segunda-feira, 28 de setembro de 2009

DIRETO DO IGOOGLE - FRASE 28/09/2009

A página completa do iGoogle é um show. Para ficar ainda melhor, a todo momento surgem frases inteligentes para o internauta conhecer ou relembrar. A de hoje, 28/09/2009, tem que ser de um colega nota DEZ:
Existem dois tipos de teoria econômica: as que dão certo e as que não dão certo.
Nosso sempre grande Mestre!

AINDA EXISTE BOM SENSO NA ACADEMIA

Em artigo publicado dia 25/09, no Correio Braziliense, CARLOS PIO, meu ex-Professor na Universidade de Brasília e atualmente pesquisador-associado do Latin American Centre e do Global Economic Governance Program, University of Oxford, Inglaterra, coloca o dedo na ferida que alguns não desejam cicatrizar:

"Mas não nos enganemos: o socialismo do século 21 nada mais é que o socialismo do século passado, repressivo, violento e corrupto. Ele reprime os instintos humanos para o trabalho, a inovação, a geração de riqueza e a troca, assim promovendo baixo crescimento, alta inflação, crise cambial, desabastecimento, queda do investimento privado, desemprego e instabilidade social."

A BOLA DE CRISTAL DE BETING PARA 2009

Direto do site http://www.joelmirbeting.com.br, vamos analisar os comentários desse experiente jornalista econômico e conferirmos ao final de 2009 o resultado.

Palavra da bola de cristal do Banco Central em seu relatório mensal da inflação, divulgada nesta sexta: a inflação do IPCA ensaia fechar o ano em 4,2%, abaixo da meta de 4,5%. Mesmo assim, o BC antecipa que a Selic vai virar o ano congelada na taxa de hoje, 8,75%. É uma pena: daria para cortar meio ponto percentual.
Para o dólar, a projeção é de R$ 1,85 lá no Réveillon. O mercado aposta em R$ 1,80, a cotação de hoje - faltando 90 dias para o Natal.
Para a oferta de crédito bancário, 2009 pode acumular expansão de 16%, de bom tamanho neste pós-crise. O que levanta o crédito total para o equivalente a 47% do PIB, pela primeira vez em 30 anos. Mas lembrando que, na média global, essa média é historicamente de 90%. O dobro.
E o PIB? Enquanto o governo torce por uma expansão gregoriana de até 2%, e o mercado financeiro está com o crescimento zero e não abre, o BC projeta PIB 2009 de 0,8% - positivo.
Mas com um dado contraditório: a taxa nacional de desemprego, no mercado firmal, apurada pelo IBGE, deve chegar a dezembro em 6,7%, contra 9,1% em fevereiro. Para um PIB de apenas 0,8% é um espichão muito grande entre Carnaval e Natal.
A conferir.
Seria a menor taxa de desemprego da Era Lulalá.

domingo, 27 de setembro de 2009

EBOOK SOBRE A CRISE ECONÔMICA

Da lavra do CLAUDIO SHIKIDA e com a participação especial dos colegas CRISTIANO COSTA, JULIANO TORRES, PAULO ROBERTO DE ALMEIDA (nosso antigo conhecido), RODRIGO CONSTANTINO e SABINO DA SILVA PORTO JR, mais um ebook que merece a leitura de todos os artigos.
Com o título "A CRISE ECONÔMICA CHEGA A BLOGOSFERA" e o subtítulo "ENSAIOS DE ALGUNS BLOGUEIROS SOBRE A CRISE ATUAL", está disponível no endereço http://shikida.net/ebook_crise.pdf. A todos os colegas os merecidos PARABÉNS pelo conjunto da obra e muito SUCESSO em suas atividades!

O DEUS ESTADO : UM RETORNO AO PASSADO?

Direto do ESTADÃO, seu editorial de hoje – cujo título é um excepcional “O DEUS ESTADO”, é a leitura de um passado que não deu certo. Será que, mesmo assim, retornará em 2010 essa ideia? Meu DEUS? Será que no BRASIl não aprendemos nem com os erros passados?

Por esperteza político-eleitoral, ideologia ou ambos — o mais provável —, há uma febre de “estadolatria” em Brasília. Talvez porque tenha funcionado no segundo turno de 2006 o estratagema de tachar tucanos de “privatistas”, a defesa do Estado passou a aparecer com mais frequência em discursos do presidente Lula e da candidata Dilma Rousseff.

Explora-se com alguma competência a idéia tosca, ainda existente na população, de que o “Estado é do povo”, assim como suas empresas. Confunde-se o “estatal” com o “coletivo”, como se não existisse a expropriação privada do bem público pelo patrimonialismo, exercido de maneiras mais sutis ou escancaradas, como nas mordomias do Executivo e o nepotismo no Legislativo e Judiciário.

Com responsabilidade de governante, é verdade que Lula não tem brincado em serviço: embora não deva discordar que os opositores do novo modelo de exploração do pré-sal, de figurino estatizante, sejam adjetivados de “entreguistas”, apressou-se a permitir que a participação de investidores estrangeiros dobre no capital do Banco do Brasil, pois se trata da única forma de abrir espaços para ampliar a capitalização do BB.

Em recente entrevista à “Folha de S.Paulo”, a ministra Dilma tratou de criticar a idéia do “Estado mínimo”, pressupondo que haja alguém, no mundo de hoje, que ainda defenda um modelo de laissez-faire com tinturas do século XIX. A preocupação que se tem é com o “Estado máximo”, com o qual autoridades de primeiro escalão do governo parecem sonhar.

Em outra entrevista, esta de Lula ao jornal “Valor”, o presidente anunciou o envio ao Congresso da “Consolidação das Leis Sociais” — não bastasse o engessamento do mercado de trabalho, em prejuízo dos trabalhadores, causado por uma outra “consolidação”, a CLT getulista.

Mais uma vez: pode ser tática eleitoral — para atiçar a oposição a se colocar contra o “povo” — e também ideologia. Trata-se de outro princípio da “estadolatria”, pelo qual toda “bondade” precisa ser transformada em lei, para que o Estado imponha seu cumprimento. Uma ilusão, como demonstra a CLT, principal causa de a metade dos trabalhadores sobreviver na informalidade.

Mas não é só discursos. Há efetivos avanços do Estado sobre espaços da sociedade. Um exemplo é a tentativa da Anvisa de proibir e regular anúncios de alimentos e remédios, embora a própria Advocacia Geral da União diga ser esta função exclusiva do Congresso. Está claro que os estatistas querem tutelar uma sociedade que consideram imatura e despreparada para cuidar da própria sobrevivência.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

ESTE É O NOSSO BRASIL?

Nelsinho, muito sucesso em 2010 lá em Brasília mesmo. Você tem tudo para ser um deles...
Obrigado ao Clayton, lá do nosso jornal O POVO da minha FORTALEZA-CE.

NOBEL PRIZE IN ECONOMIC SCIENCES 2009 - THOMSON REUTERS

2009 - NOBEL PREDICTIONS IN ECONOMIC SCIENCES:

ERNST FEHR
Professor and Director of the Institute for Empirical Research in Economics, University of Zurich, Zurich, Switzerland • Winner of the 2004 Cogito Prize of the Cogito Foundation and the 2008 Marcel Benoist Prize (Switzerland)
ESI RANK: top 1% in Economics, 9 highly cited papers in last decade

MATTHEW J. RABIN
Edward G. and Nancy S. Jordan Professor of Economics, Department of Economics, University of California Berkeley, Berkeley, CA, USA • Winner of the 2006 John von Neumann Award and Rajk Laszlo College of Advanced Studies
ESI RANK: top 1% in Economics, 4 highly cited papers in last decade

WILLIAM D. NORDHAUS
Sterling Professor of Economics, Yale University, New Haven, CT, USA • Winner of the 2005 Distinguished Fellow Award of the American Economic Association • Ranked 108th in output and 49th in citations, according to Coupe rankings.

MARTIN L. WEITZMAN
Professor of Economics, Harvard University, Cambridge, MA, USA • Guggenheim Fellow 1970-1971 and in 1986 was elected Fellow of the American Academy of Arts and Sciences. • Ranked 35th in output and 56th in citations, according to Coupe rankings.

JOHN B. TAYLOR
Mary and Robert Raymond Professor of Economics, Stanford University, Stanford, CA, USA, and Bowen H. and Mary Arthur McCoy Senior Fellow, Hoover Institution, Stanford, CA, USA • Recipient of the 2005 Alexander Hamilton Award, U.S. Treasury Department and the 2005 George P. Schultz Public Service Award, Stanford University.
REPEC RANKING 54th as of August 2009

JORDI GALI
Professor, Department of Economics, and Director of the Center for Research in International Economics, Pompeu Fabra University, Barcelona, Spain • Winner of 2008 Premi Societat Catalana d¹Economia and recipient in 2008 of the First Prize Award for Best Paper presented at the NBER'S International Seminar on Macroeconomics during its first 25 years
ESI RANK: top 1% in Economics, 7 highly cited papers in last decade

MARK L. GERTLER
Henry and Lucy Moses Professor of Economics, New York University, New York, NY, USA • 2007-2008 Guggenheim Fellow and 2008 First Prize Award for Best Paper presented at the NBER'S International Seminar on Macroeconomics during its first 25 years
eSI RANK: top 1% in Economics, 4 highly cited papers in last decade

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

AINDA SOBRE O CRESCIMENTO DO PIB 2009

O experiente CLÓVIS ROSSI na FOLHA de hoje escreve "DA FESTA E PERSPECTIVA". O texto é curto, realista e mostra como funciona o brasileiro. Nem todos, espero...

Festejar a perspectiva de crescimento de 1% este ano, como está fazendo agora o governo federal, é típico da mediocridade brasileira. Conformamo-nos com pouco, com muito pouco.

É óbvio que, depois de uma baita crise internacional, conseguir crescer é mesmo para festejar. Mas o festejo não dá o direito de perder a perspectiva.

Qual a perspectiva a meu ver mais adequada? É a que oferece João Paulo de Almeida Magalhães, presidente do Centro de Estudos para o Desenvolvimento do Conselho Regional de Economia do Rio de Janeiro, em entrevista para o número de julho da revista do Ipea, o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas.

Há alguns anos, citei aqui Almeida Magalhães apontando 7% como o nível de crescimento desejável para o Brasil, numa época em que parecia um número grande demais. Ele não mudou de opinião e sua "rationale" parece imbatível:

"O crescimento entre 1980 e 2005 foi insuficiente, apenas 2%, 3% ao ano. Nesses últimos anos melhorou um pouco e passou a 4%. Mas ainda é insuficiente, porque num período de 30 anos, após a Segunda Guerra Mundial, crescemos 7% na média. Os países asiáticos vêm crescendo nessa faixa há praticamente 30 anos. Assim, vamos voltar a crescer mediocremente como aconteceu nesses últimos 30 anos", disse à revista "Desafios do Desenvolvimento".

Almeida Magalhães lembra ainda um fato óbvio mas que costuma ficar meio nas sombras do noticiário: "O crescimento é uma situação normal em todo o mundo. Não há país que não cresça".

Só para lembrar: os outros três Brics (Rússia, Índia e China) desde 1966 crescem o dobro da média anual per capita brasileira (3%).

Como diria Che Guevara, se ainda vivesse e conhecesse o Brasil: "Hay que conmemorar pero sin perder la perspectiva jamás".

terça-feira, 15 de setembro de 2009

BARACK OBAMA E UM ANO DA CRISE

BARACK OBAMA, no aniversário de um ano da CRISE, discursando no Federal Hall, em Wall Street, local onde George Washington fez o juramento como primeiro presidente americano, em 1789, defendeu a aprovação da maior revisão na regras do sistema financeiro desde a Grande Depressão.

We will not go back to the days of reckless behavior and unchecked excess at the heart of this crisis," President Obama said.

O BRASIL EM FRASES VERDADEIRAS

Para reflexão nesta noite de "comemoração" por UM ANO de crise econômica, abaixo três frases atribuídas aos citados abaixo, nas quais lemos como é, na verdade, o nosso BRASIL.

"No Brasil até o passado é incerto." - Gustavo Loyola.

"O Brasil é feito por nós. Só falta desatar os nós." - Barão de Itararé.

"No Brasil, empresa privada é aquela que é controlada pelo governo, e empresa pública é aquela que ninguém controla." - Roberto Campos

FINALMENTE: UM ANO DE CRISE E AINDA ESTAMOS VIVOS!

Leio ELIANE CANTANHÊDE na FOLHA há muito tempo, indiferente de criticar algumas colunas e gostar de outras. Como hoje, 15/09/09, é uma dia ESPECIAL para o mundo, pois AINDA CONTINUAMOS VIVOS, apesar de TUDO o que aconteceu e de TUDO que ainda pode vir na área econômica, o texto da ELIANE, de certa maneira, resume o que aconteceu neste último ano. Então vamos à leitura:

Hoje a quebra do Lehman Brothers completa um ano. Ou seja, é o dia do aniversário da fase aguda da crise econômica global e, por tabela, brasileira.
Lula, que foi tão criticado e até ironizado por dizer que aqui não haveria tsunami, só "marolinha", vai comemorar em grande estilo e, de preferência, com grande audiência. Afinal, o Brasil não chegou ao fundo do poço e voltou à tona antes do previsto.
A perspectiva de retração de até 3% foi trocada por uma expectativa de crescimento de até 1%, empurrada pela boa surpresa do PIB do segundo trimestre, melhor do que tanto o governo quanto o mercado esperavam. O Brasil já saiu da recessão técnica. Lulinha Paz e Amor não deixaria isso barato, não é?
Ele, Guido Mantega (Fazenda) e Henrique Meirelles (BC) vão participar e falar na reunião do chamado "Conselhão", o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, no Itamaraty. Para bater bumbo, evidentemente. Na plateia, estarão grandes empresários e sindicalistas do país, sob flashes.
A festa que é de Lula será, naturalmente, também de sua candidata, Dilma Rousseff, que anda precisando mesmo de uma forcinha, depois de ter estacionado nas últimas pesquisas e aguardar ansiosamente pelas próximas para saber se é ou não uma tendência.
O governo acha que está saindo de um mau momento e quer puxar junto a sua candidata, que anda numa fase ruim, ou pelo menos desanimada, não só pelas pesquisas, mas pelo carimbo de "mentirosa" depois das histórias de Lina Vieira e do diploma inflado, e pela imagem de "gritalhona", depois que mais um episódio constrangedor foi à tona: o do secretário-geral do Ministério da Integração, humilhado numa reunião.
Lula e Dilma, portanto, vão ter hoje um grande dia, em meio à enxurrada de propaganda subliminar que já circula nas TVs.

domingo, 13 de setembro de 2009

PREVISÃO PIB 2009 - QUEM ACERTA?

Para os meus quase dois leitores ainda fiéis, leiam com vontade este outro editorial do ESTADÃO sobre o CRESCIMENTO SEM INVESTIMENTOS no Brasil. E vamos esperar o resultado do PIB de 2009 e ver quem está com a razão.

O crescimento de 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre, em relação ao primeiro, confirmou que o Brasil saiu da crise.

No entanto, alguns dados preocupam, pois indicam que não se trata de uma recuperação durável e mostram que o governo não aproveitou a oportunidade da crise para tomar medidas recomendadas em tempo de recessão.

Nos dados do semestre isso fica mais claro. O governo privilegiou o consumo, que, em relação ao primeiro semestre do ano anterior, cresceu 2,3%, para as famílias, e 2,6%, para o governo, enquanto o PIB caía 1,5%. No entanto houve declínio de 15,6% na Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), ou seja, nos investimentos.

Ao comparar dados do segundo trimestre com dados do primeiro, verificamos também alguns resultados preocupantes. O consumo das famílias foi alimentado pelo aumento de 3,3% da massa salarial (ao contrário do que ocorreu nos países industrializados), pelo crescimento nominal de 20,3% do crédito para pessoas físicas e pelos incentivos fiscais.

Houve redução do consumo da administração pública, especialmente nos Estados e municípios, pois os impostos diretos aumentaram 3,8%, em valor, apesar dos incentivos.

O dado mais preocupante é que o crescimento do PIB em relação ao trimestre anterior não foi acompanhado de aumento dos investimentos, que não registraram variação e que, no primeiro semestre, caíram 15,6%.

A taxa de crescimento dos investimentos em relação ao PIB ficou em 15,7% - a menor desde 2003 e que havia atingido 18,5% no segundo trimestre de 2008.

A explicação para isso é a queda da poupança em relação ao PIB, que neste ano, no segundo trimestre, ficou em 15%, ante 19% no mesmo trimestre do ano passado.

A FBCF é composta em cerca de 50% por máquinas e equipamentos, em 40% pela construção civil, que inclui parte dos investimentos na infraestrutura, e em 10% por fatores de menor peso.

Sabemos que a Petrobrás realiza investimentos elevados, mas que a indústria reduziu os seus diante da incerteza sobre a evolução da demanda. Mas, ao contrário do que se esperava com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), os investimentos na infraestrutura diminuíram.

O crescimento futuro enfrentará pontos de estrangulamento decorrentes de uma infraestrutura obsoleta para atender à demanda doméstica e à exportação, assim que a demanda externa se restabelecer.

A ECONOMIA NA TERRA

Como fazer este pequeno globo funcionar economicamente no limite ótimo para satisfação de TODOS?
MISSÃO IMPOSSÍVEL - parte 2009.

ECONOMIA EM CRISE - UM ANO DEPOIS

E para concluir esta análise de quatro diferentes visões sobre a crise econômica, lemos no caderno MAIS deste domingo na FOLHA, a resposta de LUIZ GONZAGA BELLUZZO, economista e professor aposentado da Unicamp e autor de "Ensaios Sobre o Capitalismo no Século 20" (ed. Unesp), para a questão: Há alternativas, novos temas ou enfoques que devam ser incorporados ao ensino de economia?
Ao longo do século 19, a economia abandonou definitivamente os constrangimentos da política e inventou o Homo oeconomicus.
Dotado de conhecimento perfeito, esse ser, produto da mais absurda abstração, busca maximizar sua utilidade ou os seus ganhos, diante das restrições de recursos que lhe são impostas pela natureza ou pelo estado da técnica.
Os sistemas sociais nascidos desse paradigma dominante em economia não dispõem de uma estrutura intrínseca, isto é, esgotam-se nas propriedades atribuídas aos indivíduos racionais e maximizadores, partículas que definem a natureza da ação utilitarista e que jamais alteram seu comportamento na interação com as outras partículas carregadas de "racionalidade".
Os manuais de economia mais badalados acatam as chamadas teorias novo-clássicas, com expectativas racionais.
Elas afirmam que a estrutura do sistema econômico no futuro já está determinada agora. Isso porque a função de probabilidades que governou a economia no passado tem a mesma distribuição que a governa no presente e a governará no futuro. A historicidade da vida social vaza pelo ralo.
Para os que dissentem dessa visão, a economia é um saber que está obrigado a formular suas hipóteses levando em consideração o tempo histórico, dimensão em que se desen- rola a ação humana.
Ela deve se entregar ao estudo do comportamento dos agentes privados em busca da riqueza, no marco de instituições sociais e políticas construídas pelas ações e decisões coletivas do passado, ou seja, pela história.

ECONOMIA EM CRISE - UM ANO DEPOIS

Ainda do caderno MAIS da FOLHA DE S. PAULO de hoje, VINICIUS CARRASCO, coordenador de graduação do departamento de economia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, responde a grande questão acadêmica: Há alternativas, novos temas ou enfoques que devam ser incorporados ao ensino de economia?
O papel de um economista é avaliar o desempenho de instituições econômicas (por exemplo, mercados, organizações e outros) em mediar a interação de agentes.
Portanto, a suposição feita de que os agentes econômicos são autointeressados e racionais (tomam as melhores decisões para eles) é indispensável: caso não a fizéssemos, não conseguiríamos identificar se uma determinada ineficiência econômica advém de instituições mal desenhadas ou de ações tomadas por agentes imperfeitos.
Não quero, de maneira nenhuma, subestimar a imperfeição humana. Só acredito que ela não deva ser objeto de análise de economistas (talvez o seja de psicólogos e psi- quiatras).
Usando a crise atual como exemplo, ao supor racionalidade por parte dos agentes, os economistas conseguem identificar de maneira limpa, entre outras, as falhas que houve nos desenhos da regulação financeira e de incentivos dos tomadores de decisão e, com isso, propor mudanças.
Segue daí que não sou entusiasta das abordagens comportamentais e psicológicas à economia, muito em voga em alguns centros nos EUA. Em particular, acredito que, antes de sua incorporação ao currículo de economia, é necessário que incorporemos, tanto aos currículos quanto às agendas de pesquisa, aspectos não psicológicos extremamente relevantes, mas que nossos modelos, especialmente os macroeconômicos e de finanças, ignoram em geral: heterogeneidade, dispersão (e assimetria e imperfeição) de informação entre agentes e falhas de mercado, entre outros.

ECONOMIA EM CRISE - UM ANO DEPOIS

Todos são cientes que este blog publica qualquer informação que possa ser útil ao leitor, INDIFERENTE da origem ser de um pensamento ortodoxo ou heterodoxo. Nossa pluralidade é de sempre conhecer os dois lados da questão, como já postamos em outros comentários. Mesmo sem concordar, acreditamos que a leitura do OUTRO pensamento melhora o NOSSO entendimento da questão. Por isso, neste um ano de CRISE e com o excelente caderno MAIS da FOLHA, leiam mais uma resposta para a questão "Há alternativas, novos temas ou enfoques que devam ser incorporados ao ensino de economia?", agora respondida pela LEDA PAULANI, professora titular da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP e autora de "Brasil Delivery" (ed. Boitempo). Recentemente, a rainha da Inglaterra visitou a lendária London School of Economics e perguntou aos doutos docentes por que ninguém lograra prever a profundidade da crise que se avizinhava. Os professores, cultores da teoria ortodoxa, crédulos do mercado e de suas divertidas utopias (autorregulação, eficiência, ótimo social), responderam que, contando embora com as mais brilhantes mentes matemáticas, o cálculo do risco enfocara apenas fatias do mercado. O sistema como um todo não fora considerado. O que eles não disseram é que, formados na doxa econômica, os economistas jamais conseguiriam fazer esse tipo de análise totalizadora. A formação hoje dominante põe ênfase apenas na matemática, nas técnicas de modelagem, olhando com enfado quaisquer considerações não passíveis de matematização. Sociedade, instituições, história não cabem nessa visão, são anticientíficas. A filosofia também não tem lugar, pois é com fastio igual que se encaram as questões metodológicas. Economistas heterodoxos se deram conta dessa lacuna na resposta desses professores e lembraram a acusação, feita em 1991, por uma comissão da Associação Americana de Economia, sobre os cursos de pós-graduação em economia, os quais estariam formando "sábios idiotas", treinados na técnica, mas "inocentes" do mundo real. A crise, porém, não estancará a produção de sabichões. Uma formação que desdenha a mais abrangente e consistente teoria do capital só pode continuar a fazer o que tem feito: vender ideologia como ciência.

ECONOMIA EM CRISE - UM ANO DEPOIS

Na FOLHA deste domingo, o caderno MAIS publica excepcional material sobre a ECONOMIA e a CRISE que completa um ano. Dentre os diversos textos, divulgamos a resposta do Professor LUIS HENRIQUE BERTOLINO BRAIDO, atual diretor de ensino da Escola de Economia da FGV-RJ, sobre a seguinte questão: Há alternativas, novos temas ou enfoques que devam ser incorporados ao ensino de economia? A sua resposta é para a nossa reflexão nestes novos e rápidos tempos, como Professores ou Estudantes da nossa ECONOMIA.

O princípio básico da ciência econômica - denominado individualismo metodológico - enfatiza a liberdade de escolha do indivíduo frente às estruturas sociais. Portanto, não há como iniciar um curso de economia sem ensinar os modelos de escolha individual. Como a relação entre indivíduos livres é intermediada por mercados ou outros mecanismos sociais, o conhecimento rigoroso sobre equilíbrio geral, teoria dos jogos, desenho de mecanismos, externalidades e assimetria de informação constitui o segundo pilar de qualquer programa na área. Por fim, como a seleção entre teorias alternativas depende de testes empíricos, o economista moderno necessita de sólida formação quantitativa. A separação entre temas macroeconômicos e microeconômicos está superada. A profissão dispõe de um corpo teórico consolidado para analisar temas tão diversos quanto finanças; comércio internacional; políticas monetária, fiscal, cambial e industrial; história econômica; regulação e defesa da concorrência; previdência; meio ambiente; desigualdade social; crime e educação. A abordagem desses temas baseia-se no método científico, que enaltece a dedução lógica formal e o confronto de suas conclusões com fatos observáveis. A utilização desse método permitiu à civilização ocidental alcançar notável progresso tecnológico nos últimos séculos. Ao dotar seus alunos desse poderoso instrumental analítico, o curso de economia capacita-os a diferentes desafios profissionais. Para tanto, cabe às instituições brasileiras elevar o formalismo no ensino de teoria econômica e ampliar o número de docentes e discentes envolvidos em pesquisas científicas de nível internacional.

sábado, 12 de setembro de 2009

ECONOMIA NA REVISTA VEJA

Altamente recomendável a leitura da VEJA que está nas bancas desta semana. Vejam meus caros leitores queem 500 anos, os EUA saltaram à frente da América Latina ao conjugar capitalismo e democracia. No mundo pós-crise, começa a ficar claro que esse binômio se constrói mais na política do que no mercado. Alguém duvida?

No começo da colonização, a América Latina era mais rica e tinha sociedades mais complexas que a América do Norte. O Brasil, com terra e clima promissores, já tinha vida comercial, com o pau-brasil e depois com o açúcar, mercadoria altamente valorizada na época, enquanto as tentativas de colonização nos Estados Unidos eram um fracasso atrás do outro. Nos primeiros 250 anos da colonização europeia, a América ibérica teve alguma vantagem sobre a América inglesa. Nos 250 anos seguintes, período em que as colônias viraram países independentes e republicanos, o jogo inverteu-se brutalmente. A renda per capita dos americanos e canadenses disparou. De acordo com as contas do cientista político Francis Fukuyama, o ex-ícone do conservadorismo americano e editor de Falling Behind, que trata do desnível entre as Américas, o calendário do fosso foi o seguinte.

Até cerca de 1800, o norte e o sul das Américas evoluíram de modo mais ou menos semelhante.

• De 1820 a 1870, período que concentrou as guerras de independência, a América Latina encolheu 0,5% ao ano. Os Estados Unidos cresceram 1,39% ao ano.

• De 1870 a 1970, com uma interrupção durante a depressão dos anos 30, a América Latina cresceu até mais do que os Estados Unidos, mas num ritmo longe de cobrir a diferença.

• De 1970 até agora, os Estados Unidos voltaram a crescer mais que os vizinhos do sul, aprofundando o fosso.

• Em 2001, a renda per capita americana superava 27000 dólares. A latino-americana não chegava a 6 000 dólares.

O Brasil avançou em muitos aspectos, mas ainda é "a eterna promessa de futuro", ora como celeiro do mundo, ora como potência verde, ora com etanol, ora com pré-sal, mas sempre o país em busca de cumprir o vaticínio da aurora redentora."

Triste e sem um futuro de riqueza uma sociedade que não consegue manter o CAPITALISMO e a DEMOCRACIA. Fiquemos pois atentos neste 2010 no qual várias ideias serão lançadas EM BUSCA DE UM TEMPO PERDIDO.

PREVISÃO PIB 2009 - QUEM ACERTA?

O editorial do ESTADÃO de hoje coloca a situação do OTIMISMO pelo fim da recessão de uma maneira real, economicamente didática e com argumentação a produzir nos cérebros uma visão realista do resultado esperado para 2009.

A economia brasileira voltou a crescer, a recuperação ganha impulso e 2010 só será um ano ruim se houver um repique da crise nos países mais desenvolvidos. A recessão no Brasil terminou no segundo trimestre, com um crescimento de 1,9% em relação ao primeiro. A confirmação veio ontem, quando se divulgaram as novas informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Brasil é um dos primeiros países a sair da crise, mas também nos Estados Unidos e na Europa há sinais de melhora. A recessão mundial deverá ser mais curta do que se previa, segundo as principais organizações multilaterais. É cedo para se descartar o risco de uma recaída, mas, por enquanto, as perspectivas globais são razoavelmente animadoras.
O governo festeja, com razão, a relativa brevidade da recessão no Brasil. Mas é preciso apontar dois outros fatos positivos. Em primeiro lugar, não houve crise cambial, embora a receita de exportações tenha diminuído. O País entrou na crise com um robusto superávit comercial e o saldo de exportações menos importações continuou positivo. O déficit em transações correntes aumentou, em parte por causa da maior remessa de lucros. Mas as pressões sobre o câmbio foram passageiras e o Banco Central, com bom volume de reservas, poderia tê-las enfrentado, se fosse necessário.
Dificuldades cambiais poderiam, como noutros episódios, ter provocado uma elevação de preços, mas isso não ocorreu e a inflação permaneceu controlada. Este é outro ponto positivo. Com a inflação contida, evitou-se a corrosão dos salários e também isso contribuiu para a sustentação do consumo, apesar do aumento do desemprego.
Com a contração da economia mundial, as empresas brasileiras passaram a depender quase exclusivamente do mercado interno para se manter. A demanda foi sustentada pelo consumo privado, com expansão de 2,1% sobre o primeiro trimestre. Dos demais componentes da demanda, o investimento se manteve em variação de um trimestre para outro e o chamado consumo do governo continuou em queda.
Do lado da oferta, houve resultados positivos na indústria e nos serviços, enquanto a produção agropecuária diminuiu. A redução de impostos para a compra de veículos deu resultados. O incentivo ao consumo de produtos eletroeletrônicos parece ter sido menos eficiente, mas também contribuiu para manter as fábricas funcionando. O corte de tributos pelo Ministério da Fazenda e as injeções de dinheiro pelo Banco Central foram iniciativas acertadas. Mas o governo foi incapaz de acionar um grande programa de investimentos, embora o Tesouro dispusesse de recursos para isso. A maior parte do aumento do gasto público federal concentrou-se na folha de salários e nos benefícios pagos pela Previdência - na despesa permanente e dificilmente redutível nos próximos anos.
O consumo privado provavelmente se manterá, até o fim do ano, como o principal motor da economia. Mas só haverá expansão econômica segura, nos próximos anos, com mais investimento produtivo e mais exportações. No segundo trimestre, o investimento em máquinas, equipamentos, infraestrutura e instalações ficou 17% abaixo do registrado entre abril e junho do ano passado. Quando se comparam os primeiros seis meses de 2009 e 2008, a diferença para menos é de 16,6%.
Se os empresários não voltarem a investir com certa rapidez, a capacidade produtiva será esgotada em pouco tempo e isso criará pressões inflacionárias. Mas será preciso também cuidar da infraestrutura, para eliminar gargalos cada vez mais prejudiciais ao País.
A importância do outro fator, a exportação, é facilmente compreensível. Maior crescimento da economia resultará em maior despesa com importações. O País precisará de bom volume de receitas com a venda de produtos, para manter a segurança nas contas externas. Isso é especialmente relevante, no Brasil, porque a conta de serviços (viagens, fretes e juros, entre outros itens) é estruturalmente deficitária. Como a recuperação do comércio mundial será provavelmente moderada, os exportadores brasileiros precisarão ser mais competitivos para disputar espaço no mercado. Mais do que nunca será preciso reduzir as desvantagens comparativas. O melhor começo seria a redução de impostos.

PREVISÃO PIB 2009 - QUEM ACERTA?

Ainda sobre a previsão do PIB 2009, leio agora no blog da Miriam Leitão que o PIB brasileiro cresceu 1,9% no segundo trimestre e o país saiu da recessão. Para frente, as perspectivas são de um crescimento ligeiramente melhor no terceiro trimestre, de 2% na margem, diz Sérgio Vale, da MB Associados.

Segundo ele, os dados divulgados até aqui indicam que o comportamento positivo na margem vai se manter neste terceiro trimestre, com recuperação das indústrias (no lado da oferta) e dos investimentos (pelo lado da demanda).

Isso não muda, no entanto, a perspectiva de crescimento zero ou baixo crescimento da economia neste ano. Indústrias seguem abaladas, com fortes quedas na comparação interanual. E permanecem riscos de pequena queda do PIB em 2009.

A consultoria mantém, desde o final do ano passado, a projeção de 0,2% de expansão do PIB neste ano. Um desempenho positivo considerando-se a crise. Mas muito aquém das previsões de 4% em 2009 traçadas antes de setembro do ano passado.

— No segundo semestre não existem mais grandes transferências de renda do governo, a não ser a adição de um milhão de famílias no Bolsa Família. Mas a recuperação da renda deve manter-se pela recuperação da classe média, que está em pleno curso — acrescenta.

Ele entende que os destaques do semestre devem ser ainda o varejo, que ajudará a indústria a se recuperar no final do ano. E a própria indústria pode ser destaque, principalmente de bens duráveis e de construção.

— Alguns testes serão importantes ainda, como a diminuição da redução do IPI de automóveis, mas que não acreditamos que vá ter grandes impactos negativos.

Para o próximo ano, a MB manteve as perspectivas de crescimento de 4%, embora entenda que o número caminhe para se tornar um piso.

Para os meus quase dois (milhões de) leitores, ao final de 2009, veremos quem tem razão ou apenas faz o jogo político.