terça-feira, 21 de julho de 2015

Formação docente.

Para os docentes de plantão, o editorial da Folha de S. Paulo de 20/07/2015 considera positiva a nova resolução do CNE visando melhorar o nível dos professores brasileiros.  

O Conselho Nacional de Educação (CNE) editou neste mês uma bem-vinda resolução com vistas a aprimorar a formação em nível superior dos professores brasileiros.
O documento define diretrizes curriculares nacionais para os cursos de licenciatura, de formação pedagógica para graduados e de segunda licenciatura.
Estabelece, por exemplo, que o tempo mínimo de estudos para quem quiser seguir a carreira docente na educação básica será de 3.200 horas, e não mais de 2.800. Os cursos passarão dos atuais três anos para quatro, com um aspecto alvissareiro: haverá um acréscimo de atividades destinadas a reforçar a experiência do futuro mestre.
Verdade que as novas orientações não se aplicarão a todos os professores, já que basta o ensino médio para lecionar até o 4º ano (antiga 3ª série). Ainda assim, dos 2,2 milhões de docentes da educação básica, 76% têm formação superior (cerca de 1,7 milhão); destes, 89% fizeram cursos de licenciatura (aproximadamente 1,5 milhão).
Mantida essa proporção, a maioria dos novos docentes encontrará seus alunos com um preparo mais adequado para a realidade das escolas –ao menos é o que se espera.
Embora sobejem debates sobre educação, faltam discussões aprofundadas a respeito do que se passa dentro da sala de aula.
Docentes, no Brasil, em geral descobrem apenas no exercício do magistério quão difícil é lidar com turmas grandes e heterogêneas, nas quais a indisciplina grassa. Sem recursos técnicos, sofrem para conquistar os alunos – o que talvez ajude a explicar por que se perde tanto tempo para conseguir dar início à aprendizagem.
A resolução do CNE ainda aponta o caminho correto ao defender planos de carreira e condições que assegurem jornada de trabalho "com dedicação exclusiva ou tempo integral a ser cumprida em um único estabelecimento", além de reservar um terço da carga horária a atividades pedagógicas extraclasse.

Não se trata da primeira medida concebida com o propósito de conduzir o sistema de ensino do Brasil a um patamar mais elevado. O mínimo que se espera é que, ao implantar as novas diretrizes, o Ministério da Educação tenha aprendido com os erros anteriores.

domingo, 19 de julho de 2015

Economia brasileira: Joaquim Levy hoje na Folha de S. Paulo.



Folha - O debate do momento na área econômica do governo é se a meta fiscal será ou não reduzida. O sr. concorda com a redução defendida pela ala política e pelo Planejamento?
Joaquim Levy - Não tem flá-flu. Os observadores às vezes têm uma ilusão. É importante as pessoas não terem essa ilusão. As pessoas pensam: "Ah, então baixou a meta porque acabou o ajuste". Na verdade, se tiver de baixar a meta, é porque o ajuste tem de continuar, se aprofundar.

Reduzir a meta é sinal de que teremos de fazer mais ajuste?

Essa é uma construção lógica. Pode ter aplicação empírica ou não, mas do ponto de vista lógico você acertou 100%. Exatamente o raciocínio é esse. O resto é um raciocínio equivocado.

O sr. quer dizer que, quanto mais tempo demorar a conclusão do ajuste, mais tempo a economia vai sofrer?
Sem dúvida nenhuma, mais caro vai ser.

Mas o próprio mercado já trabalha com uma meta menor, na casa de 0,8% do PIB.
A questão não é se é a favor ou contra, é entender que redução de meta é a sinalização de que o ajuste não acabou, precisa de mais ajuste. Que precisamos acabar o ajuste todo o mundo sabe, está empacado lá por essa questão de base [aliada no Congresso].

Setores do governo e do PT reclamam que o ajuste é exagerado e está parando a economia. O sr. concorda?
Não estamos fazendo um ajuste colossal. A fraqueza da economia vem de incertezas, indefinições, de o ajuste não estar completo. As empresas estão reticentes. Se a pessoa não sabe quanto tempo vai demorar o ajuste, ela não tem condições de tomar decisões. Não tomando decisões, diminui o investimento, diminuindo a capacidade da economia.
Todo o mundo está retraído. Vou comprar um carro? Melhor não, não sei o que vai acontecer, não sei quando o ajuste vai acabar. Aí está a discussão da meta, mas as pessoas devem entender que, se você baixa a meta, é porque não está conseguindo alcançar certos objetivos.

E abandonam-se os objetivos?
Não, porque temos de reduzir a dívida. Ela melhorou um pouco porque você deixou de fazer gastos parafiscais [concessão de subsídios por meio de empréstimos do BNDES]. Vamos ver se a receita melhora, estamos tomando outras medidas.

Quais? O comportamento da receita até junho indica que, sem elas, fica impossível atingir a meta de 1,1% do PIB.
A meta não sou eu quem decide, é o Congresso, ele aprova e nós cumprimos. A gente está tomando algumas medidas para levantar receitas, que ajudam a economia.

Por exemplo?
O trabalho que estamos fazendo na [abertura do capital da] Caixa Seguridade pode dar um dinheiro para a gente, mas vai ajudar também a economia. O IRB [Instituto de Resseguros do Brasil], devemos anunciar brevemente o IPO [lançamento inicial de ações].

O que mais?
O leilão da folha de pagamento do setor público. A cobrança de R$ 70 bilhões que estavam parados no Carf [Conselho Administrativo de Recursos Fiscais].

O sr. defende a manutenção de 1,1% do PIB?
Não defendo nada, esse é um problema do relatório [do Congresso].

Pode ter mais corte para cumprir a meta?
Depende de a receita não comportar o cumprimento da meta. Assim reza a lei, aí temos 30 dias para o ajuste.

O senador Romero Jucá [PMDB-RR] vai propor reduzir a meta para 0,4%.
Você pode fazer o cálculo do que isso significa em termos de tempo adicional do ajuste? Não sei quanto. Tem de ver também o que significa na dinâmica da dívida.

A nova previsão oficial é de retração de 1,5% do PIB, mas dentro do próprio governo há o temor de que a piora da crise política aprofunde mais a recessão. Qual a sua previsão?
Nas outras crises, em 2009, você tinha um colchão. O problema é que você gastou o colchão nos últimos dois a três anos. Não há espaço para política anticíclica. Por isso as pessoas ficam assustadas com a atividade caindo mais do que o esperado. Temos de lidar com essas coisas. Se lidar, não dói tanto. Se não lidar, poderá vir a doer.

Se não lidar, a recessão bate em 2%?
Acho que não, tem uma outra coisa sutil. Tomamos algumas medidas importantes, mudamos os preços relativos, incluindo o próprio câmbio, e essas coisas têm um efeito salutar na economia, que a princípio não se nota.
Parte do que se está sentindo de dor agora é consequência desse rearranjo, mas ele tem um pendor de ir fortalecendo aos poucos a economia.
O dólar está um pouco diferente e as empresas começam a pensar seriamente em exportar. Quanto mais rápido o ajuste, a economia naturalmente se reorganiza. O ajuste fiscal ficou um pouquinho para trás, não está ajudando a completar o efeito do ajuste dos preços. Se fizermos alguma coisa mais estrutural, os cenários assustadores não vão acontecer.

O que é o cenário assustador? Queda de 2%?
Este que você está falando.

Concorda com a banda fiscal proposta pelo Planejamento?
Por falha minha não conheço a proposta, então não vou falar de algo que não sei.

A Moody's vai rebaixar a nota brasileira?
Nada é certo, você é dono do seu futuro.
Se a gente não conseguir fazer o ajuste, fica mais provável. Se fizer, é mais provável que não. Então, depende do que formos fazer.

O Congresso aprovou muitas medidas que podemos classificar de bombas fiscais. Ele está muito irresponsável?
O Congresso reflete o que ele entende ser alguns desejos. Tem procurado alcançar uma pauta ampla, que vai muito além da economia.
Na área econômica, algumas coisas andam mais fácil, outras demoram um pouquinho mais, até talvez pela incerteza.

A crise política se agravou e voltaram a falar de um eventual impeachment da presidente. O que o sr. acha disto?
Em que bases haveria um impeachment? Não vejo.

Parece um debate meio descolado. Com base em quê? Até agora não consegui ver bases para isso. Não tem nenhuma acusação contra ela que possa justificar um impeachment.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Omar Sharif: morre uma lenda.



O ator egípcio Omar Sharif mundialmente conhecido pelos trabalhos em "Doutor Jivago" e"Lawrence da Arábia", morreu nesta sexta-feira aos 83 anos no Cairo. O artista, que se afastou há vários anos da vida pública, sofria de Alzheimer.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Thomas Piketty et al, Angela Merkel e a Grécia em 2015.

Direto do site The Nation:

The never-ending austerity that Europe is force-feeding the Greek people is simply not working. Now Greece has loudly said no more.

As most of the world knew it would, the financial demands made by Europe have crushed the Greek economy, led to mass unemployment, a collapse of the banking system, made the external debt crisis far worse, with the debt problem escalating to an unpayable 175 percent of GDP. The economy now lies broken with tax receipts nose-diving, output and employment depressed, and businesses starved of capital.

The humanitarian impact has been colossal—40 percent of children now live in poverty, infant mortality is sky-rocketing and youth unemployment is close to 50 percent. Corruption, tax evasion and bad accounting by previous Greek governments helped create the debt problem. The Greeks have complied with much of German Chancellor Angela Merkel’s call for austerity—cut salaries, cut government spending, slashed pensions, privatized and deregulated, and raised taxes. But in recent years the series of so-called adjustment programs inflicted on the likes of Greece has served only to make a Great Depression the likes of which have been unseen in Europe since 1929-1933. The medicine prescribed by the German Finance Ministry and Brussels has bled the patient, not cured the disease.

Together we urge Chancellor Merkel and the Troika to consider a course correction, to avoid further disaster and enable Greece to remain in the eurozone. Right now, the Greek government is being asked to put a gun to its head and pull the trigger. Sadly, the bullet will not only kill off Greece’s future in Europe. The collateral damage will kill the Eurozone as a beacon of hope, democracy and prosperity, and could lead to far-reaching economic consequences across the world.

In the 1950s, Europe was founded on the forgiveness of past debts, notably Germany’s, which generated a massive contribution to post-war economic growth and peace. Today we need to restructure and reduce Greek debt, give the economy breathing room to recover, and allow Greece to pay off a reduced burden of debt over a long period of time. Now is the time for a humane rethink of the punitive and failed program of austerity of recent years and to agree to a major reduction of Greece’s debts in conxjunction with much needed reforms in Greece.

To Chancellor Merkel our message is clear; we urge you to take this vital action of leadership for Greece and Germany, and also for the world. History will remember you for your actions this week. We expect and count on you to provide the bold and generous steps towards Greece that will serve Europe for generations to come.

Sincerely,

Heiner Flassbeck, former State Secretary in the German Federal Ministry of Finance

Thomas Piketty, Professor of Economics at the Paris School of Economics

Jeffrey D. Sachs, Professor of Sustainable Development, Professor of Health Policy and Management, and Director of the Earth Institute at Columbia University

Dani Rodrik, Ford Foundation Professor of International Political Economy, Harvard Kennedy School

Simon Wren-Lewis, Professor of Economic Policy, Blavatnik School of Government, University of Oxford. 

domingo, 5 de julho de 2015

FHC: A responsabilidade das oposições.

Hoje, domingo, é dia de ler Fernando Henrique Cardoso:  

Diante da paralisia governamental, da expansão incontrolada da ação legislativa, da recessão econômica e do ativismo da Justiça, vê-se muita cobrança: e as oposições e o PSDB? Sumiram? Que farão com os mais de cinquenta milhões de votos que receberam?

Compreende-se a angústia, mas é preciso distinguir os papéis da oposição e os do governo. Como no jogo de xadrez, o governo joga com as pedras brancas, as iniciativas têm que partir dele. Tomou algumas no desespero, para enfrentar as agruras financeiras. Ao tomá-las, foi buscar quadros e medidas no arsenal da oposição. Quer isso dizer que a oposição deve ficar paralisada? Não. Política econômica é questão de dosagem e de credibilidade. A dose parece excessiva, e todo esforço fiscal pode se esvair na falta de atividade econômica que encolhe a arrecadação. Segundo, sem um horizonte de esperança, qualquer ajuste pode ser letal. Com este governo não há recuperação de credibilidade à vista, pois o cristal se quebrou. E os escândalos de corrupção revelados diariamente se encarregam de corroer qualquer elo de confiança que o governo queira tecer.

Cabe às oposições mostrar no dia a dia, e não só no Congresso, que o sofrimento do povo é consequência da ação desatinada dos governos de Lula e Dilma — da dupla, e não só da última —, que desdenharam das boas práticas de gestão do Estado. Só na Petrobras, os prejuízos causados por decisões erradas para atender a pressões políticas chegam a R$ 34 bilhões, fora os R$ 6 bilhões de propinas! Que dizer do desrespeito sistemático à Lei de Responsabilidade Fiscal? É prova de imprudência no uso do dinheiro público.

É preciso reavivar a memória do povo, a cada instante, para mostrar que este ajuste violento não corresponde ao que foi pregado pelo PSDB, não é “o que o Aécio faria”. O ajuste vai cair nos ombros da população. O aumento de impostos pega todos, empresários e consumidores, desemprego e reajustes salariais abaixo da inflação pegam os trabalhadores. A alta das taxas de juros em doses excessivas aumenta a dívida pública e dificulta o próprio ajuste. Estas medidas podem eventualmente controlar a inflação, mas reduzem a massa salarial e diminuem o consumo. Como o governo não corta despesas, a retomada do crescimento — se houver — terá sido conseguida a enorme custo para o povo.

O refrão das oposições deve ser: chegamos a tais medidas e ao descalabro atual porque os governos “lulo-petistas” foram irresponsáveis, não se preocuparam em controlar o gasto público e enganaram o povo, enveredando pela megalomania. Os royalties do pré-sal, diziam, vão resolver os problemas da Educação, faremos ao mesmo tempo o trem-bala, a transposição do São Francisco, a Norte-Sul e a Transnordestina, sem falar nos 800 aeroportos! Concessão de serviço público é coisa de vende-pátria neoliberal. Daremos empréstimos no Fies e no Minha Casa Minha Vida, as bolsas acomodarão os miseráveis, e o BNDES dará subsídios em abundância aos empresários. O Tesouro pagará a farra.

Tanto pior, melhor? Não. Anotada e registrada a responsabilidade política do petismo, as oposições, em particular o PSDB, têm compromissos com a nação. Nada justifica arruinar ainda mais o futuro, votando pela derrubada do fator previdenciário. Nada explica apoiar aumentos de gasto que no futuro serão pagos com mais impostos, mais inflação e mais ajustes. Em suma, a oposição deve criticar as políticas petistas, e não se confundir com elas. Não deve, porém, votar contra os interesses da nação.

Espera-se mais das oposições. Espera-se que apresentem sua visão de futuro, apontando um rumo ao país. Espera-se que se comprometam com a construção de uma economia de baixo carbono, impulsionada pela inovação, regida por regras claras e estáveis, com agências regulatórias independentes, mais e melhor integrada ao mundo e às cadeias globais de valor. Espera-se que defendam a reindustrialização do país, sem hesitar na crítica a políticas canhestras de conteúdo nacional que, sob a pretensão enganosa de estimular a produção local, acabam por isolar o Brasil e condená-lo à obsolescência tecnológica. Espera-se que façam da Educação não um slogan, mas de fato uma prioridade do Estado e da sociedade, que tenham a coragem de dizer que, embora avançando, o Brasil está ficando para trás em relação a países comparáveis ao nosso, que, frente à sombra que esse quadro projeta sobre o futuro do país, não receiem enfrentar dogmas e pressões corporativas que dificultam reformas e inovações indispensáveis a um salto de qualidade em matéria de Educação.

Espera-se das oposições que sejam progressistas também no campo comportamental: que não defendam a redução da maioridade penal, mas, sim, a extensão da pena dos menores infratores em dependências que sejam condizentes com a dignidade humana; que apoiem como legítimo e justo o casamento entre pessoas do mesmo sexo; que não fujam ao debate sobre as drogas, que não temam proclamar que o encarceramento dos usuários é parte do problema, e não da solução; que sejam assertivas na luta pela igualdade de gênero e contra o preconceito e a discriminação racial, com o uso adequado de cotas e demais medidas compensatórias; e que não aceitem retrocessos legais na questão das terras indígenas.

Espera-se das oposições, sobretudo, que reafirmem seus valores democráticos. Que digam, em alto e bom som, ser possível e necessário atuar contra a deliberada violação de direitos humanos, principalmente em países vizinhos, sem com isso ferir o princípio da não intervenção.


Da mesma maneira, espera-se que reiterem não ter o propósito antidemocrático de derrubar governos, mas tampouco o temor de cumprir seus deveres constitucionais, se os fatos e a lei assim o impuserem.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

A energia brasileira em 2015.

Há 2 anos, Dilma cortou em 20% o preço da energia. 
Resultados? 
Menos lucros, investimentos e energia, que hoje custa 2x.
Fonte: Ricardo Amorim.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

A agenda de Obama.

Para hoje, na agenda do Presidente Barack Obama:

The President hosts a working dinner with President Rousseff of Brazil; the Vice President also attends.
Blue Room
Closed Press


Qual a repercussão desta notícia no noticiário internacional?

John Maynard Keynes - The Universal Man.



Previsões economia brasileira para 2015.

Novamente o boletim Focus do Banco Central desta semana mostrou uma piora das expectativas do mercado em relação à atividade econômica.

Abaixo os principais números:

  • PIB: o consenso do mercado para 2015 recuou de (-) 1,45% para (-) 1,49%.
 
  • Inflação: o IPCA de 2015 passou de 8,97% para 9,00%.
 
  • A Taxa Selic continuou apontando para a taxa básica de juros em 12,00%.
 
  • A Taxa de Câmbio de fechamento de 2015 seguiu em R$3,20/US$.



Enquanto isso, o mundo político continua em mais uma semana com alto teor de crises...    

domingo, 28 de junho de 2015

A setback in Brazil.

Just a couple of years ago, it was widely concluded that Brazil had finally overcome the decades-old gibe about the world’s fifth-largest country: that it would always be “the country of the future.” Exports, particularly to Asia, were booming; a middle class was filling in the once-polarizing gap between the very rich and very poor; and huge offshore oil discoveries appeared to ensure yet another economic acceleration. In seeming confirmation of its new status, Brazil was chosen to host both soccer’s World Cup last year and the 2016 Olympics.
The Rio de Janeiro games are still a year away, but already Brazil’s bubble appears to have burst. The economy is mired in a deepening recession, thanks to the drop in oil and other commodity prices. The state oil company,Petrobras, has triggered the biggest corruption scandal in the country’s history, with dozens of businesspeople and more than 50 members of Congress implicated in some $2 billion in kickbacks. Investments in the vaunted new oil fields have been cut back, even as Brazilians fume over the billions spent on new stadiums.
Most troubling, the setbacks have triggered a crisis for Brazilian democracy, which has flourished in the 30 years since a military government yielded power. Leftist President Dilma Rousseff, who is due in Washington next week for a long-delayed official visit, eked out reelection in October after claiming that her more conservative opponent would surrender to the dictates of bankers and the International Monetary Fund. Now, with Brazil’s credit rating in danger, Ms. Rousseff is imposing the same austerity measures typically favored by the IMF, including cuts in energy subsidies.
Meanwhile, allegations of corruption are pending against dozens of members of Ms. Rousseff’s party, including its treasurer, in connection with the Petrobras scandal. The heads of two huge construction firms, including the largest in Latin America, were arrested June 19. Two days later, a poll showed the president’s popularity had dropped to a record low of 10 percent. The Post’s Dom Phillips reported Ms. Rousseff has stopped appearing on television for fear she will only inspire more anti-government protests.
The president now faces the challenge of surviving in office, and attempting to govern, for another three-and-a-half years. It won’t be easy: She has seen much of her power effectively stripped away by congressional leaders, who diluted some of her austerity measures. Ms. Rousseff’s Workers’ Party objects to her economic corrections, which partly reverse her statist course during her first term.
But Brazil needs more liberalizing reforms. Petrobras’s corruption was in large part the product of Ms. Rousseff’s misguided policies, such as trying to restrict its suppliers to Brazilian firms. The president made much of $53 billion in investment deals she announced with visiting Chinese Premier Li Keqiang last month, including $7 billion in fresh financing for Petrobras. But to get back on track, Brazil needs not just checks from Beijing, but also the removal of disincentives for private domestic and foreign investment. Without it, Brazil’s future will remain on hold.

domingo, 21 de junho de 2015

Contradições trabalhistas e econômicas.

Recente estudo da consultoria de recrutamento Michael Page prevê que neste 2015 55% dos líderes de RH afirmaram ter planos de contratação para os próximos 12 meses, sendo que 63% dessas contratações serão de substituições.

Enquanto isso, o mesmo estudo revela que 76% dos entrevistados querem mudar de empresa nos próximos seis meses.

Conclusão: as empresas vão contratar pouco e os funcionários querem sair.


E isso, com a economia brasileira no hospital...

Fonte: Revista VOCÊ S/A.

sábado, 20 de junho de 2015

A economia brasileira de Reinaldo Azevedo.

Reinaldo Azevedo é um crítico do governo Dilma e de tudo que ele avalia incorreto. No entanto, é dono de um estilo de texto que acorda qualquer leitor e enxerga muito bem o que virá por aí. Como economista, sinto-me na obrigação de divulgar um recente post do mesmo sobre a atual situação econômica brasileira. 

Por onde começar? Todos os indicadores econômicos — todos, sem exceção — estão piores do que esperava o mercado. Não há uma boa notícia na economia nem para fazer remédio. 

Vamos ver.

1: Segundo o Caged (Cadastro Geral de Empregos e Desempregados), o país fechou 115 mil vagas formais de trabalho em maio, o pior número desde 1992 — em 23 anos! Entre janeiro e maio, desapareceram 243.948 postos. No acumulado de 12 meses, 452 mil.

2: Dados do IBC-Br, um índice que é considerado uma prévia do PIB, divulgados pelo Banco Central, indicam que o país registrou uma queda de 0,84%, bem pior do que o 0,4% esperado pelo mercado. Em relação a abril do ano passado, a atividade despencou 3,24%. Isso aponta para uma recessão acima de 2% em 2015.

3: Bem, com a recessão em curso e os juros já na estratosfera, a inflação poderia estar em queda, certo? Ainda não. A prévia de junho, na comparação com maio, aponta uma alta de 0,99%. Em 12 meses, a taxa está em 8,8%.

Pode parecer impressionante, mas eles conseguiram chegar ao estado da arte da incompetência: recessão severa, juros brutais e desemprego tendente a cavalar.


Não pensem que isso se consegue sem determinação. Só se chega aí com muita imodéstia.

Brasil: com o desastre econômico que fechará 2015, esperamos um bom 2016.

Todas as expectativas para 2015 sinalizam que a economia brasileira chegará ao fundo do poço, conforme alguns indicadores relacionados abaixo - base junho:

  • O PIB fechará 2015 em quase 2% "negativo".
  • A taxa de desemprego atingirá quase 7% ao ano.
  • A inflação medida pelo IPCA estará próximo a 9% ao ano.
  • Quanto a taxa Selic, estima-se que 15% não será novidade.
  • A taxa de câmbio será R$ 3,20/US$ e, então, teremos menos brasileiros em NYC.
  • E o governo? Bem, continuará seus gastos, fazendo com que o resultado primário do setor público resulte em R$ 32 bilhões “negativos”.


Isso posto, que chegue logo o ano de 2016.  

Alexandre Tombini: Nos 50 anos do BACEN, o que ele pensa sobre regime de metas para a inflação.

Há várias razões para o sucesso do regime de metas para a inflação na crise:

· Os bancos centrais descobriram que o regime de metas é realmente útil para passar mensagens claras para o público sobre a necessidade e as condições para a adoção de medidas não convencionais.

· Além disso, as metas para inflação contribuíram para a ancoragem das expectativas de inflação, mantendo afastado o risco de deflação apesar dos significativos hiatos de produto que vigoraram no pico da crise. 

· As novas propostas de regimes de política monetária sofrem de uma série de deficiências práticas. Elas são demasiado complexas para o entendimento e acompanhamento do público. E metas para o PIB nominal dependem muito de uma variável não observável, o crescimento potencial do PIB.


· Por fim, a alteração do regime, ou mesmo apenas a elevação da meta, no meio da crise, punha em risco a credibilidade que os bancos centrais haviam angariado anteriormente sob o regime de metas. 

quinta-feira, 18 de junho de 2015

University of São Paulo - USP.

Editorial da FOLHA DE S. PAULO e uma ótima notícia. 
A USP deu um pequeno passo que poderá revelar-se precedente de consequências gigantescas para o relativo isolamento do meio universitário brasileiro: autorizou suas primeiras disciplinas de graduação em língua estrangeira. A licença vale só para matérias optativas, mas já é um começo.
Não que a principal instituição superior do país não mantivesse contatos e vínculos com o exterior. Ela nasceu como universidade, em 1934, com a contribuição inestimável de uma missão francesa composta de jovens intelectuais que ganhariam projeção mundial, como o antropólogo Claude Lévi-Strauss (1908-2009) e o historiador Fernand Braudel (1902-1985).
Não foram poucos, desde então, os catedráticos estrangeiros que ajudaram a formar brasileiros. Tampouco era incomum, até o final do século 20, que pesquisadores nacionais cursassem a pós-graduação em países avançados (hoje em dia é mais usual obter mestrado e doutorado no Brasil).
O caminho inverso, no entanto, costuma ser pouco trilhado. A USP atrai escassos estudantes além-fronteiras, em especial para os cursos de graduação: apenas 1.440, segundo registro de janeiro, aí incluídos todos os que afluíram a ela por meio de convênios.
Há na instituição paulista 55.451 alunos, de modo que a parcela de estrangeiros na graduação corresponde a meros 2,6%. Em universidades verdadeiramente internacionalizadas, como a americana Harvard, essa proporção chega a 11%.
Até a recente autorização, uma matéria só poderia ser oferecida na USP em inglês, por exemplo, se apresentada também, simultânea e inviavelmente, em português.
Agora, alunos brasileiros e estrangeiros passam a ter a opção de cursar ao menos algumas disciplinas em outra língua. Para os nacionais, surge a oportunidade de familiarizar-se com o vocabulário técnico e conceitual de sua área de especialidade em outro idioma.
Para atrair estudantes do exterior, contudo, ainda é pouco. A USP deveria considerar o exemplo da Fundação Getulio Vargas (FGV), que anunciou um curso de administração todo ele dado em inglês.
Esse passo mais ousado serviria ainda para fazer a USP ganhar pontos em rankings internacionais que valorizam tais iniciativas.

O principal benefício, porém, viria da volta dos formandos para os países de origem. Os vínculos aqui criados favoreceriam a inserção da USP em redes mundiais de pesquisa e o enraizamento de sua boa reputação em solo estrangeiro.

domingo, 7 de junho de 2015

Delfim Netto e a economia brasileira.

O economista Antonio Delfim Netto, hoje, na FOLHA DE S. PAULOLeia a seguir trechos da entrevista.

Folha - Qual é a sua avaliação sobre o ajuste fiscal?
Antonio Delfim Netto - O ajuste fiscal é necessário. No ano passado, ocorreu uma deterioração fiscal muito profunda. Até dezembro de 2013, a situação era desagradável, mas não tinha gravidade. O desequilíbrio de 2014 foi deliberadamente produzido para a reeleição e atingiu seu objetivo. O PT tirou muito proveito disso, porque continuou com a maior bancada na Câmara. Era visível que precisava fazer um ajuste em 2015.

Houve estelionato eleitoral?
Não tenho dúvida, é um absurdo tentar negar. Dilma fez uma mudança na política econômica equivalente à de são Paulo na estrada de Damasco [Paulo se converteu ao cristianismo em viagem de Jerusalém a Damasco e se tornou apóstolo]. Essa é uma questão moral que abalou a credibilidade do governo, mas o importante é o conserto.

E esse conserto da economia vai no rumo certo?
O ajuste do Levy é bastante razoável. Na parte trabalhista, as reformas foram importantes e corrigiram distorções horrorosas [na concessão de pensão por morte e seguro-desemprego].
Aqui precisamos fazer um pouco de justiça ao Guido [Mantega, ex-ministro da Fazenda]. Ele fez essas medidas e queria que tivessem sido propostas em 2014. Quem não colocou em prática foi a presidente, porque o estrago eleitoral teria sido enorme.
Mas é claro que houve um equívoco na concessão de desconto na Previdência em 56 setores. A desoneração da folha de pagamento tinha lógica para o setor exportador. Agora será difícil voltar atrás.

Qual é o maior defeito do ajuste fiscal?
A rigor, o ajuste é mais eficiente quanto menos aumenta os impostos. Por maior que seja o viés ideológico, ninguém é capaz de dizer que o Estado é mais eficiente que o setor privado. Quando os impostos sobem, transferimos renda do setor privado para o governo. Ou seja, eleva a ineficiência e reduz o crescimento.

As medidas serão suficientes para o Brasil voltar a crescer?
O ajuste fiscal é apenas uma ponte para a retomada do crescimento. Com o protagonismo do Levy, o governo se afastou. No Ministério do Planejamento, estavam sendo avaliadas medidas concretas que não foram anunciadas. Só agora, em junho, que saiu a primeira medida que é o Plano Safra.

Mas o que governo pode fazer sem espaço para desonerações ou queda de juros?
Apresentar os projetos de concessões, o que só está previsto para esta semana. Flexibilizar o mercado de trabalho e se antecipar ao desemprego que está por vir, encontrando mecanismos para minimizar o custo social. Avançar na reforma do ICMS, que falta pouco para ser fechada.
O governo precisa dizer: eu existo. Propor programas factíveis que devolvam confiança a sociedade. Economia é só expectativa. Desenvolvimento é um estado de espírito. Nós vamos voltar a crescer. É preciso dar à sociedade um pouco mais de tranquilidade. Essa era a vantagem do Lula. O Lula é um promoter.

Por que o senhor acha que o governo se escondeu?
O início foi complicado, porque ficou muito visível a mudança da política econômica. Foi tão brutal que houve uma desintegração. Esse problema não é apenas econômico, mas também político. A correção de rumo não foi acompanhada pelo PT.
Sabe o que dizia Tancredo Neves? Quando a esperteza é muita, costuma comer o dono. O PT foi tão esperto que está sendo comido por sua esperteza. Vejo muita crítica ao PSDB, partido pelo qual não nutro a menor simpatia. Mas não dá para imaginar que o PT ia fazer um estrago danado e se beneficiar dele aumentando sua bancada, e depois o PSDB ia ser suficientemente idiota para aprovar as medidas.

Quanto tempo o senhor acha que a economia vai demorar para sair da recessão?
Essa recessão vai durar o quanto for necessário para recuperar a indústria. A indústria sofreu o efeito dramático da política cambial. Todos os estímulos foram incapazes de compensar o prejuízo de valorizar o câmbio para controlar a inflação. Nunca faltou demanda para produtos industriais. O que faltou foi demanda para produtos industriais feitos no Brasil.

As importações aumentaram, substituindo produtos brasileiros, e as exportações caíram. Agora isso começa a ser revertido com o novo patamar do câmbio. Sem resolver o problema da indústria, não vamos voltar a crescer.