sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Aécio Neves e Dilma Rousseff: a grande final em 26/10/2014.


Dia 26 de outubro, neste próximo domingo, milhões de brasileiros terão a oportunidade de escolher o novo Presidente da República.
É um momento muito importante e, apesar de discordar do voto obrigatório, entendo que cada eleitor deva manifestar democraticamente a sua preferência.
Para que o Brasil continue consolidando a sua jovem democracia, avalie com muita atenção cada candidatura e faça a sua escolha pensando no futuro.
Boa sorte aos candidatos e aos eleitores.

E que DEUS abençoe o BRASIL. 

O voto dos economistas.


Pesquisa realizada pelo VALOR ECONÔMICO mostra como votam os economistas em nossos departamentos de Economia.


quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Salve o Nobel.

Delfim Netto, hoje na FOLHA DE S. PAULO. 

O estudo do funcionamento econômico da sociedade pode ser convenientemente dividido em dois ramos: a macroeconomia e a microeconomia.

A macro procura entendê-lo e criar instrumentos para que seu administrador (o governo eleito periodicamente) possa produzir um bom equilíbrio interno e externo. Durante muito tempo os economistas acreditaram --e alguns ainda acreditam-- que, com uma adequada âncora cambial (o "padrão ouro"), o sistema deixado a si mesmo ("laissez faire") produziria "naturalmente" aqueles equilíbrios. A variável de ajuste "natural" era o aumento do desemprego e a redução do salário real, que se tornou politicamente inaceitável pelo avanço do sufrágio universal.

Mas o fato importante é que mesmo uma macroeconomia virtuosa não garante uma alocação eficiente dos fatores de produção disponíveis se não forem dados estímulos adequados aos agentes econômicos. Quem cuida do crescimento e sugere instituições e mecanismos que aumentam a produtividade de todo o sistema econômico é a microeconomia. Ela tem avançado dramaticamente desde a exploração do uso da teoria dos jogos, da teoria dos leilões e dos estudos sobre a formação de preços em mercados especiais, onde há necessidade de submeter à maior concorrência monopólios e oligopólios de forma a proteger os consumidores com bons serviços e "modicidade tarifária". Esta aproximação da teoria com a realidade foi, justamente, premiada com o Nobel de economia de 2014 a Jean Tirole.

O governo Dilma chegou ao diagnóstico correto em 2011 quando anunciou que a aceleração do investimento público era a boa saída para a volta ao crescimento. Foi lento, entretanto, em entender que o sucesso das concessões de infraestrutura, por serem transferências de monopólios públicos para o setor privado, envolvem contratos necessariamente "abertos" que duram de 20 a 30 anos e exigem: 1) bons projetos executivos que especifiquem claramente a qualidade dos serviços que se espera delas ao longo do tempo; 2) a construção de leilões adequados --tarefa de profissionais especializados-- para estabelecer a taxa de retorno e 3) agências reguladoras de Estado competentes e estáveis para garantir a integridade econômica e financeira dos contratos. Quando se nomeia um "companheiro de passeata" para uma agência de Estado aumenta-se o "risco" da concessão e, portanto, sua taxa de retorno.


É por isso que talvez ninguém tenha mais necessidade do que o governo brasileiro de aprender na obra fundamental do novo Nobel sobre a formação de preços em mercados especiais. A presidente Dilma precisa incorporar Tirole às suas leituras após domingo...

A curva de Rousseff.

ALEXANDRE SCHWARTSMAN, 51, é doutor em economia pela Universidade da Califórnia (Berkeley), ex-diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central do Brasil, sócio-diretor da Schwartsman & Associados Consultoria Econômica e professor do Insper.

Não tenho, é claro, a menor ilusão de que a presidente da República leia minhas colunas. Aliás, considerados seus maus-tratos à língua, não tenho a menor ilusão que leia qualquer coisa.

Ainda assim continua a ser surpreendente (ou seria "estarrecedor"?) sua insistência em temas há muito demonstrados equivocados, em particular a suposta oposição entre inflação e desemprego, como explorado neste espaço em meados do ano.

À época ela alegou que a fixação da meta de inflação em 3% levaria o desemprego "lá pelos 8,5%, 9%, 10%, 11%, 12%. Por aí". Como se depreende da afirmação acima, precisão não parece ser exatamente o forte da presidente, mas, mais recentemente, voltou à carga, agora argumentando que o desemprego chegaria a 15%, aumentando assim o intervalo de confiança de suas "projeções" de 3,5 para inimagináveis 6,5 pontos percentuais, uma margem de erro de fazer corar qualquer pesquisa eleitoral.

As implicações da peculiar matemática presidencial podem não ter ficado claras à primeira vista, mas são contundentes.

Como o IPCA deve fechar o ano na casa de 6,5%, buscar uma meta de 3% corresponderia a uma redução de 3,5 pontos percentuais da inflação. Por outro lado, dado que o desemprego se encontra na faixa de 5%, sua elevação para 8,5% corresponderia também a 3,5 pontos percentuais, ou seja, na "estimativa" mais otimista, cada ponto percentual a menos de inflação "custaria" um ponto percentual a mais de desemprego.

Já no caso mais pessimista, a elevação do desemprego atingiria dez pontos percentuais (de 5% para 15%) para a mesma redução (de 6,5% para 3%) da inflação, ou seja, cada ponto percentual a menos de inflação "custaria" 2,9 pontos percentuais a mais de desemprego!

Em outras palavras, o coeficiente que captura a presumida troca entre inflação e desemprego implícita na curva de Rousseff varia de 1 a 2,9, uma diferença abissal (alguns diriam "estarrecedora").

À parte o erro conceitual primário (não há troca persistente entre inflação e desemprego, conforme estabelecido por mais de 40 anos de pesquisa na área), as afirmações presidenciais transparecem um descaso desumano ("estarrecedor", talvez) com os números.

Fosse eu um diplomata, diria que as estimativas poderiam ser melhoradas; como não sou, posso afirmar: trata-se de números chutados (isso mesmo, c-h-u-t-a-d-o-s!), sem a menor preocupação com qualquer referência à realidade, sem base estatística e, portanto, desprovidos da mínima relevância.

Mesmo com o devido desconto que se dá à verdade no período eleitoral (coisa triste de se dizer), essa posição é reveladora. A atual administração demonstra o mais profundo desprezo para com os números. Estatísticas só valem se corroborarem a visão preexistente, jamais como forma de testá-la e assim permitir, caso necessário, correção dos rumos.

Insistimos há anos que o atual arranjo de política econômica (a tal "nova matriz macroeconômica", algo sumida de retórica governamental recente) redundaria apenas em menos crescimento, inflação mais alta e desequilíbrios externos crescentes.

As evidências a esse respeito eram visíveis desde 2012, ao menos, expressas no então "pibinho" de 1% (que hoje seria motivo de comemoração) e na inflação que já então teimava em não retornar à meta. Mesmo assim, foram ignoradas.

Dados ruins das contas fiscais têm sido escamoteados e agora até mesmo os números de distribuição de renda se tornaram sujeitos a interesses políticos de curto prazo, culminando com a postergação da divulgação de pesquisas do Ipea sob o ridículo argumento de que violariam as leis eleitorais.


O resultado é que, cada vez mais, temos que navegar sem instrumentos, enquanto se nega à população a possibilidade de avaliar os rumos do país. Nesse sentido, as "estimativas" dos parâmetros da "curva de Rousseff" não são a exceção, mas a regra no modelo de condução desastrada de política econômica no Brasil.

Edmar Bacha: Por que voto em Aécio.

EDMAR BACHA, 72, economista, é membro da Academia Brasileira de Ciências e sócio-fundador do Instituto de Estudos de Política Econômica - Casa das Garças. É autor de "Belíndia 2.0" e de "O Futuro da Indústria no Brasil" (Civilização Brasileira)

Meu voto em Aécio se justifica de duas maneiras. A primeira é que, se Dilma tiver mais quatro anos, acabará de quebrar o país e nos encaminhará para uma séria crise política e social. Não é difícil ver o porquê. Nos quatro anos de seu governo, o crescimento da economia foi o menor de todos os períodos presidenciais completos de nossa história republicana desde Floriano Peixoto.

A culpa desse desempenho medíocre não vem de fora, pois nossos vizinhos sul-americanos (exceto pela Argentina e Venezuela que seguem políticas parecidas com as de Dilma) vão muito bem, obrigado. Neste ano, o crescimento do PIB brasileiro deverá ser zero, algo inédito na história do país em períodos sem crise cambial.

A culpa também não é da equipe econômica, pois ela apenas executa com docilidade a política determinada em cada detalhe pela presidente. Foi Dilma quem retirou a autonomia do Banco Central; criou um orçamento paralelo de alquimias contábeis entre o Tesouro e os bancos públicos; destruiu a capacidade de investimento da Petrobras e da Eletrobras; aparelhou partidariamente as agências reguladoras; fez os leilões de concessão de infraestrutura se tornarem um fiasco quando não uma fonte adicional de corrupção.

O resultado disso é a queda do PIB, a alta da inflação, a derrubada do investimento, a desindustrialização, o deficit externo e o aumento da dívida pública.

Dilma promete um governo novo, com ideias novas. Mas como faria isso se está convencida de estar no caminho certo? Se fosse reeleita, continuaria colocando em prática suas arraigadas convicções equivocadas sobre economia e administração pública. O resultado seria manter o país ladeira abaixo, com frustração popular, recessão, desemprego e inflação.

Felizmente, isso não vai acontecer porque tem Aécio Neves no meio do caminho.

Após 12 anos de "nós contra eles", que lembram o "ame-o ou deixe-o" da ditadura, Aécio é a esperança de reconciliação nacional. Sua história política é similar à de seu avô, Tancredo Neves, que sempre buscou a união dos extremos, o apaziguamento das diferenças, o convencimento pelo argumento, e não pela força.

Todo o ódio que o marqueteiro de Dilma fez destilar nessa campanha eleitoral sórdida será apagado, e Aécio, como fez em Minas Gerais, governará com competência, sem rancores ou partidarismos.

Por sua experiência no governo de Minas, Aécio sabe que políticas de inclusão social são um imperativo. Apesar da propaganda do governo sobre "a nova classe média", o Brasil continua a ser uma Belíndia --uma mistura da pobreza da Índia com a riqueza da Bélgica. Dados do Banco Mundial mostram que o Brasil mantém uma das mais desiguais distribuições de renda no mundo.

As informações que a Receita Federal finalmente começa a liberar revelam que a concentração de renda no país é bem maior do que a indicada pelas pesquisas domiciliares (Pnad) e ela não está sendo reduzida, ao contrário do que dizem os arautos do governo Dilma.

Aécio sabe também que para superar a pobreza, ao lado de uma política de transferência de renda, é fundamental ter uma estratégia de crescimento --equitativa e sustentável-- que leve o país, ao longo de uma geração, ao nível de renda do mundo desenvolvido.

Para isso precisamos restabelecer a estabilidade econômica e o equilíbrio das contas públicas e externas. Precisamos atrair o setor privado para investimentos maciços em infraestrutura, dar a nossas indústrias condições de competir no mercado internacional e, principalmente, melhorar nossos sistemas de educação, segurança e saúde.

Em seu programa de governo, Aécio tem propostas exequíveis para enfrentar esses desafios. Contará com uma equipe de auxiliares à altura da nobre tarefa de refazer a união entre os brasileiros e recolocar o país na rota do desenvolvimento. 

domingo, 19 de outubro de 2014

9º SIAC, dia 6 de Novembro, em São Paulo - ACREFI

O ex-Ministro da Fazenda, Economista Antonio Delfim Netto, ministrará palestra dia 06 de Novembro, no 9º SIAC (Seminário Internacional Acrefi - Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento), no  Hotel Renaissence, em São Paulo.

O evento será realizado uma semana depois das eleições e trará ao centro do debate não só a analise do desafio do País, mas também de uma visão clara dos novos movimentos que tornará a economia interna. 

Além de Delfim Neto, o Encontro reunirá também especialistas como Luiz Carlos Mendonça de Barros, Economista e ex-presidente do BNDES; Alexandre Schwartsman, ex-diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central; William R. Rhodes, ex-negociador da dívida externa do Brasil; Barry Naughton, especialista na economia chinesa.

Eleições 2014: um brinde ao senso de humor cearense.

Nos cearenses O POVO e o DIÁRIO DO NORDESTE o humor peculiar para conseguirmos chegar ao dia 26, próximo domingo, com muita calma nesta hora.






Desilusões.

Na Folha de S. Paulo de hoje, uma bela reflexão do atual momento econômico e político. 
Solicito ao meu e-leitor uma leitura isenta e que possa melhor colaborar com as suas ideias no próximo dia 26. 
Um ótimo domingo a todos. 

No que depender dos debates entre os candidatos a presidente da República ou de suas propagandas políticas em horário pago pelo contribuinte, o eleitor votará no próximo domingo (26) pouco esclarecido a respeito dos estreitos limites econômicos dentro dos quais o Brasil precisará ser governado.
Tão certa quanto as dificuldades presentes, porém, é a necessidade de o país registrar taxas de expansão condizentes com o futuro que a nação enxerga para si.
As coisas não vão bem. De 2011 a 2014, nossa economia terá crescido à média anual de 1,6%. A renda por habitante terá avançado 0,7% ao ano -- nesse ritmo, dobrará de tamanho somente após um século.
Talvez não seja grande problema para países cujo PIB per capita supera US$ 40 mil anuais, como os EUA, a Alemanha e a Suécia. Para o Brasil e seus medianos US$ 11 mil, ter passado quatro anos perto da estagnação é uma lástima.
A fim de enfrentar os desafios de desenvolvimento de uma sociedade que se aproximará dos 230 milhões de habitantes em 30 anos, a marcha da renda per capita brasileira precisaria quadruplicar. Isso significa elevar o incremento do PIB para 3,5% ao ano, em média.
As candidaturas finalistas desta eleição presidencial por certo concordam com tal diretriz. Quando, contudo, deveriam consignar os meios que defendem e os compromissos que se dispõem a assumir para chegar a esse resultado, nenhuma oferece resposta suficiente.
Veio da presidente Dilma Rousseff (PT) a iniciativa mais frustrante. As peças que fez publicar e os textos que veiculou a título de programa de governo não se distinguem da panfletagem publicitária.
A autocrítica à condução equivocada da economia nos últimos quatro anos apenas se entrevê no palavrório estéril de slogans como "Governo novo, ideias novas" ou "Mais mudanças, mais futuro". Insinua-se também no gesto inusitado de anunciar a troca do ministro da Fazenda em caso de reeleição.
No plano entregue à Justiça Eleitoral, destaca-se, por ironia, a ideia de uma política econômica sólida, "intransigente no combate à inflação e que proporcione um crescimento econômico e social robusto e sustentável". A diretriz da candidata trai a gestão da presidente.
O senador Aécio Neves (PSDB), por sua vez, preocupou-se em satisfazer o direito do eleitor de conhecer parte do que o candidato pretende fazer na economia.
Compromete-se, por exemplo, com garantir autonomia ao Banco Central, perseguir o centro da meta da inflação e diminuí-la ao longo do mandato, além de equacionar arrecadação e gastos (inclusive com subsídios camuflados nos bancos públicos) com o propósito de reduzir a dívida pública.
O tucano, entretanto, tenta iludir o público com a ideia de que sua simples chegada ao poder provocaria um choque de confiança capaz de bem encaminhar os principais problemas econômicos do país. É uma falácia que ajuda a lançar uma cortina de fumaça sobre sua verdadeira agenda de governo.
A semiestagnação produtiva e os desequilíbrios da atual política econômica demandarão decisões custosas e impopulares de qualquer um que seja eleito.
Diante da candura ora demonstrada por Aécio e Dilma, e considerando a divisão do eleitorado, pode-se prever uma onda de decepção popular com o presidente nos próximos dois anos, pelo menos.
A decepção virá, por exemplo, porque a escolha de recuperar o dilapidado índice de poupança do governo federal (o chamado superavit fiscal) implica aumentar a coleta de impostos dos contribuintes.
A carga tributária já é elevadíssima, mas deixar tudo como está acarretará deterioração adicional das finanças públicas, crescimento da dívida do governo e aumento dos juros para toda a sociedade.
Outro dilema cuja resolução produzirá descontentamento envolve energia elétrica e combustíveis. Parece inevitável um aumento significativo na conta de luz e na bomba de gasolina, o que produz impactos importantes também na inflação.
Os candidatos contornam o assunto agora para ganhar os votos daqueles que, no futuro, poderão vir a criticá-los pela desfaçatez.
Se a gestão imediata dos assuntos econômicos já se revela desgastante, que dirá dos temas estruturais do desenvolvimento. Nem Aécio Neves nem Dilma Rousseff dizem como lidarão com a Previdência. Trata-se, todavia, da maior fonte de despesas sociais do Brasil.
A necessidade de recursos e a dificuldade de encontrá-los só aumentarão com o envelhecimento da população; há distorções claras, como no dispêndio com pensões por morte e aposentadoria de servidores; o regime de reajustes vinculados ao salário mínimo implica elevação obrigatória da parcela do PIB destinada ao governo.
Como se isso fosse irrelevante, os candidatos silenciam. Entretanto, se nada for feito em relação a todos esses pontos, o Brasil vai crescer menos no futuro próximo, porque faltará dinheiro para investir na produção e na educação, para citar dois setores diretamente associados a um ciclo virtuoso.
O Brasil só se livrará da enrascada do baixo crescimento -- e da maldição de atravessar este século aferrado ao clube dos países de renda apenas média -- com um contínuo e significativo incremento na quantidade de bens e serviços produzidos por trabalhador.

Não será fácil, e a omissão risonha e o descompromisso que os candidatos demonstram na campanha só tornarão mais amargas as desilusões dos próximos anos.

sábado, 18 de outubro de 2014

Armínio Fraga: para que o Brasil cresça 4% ao ano.

Armínio Fraga, economista, ex-presidente do Banco Central e, em caso de vitória de Aécio Neves, anunciado como futuro ministro da Fazenda, defende nesta artigo para a ÉPOCA a economia com Aécio Neves.  



Acreditamos ser imperativo colocar o país numa trajetória de crescimento. A estratégia começa por acertar a macroeconomia: as metas de inflação e fiscal (ajuste das contas públicas) precisam ser atingidas. Na meta fiscal, é necessário avançar na direção de total transparência. A meta de superavit primário – o saldo nas contas públicas antes do pagamento de juros – deveria ser em torno de 3% do PIB. Seria razoável buscar o cumprimento dessa meta, sem artificialismos, no período de dois a três anos, a depender das circunstâncias e do quadro geral que um novo governo encontre. A inflação também está acima da meta. Mas não faz sentido tentar chegar ao centro da meta, 4,5% ao ano pelo IPCA, num período muito curto. Seria mais razoável chegar lá em dois a três anos. Esse conjunto de ajustes reduziria muito a incerteza, e isso ocorreria de forma virtuosa. O país sairia da recessão. O lado da oferta e do investimento produtivo, hoje travado, começaria a apresentar resultado. Acredito que as taxas de juros de longo prazo cairiam muito. Hoje, o Brasil tem taxas de longo prazo bem altas, entre 5,5 e 6 pontos percentuais acima da inflação. Posta em andamento, a mudança de regime faria cair a taxa de juro de longo prazo. Trato isso como mudança de regime, para diferenciar de um conjunto de medidas. Não é por falta de medidas que estamos onde estamos. Na mudança de regime, buscamos atingir no Brasil taxas de juros e de inflação normais, parecidas com a da maioria de países como o Brasil, sem que isso ocorra de forma voluntarista – portanto, sem abrir mão da inflação baixa e de um balanço de pagamentos (contas com o exterior) razoável.

Teríamos de trabalhar em mais duas frentes: aumentar o investimento e voltar a ter ganhos de produtividade. Nossa meta, ambiciosa, é elevar o investimento de 16,5% do PIB para 24%. A principal locomotiva para isso é a infraestrutura, cujas necessidades se percebem a olho nu. Estamos falando de rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, hidrovias, saneamento, energia – que deveriam ser um espaço fantástico para o Brasil investir. Isso requer mais clareza de regras, para atrair o capital. O governo não tem dinheiro para fazer tudo. Seria preciso trabalhar com o setor privado, sob a supervisão do governo, de forma competitiva. Para incentivar o investimento, também temos de incluir uma agenda de reformas microeconômicas. No topo da lista está a reforma tributária. Ela começa por tratar da tributação indireta no Brasil, onerosa e complexa demais. Ela encarece a vida das empresas. É um sistema cheio de distorções. Os impostos cumulativos punem a exportação e o investimento. Isso seria eliminado nessa reforma. Estamos na fase final de desenhar essa estratégia. A ideia é apresentar isso quanto antes, caso vençamos a eleição. Sob o nome “custo Brasil”, há dezenas, centenas de pequenos tópicos que dificultam a atuação do empreendedor. Incluo nessa categoria a necessidade de, ao longo do tempo, redesenhar a estratégia de inserção do Brasil na economia internacional. Hoje, isso tem sido um problema. O Brasil ficou paralisado ao longo dos anos e muito focado em parcerias exóticas, quando deveria abrir espaço para nossas empresas e exportações nos grandes mercados do mundo.
 
Depois, existe uma agenda de produtividade. Inclui temas como educação, que deveriam ser mencionados sempre quando se fala em economia. A mudança não acontecerá da noite para o dia, mas o investimento nas pessoas é o melhor que existe. Tem impacto também na distribuição de renda. Meu otimismo sobre a possibilidade de melhorar nessa frente vem da constatação de que a produtividade no Brasil é bem mais baixa que em outros países do mundo.


Outro tema importante, que gera mal-entendidos, é o mercado de capitais e a intermediação financeira em geral. O Brasil hoje põe peso demais sobre o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). É importante o BNDES ter mais critério nos empréstimos. É dinheiro subsidiado, público, que poderia entrar no orçamento para educação e saúde. O BNDES deve começar a exigir contrapartida de financiamento privado, porque muitos desses subsídios não têm justificativa clara. Muitas vezes nos acusam de querer fechar o BNDES – ao contrário, o BNDES deve ter papel crescente na infraestrutura e decrescente nos casos que mencionei. Os outros dois grandes bancos federais devem continuar a fazer seu trabalho, com governança melhor, para não ficar fragilizados. Eles têm de funcionar de modo cada vez mais meritocrático e transparente, cada vez menos politizado e aparelhado. Ser politizado e aparelhado é diferente de ter política pública. Ter política pública definida é essencial.
O principal ponto forte da economia brasileira é ser grande e diversificada. Tem tudo aqui. Não dá para dizer ao Brasil para exportar só matérias-primas. O país tem de ter peso no agronegócio, na indústria, nos serviços. O potencial que temos é desperdiçado neste momento. Hoje, há países crescendo 7% ao ano e países crescendo zero. Por que o Brasil tem de ser o zero? O Brasil tem uma agenda paralela de desmontar o que está errado. Só isso já é uma oportunidade. É como no futebol. Você pensa em fazer gol, mas é importante não levar gol. O Brasil vem levando gol em algumas áreas econômicas. Vamos parar de levar gol e começar a atacar na outra ponta. A agenda macroeconômica e de infraestrutura deve ser apresentada o mais rapidamente possível. Não há razão para esperar. A agenda microeconômica segue em paralelo. Essas agendas têm princípio, meio e fim. Com elas, teríamos todas as condições de levar o Brasil a uma taxa de crescimento do PIB de 4%, 4,5% ao ano. A meta não é fácil, mas a considero possível ao longo de alguns anos.

Aloizio Mercandante: como crescer com inclusão social.

Aloizio Mercadante, economista, ministro da Casa Civil e coordenador de campanha de Dilma Rousseff, defende neste artigo para a ÉPOCA, a economia com Dilma Rousseff.


O Brasil criou as bases para um novo ciclo de desenvolvimento. Nos últimos 12 anos, passamos a ser uma sociedade mais próspera e justa. Elegemos o social como eixo estratégico do desenvolvimento econômico, sustentado por inovadoras políticas de transferência de renda, ampliação maciça do emprego, aumento real dos salários e diversas políticas de inclusão social.
O novo padrão de desenvolvimento que estamos construindo mostrou que é possível conciliar crescimento com inclusão social. E também que a construção de um vigoroso mercado interno de consumo de massa abriu novas possibilidades de investimento para as empresas, além de ser decisivo para amortecer o impacto da crise internacional.
O Brasil se tornou não apenas referência mundial no combate à desigualdade, à miséria e à fome, como tem sido um dos países mais bem-sucedidos no enfrentamento da atual crise, a maior desde 1929. Diante dela, preservamos a estabilidade macroeconômica. Optamos por uma política econômica em favor do crescimento e da geração de mais de 12 milhões de novos empregos. Paralelamente, acumulamos US$ 376 bilhões de reservas cambiais e reduzimos a dívida pública líquida de 60% do PIB para 35% do PIB.
A política econômica ortodoxa do governo anterior produziu baixo crescimento, altas taxas de desemprego e mais desigualdade social. Desde então, já crescemos 46% em relação a 2002, e o PIB per capita aumentou 29,6%. De 2003 a 2013, a produção anual de veículos passou de 1,6 milhão para 3,7 milhões de unidades; o número de passageiros de avião passou de 36 milhões para 109 milhões; e a safra agrícola, que era de 123 milhões de toneladas, deve atingir 195 milhões de toneladas. Com isso, o Brasil saltou da 13a para a sétima posição na economia mundial.
No mesmo período, reduzimos a taxa de desemprego para os atuais 5%, a menor taxa da série histórica; o salário mínimo cresceu 71,5%; e os programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, retiraram o Brasil do Mapa da Fome, elaborado pela Organização das Nações Unidas (ONU).
Quando começamos a governar, tivemos de enfrentar a fragilidade das contas externas e das contas públicas, além de enormes gargalos em infraestrutura.
Retomamos a capacidade do Estado de planejar, investir e regular o setor de infraestrutura. São exemplos disso o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e o fortalecimento dos bancos públicos, em especial do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Em 2012, lançamos um ousado plano de concessão que abarca portos, aeroportos, rodovias e ferrovias.
Nos transportes, adotamos um novo modelo de concessão e investimentos no setor ferroviário e aprovamos um novo marco regulatório dos portos. Só no governo Dilma, foram concedidos ao setor privado quase 5.000 quilômetros de rodovias, com um novo padrão que reúne mais investimentos, qualidade do serviço e tarifas justas. Desde 2007, foram concluídos quase 2.000 quilômetros de novas ferrovias, metade deles no governo Dilma. Em portos, serão investidos R$ 25 bilhões. A concessão de aeroportos permitiu uma expansão de capacidade de 69 milhões de passageiros por ano, com investimentos da ordem de R$ 26 bilhões.
No setor energético, reorganizamos a geração e a transmissão de energia elétrica. Na atual estiagem, não falta energia, graças à ampliação de nossa capacidade de geração, em 48,8 gigawatts, e de transmissão de energia, com mais 47.600 quilômetros de novas linhas de transmissão.
Na infraestrutura social, o programa Minha Casa Minha Vida já entregou e contratou 3,7 milhões de unidades habitacionais. Na mobilidade urbana, estamos investindo R$ 143 bilhões em metrôs, BRTs, VLTs e corredores de ônibus.
Impulsionamos o setor produtivo, por meio de políticas de crédito, apoio à inovação, desonerações, simplificação tributária e compras públicas com exigência de conteúdo local. Enfraquecer os bancos públicos, neste cenário de crise internacional, desarmaria nossa indústria para uma competição com países que adotam políticas industriais ativas.
Também demos prioridade ao investimento em educação. O orçamento do Ministério da Educação triplicou. Passou de R$ 35,3 bilhões, em 2002, para R$ 118 bilhões, em 2014. Também vinculamos os recursos dos royalties do petróleo, incluindo o pré-sal, à educação. Nossas ações estendem-se da creche à pós-graduação. Basta lembrar a expansão das universidades federais e das escolas técnicas, o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), o Prouni (Programa Universidade para Todos) e o Fies (Programa de Financiamento Estudantil), além do Ciência sem Fronteiras e do enorme sucesso do Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego), com mais de 8 milhões de matrículas em cursos profissionalizantes.
Esses indicadores mostram que, apesar de nossas dificuldades e de ajustes necessários, estamos prontos para um novo ciclo de desenvolvimento, impulsionado pela força da nossa agricultura, pela diversidade da nossa indústria e de nossos serviços, pelos avanços na educação e pela riqueza do pré-sal. Não podemos retroceder.

As diferenças nas ideias econômicas de Aécio e Dilma.

Texto na revista ÉPOCA desta semana, relaciona as as diferenças nas ideias econômicas de Aécio Neves e Dilma Rousseff e isso é muito importante neste momento de eleições. 

Para os meus ainda fiéis leitores e eleitores, uma boa reflexão ainda nesta semana, antes do dia 26. 

Os candidatos Aécio Neves, do PSDB, e Dilma Rousseff, do PT, rolaram na lama nos últimos dias, atracados numa violenta briga eleitoral. Acusações e denúncias têm seu papel no debate. Parte dos eleitores decide o voto na suposição de que um candidato seja mais honesto que outro. Mas a parte dos eleitores que prefere escolher ideias se sente abandonada, ao tentar encontrar algum diamante no meio do lamaçal. Por isso, vale a pena avaliar com carinho as ideias em confronto. Os dois candidatos e seus partidos representam hoje visões bem distintas sobre como funciona a economia e como um governo pode contribuir com a prosperidade dos cidadãos. Para esclarecê-las, convidamos economistas ligados às duas campanhas a explicar suas ideias.

Tanto o ideário econômico de Aécio como o de Dilma resultam da interação de diferentes correntes de pensamento. No caso de Aécio, a mais evidente no momento é o princípio do liberalismo econômico. Na tradição brasileira, liberais defendem que o Estado seja comedido. Cabe ao governo cumprir funções fundamentais, como prover segurança, educação, ou garantir a estabilidade econômica – controlar a inflação, dar bom rumo às contas públicas e revelar com transparência como cumpre essas tarefas. “O PSDB de hoje acredita que cabe ao mercado usar os recursos da melhor forma possível e ao Estado criar regras apenas para corrigir as falhas de mercado”, diz o economista Fernando Holanda Barbosa Filho, professor do Ibre-FGV.

Liberal em economia, no Brasil, é o governo que dá o máximo de liberdade possível aos agentes, como os profissionais e as empresas. Por esse credo, se o cenário econômico for estável e as regras claras, as empresas farão planos, investirão e criarão empregos. O grande nome dessa corrente no Brasil é o economista Eugênio Gudin (1886-1986). Mas não há sentido em chamar Aécio e o PSDB de economicamente liberais, muito menos xingá-los de “neoliberais”. O liberalismo é um princípio, não um programa de governo. Pode-se usá-lo com diferentes intensidades. No Brasil, uma boa dose seria bem-vinda, pois nossa economia ainda é fechada ao mundo, tem presença exagerada do Estado em comparação com países desenvolvidos e barra com burocracia o caminho dos empreendimentos. Resolver esses entraves exige uma aplicação bem calibrada de liberalismo.

A influência dos economistas liberais no PSDB começou no governo Itamar Franco, em 1993. O então ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, incumbido de enfrentar a hiperinflação, reuniu um grupo deles. A reunião resultou no Plano Real e no fim da hiperinflação. Esses economistas mantiveram sua influência no governo Fernando Henrique, a partir de 1994. Eles apresentaram ao país conceitos importantes de gestão pública, como responsabilidade fiscal, metas de inflação e agências reguladoras com autonomia, de que nos beneficiamos até hoje. O pensamento econômico liberal deverá se manter em alta no partido, caso Aécio seja eleito, porque se opõe frontalmente à estratégia econômica do governo Dilma. “Há duas visões do que é incentivo a quem produz e cria empregos. Para o PT, é dar dinheiro, subsídio, financiamento. Para o PSDB, é criar regras atraentes, inspirar credibilidade, confiança”, diz a economista Monica de Bolle, doutora em economia pela London School of Economics. Pesquisadora visitante no Wilson Center, nos Estados Unidos, ela hoje prepara um livro crítico sobre o governo Dilma Rousseff.

O liberalismo dos economistas que apoiam Aécio é temperado com a social-democracia. Trata-se de uma ideia nascida na Europa, na segunda metade do século XIX. Originalmente, defendia uma transição pacífica do capitalismo para o socialismo. Ao longo do século XX, evoluiu. Deixou para trás conceitos empoeirados, como o conflito de classes e a vilipendiação do empresário. Na concepção moderna, busca justiça social sem abrir mão da economia de livre mercado. Esse conceito fundamental norteou a criação do PSDB, em 1988.

Dilma também se alimentou de duas fontes principais para formar seu credo econômico. Ela é uma desenvolvimentista. Essa corrente de pensamento surgiu em países subdesenvolvidos, em reação à Grande Depressão, iniciada em 1929. A crise varreu o mundo – no Brasil, sumiram os empregos na lavoura cafeeira, principal atividade do país naquela época. Nesse cenário, surgiram economistas dispostos a não dar chance ao acaso e garantir o desenvolvimento por meio de planejamento estatal. No Brasil, o principal nome dessa escola econômica foi Celso Furtado (1920-2004). Dilma, como boa desenvolvimentista, acredita que cabe ao governo mais que regular e garantir estabilidade. Por essa visão de mundo, cabe ao Estado fazer o que for necessário para promover o crescimento – investir, contratar, emprestar ou produzir ele mesmo. A “nova matriz econômica” defendida pelo governo Dilma nos últimos anos consistiu em tolerar mais inflação, oferecer mais crédito e estimular o consumo. Essa receita deveria incentivar as empresas a investir mais, para atender os consumidores. Esse resultado, até o momento, não apareceu. O governo passou também a agir de maneira pontual, com subsídios e intervenções em setores que considerou estratégicos e com apoio a grandes empresas que considerou ter chances de se tornar multinacionais com poder de fogo global. Esse curso de ação manteve empacados o investimento e a produtividade. Seu efeito positivo foi disseminar o surgimento de empregos, mesmo que de baixa remuneração e qualificação. A combinação de baixo desemprego, aumento real do salário mínimo, expansão do Bolsa Fa­mília e da oferta de crédito teve efeito poderoso no bem-estar dos brasileiros durante a maior parte dos 12 anos de governo petista. “O PT dá mais ênfase às políticas sociais. Por essa visão, o Estado é importante para contribuir com a redução das desigualdades sociais, porque o mercado é incapaz de propiciar isso à população excluída do sistema. Estamos num país com desigualdades muito gritantes”, afirma o economista Fabrício de Oliveira, ex-professor da Unicamp e da UFMG. Oliveira foi um dos economistas a assinar o manifesto “O Brasil não quer voltar atrás”, de apoio a Dilma, publicado na terça, dia 14.


A outra fonte em que bebe o pensamento econômico de Dilma é o trabalhismo. Ela iniciou carreira no PDT, representante de uma esquerda moderada e pragmática, orientada para a conquista de resultados para os assalariados. O PT nasceu em 1980, num momento em que o ideário socialista ainda cativava, mundo afora, os idealistas ingênuos, os desiludidos com a democracia e os desinformados de economia – ainda que já se comprometesse mais com resultados práticos do que com princípios ideológicos. Mesmo assim, o PT era um partido sectário, que tendia a dividir o mundo em explorados e exploradores. Essa visão de mundo evoluiu gradualmente, à medida que ganharam força, no exterior, movimentos trabalhistas mais dispostos a negociar e a buscar resultados práticos. Formou-se nesse caldeirão o maior líder do PT, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Dilma ingressou no PT em 2001 e mostrou-se mais apegada a ideologias que Lula. No momento, é difícil ver isso como uma vantagem. 

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Prêmio Jabuti 2014.

Romance
1º) "Reprodução" (Companhia das Letras), de Bernardo Carvalho;
2º) "A Maçã Envenenada" (Companhia das Letras), de Michel Laub;
3º) "Opisanie Swiata" (Cosac Naify), de Veronica Stigger


Contos e crônicas
1º) "Amálgama" (Nova Fronteira), de Rubem Fonseca;
2º) "Você Verá" (Record), de Luiz Vilela;
3º) "Nu, de Botas" (Companhia das Letras), de Antonio Prata, e "Um Solitário à Espreita (Companhia das Letras), de Milton Hatoum


Poesia
1º) "Bernini" (Demônio Negro), de Horácio Costa;
2º) "Jardim das Delícias" (Kelps), de Marcus Vinicius Quiroga; e
3º) "Ximerix" (Cosac Naify), de Zuca Sardan


Juvenil
1º) "Fragosas Brenhas do Mataréu" (Ática), Ricardo Azevedo;
2º) "As Gêmeas da Família" (Globo), Stella Maris Rezende;
3º) "Uma Escuridão Bonita" (Pallas), de Ondjaki


Infantil
1º) "Breve História de um Pequeno Amor" (FTD), de Marina Colasanti;
2º) Da Guerra dos Mares e das Areias" (Quatro Cantos), de Pedro Veludo; e
3º) "Poema que Escolhi para Crianças" (Moderna), de Ruth Rocha


Biografia
1º) "Getúlio (1930-1045)" (Companhia das Letras), de Lira Neto;
2º) "Wilson Baptista: O Samba Foi Sua Glória" (Casa da Palavra), de Rodrigo Alzuguir;
3º) "O Castelo de Papel" (Rocco), de Mary del Priore


Reportagem
1º) "1889" (Globo), de Laurentino Gomes;
2º) "Holocausto Brasileiro" (Geração Editorial), de Daniela Arbex;
3º) Um Gosto Amargo de Bala" (Civilização Brasileira), de Vera Gertel


Comunicação
1º) "Mídia e Política na América Latina" (Civilização Brasileira), de Carolina Matos;
2º) "Comunicação Ubíqua" (Paulus), de Lucia Santaella;
3º) "O Rosto e a Máquina" (Paulus), de Ciro Marcondes Filho


Tradução
1º) "A Anatomia da Melancolia" (UFPR), de Guilherme Gontijo Flores;
2º) "Antologia da Poesia Clássica Chinesa" (Unesp), de Ricardo Primo Portugal;
3º) "O Capital: Crítica da Economia Política, Livro 1" (Boitempo), de Rubens Enderle


Tradução do inglês
1º) "Vênus e Adônis" (Leya), de Alípio Correia de Franca Neto;
2º) "Contos da Cantuária" (Companhia das Letras), de José Francisco Botelho;
3º) "Ao Farol" (L&PM), de Denise Bottmann


Capa
1º) "A São Paulo de German Lorca" (Imesp), por Edson Lemos; "Graffiti Fine Art" (Sesi), por Raquel Matsushita; "Murphy" (Cosac Naify), por Paulo André Chagas



Ilustração
1º) "Brasil" (Empresa das Artes), por Meire de Oliveira;
2º) "Storyinhas" (Companhia das Letras), por Laerte; 

"Decameron" (Cosac Naify), por Alex Cerveny

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

15 de Outubro - Feliz Dia do Professor.


Delfim Netto explica o baixo crescimento do PIB com o baixo desemprego.

ANTONIO DELFIM NETTO, hoje na Folha de S. Paulo, explica o mistério do baixo crescimento do PIB com baixo desemprego.

É fato que a economia brasileira: 1) perdeu o vento de "cauda" da conjuntura mundial que a impulsionou de 2003 a 2010, mas mudou de direção em 2011, dificultando o seu crescimento; 2) tem um deficit em conta corrente insustentável de US$ 80 bilhões por ano (3,5% do PIB) devido ao uso da taxa de câmbio para controlar a inflação; 3) e sofre os inconvenientes da taxa de câmbio valorizada que são muito superiores aos seus eventuais benefícios na redução da taxa de inflação.
Esta continua a namorar o limite superior de tolerância da meta (6,5%), mas, obviamente, não está fora de controle e 4) por tudo isso, paga o preço de um crescimento minúsculo (talvez 1,7% ao ano em 2011-2014) que, pelo menos em parte, é responsável pela desconfortável situação fiscal, mas que está longe de ser apocalíptica.
Começamos a tomar consciência de que as desejadas políticas de inserção social, redução das desigualdades e ênfase no aumento da igualdade de oportunidades, ínsitas na Constituição de 1988, criaram uma modesta mas numerosa classe "média" em um mercado de 200 milhões de cidadãos. Para que elas continuem com sucesso, é preciso voltar a crescer com melhor equilíbrio. Seguramente esse é um problema menos difícil do que a quadratura do círculo com régua e compasso, mas está muito longe de ser trivial.
O que é, afinal, esse fenômeno a que damos o nome de desenvolvimento? É apenas o codinome do aumento da produtividade do trabalho. Ele depende de muitas coisas: do tratamento e dos estímulos dados a cada trabalhador e aos empresários, do ambiente de trabalho, da disposição de cooperação efetiva de cada um no processo global etc.
 Mas depende de duas condições necessárias (ainda que não suficientes): 1) é preciso alocar a cada trabalhador um volume crescente de capital físico (por exemplo, trocar um arado puxado a boi por um trator) que incorpore ganhos tecnológicos e 2) é preciso dar a cada trabalhador a capacidade, isto é, o preparo técnico, para tirar proveito da sofisticação do estoque de capital que lhe é alocado.
Simplificando: desenvolvimento econômico = aumento da produtividade da mão de obra = mais capital físico com sofisticação crescente para cada trabalhador associado ao seu preparo técnico para operá-lo.
Como fazer isso sem a cooptação dramática do setor privado depois que a política de inclusão empregou toda a mão de obra com pequenas habilidades e baixa produtividade, logo, com baixos salários (o que explica o "mistério" do baixo crescimento do PIB com baixo desemprego)?
A resposta cabe aos dois candidatos.