral, nas áreas mais dinâmicas do país, inclusive nas capitais onde há sociedade civil mais ativa, maior escolaridade, capacidade empreendedora mais autônoma e menos amarras aos governos.

O lulopetismo, nascido no coração da classe trabalhadora do ABC, recuou para as áreas do país onde a ação do governo supre a ausência de uma sociedade civil ativa e de setores produtivos mais independentes de decisões governamentais.

É falaciosa a afirmação de que houve vitória da oposição em áreas geográficas tomadas isoladamente: Sudeste rico em contraposição ao Nordeste pobre, idem quanto ao Sul ou quanto ao Centro-Oeste em relação ao Norte. Ou de ricos contra pobres, à moda lulista.

Por certo, como há maior concentração da pobreza nas áreas mais dependentes do assistencialismo governamental, houve, de fato, uma distinção na qual as faixas de renda pesam. Mas os sete milhões de dianteira que Aécio levou sobre Dilma em São Paulo terão sido “dos ricos”? Absurdo.

Nas áreas menos dependentes do governo, ricos e pobres tenderam a votar contra o lulopetismo; nas demais, a favor de Dilma, ou melhor, do governo.

A votação na oposição no Acre, em Rondônia, em Roraima ou nas capitais do Norte e Nordeste se explica melhor pelo dinamismo do agronegócio e pelos serviços que ele gera, e, no caso das capitais, pela maior autonomia de decisão das pessoas.

Este o xis da questão. Eleito com apoio dos mais dependentes (não só dos mais pobres, mas também dos dependentes “da máquina pública” e das empresas a ela associadas), o “novo” governo precisa fazer uma política econômica que atenda aos setores mais dinâmicos do país.

Vem daí certa tristeza na vitória: a tarefa a ser cumprida seria mais bem realizada com a esperança, o ânimo e o compromisso de campanha dos que não venceram.

Cabe agora aos vitoriosos vestir a camisa de seus opositores (como Lula já fez em 2003), continuar maldizendo-nos e fazendo malfeito o que nós faríamos de corpo e alma, portanto, melhor. Atenção: a economia não é tudo. Menos ainda um ajuste fiscal.

O êxito de uma política econômica depende, como é óbvio, da política. Economia é política. Política exige convicção, capacidade de comunicar-se, mensagem e desempenho.

No Plano Real, coube-me ser o arauto, falar com a sociedade, ir ao Congresso, convencer o próprio governo. O presidente Itamar Franco teve a sabedoria de indicar o embaixador Ricupero para me suceder, que fez o mesmo papel.

E agora, quem desempenhará a função de governar numa democracia, isto é, obter o apoio, o consentimento, a adesão dos demais atores políticos? Do Congresso, das empresas, dos sindicatos, das igrejas, da mídia, numa palavra, da sociedade.

A presidenta Dilma, mulher sincera, ciosa de suas opiniões, terá condições para se transmutar em andorinha da mensagem execrada por ela e sua grei? A nova equipe econômica terá esse perfil ou se isolará no tecnicismo?

O “petrolão” será uma ventania ou um tufão a derrubar as muralhas do governo e da “base aliada”? E a oposição se oporá de verdade, ou embarcará no tecnicismo e na boa vontade à espera de que o “mercado”, sobretudo o financeiro, acalme-se e que tudo volte à moda antiga? O mesmo se diga de cada setor da sociedade.

É mais fácil rearranjar a economia do que acertar a política. Que fazer com essa quantidade de partidos e ministérios, interligados mais por interesses, muitos dos quais escusos?


Sem liderança, nada a fazer. Com miopia eleitoreira, menos ainda. Tomara não sejam os juízes os únicos a purgar nossos males, como ocorreu na Itália, até porque no exemplo citado o resultado posterior, a eleição de um demagogo como Berlusconi, não foi promissor.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Economia brasileira: adeus 2015. Feliz 2016!

Nestes dias já tão próximos de 2015 e da nova posse em Brasília da presidente Dilma Rousseff, nossas orações e pensamentos estão direcionadas para que a nova equipe de governo consiga para este segundo mandato, o que não se conseguiu durante o período de 2011 a 2014.

Em que pese o esforço do governo na inclusão social das classes menos favorecidas, lamentavelmente os números econômicos não brilharam tanto nestes últimos anos. A relevância da taxa de desemprego em sucessivas quedas, estimando-se 5,1% para este ano, não condiz com um cenário macroeconômico de pífio crescimento e desenvolvimento.

A mediocridade do resultado do PIB esperado para 2014, algo em torno de zero, é frustrante para uma nação com mais de duzentos milhões de habitantes. Enquanto isso, a inflação registra a sua deletéria presença diariamente e a meta de 4,5% ao ano é algo que a equipe econômica efetivamente não conseguiu atingir, mesmo com o forçoso represamento de preços e tarifas.

O Banco Central ainda tenta manter a taxa de câmbio sob controle, porém estudos demonstram a real possibilidade de em 2015 a cotação R$/US$ atingir rapidamente os R$ 3,00.

Neste final de ano, para tentar sinalizar uma política monetária ortodoxa e demonstrar uma independência que efetivamente ainda não possui, o Banco Central eleva mais uma vez a taxa Selic de 11,25% para 11,75% ao ano. Para quem iniciou o governo com 10,75% de taxa Selic, a presidente não deve ter ficado muito feliz.

Enquanto o saldo da balança comercial para o final de 2014 chega a quase zero, o saldo em contas correntes estoura em quase US$ 80 bilhões.

E um governo que promoveu gastos e mais gastos em um ano de eleições presidenciais, não poderia realmente fechar bem suas contas contábeis, mesmo mantendo uma contabilidade para lá de criativa. E esquecendo que ainda possa existir algum superávit primário em 2014, o que nos restará será mais um aumento da dívida pública líquida (% PIB) para cerca de 35,5%.


Diante de tantos indicadores negativos, que os votos de um feliz 2015 já sejam acrescidos de um pedido para que 2016 não demore muito.

Best books of 2014 - The Economist.

Economics and business: 
Capital in the Twenty-First Century. By Thomas Piketty. Belknap Press; 696 pages; $39.95 and £29.95. Buy from Amazon.com<http://www.amazon.com/exec/obidos/ASIN/067443000X/theeconomists-20>; Amazon.co.uk<http://www.amazon.co.uk/exec/obidos/ASIN/067443000X/economistshop-21>
An unlikely bestseller by a French economist, who, by looking at historical changes in the concentration of income and wealth, shows that the importance of wealth in modern economies is approaching levels unseen since before 1914.

The Forgotten Depression, 1921: The Crash that Cured Itself. By James Grant. Simon & Schuster; 254 pages; $28. Buy from Amazon.com<http://www.amazon.com/exec/obidos/ASIN/1451686455/theeconomists-20>; Amazon.co.uk<http://www.amazon.co.uk/exec/obidos/ASIN/1451686455/economistshop-21>
A study of the searing 1920s by the founder of a well-regarded financial newsletter. It sheds light on a nasty, but largely ignored, episode and demonstrates that a laissez-faire approach can cure slumps better than the government activism of the 1930s-or indeed 2008.

Brazil: The Troubled Rise of a Global Power. By Michael Reid. Yale University Press; 334 pages; $32.50 and £20. Buy from Amazon.com<http://www.amazon.com/exec/obidos/ASIN/0300165609/theeconomists-20>; Amazon.co.uk<http://www.amazon.co.uk/exec/obidos/ASIN/0300165609/economistshop-21>

Our former Americas editor, now the Bello columnist, analyses the troubled rise of a global power and looks at the challenges that lie ahead.

The status of economists: The power of self-belief.

"IF ECONOMISTS could manage to get themselves thought of as humble, competent people, on a level with dentists, that would be splendid!" said John Maynard Keynes, a British economist. Despite their collective failure to predict the financial crisis, let alone follow Keynes's injunction, economists are still very influential. They write newspaper columns, advise politicians and offer expensive consulting services to business-folk far more than other academics. A new paper* tries to explain why.
One reason, say the authors, is that economists have come to believe that they are superior. A survey in 1985 found that just 9% of graduate students in economics at Harvard strongly believed that economics was "the most scientific of the social sciences". But as economics became ever more mathematical, its practitioners grew in self-confidence. By 2003 54% of the graduate economists studying at Harvard strongly agreed with the statement. A glance at a popular blog for doctoral students in economics, econjobrumors.com, gives a taste of the contempt in which its users hold other disciplines. Sociologists "play around with big important ideas without too much effort or rigour," one econo-nerd asserts.
The authors point out that economists demonstrate their self-belief in subtler ways too. Articles in the American Economic Review cite the top 25 political-science journals one-fifth as often as the articles in the American Political Science Review cite the top 25 economics journals. Another study found that American economics professors were less likely than their peers in other subjects to agree with the notion that "interdisciplinary knowledge is better than knowledge obtained by a single discipline."
The odd thing, the authors argue, is that we believe in economists almost as much as they believe in themselves. Journalists and politicians seek strong arguments and clear answers. Most academics are reticent types: historians, for instance, question whether you can learn anything from history. "For a moderate fee," jokes Deirdre McCloskey, an economic historian, "an economist will tell you with all the confidence of a witch doctor that interest rates will rise 56 basis points next month or that dropping agricultural subsidies will increase Swiss national income by 14.8%."

* "The superiority of economists<http://pubman.mpdl.mpg.de/pubman/faces/viewItemOverviewPage.jsp?itemId=escidoc:2071743:2>", by M. Fourcade, E. Ollion and Y. Algan, MaxPo Discussion Paper 14/3.

Adolfo Sachsida: um exemplo para Brasília.


Receber a Folha de S. Paulo e visualizar a imagem do colega Adolfo Sachsida sendo retirado à força do interior do Congresso Nacional é de aterrorizar um democrata.
Sachsida é um competente economista, com sólida bagagem acadêmica, funcionário do IPEA e foi professor nos Estados Unidos.
A infante democracia brasileira não merece conviver com uma cena tão desastrada.
É fato que atualmente o Brasil perpassa por um momento político e econômico que desanima a sociedade e com o agravante da falta de lideranças capazes de transformarem ideias em realidades.

É neste momento que conclamo os homens de bem deste país, dos setores públicos e privados, a unirem-se em um governo de coalização nacional que busque trabalhar pelo país e não por um partido político, com o simples propósito de proporcionar as próximas gerações os benefícios que a nossa geração está desperdiçando.

Copom eleva a taxa Selic para 11,75% ao ano.

Brasília – O Copom decidiu, por unanimidade, intensificar, neste momento, o ajuste da taxa Selic e elevá-la em 0,50 p.p., para 11,75% a.a., sem viés.
Considerando os efeitos cumulativos e defasados da política monetária, entre outros fatores, o Comitê avalia que o esforço adicional de política monetária tende a ser implementado com parcimônia.
Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Alexandre Antonio Tombini (Presidente), Aldo Luiz Mendes, Altamir Lopes, Anthero de Moraes Meirelles, Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo, Luiz Awazu Pereira da Silva, Luiz Edson Feltrim e Sidnei Corrêa Marques.
Brasília, 3 de dezembro de 2014
Banco Central do Brasil
Assessoria de Imprensa

(61) 3414-2808

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

London Business School - a melhor da Europa.

Leio no VALOR matéria do Financial Times sobre a melhor escola de negócios da Europa. 

A britânica London Business School foi escolhida a melhor escola de negócios da Europa, segundo ranking do jornal "Financial Times" publicado neste domingo (30). É a primeira vez que ela sobe ao topo da lista desde 2005.

A francesa HEC Paris e a espanhola IE Business School, que no ano passado empataram em primeiro lugar, ficaram neste ano com a segunda e terceira posição, respectivamente. Suíça e Itália também tiveram instituições incluídas no top 10.

Segundo pesquisa do jornal com mais de 1.500 alunos formados entre 2010 e 2011, 40% sentiram impacto negativo na carreira decorrente das baixas taxas de crescimento econômico da Europa. Entre eles, 67% citam menos vagas de emprego, 41% encontraram pouca oportunidade de promoção e 36% reportam remuneração e bônus mais baixos. Mas 77% acreditam que as habilidades adquiridas nas escolas de negócios ajudaram a lidar com o cenário econômico, e 40% receberam acesso a eventos de networking e conselhos de carreira por meio das instituições.

Ainda assim, cerca de um terço dos ex-estudantes que vivem na Europa consideram mudar para outro país dentro de um ano em busca de mais oportunidades de crescimento. O Estados Unidos é opção mais citada. 

Educação: a força de um cearense.


Para um mês de festas, uma notícia que somente poderia acontecer no meu Ceará. 
A força do João é orgulho de todo brasileiro que ama educação.

Parabéns. 

domingo, 30 de novembro de 2014

Dilma Rousseff: o que esperar para 2015.

Neste último dia de novembro, realmente o cenário que espera a presidente Dilma a partir de 01/01/2015 não é dos melhores.

Como não existe almoço grátis, a presidente tem a obrigação de, em benefício da sociedade brasileira, efetivamente optar pelo único caminho que possa levar o Brasil ao caminho do crescimento com distribuição de renda.

Para isso, Dilma Rousseff enfrentará aliados inimigos e críticas nem sempre sinceras, mas se o dever de casa for feito da maneira correta, a presidente poderá, ao final de seu governo em 31/12/2018, apresentar números que mostrem o país com crescimento sustentável, uma inflação até abaixo da meta de 4,5% e com as contas públicas controladas, ou seja, nada de gastar mais do que arrecadar.

Hoje os indicadores são ruins, com um PIB estimado para 2014 de apenas 0,30%, a inflação fechando o ano bem acima da meta de 4,50%, o déficit em conta corrente em U$$ 84 bilhões e o resultado primário do setor público fechando 2014 com um déficit de R$ 12 bilhões.

Esperamos que a nova equipe econômica composta pelo Joaquim Vieira Ferreira Levy no Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa no Ministério do Planejamento e Alexandre Tombini no Banco Central possa orientar a presidente a adotar medidas mais duras, mesmo que possam, nestes momentos iniciais, diminuir a sua popularidade.


Afinal, a eleição acabou!       

sábado, 29 de novembro de 2014

Rio Piracicaba: um pouco antes e depois!

E que neste final de 2014, as águas retornem, finalmente, ao leito do Rio Piracicaba. 






Thomas Piketty em detalhes.

Leio nesta semana no portal UOL mais uma entrevista com o agora célebre THOMAS PIKETTY.
No dia em que o governo brasileiro oficializou um novo ministro da Fazenda simpático ao mercado, o economista francês Thomas Piketty, autor do best-seller "O Capital no Século 21", afirmou considerar um erro pensar que o Brasil precisa de mais mercado e menos intervenção na economia.
Piketty, que está no Brasil para promover o livro que lhe rendeu status de celebridade no debate econômico, não quis discutir especificamente a nova equipe econômica, mas afirmou que "seria um erro pensar que o Brasil fez demais na área social e para reduzir a desigualdade".
Em seu livro, o francês sustenta que a desigualdade voltou a aumentar nas últimas décadas, beneficiando herdeiros e prejudicando a ascensão social, o que colocaria em risco a democracia.
Em entrevista à Folha, Piketty, que já foi citado em discurso pela presidente Dilma Rousseff, reclamou que dados de má qualidade fazem com que a desigualdade brasileira seja subestimada, e sua redução, alardeada pelo governo, talvez exagerada.
Folha - Recentemente, Dilma disse que o Brasil vai contra a corrente internacional de alta da desigualdade que seu livro aponta. O sr. concorda?
Thomas Piketty - Políticas de educação e transferências sociais como as que foram aplicadas em certa medida no Brasil nestes dez últimos anos podem permitir ir contra a corrente de aumento da desigualdade, mas ela realmente diminuiu?
Não é tão certo, é possível que tudo tenha sido puxado para cima, inclusive os mais pobres, mas não necessariamente em maior proporção que os mais ricos.
A forma como medimos a desigualdade sem dúvida a subestima. No Brasil, ela é sem dúvida ainda mais alta do que muitas estatísticas oficiais dizem porque a maior parte delas se baseia em pesquisas familiares com autodeclaração. O problema dessas pesquisas é que temos tendência a subestimar o topo da distribuição. Infelizmente, tem sido muito difícil acessar os dados fiscais do Brasil.
Falta transparência?
Estudo recente (de pesquisadores da Universidade de Brasília) sugere que, se utilizamos dados fiscais, o nível das desigualdades no Brasil aumenta. Não sabemos muitas coisas sobre a distribuição da renda no Brasil e precisamos de mais transparência para ver melhor em que medida os diferentes grupos sociais se beneficiam do crescimento.
É evidente que todo o mundo se beneficiou do crescimento dos últimos 15 anos. Agora, em qual proporção exatamente os diferentes grupos se beneficiaram dele não sabemos muito bem. É possível que se tenha exagerado um pouco a [divulgação da] redução das desigualdades no Brasil.
Dilma também disse preferir investir em consumo e educação para lutar contra desigualdade a fazer taxação, como o sr. defende. Isso é suficiente?
Também é preciso reforma fiscal, de um imposto progressivo sobre a renda e sobre o patrimônio. Precisamos da reforma fiscal para financiar a educação. Acrescento que uma parte das desigualdades grandes do Brasil se explica pela relativamente baixa progressividade do sistema fiscal.
Como seria a reforma?
A faixa mais alta de Imposto de Renda no Brasil é de 27,5%, inferior à menor dos Estados Unidos. Creio que uma das razões pela qual há muito desigualdade no Brasil é a progressividade de IR relativamente baixa. Há também muitos impostos indiretos, que são regressivos e pesam sobre as camadas populares.
É importante também tratar de forma diferente as rendas anuais de R$ 100 mil e de R$ 1 milhão, R$ 5 milhões e R$ 10 milhões. Poderíamos ter faixas mais elevadas, de 50%, 60%.
Como na sua França natal?
Também como os EUA, o Reino Unido, a Alemanha, que têm taxas que vão até 40%, 50%. É ainda mais impressionante o imposto sobre herança, 4% [na maioria dos Estados] é realmente baixo, muito perto de zero.
É possível ter uma economia dinâmica e sistema capitalista próspero com imposto sobre herança alto. Para as novas gerações que não têm patrimônio familiar e procuram comprar apartamento em São Paulo, é muito difícil se você só tem a renda de seu trabalho. Não é normal que você ganhe R$ 100 mil por ano com seu trabalho e pague muito mais de imposto do que se você recebesse R$ 100 mil de herança de sua família.
O governo oficializou uma nova equipe econômica com um ministro da Fazenda mais ligado ao mercado e vindo de uma escola liberal. Que avaliação o sr. faz disso?
Não conheço o contexto político brasileiro, não posso me pronunciar. Quem quer que seja colocado no comando da política, qualquer que seja a orientação, os níveis de desigualdade muito altos que temos no Brasil devem ser questionados e tratados pelo governo, assim como a baixa progressividade do sistema fiscal.
Mas abordagem liberal e pró-mercado é boa ideia para enfrentar tais desafios?
Precisamos de mercado e também de poder público que tome decisões que permitam a cada um de se beneficiar da globalização e dos mercados.
Eu tento ir além dessas oposições um pouco teóricas e ideológicas. Creio que que seria um erro pensar que o Brasil fez demais na área social, que fez demais para reduzir a desigualdade, que agora é preciso mais mercado, menos intervenção, eu acho que isso seria um erro.
Apesar dos esforços que foram feitos em políticas sociais nos últimos 15 anos, o Brasil continua extraordinariamente desigual. O nível de investimento social, educacional para os desfavorecidos da população brasileira continua insuficiente.
O sr. defende que os estudos em economia levem em conta aspectos históricos, sociais, políticos e culturais. Isso é importante também para a gestão econômica do governo?
Sim, é importante para o governo também. A questão econômica é importante demais para ser deixada para economistas, que às vezes tentam fazer crer que dispõem de uma ciência realmente complicada que os outros não podem compreender e que é preciso deixá-los em paz. Isso é uma piada gigantesca.
O nome de seu livro, que remete a Karl Marx, e algumas de suas opiniões fazem que muitos o considerem anticapitalista.
O problema é que há gente que vive ainda na Guerra Fria e tem necessidade de inimigos anticapitalistas. Não sou esse inimigo. Creio no capitalismo, na propriedade privada e nas forças do mercado.
Nasci tarde demais para ter a menor tentação que seja pelo comunismo de tipo soviético. Isso não me interessa. Ao mesmo tempo, acho que temos necessidade, basta ver a crise de 2008, de instituições públicas muito fortes para regular o mercado financeiro e as desigualdades produzidas pelo capitalismo.
Sua defesa de um imposto global sobre grandes fortunas já foi feita por outros autores e nunca avançou. Não é ingênuo crer que seja realmente possível contrariar tantos interesses contrários?
Não precisamos esperar ter um governo mundial, um imposto unificado mundial para fazer progressos, se não arriscamos esperar um longo tempo. Podemos fazer progresso por etapas e a nível nacional. Há diferentes formas de imposto sobre capital e patrimônio em cada país, que podem ser melhorados de forma mais progressiva. Em seguida podemos progredir na cooperação internacional, como já tem sido feito quanto aos paraísos fiscais.
Como o sr. demonstra, a desigualdade no século 20 só caiu em um contexto de crise e reconstrução das sociedade após duas guerras mundiais. Seria mesmo possível algo tão ambicioso em tempos de paz?

As lições de história são importantes, as elites que não querem pagar mais impostos no Brasil, nos EUA e na Europa devem se lembrar que não é uma boa solução esperar a crise. Todo o mundo precisa de uma globalização que seja mais justa, que beneficie diferentes grupos sociais em proporção equilibrada. Se não, é a própria globalização que arrisca ser questionada.