sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

VEJA: O golpe duro. E o golpe baixo. - 7 de dezembro de 2016.


IBGE: Produção industrial cai 1,1% entre setembro e outubro/2016.

A produção industrial brasileira registrou redução de 1,1% em outubro deste ano, na comparação com setembro. A queda veio depois de uma alta de 0,5% entre agosto e setembro. Em relação a outubro de 2015, a queda chegou a 7,3%, a trigésima segunda taxa negativa neste tipo de comparação.

Os dados da Pesquisa Industrial Mensal foram divulgados hoje (2) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A produção da indústria acumula perdas de 7,7% no ano e de 8,4% em 12 meses.

Na passagem de setembro para outubro deste ano, as quatro grandes categorias econômicas da indústria tiveram queda, com destaque para os bens de capital, ou seja, as máquinas e equipamentos (-2,2%). Os bens intermediários, isto é, os insumos industrializados para o setor produtivo, caíram 1,9%.

Entre os bens de consumo, isto é, os destinados ao consumidor final, os bens duráveis recuaram 1,2%, enquanto os semi e não duráveis caíram 0,8%.

Vinte das 24 atividades industriais pesquisadas tiveram queda na produção entre setembro e outubro de 2016, com destaque para os produtos alimentícios (-3,1%), os veículos automotores (-4,5%) e o setor de borracha e plástico (-4,9%).

Apenas quatro atividades industriais tiveram alta na produção: derivados de petróleo e biocombustíveis (1,9%), produtos de minerais não metálicos (1,4%), produtos do fumo (0,9%) e equipamentos de informática e eletrônicos (0,2%).

Edição: Kleber Sampaio
http://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2016-12/producao-industrial-cai-11-entre-setembro-e-outubro


quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Desculpe, a Odebrecht errou.

A Odebrecht reconhece que participou de práticas impróprias em sua atividade empresarial.
Não importa se cedemos a pressões externas. Tampouco se há vícios que precisam ser combatidos ou corrigidos no relacionamento entre empresas privadas e o setor público.
O que mais importa é que reconhecemos nosso envolvimento, fomos coniventes com tais práticas e não as combatemos como deveríamos.
Foi um grande erro, uma violação dos nossos próprios princípios, uma agressão a valores consagrados de honestidade e ética.
Não admitiremos que isso se repita.
Por isso, a Odebrecht pede desculpas, inclusive por não ter tomado antes esta iniciativa.
Com a capacidade de gestão e entrega da Odebrecht, reconhecida pelos clientes, a competência e comprometimento dos nossos profissionais e a qualidade dos nossos produtos e serviços, definitivamente, não precisávamos ter cometido esses desvios.
A Odebrecht aprendeu várias lições com os seus erros. E está evoluindo.
Estamos comprometidos, por convicção, a virar essa página.
Compromisso com o futuro
O Compromisso Odebrecht para uma atuação Ética, Íntegra e Transparente já está em vigor e será praticado de forma natural, convicta, responsável e irrestrita em todas as empresas da Odebrecht, sem exceções nem flexibilizações.
Não seremos complacentes.
Este Compromisso é uma demonstração da nossa determinação de mudança:
1.  Combater e não tolerar a corrupção em quaisquer de suas formas, inclusive extorsão e suborno.
2.  Dizer não, com firmeza e determinação, a oportunidades de negócio que conflitem com este Compromisso.
3.  Adotar princípios éticos, íntegros e transparentes no relacionamento com agentes públicos e privados.
4.  Jamais invocar condições culturais ou usuais do mercado como justificativa para ações indevidas.
5.  Assegurar transparência nas informações sobre a Odebrecht, que devem ser precisas, abrangentes e acessíveis e divulgadas de forma regular.
6.  Ter consciência de que desvios de conduta, sejam por ação, omissão ou complacência, agridem a sociedade, ferem as leis e destroem a imagem e a reputação de toda a Odebrecht.
7.  Garantir na Odebrecht, e em toda a cadeia de valor dos Negócios, a prática do Sistema de Conformidade, sempre atualizado com as melhores referências.
8.  Contribuir individual e coletivamente para mudanças necessárias nos mercados e nos ambientes onde possa haver indução a desvios de conduta.
9.  Incorporar nos Programas de Ação dos Integrantes avaliação de desempenho no cumprimento do Sistema de Conformidade.
10.             Ter convicção de que este Compromisso nos manterá no rumo da Sobrevivência, do Crescimento e da Perpetuidade.
A sociedade quer elevar a qualidade das relações entre o poder público e as empresas privadas.
Nós queremos participar dessa ação, junto com outros setores, e mudar as práticas até então vigentes na relação público-privada, que são de conhecimento generalizado. Apoiamos os que defendem mudanças estruturantes que levem governos e empresas a seguir, rigorosamente, padrões éticos e democráticos.
É o nosso Compromisso com o futuro.

É o caminho que escolhemos para voltar a merecer a sua confiança.

Octavio de Barros: Um exemplo de Economista. Parabéns!

Caros Clientes e Amigos,

Faz mais presença em mim o que me falta”, dizia o grande poeta pós-modernista Manoel de Barros.

Estou deixando as responsabilidades que exerci por quase 14 anos como economista-chefe e como diretor do Departamento Econômico do Bradesco. Continuarei colaborando de outras formas com a organização. A partir de janeiro, passo a assumir posição de Consultor Econômico do Banco Bradesco, assessorando a organização em diferentes áreas.

O Bradesco me proporcionou a maior experiência profissional de minha vida. Pude construir, junto com uma valorosa equipe, o maior departamento econômico do setor privado brasileiro. O DEPEC-Bradesco consolidou-se como um departamento de alta projeção e credibilidade nacional e internacional. Conseguimos construir um time coeso, unido, focado na missão definida desde a sua criação. Um time de primeira linha, que certamente continuará a ajudar os clientes e amigos dessa fantástica empresa, que será sempre para mim um exemplo de oportunidades, de ética, de seriedade e de compromisso com os clientes e com o país.

Chegou a hora das novas gerações assumirem as responsabilidades para as quais foram preparadas. Apesar de me sentir tremendamente jovem e ativo, com mais de 40 de vida profissional e acadêmica, as regras estatutárias de limite de idade se aproximaram e precisam ser cumpridas e respeitadas e a renovação de faz necessária. Fernando Honorato Barbosa, brilhante e competente economista, assumirá as responsabilidades pelo Departamento Econômico do Bradesco.

Espero que possamos ainda compartilhar, com todos vocês e por muito tempo, uma estreita cooperação, independentemente de novos desafios que eu possa assumir, como consultor, conselheiro de empresas e palestrante.

Criei o Instituto República, empresa de consultoria/think tank registrada no Brasil e na França (Institut République), cuja finalidade, a partir de janeiro, será a de promover estudos, pesquisas, debates e eventos sobre economia, política e cultura em geral. Breve darei notícias sobre esse tema.

Emocionado, agradeço à minha equipe de economistas e de apoio administrativo que, todos, muito me ajudaram em minha trajetória profissional e intelectual. Sem eles, o DEPEC não seria o que é hoje.
Agradeço, igualmente, à Diretoria Executiva e ao Conselho de Administração do Bradesco, pela estima que sempre demostraram por minha pessoa. Tenham certeza de que o Bradesco é um paradigma ético e modelo empresarial para todo o país.

Há um provérbio alemão que traduz o meu momento atual: “quando nos despedimos, há um olho que chora e outro que sorri”. Choro de nostalgia, por tudo que vivi e pelos amigos conquistados. Sorriso, para a possibilidade de um futuro ainda vibrante.

Abraço a todos e vamos seguir em contato.
Octavio de Barros


Taxa básica de juros (Selic) caiu para 13,75% ao ano.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) anunciou ontem (30) uma nova redução dos juros básicos da economia (Selic), de 0,25% ponto percentual. A taxa, que estava em 14% ao ano, caiu para 13,75% ao ano. A decisão foi unânime.

No mês passado, o comitê também reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, a primeira queda em quatro anos.

De acordo com comunicado divulgado pelo BC após a reunião, “a inflação recente mostrou-se mais favorável que o esperado, em parte em decorrência de quedas de preços de alimentos, mas também com sinais de desinflação mais difundida”.

O Copom destaca ainda, entre outros fatores, que as projeções para a inflação de 2016, nos cenários de referência e mercado, recuaram e se encontram em torno de 6,6%. As projeções para 2017, nos cenários de referência e mercado, situam-se em torno de 4,4% e 4,7%, respectivamente. Para 2018, as projeções encontram-se em torno de 3,6% e 4,6%, nos cenários de referência e mercado, respectivamente. Além disso, na visão do comitê, os passos no processo de aprovação das reformas fiscais têm sido positivos até o momento.

Principal instrumento usado pelo BC para controlar a inflação, a taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic). Quando o Copom aumenta a taxa, o objetivo é conter a demanda aquecida, e isso gera reflexos nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Quando o Copom reduz os juros básicos, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, mas a medida alivia o controle sobre a inflação. Quando mantém a taxa, o Copom considera que ajustes anteriores foram suficientes para alcançar o objetivo de controlar a inflação.


No Relatório de Inflação, divulgado no fim de setembro pelo Banco Central, a autoridade monetária estima que o IPCA encerre 2016 em 7,3%. O mercado financeiro já estima um índice menor. De acordo com o boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras divulgada pelo Banco Central, a inflação oficial fechará o ano em 6,8%.

The Economist: Why a strengthening dollar is bad for the world economy - December 3rd 2016.


quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Economia brasileira em novembro de 2016!

Neste 30/11/2016 a taxa básica de juros (Selic) caiu de 14% para 13,75%.

No outro lado moeda, o mercado já trabalha com uma retração maior no PIB 2016 para 3,60%.

Para 2017, a estimativa de crescimento do PIB está em ridículos 0,30%.

Que venha então 2018!!!

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Em outubro/16 o déficit primário no acumulado de 12 meses caiu para R$ 137 bilhões.

Impulsionado pelo programa de regularização de ativos no exterior, também conhecido como repatriação, o Governo Central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) obteve em outubro o maior superávit primário mensal da história. No mês passado, o resultado ficou positivo em R$ 40,814 bilhões, superando o recorde de R$ 28,970 bilhões registrado em novembro de 2013.

O superávit primário é a economia de recursos para pagar os juros da dívida pública. O resultado positivo de outubro reduziu para R$ 55,821 bilhões o déficit primário (resultado negativo antes do pagamento de juros) nos dez primeiros meses do ano. Mesmo com a melhoria nas contas públicas, o déficit primário continua a ser o maior registrado para o período desde o início da série histórica, em 1997. De janeiro a outubro de 2015, o déficit primário estava em R$ 32,929 bilhões.

No acumulado de 12 meses, o déficit caiu para R$ 137,633 bilhões, voltando a ficar abaixo da meta estipulada para este ano de resultado negativo de R$ 170,5 bilhões. Em agosto e setembro, o déficit acumulado em 12 meses tinha superado a meta para 2016.

De acordo com o Tesouro Nacional, o principal motivo para o superávit primário recorde em outubro foi a repatriação de recursos. Responsável pela arrecadação de R$ 46,823 bilhões de abril a outubro, o programa arrecadou R$ 45,069 bilhões apenas no mês passado. Desse total, R$ 11 bilhões de Imposto de Renda foram repartidos com estados, municípios e fundos regionais nos últimos sete meses, dos quais R$ 9,783 bilhões somente em outubro.

A conta não inclui a divisão da multa da repatriação, que será distribuída aos estados após um acordo fechado esta semana entre a União e os governadores. Em troca da adoção de um programa de ajuste fiscal nos estados e no Distrito Federal, as unidades da Federação poderão receber cerca de R$ 5 bilhões das multas. Segundo o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, o repasse pode ser feito antes do fim do ano.

Mesmo com os recursos da repatriação, a arrecadação continua em queda por causa da crise econômica. De janeiro a outubro, as receitas líquidas acumulam queda de 2,1%, descontada a inflação oficial pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), em relação ao mesmo período do ano passado.

Pressionadas pelos gastos obrigatórios, as despesas totais ficaram estáveis e subiram apenas 0,1% acima do IPCA nos dez primeiros meses do ano. Apenas em outubro, no entanto, os gastos caíram 15,5%, descontado o IPCA em relação a outubro do ano passado por causa do adiantamento do 13° salário a aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Os gastos com a Previdência Social subiram 6,5% além da inflação nos dez primeiros meses do ano. As demais despesas obrigatórias, no entanto, caíram 2,1% descontando a inflação, enquanto os gastos com o funcionalismo público acumulam queda real (considerando o IPCA) de 2,4%. Os gastos discricionários (não obrigatórios) caíram 6,8%, descontado o IPCA. As despesas de custeio (gasto com a manutenção da máquina pública) caíram 8% de janeiro a setembro.
Os investimentos – gastos com obras públicas e compra de equipamentos – somaram R$ 41,336 bilhões no acumulado do ano, recuo de 17,4% também considerando a inflação oficial. Os investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) totalizaram R$ 28,941 bilhões, queda de 18,8% descontada a inflação.

Os investimentos do Programa Minha Casa, Minha Vida somaram R$ 5,275 bilhões, retração real de 57,5%. A queda deve-se principalmente à autorização para que a construção dos imóveis para a população de baixa renda seja financiada com recursos do FGTS, que passou a valer neste ano e diminuiu o uso de recursos do Orçamento no programa habitacional.


Edição: Amanda Cieglinski

Newsweek: Le front Trump - Europe could be next - 12/02/16.


The New Yorker: A graça do dinheiro.


quinta-feira, 24 de novembro de 2016

CAGED: Em outubro/16 o mercado de trabalho perdeu 74.748 empregos.

Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), relativo ao mês de outubro divulgados pelo Ministério do Trabalho nesta quinta-feira (24), mostram que o mercado de trabalho perdeu 74.748 empregos com carteira assinada no período, número bem inferior ao registrado no mesmo mês de 2015, quando foram registrados 169.131 vagas a menos no país. Em relação ao mês anterior houve um recuo de 0,30% no estoque de empregos formais, que alcançou 38.941.234. Esse resultado originou-se de 1.104.431 admissões e de 1.179.179 desligamentos.

No mês, o setor do Comércio apresentou saldo positivo 12.946 vagas de trabalho com carteira assinada, uma alta de 0,14% na comparação com o mês anterior. A recuperação do setor ocorreu principalmente pelo desempenho verificado nos ramos do comércio varejista (+9.578 postos) e atacadista (+2.918 postos). O setor da Indústria de Transformação, porém, apresentou redução de vagas no período analisado (-5.562 postos), mas o segmento registrou crescimento do emprego em três dos doze subsetores que o compõem: a Indústria de produtos alimentícios (+4.256 postos), da Indústria de calçados (+2.182 postos) e da Indústria mecânica (+387 postos). A Construção Civil foi outro setor que apresentou queda, com perda de 33.517 postos de trabalho, um resultado, no entanto, mais favorável que o registrado em outubro do ano passado, quando foram fechadas 49.830 vagas.


Dados regionais – A região Sul apresentou no mês saldo positivo de 3.266 vagas de trabalho, impulsionado pela geração de postos no Rio Grande do Sul, com saldo positivo de 2.386 empregos e Santa Catarina, que gerou 1.267 vagas. O emprego também cresceu nos estados de Alagoas (5.832) e Sergipe (1.932). Nos outros estados houve queda na geração de postos de trabalho, assim como nas outras regiões do país. No Sudeste, onde houve a maior queda, foram perdidos 50.274 postos no mês. 

The Economist: The burning question - November 26th 2016.


Freddie Mercury died 25 year ago: 1946 - 1991.


quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Brasil: colônia comercial do mundo industrializado?

O presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, abriu hoje (23), no Rio de Janeiro, o Encontro Nacional de Comércio Exterior com a avaliação de que 2016 está sendo um ano difícil para o setor que chegou a ser apontado como alternativa para o país com a queda da atividade interna.

Apesar de a balança comercial já ter ultrapassado o saldo positivo de R$ 40 bilhões na terceira semana de novembro, ele chama o resultado de "superávit negativo" e explica que a cifra ocorreu pela forte queda das importações, resultante da redução da atividade econômica.

Segundo o ministro interino do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Marcos Jorge de Lima, o saldo da balança comercial em 2016 pode chegar a R$ 46 bilhões, o que seria um recorde na balança comercial. Para Castro, no entanto, não há o que comemorar.

"Esse número não gera nenhum emprego, gera desemprego porque caíram as importações e caíram exportações. Ou seja, a atividade econômica diminuiu, então, diminuiu o emprego. Se fosse batido esse recorde, seria um recorde a não ser comemorado".

Ele defendeu a redução de custos das empresas para que as exportações não dependam de oscilações do câmbio e destacou que as vendas de manufaturados para o exterior têm caído nos últimos cinco anos. Para 2016, o mercado chegou a esperar que esse movimento de queda mudasse.

"[Em 2015] havia uma expectativa positiva com os manufaturados [para 2016], que não se concretizou", explicou. "Com o câmbio a R$ 4, o produto brasileiro seria competitivo. Mas nós estávamos fora do mercado internacional e, para entrar no mercado, tem que desalojar alguém. Nós não conseguimos desalojar os chineses, principalmente".

Em 2016, a expectativa da AEB apresentada por seu presidente José Augusto de Castro é que as exportações vão cair de 2% a 3%, e, dentro delas, as de manufaturados devem ter uma queda de 1% a 1,5%. O resultado, segundo ele, faz com que o Brasil tenha um nível de exportação de manufaturados em 2016 menor que o de 2006.

A queda das exportações de manufaturados levou o país a um cenário em que esses itens correspondem a 40% das exportações, enquanto commodities preenchem os outros 60%. "Se nada for feito vamos ter que nos contentar em ser uma colonia comercial do mundo industrializado. Vamos exportar só commodities", afirmou.

Castro apontou que a redução de custos, por meio de reformas como a trabalhista, a tributária e a previdenciária, se aprovadas pelo Congresso, virá com atraso. "Já passou o momento. Estamos totalmente atrasados", disse ele que afirmou que elas "vão doer para todos nós" e exigirão tempo de implementação no qual os produtores ainda precisarão contar com a competitividade do câmbio.


Apesar de reconhecer que questões externas como possíveis medidas protecionistas dos Estados Unidos e a saída do Reino Unido da União Europeia poderão ter impactos negativos sobre o Brasil, o presidente da AEB destacou que os problemas a serem resolvidos são internos e dependem apenas do país.

The New Yorker: Barry Blitt's “Counting"” - Nov 28, 2016


Transações correntes acumulam, nos últimos 12 meses, deficit de US$ 22,3 bilhões, equivalente a 1,25% do PIB.

Em outubro, as transações correntes apresentaram deficit de US$ 3,3 bilhões, acumulando, nos últimos doze meses, deficit de US$ 22,3 bilhões, equivalente a 1,25% do PIB. 

Na conta financeira, as captações líquidas superaram as concessões líquidas em US$ 3,2 bilhões, destacando-se os ingressos líquidos de US$ 8,4 bilhões em investimentos diretos no país e a redução de US$ 1,7 bilhão nos passivos de investimentos em carteira.

Time: Most Influential Photos - Nov 28, 2016.


IPCA-15 no acumulado dos últimos 12 meses: 7,64%.

Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) teve variação de 0,26% em novembro e ficou 0,07 ponto percentual (p.p) acima da taxa de outubro (0,19%). Esse foi o menor IPCA-15 para os meses de novembro desde 2007 (0,23%). O acumulado no ano está em 6,38%, bem abaixo dos 9,42% registrados em igual período do ano anterior. Considerando os últimos 12 meses, o índice foi para 7,64%, abaixo dos 8,27% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em outubro de 2015 a taxa havia sido 0,85%. Os dados completos do IPCA-15 podem ser acessados aqui.



Enquanto 2016 demora em acabar, o desemprego aumenta.

No 3º trimestre de 2016, a taxa composta da subutilização da força de trabalho (que agrega a taxa de desocupação, taxa de subocupação por insuficiência de horas e da força de trabalho potencial) ficou em 21,2%, chegando a 22,9 milhões de pessoas. No 2º trimestre de 2016, para Brasil, essa taxa foi de 20,9% e, no 3º trimestre de 2015, de 18,0%.


A maior taxa composta da subutilização da força de trabalho foi observada no Nordeste (31,4%), e a menor na região Sul (13,2%). Bahia (34,1%), Piauí (32,6%) e Maranhão e Sergipe (ambos com 31,9%), foram os estados com as maiores taxas. As menores foram observadas em Santa Catarina (9,7%), Mato Grosso (13,2%) e Paraná (14,2%).

Brasileiros gastam mais no exterior em outubro/16.

Os gastos de brasileiros no exterior continuaram a crescer em outubro, segundo dados do Banco Central (BC), divulgados ontem (22), em Brasília.

Em outubro, as despesas chegaram a US$ 1,421 bilhão, com crescimento de 41,82% em relação a igual mês de 2015 (US$ 1,002 bilhão). Esse foi o terceiro mês seguido de crescimento.

O chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, disse que taxa de câmbio e a melhora nos indicadores de confiança dos consumidores levaram ao aumento dos gastos em viagens internacionais. “A reação da confiança desde junho é significativa. Essa melhora da confiança também influencia nas decisões de viajar para o exterior”, disse Maciel.

No acumulado do ano até outubro, os gastos neste ano são menores do que em 2015. De janeiro a outubro, os gastos dos brasileiros somaram US$ 11,901 bilhões, contra US$ 15,141 bilhões em igual período do ano passado.

As receitas de estrangeiros em viagem no Brasil ficaram em US$ 434 milhões, no mês passado, contra US$ 435 milhões registrados em outubro de 2015. Nos dez meses do ano, as receitas ficaram em US$ 5,1 bilhões ante US$ 4,786 bilhões em igual período de 2015.


Com esses resultados das despesas de brasileiros no exterior e as receitas de estrangeiros no Brasil, a conta de viagens internacionais ficou negativa em US$ 988 milhões em outubro, e em US$ 6.801 bilhões nos dez meses deste ano.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

PIB: Governo prevê queda de 3,5% em 2016 e crescimento de 1,0% em 2017.

O governo anunciou hoje (21) redução da projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas produzidas em um país) em 2017, de 1,6% para 1%. Para 2016, a projeção, que era queda de 3%, piorou, passando para uma contração de 3,5% da economia.

As informações foram divulgada pelo secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Fábio Kanczuk. O governo também revisou as estimativas da inflação oficial, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Pelas novas previsões, o IPCA acumulado em 2017 ficará em 4,7%, ante 4,8% estimado em agosto. Para 2016, a projeção para a inflação caiu de 7,2% para 6,8%, segundo a equipe econômica.

Em agosto, o governo havia chegado a rever para cima a previsão do PIB para 2017, de 1,2% para 1,6%. Segundo Fábio Kanczuk, a revisão atual tem relação com o quadro de endividamento das empresas e o aumento da percepção de risco pelo mercado. De acordo com ele, o spread (diferença entre o custo do dinheiro para o banco e o quanto ele cobra para emprestá-lo) está subindo, o que sinaliza um crédito mais caro e maior risco atribuído pelo setor bancário às empresas. “ [O efeito] era totalmente esperado, mas a dimensão dele só está se tornando clara agora. Isso [risco] está puxando os spreads para cima. A gente continua falando de recuperação econômica, mas tem um pouco de atraso para que haja essa digestão do aumento da dívida sobre o lucro [das empresas]”, disse.

Kanczuk afirmou ainda que, independentemente da revisão do PIB, o governo está comprometido com a meta fiscal do Governo Central (Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência). Para 2016, a meta é déficit de R$ 170,5 bilhões. Para 2017, é déficit de R$ 139 bilhões.
O secretário admitiu que o PIB menor pode levar a queda das receitas do governo, o que dificultaria o cumprimento da meta fiscal neste ano e no próximo. No entanto, ele não deu uma estimativa do possível impacto e disse que "outros fatores" poderiam influenciar positivamente a arrecadação.

“Se nenhuma outra projeção for alterada, a projeção de receita cai. Mas tem um monte de outros fatores acontecendo ao mesmo tempo. A projeção de receita também é [feita] em função de câmbio, de massa salarial. Há outras coisas para apurar com cuidado e ver o que vai acontecer”, disse o secretário.

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, já havia adiantado na semana passada, durante viagem a Nova York, que o governo revisaria a estimativa de crescimento do PIB para o ano que vem.

Pela manhã, o boletim Focus, pesquisa semanal que reúne projeções de diversas instituições financeiras para e economia, reduziu de 1,13% para 1% a previsão de alta do PIB em 2017. Para 2016, as instituições financeiras elevaram a estimativa de queda do PIB, de 3,37% para 3,4%.


Edição: Maria Claudia

Ilan Goldfajn: o efeito Trump na economia brasileira.

Ao longo do ano me referia ao quadro internacional como um interregno benigno para as economias emergentes. Esse quadro oferecia simultaneamente condições favoráveis de financiamento a essas economias e alguma recuperação da atividade global. Isso ocorria porque o ritmo de crescimento da economia global não era forte o suficiente para a retirada dos estímulos monetários na maioria das principais economias. O Banco Central em suas comunicações sempre chamou a atenção para a natureza transitória desse quadro benigno. As comunicações argumentavam que à medida que o tempo passasse, o crescimento das economias avançadas tenderia a ganhar tração e o enxugamento da liquidez se faria necessário. O resultado das eleições americanas adicionou mais um elemento de incerteza sobre a duração do interregno benigno. Ainda é muito cedo para termos uma ideia mais clara sobre os rumos que a política econômica americana tomará sob a nova administração e se o interregno benigno terminou ou não. O novo cenário tem pressionado as taxas de juros internacionais, tornando o financiamento mais caro para os países emergentes, e fortalecido o dólar. O risco desse cenário é a reversão dos fluxos de capital para fora das economias emergentes. 

O Banco Central do Brasil tem monitorado de perto esses desenvolvimentos dos mercados internacionais e atuado tempestivamente para não permitir que os efeitos dos choques externos se transformem numa ameaça para a estabilidade macroeconômica. Estou certo de que estamos bem preparados para enfrentar os cenários adversos que possam se apresentar. Temos instrumentos à nossa disposição, estamos rumando na direção correta para fortalecer nossos fundamentos e possuímos um arcabouço de política econômica consistente. O regime de câmbio flutuante é a nossa primeira linha de defesa. A flutuação da taxa de câmbio funciona como um estabilizador automático, preservando o equilíbrio tanto das contas externas como o próprio equilíbrio macroeconômico interno. Como exemplo recente, pós-eleições americanas, observamos influxo acima de 3 bilhões de dólares na medida que as novas cotações ofereciam oportunidade. Para além da flutuação da taxa de câmbio, contamos com um estoque de reservas internacionais de mais de US$ 370 bilhões. Esse estoque funciona como um seguro para excessos e distorções no mercado. Logo é mais um instrumento para garantir estabilidade e previsibilidade, e, dessa maneira, contribui para a redução do risco Brasil. 

http://www.bcb.gov.br/pec/appron/apres/Discurso%20Firjan%20VF%2021_11_16.pdf

Boletim Focus e o PIB em queda de 3,40% neste 2016.

No Boletim Focus, divulgado hoje pelo Banco Central, o mercado ajustou para baixo as expectativas do PIB de 2016 e 2017.   

Para 2017 estima-se crescimento do PIB em 1,00%, ao invés do 1,13% da semana anterior.  

Em síntese: 

PIB: elevou a queda de 3,37% para 3,40%;
Inflação: IPCA de 6,84% para 6,80%;
Dólar: alterou de R$ 3,22 para R$ 3,30;
Taxa básica de juros (Selic): manteve-se em 13,75%.