domingo, 28 de outubro de 2012

29 de outubro - Dia Nacional do Livro.


Você sabe por que comemoramos o dia Nacional do Livro no dia 29 de outubro? Por que foi nesse dia, em 1810, que a Real Biblioteca Portuguesa foi transferida para o Brasil, quando então foi fundada a Biblioteca Nacional e esta data escolhida para o DIA NACIONAL DO LIVRO. 
 
O Brasil passou a editar livros a partir de 1808 quando D.João VI fundou a Imprensa Régia e o primeiro livro editado foi "MARÍLIA DE DIRCEU", de Tomás Antônio Gonzaga. 

Fonte: Instituto Pró-Livro. 

Leia sempre. Ler é cultura. 

O lado pop do Nobel.

Da série: minhas leituras - 3:

"Em A RIQUEZA DAS NAÇÕES, lançado em 1776, ADAM SMITH defendeu, entre outras coisas, a livre concorrência entre os empresários como forma de garantir preços mais justos e a inovação tecnológica. Desde a publicação da obra-prima de SMITH, a população mundial saltou de 1 bilhão para 7 bilhões de habitantes, houve duas grandes guerras mundiais, o surgimento e a derrocada do comunismo e a invenção dos computadores. Com toda essa evolução, é natural esperar que o estudo da economia também esteja se redescobrindo a cada dia. O mais incrível, talvez, seja o fato de SMITH continuar tão atual. Foi ele quem mostrou a utilidade e o dinamismo da economia de mercado e por que - e, em particular, como - esse dinamismo operava. Por mais pop que seja, o Nobel continua tão ortodoxo como sempre".     

Fonte: Revista EXAME. 

Da série: minhas leituras - 2.

Esta vai para os Professores Alexandre Schwartsman e Carlos Pio: "As pessoas deveriam sustentar-se graças a seus esforços e àquilo que ganham [...] e depender o menos possível do Estado."

"Ela acreditava que, em contraste com o Estado socialista, o Estado do bem-estar social era perfeitamente compatível com o livre mercado e a democracia. Apresentava o Estado do bem-estar social como o próximo estágio da evolução natural do Estado Liberal".

Trata-se do pensamento da aqui desconhecida Beatrice Ellen Potter, esposa de Sydney Webb, que juntos criaram o conceito de "Estado do bem-estar social" e do "think tank". Em almoço em Oxford, conheceu Alfred Marshall.

Fonte: A imaginação econômica: gênios que criaram a economia moderna e mudaram a história - Sylvia Nasar. 

7,25%.


Li recentemente na FOLHA, Antonio Delfim Netto e sua análise da última decisão do Copom.

O exercício da política econômica é, por sua própria natureza, um fato datado e incerto. Datado pelo conhecimento acumulado ao longo dos anos, de que seu agente se supõe portador. Incerto porque necessariamente envolve uma perspectiva sobre o ambiente interno e externo em que ela se executará.


O problema técnico encontra o seu limite no conhecimento do agente. Depois, trata-se de uma decisão tomada entre prospectivas razoáveis construídas pela imaginação e a cuja realização pode-se, apenas, atribuir uma probabilidade subjetiva.

Um exemplo parcialmente típico dessa situação foi enfrentado pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, quando decidiu, por 5 votos a 3, reduzir a taxa Selic de 7,5% para 7,25%, "porque o cenário prospectivo para a inflação ainda comportava um último ajuste nas condições monetárias".

Os membros que votaram contra "entenderam que não era necessário mais um corte de juros para garantir a melhora do crescimento econômico", pois o cenário não o recomendava.

Não parece ter havido nenhuma divergência técnica. Podemos supor, com toda razoabilidade, que os oito votantes têm formação profissional competente, colhida em excelentes academias, nenhuma das quais se pode classificar como heterodoxa ou ideologicamente muito diferente.

A mais importante diferença talvez seja a da probabilidade subjetiva que cada um atribuiu ao que supõe será o desenvolvimento da economia mundial no futuro próximo.

Os vencedores apostaram na prospectiva que sugere que a fragilidade e as incertezas que dominam a economia mundial serão mais prolongadas do que se supõe e terão algum efeito "desinflacionário" sobre a doméstica.

Os perdedores apostaram na prospectiva de que os efeitos das medidas já tomadas pela política econômica (fiscal, monetária e cambial) não esgotaram os seus efeitos e que, portanto, mais uma queda marginal dos juros não era necessária para garantir a volta ao crescimento. Estes, talvez, tenham sido atendidos com o registro de que seria o "último ajuste (...) por um tempo suficientemente prolongado" nas condições monetárias.

O que o Banco Central não explicita é que sua hipótese, se verdadeira, ajudará a elevar o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) ao mesmo tempo em que fará a inflação convergir para a sua meta.

Temos a impressão (não é nada mais do que isso) de que a prospectiva dos vencedores tem maior probabilidade de realizar-se, mas isso só o tempo revelará. Não a teoria ou a ideologia. 

Barack Obama for Re-Election.


Como já tinha ocorrido em 2008, o jornal "The New York Times" anunciou ontem que apoia a candidatura de reeleição de Barack Obama.
Abaixo, pequeno trecho do editorial publicado. Isso é liberdade de imprensa. Enquanto isso, no Brasil... 
The economy is slowly recovering from the 2008 meltdown, and the country could suffer another recession if the wrong policies take hold. The United States is embroiled in unstable regions that could easily explode into full-blown disaster. An ideological assault from the right has started to undermine the vital health reform law passed in 2010. Those forces are eroding women’s access to health care, and their right to control their lives. Nearly 50 years after passage of the Civil Rights Act, all Americans’ rights are cheapened by the right wing’s determination to deny marriage benefits to a selected group of us. Astonishingly, even the very right to vote is being challenged.
That is the context for the Nov. 6 election, and as stark as it is, the choice is just as clear.
For these and many other reasons, we enthusiastically endorse President Barack Obama for a second term, and express the hope that his victory will be accompanied by a new Congress willing to work for policies that Americans need.

Da série: minhas leituras - 1.

"Muitos acreditam também que a América Latina jamais enriquecerá devido ao caráter intrinsecamente libertino e carente de seu povo, que além disso sofre do mal da cultura 'ibérica', a tendência a deixar tudo para mañana". 

Fonte: Por que as nações fracassam: as origens do poder, da prosperidade e da pobreza - Daron Acemoglu & James Robinson. .   

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Nobel em Economia 2012.

The Sveriges Riksbank Prize in Economic Sciences in Memory of Alfred Nobel 2012 was awarded jointly to Alvin E. Roth and Lloyd S. Shapley "for the theory of stable allocations and the practice of market design"

sábado, 13 de outubro de 2012

Peso morto.


Editorial de hoje da FOLHA DE S. PAULO e o pessimismo do FMI com a economia global.  

Não são nada animadoras as conclusões do último encontro do FMI, realizado em Tóquio nesta semana. Houve nova revisão para baixo das projeções de crescimento global em 2012 (de 3,5% a 3,3%) e 2013 (de 3,9% a 3,6%).

As incertezas sobre as economias desenvolvidas, cujo PIB deve expandir-se mero 1,3% neste ano, é a principal razão do desalento.

Mais preocupante foi o quadro de médio prazo apresentado pelo economista-chefe do FMI, Olivier Blanchard, para quem é possível que os efeitos da crise financeira de 2008 e o baixo crescimento durem uma década. Ou seja, o mundo pode estar apenas na metade do caminho para resolver os desequilíbrios acumulados.

Foram também reforçados os alertas quanto ao risco de deterioração ainda maior. A Europa não afastou completamente a possibilidade de ruptura do euro. Os EUA podem ter de recorrer a cortes traumáticos no Orçamento, caso democratas e republicanos não entrem em acordo para renovar medidas de estímulo após as eleições.

E a China, a despeito das projeções de crescimento próximo a 8% para 2013, pode ter uma desaceleração abrupta durante o processo atual de transição para um modelo menos ancorado em investimentos estatais.

Por fim, em seu "Relatório de Estabilidade Financeira", o FMI apresentou estimativas das fragilidades do sistema bancário mundial, em especial do europeu. Ainda haveria a necessidade de reduzir a exposição dos bancos em cerca de US$ 2,8 trilhões até o fim de 2013. Nessa perspectiva, certamente o crédito continuará deprimido na zona do euro.

Como o foco da crise permanece na Europa, a diretora-geral do FMI, Christine Lagarde, pediu mais flexibilidade nos planos de ajuste orçamentário. Os países, defendeu, não devem se agarrar cegamente a programas duros, caso o crescimento se mostre aquém do esperado.

É correto, mas a alternativa tampouco soa atraente. Para os países presos na camisa de força da moeda única, dificilmente será com mais endividamento público que a confiança de empresários e consumidores será restaurada.

A única saída -fora do cenário extremo de desmantelamento do euro- parece ser a manutenção do curso no ajuste fiscal e nas reformas estruturais. E, nesse meio-tempo, que o Banco Central Europeu financie os governos, caso o mercado privado não o faça.

Esse é o equilíbrio precário que foi conseguido a duras penas até aqui. O restante do mundo -além da amarra do baixo crescimento- permanece dependente de um desfecho para o imbróglio europeu.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Cair na real com Delfim.


Neste tempo de Círio de Nazaré em Belém do Pará, comento com os meus ainda, espero, dois fiéis leitores, que os atrasos nas postagens ocorrem devido a dificuldades logísticas. Isso posto, como estamos com um final de semana prolongado e para afirmar que não esquecemos deste democrático espaço, abaixo texto do Professor Delfim Netto, publicado nesta data na FOLHA DE S. PAULO.

Alguns analistas econômicos são vítimas de grave processo obsessivo misticamente ligado ao número três.

Há poucos meses, acreditavam piamente num ridículo modelo mágico. Uma espécie de "síntese" de toda a política econômica apoiada nas últimas descobertas da "ciência monetária" que, com três equações, cobriria toda a complexidade do mundo real.
O próprio Banco Central namorou a ideia. Diante da lenda urbana, o setor privado gastou milhares de homens/hora de alta qualificação para mimetizá-la e, assim, "adivinhar" o que faria o Copom na próxima reunião.

A nova obsessão são os famosos "três pilares" da política econômica adotada quando o modelo mágico quase nos levou ao "default", em 1998. Introduzida em 1999, depois da desvalorização cambial, a política de responsabilidade fiscal, de metas de inflação e de liberdade cambial não nos poupou da ameaça de outro "default" em 2002. Só nos livramos graças à assistência do FMI.

No período que vai de 1999 a 2001, em que alguns analistas supõem que aplicamos o regime "puro", os números mostram resultados não muito interessantes: taxa de crescimento médio de 2,1% do PIB; taxa média de inflação anual de 8,8%; déficit público médio de 4,4%.

A dívida líquida/PIB, que era de 39% no fim de 1998, elevou-se a 51% no fim de 2002. No período, acumulamos um déficit em conta-corrente de US$ 80 bilhões. Houve, sim, grande progresso institucional, o maior dos quais, seguramente, foi a Lei de Responsabilidade Fiscal, de 2000, que transformou o Brasil numa área monetária ótima.

Não há nada contra o uso comedido dos três pilares, mas não é possível erigi-los em objetivos religiosos como parecem fazer alguns. Aliás, o competente economista Armínio Fraga, responsável pela política econômica que os criou, sempre pareceu entendê-los "cum grano salis".

Não creio que alguém tenha ouvido dele a proposição de que, com um único instrumento (a taxa de juros nominal de curto prazo), o Banco Central só pode atingir um objetivo (a taxa de inflação)! E a razão é simples: o teorema no qual ela se sustenta é logicamente verdadeiro. O que é falso são suas hipóteses!

Isso, hoje, é reconhecido por excelentes acadêmicos convertidos pela vivência da política econômica a uma pequena "heterodoxia". Dentre eles, dois que tiveram grande importância na formação de nossos economistas: Stanley Fischer e Olivier Blanchard.

Afirmar, portanto, que a política monetária tem de considerar a taxa de crescimento do PIB é pecado apenas no mundo "virtual" em que vivem alguns de nossos analistas.