domingo, 30 de novembro de 2008

LIVRE MERCADO - CAPITALISMO

Em 2003 os Professores da Universidade de Chicago Raghuram G. Rajam e Luigi Zingales publicaram nos Estados Unidos o livro “Saving Capitalism from the Capitalists”, lançado no Brasil em 2004, com o título "Salvando o Capitalismo dos Capitalistas". Na época, comprei o livro em Fortaleza e fiquei deveras interessado no tema devido na própria capa constar que os autores acreditam no poder do livre mercado para criar mais riqueza e ampliar oportunidades. (O que continua sendo verdadeiro).

Na introdução tem uma frase que sintetiza o pensamento de muita gente boa: “O CAPITALISMO, OU, MAIS EXATAMENTE, O SISTEMA DE LIVRE MERCADO, É A FORMA MAIS EFICAZ DE ORGANIZAR A PRODUÇÃO E A DISTRIBUIÇÃO QUE OS SERES HUMANOS ENCONTRARAM.” Gostaria muito de discutir o outro lado desse pensamento com quem acredita de maneira diferente, uma vez que, mesmo hoje, continuo acreditando e defendendo essa idéia.

Em 2008, final de ano, diante de uma crise que até o Nobel Paul Krugman já chama de “economia da depressão”, como teria sido importante que o texto do livro tivesse sido debatido entre quem faz e acontece na economia financeira e na real. Com clareza econômica acredito que teria sido possível evitar a atual situação, pois bolhas e mais bolhas tiveram como mecanismos de origens não obrigatoriamente o “livre mercado” como muitos hoje criticam, mas uma falha política.

ECONOMISTAS = SOLUÇÃO PARA A CRISE

Amigos da Globo, quero dizer, meus quase dois leitores, lendo alguns blogs de economia localizamos cada texto interessante que não dá para não deixar de divulgar para vocês. O texto abaixo tem muito a ver com a minha inquietação com a provocativa capa da última EXAME que recebi. Está lá para todos lerem: PARA QUE SERVEM OS ANALISTAS? E OS ECONOMISTAS? E OS GURUS DA ECONOMIA? A atual crise mundial escancara nossa incompetência em fazer previsões - e a imprudência do mercado em acreditar nelas.

Acredito que não é bem assim. A crise era previsível, foi detectada por vários colegas e tenho absoluta convicção que o capitalismo passa por mais essa em pouco tempo. E viva o livre mercado.

O texto é do Felipe Schwartzman: a vida dura dos economistas e foi postado no blog do Simon Schwartzman Economia. Êta família danada para entender de Economia. Para ver com o mundo além de plano, como escreve o Thomas Friedman, é pequeno, recordo que uns dois anos passados estava eu buscando entender um problema que estava ocorrendo em uma série temporal que estava analisando, quando via e-mail/orkut tive a colaboração do Felipe em indicar-me caminhos para solucionar meu problema. Hoje, leio seu crítico texto.

Escreve Felipe: É dificil ser economista. Responsabilizados por todos os males do mundo, vistos como pessoas materialistas que só se preocupam em contar dinheiro, de preferencia pagos pelos mais ricos para fazer isso. Acho que nenhuma carreira acadêmica consegue estar tão associada no olhar do público com tudo que está errado com a civilizacao ocidental. Isso tudo é verdade em tempos normais. Em tempos de crise, quando algum culpado tem que ser encontrado, nada melhor do que ir atrás dessa praga.

Neste contexto não existiria nada de surpreendente na declaração do presidente da CAPES se ele não fosse um dos principais responsáveis por gerir a política científica do governo. Além de todos os óbvios problemas desse dirigismo estatal e ameaça à liberdade acadêmica, chama atenção o grau de desinformação que o presidente apresenta acerca do que é o mainstream acadêmico em economia e como ele se relaciona com as políticas liberalizantes que, muitos acreditam, levaram à crise.

Vou conceder que o mainstream acadêmico favorece determinados tipos de visão do mundo. Os modelos são tão mais fáceis de usar quanto menor for o número de fricções que justificariam intervenções governamentais. Mais importante que isso, segmentos importantes e influentes da profissão são ideologicamente propensos a enfatizar soluções liberalizantes. Mas isso não é verdade do mainstream como um todo, e não foram poucos os pesquisadores das áreas de finanças e economia internacional que viram essa crise a caminho. A observação fundamental sobre o mainstream acadêmico da economia é que ele é grande. Uma reunião anual da American Economic Association reúne com facilidade milhares de economistas, todos eles com grau de qualificação e competência comparável ao dos melhores centros de economia deste país. Estes economistas trabalham em temas de uma diversidade enorme, muitos dos quais tem pouco ou nada a ver com regulação do sistema financeiro. Discutem (para ficar apenas nas áreas aplicadas), das relações de trabalho a decisões de consumo e poupança, passando por comércio internacional, saúde, macroeconomia etc. Todas essas discussões fazem uso crescente não só das muitas teorias sobre falhas de mercado, mas também de interfaces com política e psicologia.

Essa máquina produz um enorme volume de estudos empíricos e teóricos que são furiosamente debatidos e avaliados pelos pares. O contraste com a heterodoxia se faz não pela qualidade dos pesquisadores ou das teorias, mas pelo simples tamanho da empreitada e da força competitiva que a move. A existência continuada dessa máquina gerou instrumentos que vão permitir ao mainstream digerir essa crise e usá-la para alterar suposições que tenham informado a política anterior a ela. Acho inclusive que, especialmente em finanças e, em menor grau, em macro, importantes revisões serão feitas nos próximos dez anos. A crise dará para essas áreas o que a elas faltava, que eram exemplos recentes e salientes de como as coisas podem dar errado em grandes proporções sem que a culpa possa ser posta em governos obviamente incompetentes e instituições diferentes das americanas. Será uma discussão interessante de se fazer parte, e será uma pena se, por preconceito ideológico, os brasileiros que, pela nossa experiência, muito têm a contribuir, fiquem de fora.

Endereço: http://www.schwartzman.org.br/sitesimon/?p=904&lang=pt-br

sábado, 29 de novembro de 2008

REVISTA EXAME - BUFFETT

Como sugestão de um excelente presente de Natal, recomendo a recém-lançada biografia do megainvestidor WARREN BUFFET, com sua experiência de vida de 78 anos. Uma criança. Aqui no Brasil, o título original SNOWBALL foi traduzido literalmente como BOLA DE NEVE e estará nas livrarias a partir de 27 de novembro.

Do autor, divulgo TRÊS DIAMANTES obtidos de seu novo livro para o nosso prazer:

1 - "Siga seu placar interno."

2 - "É loucura colecionar empregos apenas porque eles parecem bonitos em seu currículo. É como adiar o sexo para a velhice. Faça o que você ama e trabalhe para quem você admira."

3 - "A melhor maneira de tomar decisões é pensar que você poderá dar apenas 20 cartadas importantes em toda a sua vida. Você resistirá à tentação de vacilar e tomará decisões melhores."

Para a nossa reflexão, sempre, porém, ainda mais importante, neste final de 2008.

REVISTA EXAME - INTERNET

Segundo estimativas do BlogBlogs, o maior indexador de BLOGS em língua portuguesa, hoje mais de 12.300.000 brasileiros já lêem os cerca de 2.000.001 de BLOGS existentes no país. Esse final nº 1 foi por minha conta.

Que notícia boa saber que tanta gente escreve e, melhor ainda, que muita gente ler. Como a internet conseguiu mudar tanta coisa no mundo. E que venham mais leitores, principalmente para este blog, editado aqui diretamente do interior da floresta amazônica.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

EXISTE MILAGRE NO SOCIALISMO

Esta eu não poderia deixar de publicar. Li no blog do Rodrigo Constantino - http://rodrigoconstantino.blogspot.com/ e é exclusiva para os herdeiros do socialismo.

Os Seis Milagres do Socialismo - Por Bennett Owen:

  1. Não há desemprego, mas ninguém trabalha;
  2. Ninguém trabalha, mas todos recebem salários;
  3. Todos recebem salários, mas não há nada para comprar com o dinheiro;
  4. Ninguém pode comprar nada, mas todos são donos de tudo;
  5. Todos são donos de tudo, mas ninguém está satisfeito;
  6. Ninguém está satisfeito, mas 99% do povo vota pelo sistema.

Por favor, quem atualmente ainda continua favorável ao socialismo que existe/existiu, vá morar alguns anos em países herdeiros e depois façam um relato da ótima situação que vivenciaram. Pago para ler os relatos...

terça-feira, 25 de novembro de 2008

ESTADOS UNIDOS - ANÁLISE MACROECONÔMICA

Muito interessante a análise realizada pelo Gino Olivares, Economista-chefe do Opportunity, sobre o desempenho da economia norte-americana. Sua demonstração do que vem ocorrendo com a DDP - Demanda Doméstica Privada desde 1971, esclarece a explosão acentuada no consumo nos últimos anos alicerçada em empréstimos "furados", o que resultou na atual situação de crise e que, obrigatoriamente, deverá reduzir/vem reduzindo drasticamente o consumo deles, o que resulta em prejuízo no "resto do mundo.

A íntegra do comentário está no endereço http://www.opportunity.com.br/documentos/PDF_Comentario/cm200811.pdf

UM NOBEL NA CASA BRANCA

Esta notícia eu li no blog Freakonomics, porém estou postando a matéria que saiu no blog da Economist. E a foto consegui diretamente no site da White House. Depois de oito anos sendo duramente criticado por Paul Krugman, como Bush consegue rir numa hora dessas? Estranho também eu não ter lido este assunto aqui nos jornais brasileiros. A foto foi tirada em 24/11/08 no Salão Oval.

SO, PERHAPS you recall that economist Paul Krugman recently won the Nobel Prize? Well, new Nobelists are afforded the honour of a meeting with the president, and at right, you can see Mr Krugman enjoying his day in the Oval Office. Why is this hilarious? Because Mr Krugman has a part-time job as a New York Times opinion columnist, a platform he's used to relentlessly skewer the Bush administration in the harshest of langauge for a decade now.

This is none of that inside-the-Beltway, knowing criticism, of the sort that can pass between men who will later share a drink at a Washington bar. It's a blistering, white hot rage. Not for nothing did pundits on the right call Mr Krugman's award an overtly political thing (conveniently, or ignorantly, misunderstanding his economic contributions).

But for all Mr Krugman's frustrations, he now gets to waltz into the White House to be congratulated on his Nobel by his chief antagonist, who now leaves the presidency in disgrace, his party in tatters.

So, like, what do you think they talked about?

domingo, 23 de novembro de 2008

O GOVERNO DOMADOR DE CRISE

Aqui no Brasil, nem a visão do que vem acontecendo nos Estados Unidos, na Europa e no Japão, são capazes de refrear o "otimismo" dos nossos grandes gestores econômicos.

De nosso Ministro da Fazenda, Guido Mantega: "Aqui, não existem bolhas. Ocorrerá apenas uma desaceleração no ritmo da elevação da renda e do emprego. Vai haver algum ajuste na economia, mas o consumo continuará num patamar satisfatório."

Do nosso presidente do Banco Central, Henrique Meirelles: "O Brasil vai ter uma desaceleração no ano que vem no crédito e, em consequência, na atividade geral, mas em ritmo menor que o de muitos países."

Que os anjos digam AMÉM. E que a DESACELERAÇÃO de ambos não seja, ao final, uma CRISE.

UMA BREVE HISTÓRIA DO MUNDO

Fiquei curioso que há quase um ano o livro "UMA BREVE HISTÓRIA DO MUNDO", do Professor de Harvard Geoffrey Blainey, encontra-se entre os mais vendidos no Brasil. A curiosidade foi maior e, afinal, agora estou lendo o texto desse autor.

E uma verdade seja dita: o sucesso dele, autor de mais de 32 livros, sendo o acima citado um bestseller na Inglaterra e nos Estados Unidos, está na maneira de escrever. É prazeroso, agradável e de fácil entendimento (em que pese a tradução um pouco deficiente), o que me leva a acreditar que nem sempre quem escreve difícil, traz o melhor para o leitor.

OS MELHORES MBAs DO BRASIL - 2008

Divulgo abaixo a relação dos quatro melhores MBAs do Brasil, conforme a última VOCÊS/A:

  1. FGV EAESP - SÃO PAULO
  2. FUNDAÇÃO DOM CABRAL - MINAS GERAIS
  3. FIA - SÃO PAULO
  4. IBMEC - SÃO PAULO

Parabéns a todos e que o conhecimento produzido consiga melhorar a pouca produção internacional do Brasil nos rankings acadêmicos.

MÍRIAM LEITÃO E UMA ESCOLHA DE OBAMA

Há bastante tempo acompanho os textos de Míriam Leitão, o que é um prazer na maioria das vezes. Gostaria de compartilhar com meus quase dois leitores seu comentário sobre uma das mais importantes escolhas de OBAMA, se não a mais importante no atual momento de crise, que é a do Secretário do Tesouro.

Geithner: a melhor escolha para o Tesouro A imprensa dos Estados Unidos está informando que o presidente eleito Barack Obama convidou o presidente do Fed de Nova York, Timothy Geithner, para o cargo de secretário do Tesouro (leia, em inglês, a reportagem do Wall Street Journal). Foi a melhor escolha que Obama poderia ter feito entre os nomes que estavam circulando. Geithner é jovem, é ligado ao novo presidente e tem experiência nesta crise, pois preside o Fed de Nova York. Uma crítica que lhe foi feita, inclusive, foi de ser muito próximo ao pacote republicano de US$ 700 bilhões, mas a vantagem de ter alguém que já sabe o que fazer no primeiro dia é inegável.

O fato de Geithner estar no olho do furacão da crise, por ser presidente do Fed de NY, lhe dá a experiência imediata. Ele ajudou a fazer o trabalho de apagar o incêndio desta crise. Além disso, ele é uma pessoa diretamente ligada a Obama e uma aposta do presidente eleito dos EUA. Os dois mantiveram grande contato durante a campanha presidencial e a crise. Ou seja, não é mais um nome do ex-presidente Bill Clinton.

O outro nome cotado era Larry Summers. Só que ele foi secretário do Tesouro de Clinton e, como Obama nomeou outras pessoas que fizeram parte da equipe do ex-presidente, se ele o colocasse no Tesouro iria carregar um peso maior de Clinton em seu governo. Só que um ponto deve ter sido decisivo para o futuro presidente dos EUA: nomear Summers significaria brigar com as mulheres. Ele foi demitido da direção de Harvard depois de dizer que as mulheres não têm mente para a Ciência. O futuro governo de Obama representa um governo que fortalece as minorias, e ele não pode nomear pessoas politicamente incorretas a esse ponto.

Além disso, Larry Summers tem a fama de ser extremamente grosseiro e arrogante no trato com as pessoas. Há vários diplomatas brasileiros com histórias para contar sobre grosserias dele a respeito do Brasil. Ele tem experiência, mas de ser secretário do Tesouro num momento de boom, e não num momento de crise.

Por fim, os outros dois nomes cotados eram Paul Volcker, com idade avançada para ocupar um cargo de tão grande pressão, e Robert Rubin, que disse que não queria o cargo. Ou seja, comparando todos os nomes fica claro que a escolha de Obama foi a melhor.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

BARACK OBAMA E O CAPITALISMO 2008

O capitalismo segundo BARACK OBAMA é matéria da EXAME. Para variar, Ângela Pimenta e Tatiana Gianini demonstram as dificuldades que o novo presidente encontrará na Casa Branca a partir de 20/01/09, tais como “Cortar gastos OU estimular o consumo? Regular o mercado OU incentivar o risco? Liberar o comércio OU proteger o emprego dos americanos?” Além de citar as principais idéias de OBAMA sobre o papel do estado na economia, a globalização, o comércio exterior, a crise econômica e impostos, o texto descreve a atual situação dos Estados Unidos de maneira real e sem terrorismo.

Informa, por exemplo, que de janeiro a outubro, cerca de 1,2 milhão de americanos perderam o trabalho elevando a soma de desempregados para 10 milhões de pessoas, o equivalente a mais de 6,5% da população economicamente ativa, a taxa mais alta desde 1994. Estima o crescimento americano em 2008 em apenas 1,6%, projetando para 2009 uma retração de -0,7%. O déficit orçamentário do governo deverá bater em UM TRILHÃO DE DÓLARES em 2009. A dívida pública já bateu a marca dos SEIS TRILHÕES DE DÓLARES. O que será de nós, então? Porém uma frase retornou-me ao mundo do otimismo: “Mais cedo ou mais tarde, a recessão irá passar”, como venho defendendo em várias postagens.

E no final da matéria uma frase do ex-líder chinês Den Xiaoping sobre o sistema econômico ideal: “NÃO IMPORTA SE O GATO É BRANCO OU PRETO, DESDE QUE ELE CONSIGA PEGAR O RATO, ELE É UM BOM GATO”.

CEARÁ - TERRA DA LUZ E DO ESTUDO

Do meu estado CEARÁ leio uma excelente notícia na VEJA. 30% dos últimos aprovados no difícil – eu escrevi muito difícil, vestibular do INSTITUTO TECNOLÓGICO DA AERONÁUTICA - ITA, são cearenses cabeças chatas. (A minha não é. Deve ser por isso que não estou no ITA.) Dois excelentes colégios de Fortaleza – o Farias Brito e o 7 de Setembro estão de parabéns pelo excepcional trabalho realizado pela direção, professores e alunos. E, como outros colegas de blog já escreveram dias atrás, a orientação de exigir do aluno um conhecimento de EXATAS, não deu coisa melhor.

É por esse caminho que mudaremos a educação neste país e não através de aulas “políticas”.

REVISTA ÉPOCA - BLOGS

Na última edição da ÉPOCA constam os endereços dos 80 blogs mais “famosos” do Brasil, segundo eles, os que você não pode perder. Como todo tipo de lista, apesar dos critérios adotados pela revista, cada leitor sempre achará que faltou o blog A e incluíram, sem merecimento, o blog B.

De qualquer maneira é muito interessante, tem para quase todos os gostos e regalos e sempre tem aquele blog que você nunca tinha ouvido falar. Vários são meus velhos e bons conhecidos, mas não é a minha lista preferida. Para os que não a leram, a matéria esta no endereço http://revistaepoca.globo.com/

Em tempo: Eles não colocaram o endereço do meu blog e de diversos outros dos quais sou verdadeiramente leitor. Devem ficar para uma próxima edição. Espero.

domingo, 16 de novembro de 2008

CICLOS ECONÔMICOS - 1929 / 2008

É comum a leitura diária de uma comparação entre a Grande Depressão ocorrida nos Estados Unidos na década de 1930 e a atual crise financeira mundial. Apenas como registro histórico, o produto real dos Estados Unidos caiu cerca de 30% entre os anos de 1929 e 1933 e a taxa de desemprego aumentou de 3,2% para 24,9%. Por razões ideológicas, o diagnóstico dessa crise tanto pode ser analisado pelo lado dos keynesianos, como pelo lado de Friedman. No final, continua difícil explicar o que aconteceu para que a economia tivesse aquele comportamento, mesmo tendo esse assunto sido objeto de exaustivos trabalhos e pesquisas.

Hoje, entendemos que a comparação parece mais um fato midiático do tipo “nunca antes neste país aconteceu isso antes”. E lá vamos todos comparar alhos com bugalhos e um mundo de artigos para todos os gostos e desgostos. Eu continuo acreditando que são situações totalmente diferentes e que o “estopim” da crise, os Estados Unidos, “um país supostamente em declínio”, como comenta o Fareed Zakaria, editor da revista Newsweek International, continuará sendo a maior economia do mundo, responsáveis que são por mais de um quarto da produção mundial. E a atual crise, como é inerente ao capitalismo, será solucionada em até menor tempo do que muitos prevêem.

sábado, 15 de novembro de 2008

LEITURA - SUGESTÃO PARA O FINAL DE 2008

Em dezembro próximo a editora Campus/Elsevier lançará no mercado o novo livro do MARTIN WOLF, "jornalista financeiro mais proeminente do mundo", colunista do jornal britânico The Financial Times e ex-economista sênior do Banco Mundial.

Trata-se do livro "A reconstrução do sistema financeiro global" e nele o autor, conforme a EXAME, cita que a globalização tornou crises financeiras inevitáveis e um jeito de se proteger contra resultados tão devastadores nas próximas é o fortalecimento dos países emergentes.

Então, vamos lá Brasil, ajudar a salvar o mundo. Com o apoio de Lula a Obama, of course.

KEYNES, DE NOVO?

Recentemente postei sobre um artigo no qual Paul Krugman defende a gastança do estado como solução para a atual crise financeira.

Comentando no blog do Alexandre Schwartsman http://maovisivel.blogspot.com/ obtive dele a confirmação de que eu não estão sozinho neste entendimento: o estado não é a salvação do mundo.

Hoje, li excepcional texto no blog do Rodrigo Constantino http://rodrigoconstantino.blogspot.com/ com o título "KRUGMAN, O ALQUIMISTA", no qual ele também demonstra claramente que o estado não é tudo.

Adianto abaixo parte do artigo do Rodrigo, completo no seu endereço : http://rodrigoconstantino.blogspot.com/

Em seu recente artigo “Economia da Depressão”, o economista Paul Krugman defende a gastança do governo como solução para a crise. As crenças keynesianas de Krugman estão mais vivas que nunca, e o autor inverte a lógica econômica toda, achando que o consumo em alta é que gera investimentos produtivos, que por sua vez gera crescimento econômico.

Eis o raciocínio dele:“A alta do desemprego resultará em redução do consumo... O consumo fraco levará a cortes nos planos de investimentos das empresas. E a economia enfraquecida resultará em novas perdas de empregos, o que gerará um novo ciclo de contração”.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

NÓS E ELES - YES, SOMOS DIFERENTES

ONTEM postei abaixo que sou favorável a atual política econômica e desfavorável a intervenção do governo em determinados segmentos. Além da questão dos gastos públicos que não param de crescer.

Porém, HOJE lendo o Krugman no artigo "Franklin Delano Obama?" escrever que, no caso americano, claro, o Obama deve é descobrir de quanta ajuda a economia precisa e então acrescentar 50%, fiquei aqui na minha selva preocupado. Eu, no meu simplista pensamento, e o poderoso PK com essa do governo gastar.

Tudo ficou muito claro quando HOJE, li na FOLHA o artigo "Emplasto Brás Cubas" do Professor Alexandre Schwartsman (http://maovisivel.blogspot.com/). Alí entendi tudo: Brasil é Brasil - USA is USA. Logo, continuo na minha linha de raciocínio, defendendo a meta de inflação e uma política econômica comprometida com a estabilidade.

Mais uma vez, aula grátis de um grande e atual economista brasileiro para este aluno perdido na floresta.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

ECONOMIA - PREVISÃO PARA O AINDA 2008

Apesar de atualmente outros Bancos Centrais de diversos países estarem reduzindo as taxas básicas de juros, entendo que mesmo para quem pensa em Papai Noel e seus presentes de final de ano, é recomendável que o nosso BACEN mantenha a taxa nos 13,75% atuais. Para ser franco, um aumento de 0,25% até que seria um sinal favorável a redução do consumo e um fator a mais a favorecer a manutenção ou até provocar uma sensível queda na inflação. Afinal, estamos bem acima da meta estipulada de 4,5%aa. Hoje, na GAZETA MERCANTIL Henrique Meirelles foi questionado sobre qual a política fiscal mais adequada para o Brasil, em um momento em que os principais bancos centrais do mundo estão promovendo cortes nas taxas básicas de juros, e comentou: "A política fiscal mais adequada está na ata do Copom".

Outro incômodo é a intervenção do governo na liberação de créditos para determinados segmentos, visando solucionar apenas situações específicas, além de beneficiar essas áreas em detrimento a outras com menor poder de lobby. E ainda tem a questão dos gastos públicos que não param de crescer. Como falou a Míriam Leitão, "um aumento dos gastos públicos não deve ser apresentado nem como a salvação da lavoura e nem como a origem de todos os males."

Volto ao assunto em outro post.

ECONOMETRIA FINANCEIRA

Recebi hoje o novo livro do Professor Pedro Morettin "Econometria Financeira - Um curso em séries temporais financeiras".

O livro trata da aplicação de técnicas de séries temporais e econometria a dados financeiros e é altamente recomendável a estudantes e profissionais do mercado financeiro.

Espero que através do conteúdo abrangente eu consiga melhorar meus modelos e confiar mais nos meus números do que nos informados pela Standard & Poor's.

Afinal, se "todos" ganham na Bolsa, porque eu também não posso?

Mesmo na crise... Qual delas mesmo?

domingo, 9 de novembro de 2008

EDMUNDO PHELPS E KEYNES EM 2008

Para um domingão de chuva, nada como um artigo de um NOBEL de ECONOMIA para reflexão e melhor entendimento da situação atual.

Keynes não tinha a cura para momentos de recessão

Economista errou ao não fazer distinção entre queda nos preços devido a motivos monetários e retração relacionada a fatores alheios à oferta e à procura de dinheiro.

EDMUND PHELPS ESPECIAL PARA O "FINANCIAL TIMES"

Que teoria podemos usar para que saiamos de maneira rápida e confiável da recessão iminente? Empregar a teoria "neoclássica" das flutuações que surgiu em Chicago nos anos 70 seria impensável, já que foi exatamente essa teoria que o colapso dos preços dos ativos acabou por provar falsa.

Os pensamentos de alguns voltaram a John Maynard Keynes. As percepções dele quanto à incerteza e à especulação eram profundas. Mas sua teoria do emprego era problemática e as soluções "keynesianas" de política econômica são no mínimo questionáveis.

Os bancos falam da queda nos preços da habitação como efeito de alguma forma de choque. Nos modelos que eles adotam, choques aleatórios estão sempre derrubando os preços dos ativos, ante os valores projetados. Na verdade, não houve abalo, seca ou força exógena que forçasse os preços a cair.

Os especuladores e os compradores de casas, acreditando que aluguéis e custos de construção subiriam, apostaram em uma alta nos preços no futuro, e isso gerou também uma alta nos preços das casas existentes.

Mas, ao longo dos anos, nem os aluguéis nem os custos (em termos reais) se moveram. Se eles não subiam, os preços (reais) teriam de voltar a cair, mais cedo ou mais tarde.

Esse era o mundo de Keynes.

Na Universidade de Cambridge, ele demonstrou como um investidor poderia operar com margem para contingências desconhecidas, em seu "Tratado sobre a Probabilidade". Em Londres, comandou um fundo de hedge e enriqueceu, mas terminou apanhado pelo colapso nos preços das commodities no começo de 1929. Ele concluiu que as crenças dos investidores eram "frágeis". À medida que um investidor e depois outro começam a desertar, os preços de um ativo, que até ali vinham em alta, podem simplesmente cambalear um pouco no início, mas terminam por despencar mais tarde, em companhia das crenças convencionais.

Teoria Geral

Keynes atribuía aos preços dos ativos um papel central na determinação do nível de emprego, em sua Teoria Geral de 1936. Caso uma mudança de sentimento gerasse declínio acentuado na avaliação dos ativos empresariais (bem como nos preços das ações e das casas), o investimento empresarial seria cortado e o emprego se contrairia.

Infelizmente, nada mais funcionava bem, desse ponto em diante. Keynes cometeu um erro imenso ao não distinguir entre uma queda nos preços dos artigos causada por motivos monetários e uma queda relacionada a fatores que pouco ou nada têm a ver com a oferta e procura de dinheiro, como uma redução nas expectativas quanto aos futuros retornos de ativos de negócios ou imóveis.

O primeiro fenômeno pode ser solucionado por meios monetários: o banco central pode reforçar a base monetária (digamos que por meio da aquisição de títulos de dívida pública), o que geraria alta nos preços dos ativos sem provocar alta concomitante dos demais preços e dos salários, evitando causar uma espiral insensata.

O recente colapso na especulação com imóveis residenciais, porém, é um fenômeno não-monetário: é preciso haver uma queda no preço em dinheiro das casas ante o preço em dinheiro dos bens de consumo.

Keynes argumentava que reforçar a base monetária funcionaria também nesse caso: os trabalhadores não estariam cientes de que os salários em empregos concorrentes em outros lugares haviam subido tanto quanto os seus, de modo que temeriam solicitar salários reais tão altos quanto antes; dessa forma, as contratações seriam estimuladas, e o emprego voltaria a subir.

Mas sustentar essa recuperação certamente requereria uma inflação salarial sem fim, em um ritmo sempre um passo à frente das expectativas, uma política nada atraente. Keynes passou cada vez mais a se concentrar em medidas não-monetárias para mudar o novo equilíbrio não-monetário depois de uma perda de confiança.

Keynes sempre acreditou que a demanda de consumo também estimula o emprego.

Uma alta na demanda encoraja as empresas a elevar a produção e a contratar mais trabalhadores inicialmente. Mas, em uma economia aberta com moeda própria, o estímulo se faria sentir principalmente no exterior. Na economia globalizada, demanda de consumo ampliada em última análise faz pouco mais que gerar aumento nas taxas de juros e, assim, produz declínio nos preços reais dos ativos, no investimento e nos salários reais.

Keynes enfatizava a demanda por investimento como alavanca para promover crescimento no emprego. Nos termos dessa teoria, seria possível estimular o investimento privado por meio de crédito tributário ao investimento ou de subsídios a novas empresas e novas contratações. Keynes favorecia o investimento pelo Estado ou empresas estatais.

Os americanos, com o pesadelo que vivem em seus aeroportos e com as pontes do país sempre a ponto de cair, receberiam bem as melhorias na infra-estrutura.

Mas é necessário perguntar se uma transição radical do investimento privado para o investimento estatal não atenuaria a concepção, o desenvolvimento e a adoção de idéias comerciais novas e criativas. A teoria do capitalismo enfatiza a diversidade em termos de fontes de novas idéias comerciais, do conjunto de empreendedores disponíveis para desenvolvê-las, das fontes de financiamento a investidores beneméritos, capital para empreendimentos e tudo o mais -e da gama de usuários finais. Também enfatiza o quanto é importante que os donos de companhias financeiras e de outros setores estejam livres para usar sua intuição, em contraste com a prestação de contas minuciosa que se deve exigir de um funcionário público.

Assim, uma presença muito reforçada do governo central no setor de investimento do país poderia restringir a inovação e reduzir a qualidade das inovações realizadas. E seríamos deixados em uma recessão, da mesma forma.

EDMUND PHELPS dirige o Centro de Capitalismo e Sociedade da Universidade Columbia e recebeu o Prêmio Nobel de Economia em 2006.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

DEU NO NEW YORK TIMES

O título deste post trata-se do nome de um livro lançado nesta semana no Brasil pelo jornalista Larry Rohter, ex-correspondende do Times no Brasil por longos oito anos.

Como é gostoso lermos a visão de alguém de fora para coisas que, brasileiros da gema, acreditamos e defendemos sem pensar.

Achei estupendo os comentários do autor sobre o Marco Aurélio Garcia (parece mais um Renato Aragão da diplomacia, um trapalhão cujo principal talento é bagunçar as coisas) e sobre o Oscar Niemeyer (arquitetura profundamente elitista e mesmo egoísta).

Alguém discorda dele?

ECONOMISTAS EM CRISE - REUNIÃO JÁ

Já que nem a eleição de Barack Obama conseguiu acabar com uma crise que era americana, tornou-se mundial e, mesmo com o empenho do Lula, chegou às nossas lindas praias, por que não reunimos na minha cidade de IBIAPINA-CE, os mais renomados economistas do mundo, incluindo todos os vivos (of course), laureados com o Nobel, para que possam achar uma luz no final do túnel?

Diariamente somos inundados por artigos de ecoonomistas A - B e C que não chegam a acordo nenhum e o mundo vai ficando cada vez mais preocupado com o que vem por aí. 2009 está na nossa porta e ainda nem vimos o túnel. Quanto mais a luz.

A complexidade mundial dificulta todo o entendimento de qualquer processo econômico, aliado ao "estrago" que faz uma bolha, seja na internet ou nas hipotecas. Porém, alguém ou todos precisam fazer a receita do bolo para que ninguém morra de fome por causa de umas bonitas casas americanas...

ELEIÇÕES 2008 - USA

Como sabem meus amigos, daqui direto do interior, (e bote interior nisso), da selva amazônica, minha torcida era pela eleição de Hillary Clinton.

Porém, Obama venceu e daqui espero que ele consiga no mundo real, o que ele mesmo criou em seu mundo particular. Apesar de ser otimista, neste momento não tenho muitos motivos para acreditar que CHANGE CAN HAPPEN.

É fantástico e admirável sob todos os aspectos o que aconteceu com ele desde que nasceu até hoje. Portanto, vamos esperar que sua estrela (que não é a do PT) continue brilhando, para o bem de TODOS.

Accept my congratulations and may God bless the United States of America.

domingo, 2 de novembro de 2008

UFC - CAEN - ECONOMIA APLICADA

Acabo de receber pelo correio, direto aqui para a selva da floresta amazônica, o nº 01 da Série Coletânea de Dissertações do Mestrado Profissional com o título "Ensaios em Economia Aplicada." O livro contém uma coletânea de artigos extraídos de diversas dissertações apresentadas e foi organizado pelos Professores Drs. Ronaldo Arraes e Paulo Neto, que autografaram gentilmente o meu exemplar.
Parabéns aos organizadores e demais Professores pela iniciativa, o que só deve resultar, cada vez mais, em melhores trabalhos e aplicação dos mesmos pela própria sociedade. De fato, uma economia realmente aplicada, que é uma das razões de ser da própria academia.