sábado, 11 de abril de 2015

Barack Obama e Raúl Castro: fazendo história em 2015.


O encontro de Dilma e Obama.

Sinfrônio, o mestre do humor cearense, demonstra em uma única charge, a popularidade de Dilma e seu encontro, na Cúpula das Américas, com o presidente Barack Obama.  


Economistas.

O Professor Delfim Netto, na FOLHA, uma aula de Economia.

Há um claro exagero na afirmação de que o desenvolvimento econômico depende basicamente da política microeconômica. Bastaria fornecer aos agentes a oportunidade de operarem livremente num ambiente de mercados bem regulados e que funcionem com estímulos adequados para que o crescimento econômico (a produtividade da mão de obra) seja maximizado.

A demonstração dessa proposição é uma joia lógica. Na prática, deixa muito a desejar pelas fantásticas condições econômicas necessárias para obtê-la. Isso para não falar das condições implícitas sobre a estrutura política e de poder de qualquer sociedade concreta.

Ainda que a "receita" genérica possa ser parcialmente aceita para uma sociedade onde a eficiência econômica seja compatível com relativa independência e razoável igualdade, não é possível dispensar a macroeconomia.

As questões da moeda (que é uma instituição social que condiciona o comportamento dos agentes), do crédito que liga o futuro opaco ao presente, da taxa de juro que é a "ponte" entre eles e do sistema financeiro podem acrescentar ainda mais instabilidade a um sistema produtivo que já tem em si um desequilíbrio permanente.

É o reconhecimento da enorme complexidade das inter-relações entre os cidadãos na sua atividade econômica que dá relevância ao economista e torna-o um cientista social "perigoso", se ele não incorporar a diversidade de pontos de vista sobre os problemas. Se é verdade, como disse John Dewey ("The Public and Its Problems", 1927), "que toda ciência do homem deve preocupar-se dos seus efeitos sociais", então nada se compara aos estragos que podem produzir as políticas econômicas inspiradas apenas no pensamento único (sempre ideológico) que dispensa a observação empírica sistemática e cuidadosa.

Um sociólogo, um antropólogo, um psicólogo ou um historiador "certos" são aplaudidos e reverenciados por seus pares. "Errados", estimulam ainda mais a pesquisa. Sempre melhoram o entendimento do mundo sem ganhos ou prejuízos de monta.

Com o economista o resultado é outro. Suas ideias (estejam certas ou erradas) acabam determinando as políticas econômica e social dos governos: beneficiam ou prejudicam desigualmente milhões de cidadãos! É por isso que é preciso alargar o estudo da economia para inseri-lo num modelo em que a eficiência econômica é submetida ao controle do continuado aumento da relativa igualdade de oportunidades.


Isso exige, como temos insistido, a integração das contribuições dos neoclássicos, dos keynesianos e dos marxistas na prática da política econômica.

Barbara Heliodora: 1923 - 2015.


Joaquim Levy e o PIB de 0,1% em 2014.

"O resultado do PIB em 2014, conforme dados das Contas Nacionais, confirmou a pausa no crescimento econômico no ano.

Por outro lado, a revisão das estatísticas decorrente de aprimoramentos metodológicos incorporados pelo IBGE revelou um quadro de maior expansão da atividade econômica desde 2012, como já evidenciado para 2011, de participação mais elevada do investimento na economia e de melhores indicadores de solvência do País.


Numa visão prospectiva, não obstante a evolução desfavorável da atividade no curto prazo, os ajustes macroeconômicos em curso tendem a construir bases mais sólidas para a retomada da confiança e do crescimento econômico".

Fonte: BACEN. 

domingo, 5 de abril de 2015

Fernando Henrique: Oposição e reconstrução.

Para reflexão, Fernando Henrique Cardoso, hoje no "O Estado de S.Paulo".

Nas últimas semanas tenho dado entrevistas aos jornais e às TVs, talvez mais do que devesse ou a prudência indicasse. Por quê? A mídia anda à busca de quem diga o que pensa sobre o "caos" (a qualificação é oficiosa, vem da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República) em que estaríamos mergulhados e é necessário que vozes da oposição sejam ouvidas.

A crise atual marca o fim de um período, embora ainda não haja percepção clara sobre o que virá. Em crises anteriores as forças opostas ao governo estavam organizadas, tinham objetivos definidos. Foi assim com a queda de Getúlio em 1945, quando a vitória dos Aliados impunha a democracia; idem na segunda queda de Getúlio, quando seus opositores temiam a instauração da "República sindicalista"; o parlamentarismo, igualmente, serviu de esparadrapo para que Jango pudesse tomar posse; em 1964 as "marchas das famílias pela liberdade" aglutinaram as forças políticas aos militares contra o populismo presidencial e, posteriormente, entregaram-se a práticas autoritárias; deu-se o mesmo, por fim, quando a frente de oposição, liderada pelo PMDB, em aliança com dissidentes da antiga Arena, pôs fim ao regime criado em 1964.

Em todos esses casos, previamente ao desenlace houve o enfraquecimento da capacidade de governar e os opositores tinham uma visão política alternativa com implicações econômicas e sociais, embora se tratasse fundamentalmente de crises políticas. Mesmo no impeachment de Collor, a crise era política e a solução, idem. Naturalmente, ajustes econômicos foram feitos em seguimento às soluções políticas, basta lembrar a dupla Campos-Bulhões nos anos 1960. Ou, ainda, os Planos Cruzado e Real, que se seguiram à Constituinte e à derrocada de Collor.

No que se distingue o "caos" atual? Em que ele é mais diretamente a expressão do esgotamento de um modelo de crescimento da economia (como também em 1964 e nas Diretas-Já), embora ainda não se veja de onde virá o novo impulso econômico. Mais do que uma crise passageira, o "caos" atual revela um esgotamento econômico e a exaustão das formas político-institucionais vigentes. Será necessário, portanto, agir e ter propostas em vários níveis. Embora haja alguma similitude com a situação enfrentada na crise de Jango Goulart, nem por isso a "saída" desejada é golpista e muito menos militar. Não há pressões institucionais para derrubar o governo e todos queremos manter a democracia.

Explico-me: a pretensão hegemônica do lulopetismo assentou-se até a crise mundial de 2008 na coincidência entre a enorme expansão do comércio mundial e a alta do preço das commodities, com a continuidade das boas práticas econômicas e sociais dos governos Itamar Franco-Fernando Henrique Cardoso. Essas práticas foram expandidas no primeiro mandato de Lula, ao que se somou a reação positiva à crise financeira mundial. Ao longo do seu segundo mandato, o lulopetismo assumiu ares hegemônicos e obteve, ao mesmo tempo, a aceitação do povo (emprego elevado, Bolsa Família, salário mínimo real aumentado) e o consentimento das camadas econômicas dominantes (bolsa BNDES para os empresários, Tesouro em comunicação indireta com o financiamento das empresas, Caixa Econômica ajudando quem precisasse).

Só que o boom externo acabou, os cofres do governo secaram e a galinha de ovos de ouro da "nova matriz econômica" - crédito amplo e barato e consumo elevado - perdeu condições de sustentabilidade. Isso no exato momento em que o governo Dilma pôs o pé no acelerador, em vez de navegar com prudência. Daí que o discurso de campanha tenha sido um e a prática atual de governo, outra. Some-se a isso a crise moral, na qual o petrolão não é caso único.

As oposições devem começar a desenhar outro percurso na economia e na política. Como a crise, além de econômica e social, é de confiabilidade (o governo perdeu popularidade e credibilidade), começam a surgir vozes por "um diálogo" entre oposições e governo. Problema: qual o limite entre diálogo político e "conchavo", ou seja, a busca de uma tábua de salvação para o governo e para os que são acusados de corrupção? A reconstrução de uma vida democrática saudável e uma saída econômica viável requerem "passar a limpo" o País: que prossigam as investigações e que a Justiça se cumpra. Ao mesmo tempo há que construir novos modos de funcionamento das instituições políticas e das práticas econômicas.

As oposições devem iniciar no Congresso o diálogo sobre a reforma política. Em artigo luminoso do senador José Serra, publicado no Estadão de 26 passado, estão alinhadas medidas positivas tanto para a reforma eleitoral como para práticas de governo. Iniciar a proposta de voto distrital misto nas eleições para vereador em municípios com mais de 200 mil eleitores é algo inovador (o senador Aloysio Nunes fez proposta semelhante). Há sugestões de igual mérito na área administrativa, como a criação da Nota Fiscal Brasileira, e ainda a corajosa e correta crítica ao regime de partilha que levou a Petrobrás a se superendividar. De igual modo o senador Tasso Jereissati apresentou emenda moralizadora sobre o financiamento das eleições, impondo tetos de doação de até R$ 800 mil para os conglomerados empresariais e restrições de acesso ao financiamento público para as empresas doadoras. Partidos que até agora apoiam o governo, como o PMDB, também têm propostas a ser consideradas.

Sei que não basta reformar os partidos e o Código Eleitoral. Mas é um bom começo para a oposição, que, além de ir às ruas para apoiar os movimentos populares moralizadores e reformistas, deve assumir sua parte de responsabilidade na condução do País para dias melhores. Deste governo há pouco a esperar, mesmo quando, movido pelas circunstâncias, tenta corrigir os rumos. Tanto quanto popularidade, falta-lhe credibilidade.


sábado, 4 de abril de 2015

O economista de Dilma Rousseff: Thomas Piketty.


Thomas Piketty continua na lista dos livros mais vendidos no Brasil, agora com dois livros.

Além do já mundialmente famoso “O Capital no Século XXI”, na lista temos o seu “A Economia da Desigualdade”.


Segundo o site http://glamurama.uol.com.br/sabe-qual-foi-o-livro-que-dilma-devorou-durante-sua-campanha/, "O Capital no Século XXI" foi o livro de cabeceira da presidente Dilma Rousseff na campanha eleitoral de 2014, tendo a presidente lido em inglês, em apenas um final de semana. 

Em pesquisa por este blog se Joaquim Levy também já devorou o seu Piketty. 

Doutorado em Economia no Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (NAEA) em Belém.

Parabéns a equipe do NAEA em Belém pela excelente notícia abaixo. 
Aconteceu na terça-feira, 31 de março, a Cerimônia de abertura e aula inaugural do primeiro Doutorado em Economia ligado ao Programa de Pós-Graduação em Economia (PPGE), no auditório professor doutor Armando Mendes, no Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (NAEA). O Doutorado em Economia é o primeiro da Amazônia Legal e dará início às atividades com área de concentração e pesquisa em Desenvolvimento Econômico Regional.
O professor doutor Emmanuel Tourinho, da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (PROPESP), representando o reitor Carlos Edilson Maneschy e os professores Sérgio Rivero, coordenador do PPGE; Armando de Souza, diretor da Faculdade de Ciências Econômicas; e Carlos Maciel, diretor do Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (ICSA), estiverem presentes na cerimônia de abertura.
O pró-reitor Emmanuel Tourinho destacou a alegria de viver o início de um novo doutorado para a Universidade, além de ser uma conquista muito importante para a Instituição. O pró-reitor ainda parabenizou a todos e afirmou que tão importante quanto abrir um doutorado é mantê-lo com excelência.
O professor Armando afirmou que os objetivos do Programa são promover e estimular o debate crítico. “O grande desafio do curso de economia é ser disciplinar, mas ao mesmo tempo buscar dialogar com a sociedade. No contexto amazônico é importante dialogar com outras áreas do conhecimento. Trazer os debates atuais para a nossa realidade”, concluiu o professor.
Uma agenda de pesquisa para a Amazônia - Em seguida, ocorreu a aula inaugural “Desenvolvimento Econômico, Território e Meio Ambiente: Uma Agenda de Pesquisa para a Amazônia”, ministrada pelo professor doutor Francisco de Assis Costa, do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (NAEA). Ele iniciou o discurso mostrando o valor do doutorado para a região. “Representa uma oportunidade importante para o desenvolvimento da reflexão da Amazônia”, afirmou o professor Francisco.
Durante a sua fala, o professor Francisco Costa percorreu vários temas, inclusive a construção do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Sustentável do Trópico Úmido (PPGDSTU), do NAEA, além de ressaltar que as economias locais e seus sistemas agrários devem ser objetos de investigação, porque podem fomentar ou depredar a capacidade local.
As linhas de pesquisa da nova pós-graduação são: Dinâmica Agrária e Desenvolvimento Sustentável; Economia Regional e Urbana e Economia, Sociedade e Meio Ambiente. A seleção da primeira turma contou com a inscrição de 54 candidatos, destes, 14 foram selecionados. A previsão de formação dos primeiros doutores em Economia da Amazônia será em 2017.
Texto: Lorena Saraiva – Ascom/NAEA.

sábado, 28 de março de 2015

A morte nos belos Alpes franceses.



Recentemente viajei em um Airbus A320 da companhia aérea Germanwings, uma empresa europeia de baixo custo, de propriedade da gigante Lufthansa.

Estarrecido com a possibilidade do copiloto Andreas Lubitz, ter propositadamente derrubado nos Alpes franceses o mesmo Airbus A320 quando fazia a rota entre Barcelona, na Espanha e Düsseldorf, Alemanha, na terça-feira passada, dia 24/03, onde ele e as demais 149 pessoas a bordo morreram, isso apenas confirma o que todos devem reconhecer:

Apesar de todo o imenso suporte tecnológico disponível, por último, sempre, está a mão do homem. E, como também já conhecemos, é infinita a miséria humana.

Picasso no Brasil.


Para quem está ou viaja à São Paulo até 8 de junho, não deixe de agendar uma visita ao Centro Cultural do Banco do Brasil e conhecer a exposição Picasso e a Modernidade Espanhola – Obras da Coleção do Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía - © Succession Pablo Picasso.

Com cerca de 90 obras a exposição evidencia a influência de Picasso na arte moderna espanhola e os traços mais importantes e originais da sensibilidade artística que o pintor e seus contemporâneos espanhóis imprimiram ao cenário internacional das artes.

A exposição faz referência ao percurso de Picasso como artista e como mito, até chegar à realização de Guernica; à sua relação com mestres da arte moderna espanhola, como Gris, Miró, Dalí, Domínguez e Tàpies, entre outros presentes na mostra; e a suas contribuições para uma noção de modernidade voltada para o tempo presente.

Curadoria: Eugenio Carmona.

Essa exposição foi organizada e realizada em colaboração com o Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía e a Fundación Mapfre. Exposição realizada inicialmente na Fondazione Palazzo Strozzi, Florença.


Fonte: CCBB SP.

A caravela Brasil navega sem destino.

Depois de receber o resultado do PIB 2014 em ridículo 0,1%, o brasileiro tem conhecimento que o novo ministro da Educação é o Professor Renato Janine Ribeiro, um intelectual respeitado, em que pese algumas críticas, como é comum na sua área.

Porém, de imediato, toma-se conhecimento que o também novo ministro das Comunicações é o petista Edinho Silva, que foi tesoureiro de campanha da presidente Dilma Rousseff, para comandar a poderosa SECOM, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.

Como é possível que um péssimo resultado econômico não faça com que a presidente Dilma Rousseff finalmente busque o que temos de melhor na sociedade e construa um ministério de notáveis que trabalhe visando o Brasil e não apenas o benefício de determinada legenda partidária?

O ministro Joaquim Levy já comentou que o desempenho do Brasil em 2014 terá como consequência uma “forte desacelerada” no início de 2015 e que o Brasil passa, atualmente, por um período de transição. Como ministro da Fazenda, Levy deve realmente demostrar à sociedade otimismo, porém todas as análises econômicas, incluindo a do próprio BACEN indicam que o ano de 2015 será, infelizmente, ruim.


Neste início do 2º trimestre de 2015, espera-se que o governo adote medidas que realmente iniciem o processo de melhoria da economia e que parte da política podre não consiga dominar a estrutura do estado e transformar este país em algo pior do que já está.       

sexta-feira, 27 de março de 2015

Brasil - PIB 2014: 0,1%.

No ano de 2014, o PIB variou 0,1% em relação a 2013

A estabilidade do PIB resultou da variação positiva de 0,2% do valor adicionado e do recuo nos impostos (-0,3%). 

Nessa comparação, a Agropecuária (0,4%) e os Serviços (0,7%) cresceram e a Indústria caiu (-1,2%). 

Em 2014, o PIB alcançou R$ 5,52 trilhões (valores correntes)

O PIB per capita ficou em R$ 27.229, com queda (-0,7%), em volume, em relação a 2013.

Fonte: IBGE

sábado, 21 de março de 2015

O que o mundo espera do agronegócio? Marcos Jank responde.

Com excelente conhecimento e didática, Marcos Sawaya Jank na FOLHA DE S. PAULO demonstra "O que o mundo espera do agronegócio".

Ninguém mais duvida de que o Brasil é hoje uma das maiores potências agrícolas do planeta. Graças a agricultores competentes e investimentos em tecnologia tropical, tornamo-nos líderes globais em importantes commodities. Grãos, açúcar, café e algodão são exportados com base em cotações de Bolsas e chegam a mais de 200 países.

Mas a pergunta que fica é: estamos conseguindo entender e atender as expectativas de nossos consumidores finais? Nosso único papel é vender commodities ou há outras oportunidades que não estão sendo exploradas?

Vejo hoje quatro grandes vetores que puxam a demanda do agronegócio no mundo. Nos países pobres, a preocupação central é a "segurança alimentar" da população no sentido mais clássico ("food security") --oferta crescente de alimentos a preços acessíveis.

Quase 1 bilhão de pessoas ainda passa fome no mundo. Na Ásia e na África, mais da metade da população vive em condições precárias de subsistência em pequenas propriedades no campo, sem conhecimento, tecnologia e acesso a mercados.

Para esse imenso grupo, a palavra mágica é "produtividade", obtida pelo aumento do rendimento e escala da produção doméstica, ou pela maior abertura para importações competitivas, reduzindo as barreiras que hoje impedem o comércio. Esse é o segmento em que o Brasil se posiciona muito bem desde que existe, primeiro em produtos tropicais, depois nas grandes commodities da alimentação mundial.

Na sequência, vem outro vetor ainda pouco explorado pelo agronegócio brasileiro: a questão da "segurança do alimento" ("food safety"). Cresce o número de países cuja preocupação central não é mais a quantidade produzida no campo, mas sim a qualidade dos alimentos que chegam à mesa dos consumidores. Aqui o que interessa não é volume, mas sim sanidade comprovada, armazenagem adequada, distribuição rápida, certificação, rastreabilidade etc. Em suma, o consumidor quer ter certeza quanto à qualidade do alimento que vai comer e, para isso, a palavra mágica é "segurança da cadeia de suprimento".

A China deve ser o país em que essa preocupação é hoje mais intensa. O Brasil possui cadeias produtivas consolidadas e bem coordenadas que chegam com eficiência à mesa do consumidor doméstico. Porém, na exportação, com raras exceções, ainda não conseguimos ir além da venda de commodities básicas sem grande diferenciação.

Países de renda média de América Latina, Leste Europeu e alguns asiáticos se encontram no terceiro grupo. Aqui a palavra forte é "valor adicionado", traduzido em segmentação e variedade de produtos, criação de marcas globais, conveniência, sabores, embalagens e logística eficiente.

Oferecer ao consumidor produtos confiáveis, acessíveis, saborosos, de alta qualidade, na hora certa. Este é o estágio em que estamos no mercado interno. Mas no exterior ainda há muito por ser feito, principalmente entre o processamento e o consumidor final. Reside aí a maior oportunidade de internacionalização da cadeia de valor que o agronegócio brasileiro tem hoje.

No quarto grupo, estão consumidores de renda maior, que, na maioria dos casos, vivem em países desenvolvidos em que a dimensão preço x qualidade x variedade já foi conquistada. Para esses consumidores mais ricos, o que interessa são "novas demandas" do tipo de alimentos produzidos localmente, próximos à região de consumo, com mínimo impacto ambiental e menor uso de tecnologia --orgânicos, sem antibióticos, sem transgênicos, sem instalações fechadas. Exigências que costumam elevar o preço do produto.

Esses quatro vetores definem demandas com diferentes comportamentos e velocidades, às vezes em direções opostas. Por exemplo, enquanto o primeiro grupo busca o aumento da produtividade por meio da maior tecnificação da produção, o quarto grupo está disposto a pagar mais por alimentos produzidos com menor intensidade tecnológica.

Cabe às empresas entender esse quadro e buscar satisfazer seus diferentes grupos de clientes e consumidores. Cabe aos países entender as diferentes dimensões da demanda global por alimentos e gerar as políticas e as regulações adequadas.

Claramente cumprimos um papel relevante no suprimento global de commodities. Mas será que estamos nos organizando adequadamente para aproveitar as fantásticas oportunidades que o mundo nos oferece?


quarta-feira, 4 de março de 2015

Taxa Selic 12,75% a.a.: este é o Brasil real.

Copom eleva a taxa Selic para 12,75% ao ano.

04/03/2015 20:03 

Brasília – Avaliando o cenário macroeconômico e as perspectivas para a inflação, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic em 0,50 p.p., para 12,75% a.a., sem viés.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Alexandre Antonio Tombini (Presidente), Aldo Luiz Mendes, Altamir Lopes, Anthero de Moraes Meirelles, Luiz Awazu Pereira da Silva, Luiz Edson Feltrim e Sidnei Corrêa Marques.

A alternativa de Delfim Netto.

ANTONIO DELFIM NETTO continua na FOLHA com seus textos sempre necessários ao leitor leigo, mas, principalmente, aos colegas Economistas.   

Não é preciso ser um sofisticado economista "ortodoxo" ou "heterodoxo", classificação que, às vezes, apenas esconde duas igrejas secretas que guardam para si e seus sacerdotes "verdades" que a outra não vê e que, legítima e reciprocamente, colocam em dúvida, para saber que qualquer medida de política econômica tem, necessariamente, dois efeitos:

1-) sobre o nível da atividade, um aumento ou uma subtração do PIB, isto é, do valor adicionado pela combinação do capital e do trabalho e 2-) sobre como se distribuirão os benefícios (no caso de aumento do PIB) e os custos (no caso da subtração) do valor adicionado apropriado, respectivamente, pelo capital (lucro) e pelo trabalho (salário).

No momento em que, pressionados pelas circunstâncias, os países têm de fazer ajustes fiscais, que, até para efeito de "credibilidade", precisam ser acompanhados de reformas estruturais, como é o caso do Brasil, um país em rápido envelhecimento e com péssimas perspectivas para o seu sistema de seguridade social, o sucesso exige tanto arte política quanto competência técnica.

O novo programa do governo não pretende ser "ótimo", mas apenas o mais razoável possível dentro do espaço político disponível. Ele leva em conta os dois efeitos acima mencionados e tenta calibrá-los sem comprometer o nível de igualdade de oportunidade que já atingimos (efeito catraca). O seu grande problema é acordar as esperanças de todos os agentes e mostrar-lhes que a distribuição dos seus custos tem uma proporcionalidade que lhe garante o mínimo de moralidade para que não seja politicamente rejeitada. Como é óbvio, a tarefa só será executada com a compreensão, aprovação e forte apoio de toda a sociedade.

Honestamente, é preciso deixar de lado a hidrofobia, enfrentar todos os preconceitos, dar claro apoio ao programa do governo e confiar na capacidade de execução de seus ministros.

Deixemos de tentar saber se há gasolina no tanque, iluminando-o com um fósforo aceso. Há! Por mais que seja desagradável, é preciso reconhecer que a perspectiva da tempestade perfeita continua a nos espreitar. A alternativa que resta ao Brasil, se não tiver ânimo e forças para restabelecer, de fato, a sua credibilidade fiscal, é aceitar a perda do seu grau de investimento.

A partir daí, ainda que as agências de risco estejam meio desmoralizadas, será uma questão de tempo (não de se...) sermos vítimas de um turbilhão pelo qual, acreditem ou não os "heterodoxos", os famosos mercados dos "ortodoxos" vão nos impor o seu "ajuste", pouco se importando com seus custos ou com os seus efeitos. Nos meus 87 anos, já vi muito leão virar gato...


segunda-feira, 2 de março de 2015

Forbes 2015: os mais ricos do mundo.

                  1º Bill Gates       $79.2 B 59           Microsoft            United States
                #2           Carlos Slim Helu               $77.1 B 75           telecom               Mexico
                #3           Warren Buffett $72.7 B 84           Berkshire Hathaway      United States
                #4           Amancio Ortega              $64.5 B 78           Zara       Spain
                #5           Larry Ellison        $54.3 B 70           Oracle   United States
                #6           Charles Koch     $42.9 B 79           diversified          United States
                #6           David Koch         $42.9 B 74           diversified          United States
                #8           Christy Walton  $41.7 B 60           Wal-Mart            United States
                #9           Jim Walton         $40.6 B 67           Wal-Mart            United States
                #10        Liliane Bettencourt         $40.1 B 92           L'Oreal  France
                 #11        Alice Walton      $39.4 B 65           Wal-Mart            United States
                #12        S. Robson Walton           $39.1 B 71           Wal-Mart            United States
                #13        Bernard Arnault               $37.2 B 65           LVMH   France
                #14        Michael Bloomberg        $35.5 B 73           Bloomberg LP   United States
                #15        Jeff Bezos           $34.8 B 51           Amazon.com     United States
                #16        Mark Zuckerberg            $33.4 B 30           Facebook            United States
                #17        Li Ka-shing          $33.3 B 86           diversified          Hong Kong
                #18        Sheldon Adelson             $31.4 B 81           casinos United States
                #19        Larry Page          $29.7 B 41           Google United States
                #20        Sergey Brin        $29.2 B 41           Google United States
                 #21        Georg Schaeffler             $26.9 B 50           ball bearings      Germany
                #22        Forrest Mars, Jr.              $26.6 B 83           candy    United States
                #22        Jacqueline Mars              $26.6 B 75           candy    United States
                #22        John Mars          $26.6 B 78           candy    United States
                #25        David Thomson                $25.5 B 57           media   Canada
                #26        Jorge Paulo Lemann      $25 B     75           beer      Brazil
                #27        Lee Shau Kee    $24.8 B 87           real estate          Hong Kong
                #28        Stefan Persson $24.5 B 67           H&M     Sweden
                #29        George Soros    $24.2 B 84           hedge funds      United States
                #29        Wang Jianlin      $24.2 B 60           real estate          China
                 #31        Carl Icahn            $23.5 B 79           investments      United States
                #32        Maria Franca Fissolo      $23.4 B 97           Nutella, chocolates        Italy
                #33        Jack Ma               $22.7 B 50           e-commerce     China
                #34        Prince Alwaleed Bin Talal Alsaud              $22.6 B 59           investments      Saudi Arabia
                #35        Steve Ballmer   $21.5 B 58           Microsoft            United States
                #35        Phil Knight          $21.5 B 77           Nike      United States
                #37        Beate Heister & Karl Albrecht Jr.              $21.3 B -              supermarkets   Germany
                #38        Li Hejun               $21.1 B 47           solar power equipment               China
                #39        Mukesh Ambani              $21 B     57           petrochemicals, oil & gas             India
                #40        Leonardo Del Vecchio   $20.4 B 79           eyeglasses         Italy
                 #41        Len Blavatnik     $20.2 B 57           diversified          United States
                #41        Tadashi Yanai    $20.2 B 66           retail     Japan
                #43        Charles Ergen    $20.1 B 62           Dish Network    United States
                #44        Dilip Shanghvi   $20 B     59           pharmaceuticals              India
                #45        Laurene Powell Jobs      $19.5 B 51           Apple, Disney   United States
                #46        Dieter Schwarz $19.4 B 75           retail     Germany
                #47        Michael Dell       $19.2 B 50           Dell        United States
                #48        Azim Premji       $19.1 B 69           software             India
                #49        Theo Albrecht, Jr.           $19 B     64           Aldi, Trader Joe's             Germany
                #50        Michael Otto     $18.1 B 71           retail, real estate             Germany
                 #51        Paul Allen           $17.5 B 62           Microsoft, investments               United States
                #52        Joseph Safra      $17.3 B 76           banking               Brazil
                #53        Anne Cox Chambers      $17 B     95           media   United States
                #54        Susanne Klatten              $16.8 B 52           BMW, pharmaceuticals Germany
                #55        Pallonji Mistry   $16.3 B 85           construction      Ireland
                #56        Ma Huateng      $16.1 B 43           internet media China
                #57        Patrick Drahi      $16 B     51           Telecom              France
                #58        Thomas & Raymond Kwok          $15.9 B -              real estate          Hong Kong
                #59        Stefan Quandt  $15.6 B 48           BMW    Germany
                #60        Ray Dalio             $15.4 B 65           hedge funds      United States
                 #60        Vladimir Potanin              $15.4 B 54           metals  Russia
                #62        Serge Dassault  $15.3 B 89           aviation               France
                #62        Robin Li                $15.3 B 46           internet search China
                #64        Donald Bren      $15.2 B 82           real estate          United States
                #65        Francois Pinault               $14.9 B 78           retail     France
                #66        Shiv Nadar          $14.8 B 69           information technology               India
                #67        Aliko Dangote   $14.7 B 57           cement, sugar, flour      Nigeria
                #68        Mikhail Fridman               $14.6 B 50           oil, banking, telecom     Russia
                #69        Hinduja Brothers             $14.5 B -              diversified          United Kingdom
                #69        Ronald Perelman            $14.5 B 72           leveraged buyouts         United States
                 #71        Cheng Yu-tung $14.4 B 89           diversified          Hong Kong
                #71        Alisher Usmanov             $14.4 B 61           steel & mining, telecom, investments   Russia
                #73        Henry Sy             $14.2 B 90           diversified          Philippines
                #73        Viktor Vekselberg           $14.2 B 57           metals, energy Russia
                #75        Masayoshi Son $14.1 B 57           internet, telecom           Japan
                #76        James Simons   $14 B     76           hedge funds      United States
                #77        German Larrea Mota Velasco    $13.9 B 61           mining  Mexico
                #77        Rupert Murdoch             $13.9 B 83           media   United States
                #77        Johanna Quandt              $13.9 B 88           BMW    Germany
                #80        David & Simon Reuben $13.7 B 72           investments, real estate             United Kingdom
                 #81        Dhanin Chearavanont   $13.6 B 75           food      Thailand
                #82        Iris Fontbona     $13.5 B 72           mining  Chile
                #82        Lui Che Woo      $13.5 B 85           casinos Hong Kong
                #82        Lakshmi Mittal  $13.5 B 64           steel      India
                #85        Abigail Johnson                $13.4 B 53           money management    United States
                #85        Luis Carlos Sarmiento    $13.4 B 82           banking               Colombia
                #87        Lei Jun  $13.2 B 45           smartphones    China
                #87        Charoen Sirivadhanabhakdi       $13.2 B 70           beverages          Thailand
                #89        Alexey Mordashov         $13 B     49           steel, investments         Russia
                #89        Marcel Herrmann Telles              $13 B     65           beer      Brazil
                 #91        Gerald Cavendish Grosvenor    $12.6 B 63           real estate          United Kingdom
                #92        Hans Rausing     $12.5 B 88           packaging           Sweden
                #92        Jack Taylor          $12.5 B 92           Enterprise Rent-A-Car  United States
                #94        Charles Butt       $12.3 B 77           supermarkets   United States
                #94        Gina Rinehart    $12.3 B 61           mining  Australia
                #96        Vagit Alekperov               $12.2 B 64           Lukoil    Russia
                #96        Harold Hamm    $12.2 B 69           oil & gas               United States
                #96        Patrick Soon-Shiong       $12.2 B 63           pharmaceuticals              United States
                #99        Stefano Pessina               $12.1 B 73           drugstores         Italy

                #100      Richard Kinder  $12 B     70           pipelines             United States