domingo, 24 de maio de 2015

A morte de John Nash: A Beautiful Mind.

Neste outono brasileiro um triste domingo para o mundo da Matemática e da Economia com a notícia da morte do genial John Forbes Nash, Jr – gênio matemático, inventor da teoria do comportamento racional e visionário da máquina pensante.

Ganhou o Nobel de Economia em 1984 e dele a jornalista e economista Sylvia Nasar escreveu o belo “Uma mente brilhante”, livro que deu origem ao filme de mesmo nome, estrelado por Russell Crowe.   



John Nash dead.

Nobel Prize-winning mathematician John Nash was killed in a car accident on Saturday, New Jersey State Police told The Huffington Post.
The Princeton University scholar was 86 years old. His wife Alicia was also killed in the crash.
According to police, they were riding in a taxi on the New Jersey Turnpike and were ejected from the vehicle. NJ.com reports that Nash and his wife were not wearing seatbelts.
Nash was the subject of the Academy Award-winning film 'A Beautiful Mind'. The film depicted his groundbreaking work in game theory, for which he won the Nobel Prize in Economic Sciences in 1994. He also received the Abel Prize, one of mathematics' most prestigious honors, in March.
'A Beautiful Mind', which starred Russell Crowe, also depicted Nash's struggles with mental illness. Nash suffered from schizophrenia and, after his recovery, became an advocate for improving mental health care.

"Stunned...my heart goes out to John & Alicia & family," Crowe tweeted on Sunday."An amazing partnership. Beautiful minds, beautiful hearts."

A Quarta Revolução: Micklethwait e Wooldridge.

Segundo a Foreign Affairs trata-se de um livro inteligente e com argumentos afiados.  


Correr: Drauzio Varella.



sábado, 16 de maio de 2015

A vida começa todos os dias: doutorado aos 102 anos.


Leio hoje no UOL:

Uma alemã de 102 anos defendeu sua tese de doutorado cerca de 80 anos depois de ter sido impedida de fazê-lo pelo regime nazista por causa de sua ascendência judaica, comunicou nesta sexta-feira (15) o Hospital Universitário de Hamburgo-Eppendorf.

A defesa da pediatra Ingeborg Syllm-Rapoport, ocorrida na quarta-feira, foi bem-sucedida e ela receberá o título de doutora em junho. A tese sobre difteria havia sido escrita entre 1937 e 1938, mas na época ela foi impedida de fazer o exame oral necessário para obter o título de doutora.

Na época, a direção da Faculdade de Medicina justificou a decisão com a chamada lei de raças, que discriminava pessoas judias ou de ascendência judaica. A mãe de Ingeborg era judia.

"Com esse exame de doutorado não podemos desfazer a injustiça cometida, mas contribuímos para a confrontação com o pior lado da história alemã nas universidades e escolas superiores", disse o diretor da Faculdade de Medicina, Uwe Koch-Gromus.

Ingeborg Syllm-Rapoport nasceu em 1912, filha da pianista judia Maria Syllm, e migrou em 1938 para os Estados Unidos, onde trabalhou como pediatra. Lá ela conheceu seu futuro marido, Samuel Mitja Rapoport, com quem teve quatro filhos.

Em 1952, os dois simpatizantes do socialismo se mudaram para Berlim Oriental, na então Alemanha comunista. Em 1969, Ingeborg assumiu, no hospital universitário Charité, a primeira cátedra de neonatologia na Alemanha. Ela era uma das mais renomadas pediatras da Alemanha Oriental.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

O exemplo do general Marshall - Joaquim Levy.


Joaquim Levy, com brilhante memória, na FOLHA. 

Planejamento, persistência, gestão de pessoas e alinhamento com os princípios da missão são elementos essenciais para o sucesso da maior parte das empreitadas.

Um bom exemplo dessa combinação encontra-se na atuação de George Marshall, que liderou o Exército americano durante a Segunda Guerra Mundial, tendo sido indispensável para a sua vitória, especialmente no cenário europeu, alcançada 70 anos atrás.

O general Marshall anteviu a necessidade de o Exército estar preparado para defender o país bem antes de ele ser atacado. Já antes do início do conflito na Europa, ele alertou o presidente americano da imperiosa urgência de reorganizar e dar meios àquela força.

Como tantos, ele propugnava o desenvolvimento da Força Aérea, que era então primitiva e pequena. Mas, fiel ao seu feitio, quando foi proposto um plano de rapidamente se produzirem 10 mil aviões, ele foi contra, preferindo uma quantidade bem menor de unidades, mas acompanhada dos recursos para treinar pilotos e desenvolver o apoio logístico indispensável para a efetividade daquele investimento.

Essa atenção ao equilíbrio e o foco na organização industrial foram cruciais quando o Exército americano passou de menos de 200 mil soldados em 1939 para 4 milhões quatro anos depois.

Para liderar esse vasto contingente em armas, Marshall valeu-se de alguns critérios para selecionar generais que havia alinhavado anos antes, preferindo aqueles que exibissem bom senso, conhecessem seu ofício, estivessem em boa forma física --demonstrando energia--, fossem otimistas (irradiando um espírito positivo) e cuja lealdade fosse acompanhada de determinação.

Essas características, sem nada de especial na aparência, em geral se traduziam na capacidade de trabalhar em grupo, responder sob pressão e não culpar os outros pela adversidade. Elas também permitiram uma ênfase em preservar a vida dos seus comandados, o que era raramente visto antes na condução de um conflito armado.

Esse respeito foi uma regra básica para o bom funcionamento de um Exército de cidadãos, que abraçaram a missão de defender a democracia. Seu impacto no moral dos combatentes contribuiu para o Exército superar diversos reveses e pautar o comportamento da tropa à medida que foram conquistando território, inclusive em relação aos civis que foram encontrando.

Os princípios de gestão aí ilustrados se aplicam ao grande número de atividades humanas, e suas manifestações não escaparam aos mais argutos participantes da FEB (Força Expedicionária Brasileira), que combateu lado a lado com os Aliados, especialmente os americanos.

Osvaldo Cordeiro de Farias, um dos mais capazes integrantes da FEB, recordava-se de como os americanos souberam aproveitar os talentos de oficiais e soldados das mais diversas origens, transformando, por exemplo, um gerente de supermercado em oficial graduado de logística.

Lembrava-se também de como oficiais com dois ou três anos de experiência se mostravam tão ou mais capazes do que os próprios oficiais de carreira, americanos ou brasileiros.

Isso porque mecanismos que aceleravam a difusão de boas práticas e de experiências malogradas se traduziam no rápido aprendizado a partir de erros iniciais. Essas lições, sem dúvida, auxiliaram esse notável artilheiro brasileiro quando passou para a vida civil e liderou um importante grupo industrial décadas depois.

A confiança na capacidade de pessoas de diversas origens é um dos traços essenciais da democracia e base da inclusão. Ela também esteve presente na visão estratégica do general Marshall, que permitiu dar fundamental contribuição não só para a vitória da guerra mas também para a paz, quando ele idealizou o plano de auxílio para a Europa no pós-Guerra.

Esse plano, que levou seu nome, ao alavancar o potencial do continente, permitiu sua recuperação econômica, culminada com a criação do Mercado Comum Europeu dez anos depois.

Ao se comemorar o fim da maior das guerras no território europeu e merecidamente homenagear os milhares de pracinhas que o Brasil mandou à Itália e que voltaram com tantas e variadas experiências, parece mais atual do que nunca o exemplo desse general que declinou as posições mais visíveis no seu Exército, para garantir o seu bom funcionamento e as grandes escolhas estratégicas que lhe trouxeram a vitória.


domingo, 3 de maio de 2015

Desvendar a trama: Fernando Henrique Cardoso no Estadão.

Eu preferiria não voltar ao tema arquibatido das crises que nos alcançaram. Mas é difícil. Vira e mexe, elas atingem o bolso e a alma das pessoas. Na última semana o início de recessão repercutiu fortemente sobre a taxa de desemprego. Considerando apenas as seis principais metrópoles, ela atingiu 6,2%, a maior taxa desde 2001. A Petrobras, ao tentar virar uma página de sua história recente, pôs em evidência que o “propinoduto”, enorme (R$ 6 bilhões), é incomparavelmente menor do que o “asnoduto”, dos projetos megalômanos e malfeitos: R$ 40 bilhões. São cifras casadas, pois quanto piores ou mais incompletos os projetos de obras, mais fácil se torna aumentar seu custo e desviar o dinheiro para fins pessoais ou partidários.

O setor elétrico foi vítima de males semelhantes (só à Petrobras as “pedaladas” da Eletrobrás custaram R$ 4,5 bilhões) e não é o único no qual os desmandos vêm se tornando públicos. Se algum dia se abrirem as contas da Caixa Econômica, vai-se ver que o FGTS dos trabalhadores deu funding para uma instituição bancária pública fazer empréstimos de salvamento a empreendimentos privados quebrados. No caso do BNDES, a despeito da competência de seus funcionários, emprestou-se muito dinheiro a empresas de solvabilidade discutível, também com recursos do FAT, ou seja, dos trabalhadores (ou dos contribuintes), oriundos do Tesouro.

No afã de “acelerar o crescimento” usando o governo como principal incentivo, as contas públicas passaram a sofrer déficits crescentes. Pior, dada a conjuntura internacional negativa e o pouco avanço da produtividade nacional, também as contas externas apresentam índices negativos preocupantes quando comparados com o PIB brasileiro (cerca de 4%, com viés de alta). Pressionado pelas circunstâncias, o governo atual teve que entregar o comando econômico a quem pensa diferente dos festejados (pelos círculos petistas e adjacentes) autores da “nova matriz econômica”. Esta teria descoberto a fórmula mágica da prosperidade: mais crédito e mais consumo. O investimento, ora, é consequência do consumo… Sem que se precisasse prestar atenção às condições de credibilidade das políticas econômicas.

As consequências estão à vista: chegou a hora de apertar os cintos. Como qualquer governo responsável — antes se diria, erroneamente, neoliberal —, o atual começou a cortar despesas e restringir o crédito. Há menos recursos para empréstimos, mais obras paradas, maior desemprego, e assim vamos numa espiral de agruras, fruto da correção dos desacertos do passado recente. Para datar: esta espiral de enganos começou a partir dos dois últimos anos do governo Lula. Agora, na hora de a onça beber água, embora sem reconhecer os desatinos, volta-se ao bom senso. Mas, cuidado, é preciso que haja senso.

Ajuste fiscal, às secas, sem confiança no governo, sem horizontes de crescimento e, pois, com baixo investimento, é como operação sem anestesia. Pior: política econômica requer dosagem, e nem sempre os bons técnicos avaliam bem a saúde geral do país. Também o cavalo do inglês aprendeu a não comer; só que morreu.

Não quero ser pessimista. Mas o que mais falta faz neste momento é liderança. Gente em quem a gente creia, que não só aponte os caminhos de saída, mas comece a percorrê-los. Não estou insinuando que sem impeachment não há solução. Nem dizendo o contrário, que impeachment é golpe. Estou apenas alertando que as lideranças brasileiras (e escrevo assim no plural) precisam se dar conta de que desta vez os desarranjos (não só no plano econômico, mas no político também) foram longe demais.

Reerguer o país requer primeiro passar a limpo os erros. Não haverá milagre econômico sem transformação política. Esta começa pelo aprofundamento da operação Lava-Jato, para deixar claro por que o país chegou onde chegou. Não dispensa, contudo, profundas reformas políticas.

Não foram os funcionários da Petrobras os responsáveis pela roubalheira (embora alguns nela estivessem implicados). Nenhuma diretoria se mantém sem o beneplácito dos governos, nem muito menos o dinheirão todo que escapou pelo ralo foi apropriado apenas por indivíduos. Houve mais do que apadrinhamento político, construiu-se uma rede de corrupção para sustentar o poder e seus agentes (pessoas e partidos).

Não adianta a presidente dizer que tudo agora está no lugar certo na Petrobras. É preciso avançar nas investigações, mostrar a trama política corrupta e incompetente. Não foi só a Petrobras que foi roubada, o país foi iludido com sonhos de grandeza nacional enquanto a roubalheira corria solta na principal companhia estatal do país.

Quase tudo o que foi feito nos últimos quatro mandatos foi anunciado como o “nunca antes feito neste país”. É verdade, nunca mesmo se errou tanto em nome do desenvolvimento nacional nem jamais se roubou tanto sob a proteção desse manto encantado. Embora os diretores da Petrobras diretamente envolvidos na roubalheira devam ser penalizados, não foram eles os responsáveis maiores.

Quem enganou o Brasil foi o lulopetismo. Lula mesmo encharcou as mãos de petróleo como arauto da falsa autossuficiência. E agora, José? Não há culpabilidade política? Vai-se apelar aos “exércitos do MST” para encobrir a verdade?

É por isso que tenho dito que impeachment é uma medida prevista pela Constituição, pela qual não há que torcer, nem distorcer: havendo culpabilidade, que se puna. Mas a raiz dos desmandos foi plantada antes da eleição da atual presidente. Vem do governo de seu antecessor e padrinho político. O que já se sabe sobre o petrolão é suficientemente grave para que a sociedade repudie as forças e lideranças políticas que teceram a trama da qual o escândalo faz parte. Mas é preciso que a Justiça não se detenha antes que tudo seja posto às claras. Só assim será possível resgatar os nossos mais genuínos sentimentos de confiança no Brasil e no seu futuro.

sábado, 2 de maio de 2015

World War II: The Fall of Nazi Germany May 2, 1945.


On 2 May 1945, after one of the most intense battles in human history, the guns at last stopped firing amongst the ruins of Berlin. According to Soviet veterans, the silence that followed the fighting was literally deafening. Less than four years after his attack on the Soviet Union, Hitler's self-proclaimed thousand-year Reich had ceased to exist. The German Führer himself was dead.

John Maynard Keynes em 2015.

Keynes (1883-1946) foi o inglês mais inteligente de sua geração.

Ele tinha uma capacidade analítica incomum, abordava os problemas por ângulos sempre novos e não receava mudar de ideia.

Foi dono de um poder de persuasão poucas vezes visto na história.

Richard Davenport-Hines em entrevista a VEJA.  

Getúlio Vargas em 2015.

“O Sr. Getúlio Vargas, senador, não deve ser candidato. 

Candidato, não deve ser eleito. 

Eleito, não deve tomar posse. 

Empossado, devemos recorrer à revolução para impedi-lo de governar”.

Tribuna da Imprensa - Carlos Lacerda - 1950. 

Brasil: a economia sem o apoio da política.


No mês onde o mundo comemora o Dia Internacional do Trabalho, o trabalhador brasileiro, governado por um partido dito dos Trabalhadores, espera com paciência bovina a taxa média de desemprego desabar dos 4,8% a.a. em 2014 para estimados 6,8% a.a. e 8,0% a.a. ao final dos anos de 2015 e 2016, respectivamente.

Enquanto isso, a taxa básica de juros (SELIC) sobe de 12,75% a.a. para 13,25% a.a. e o PIB estimado para o final deste 2015 desaba para -1,5% a.a., depois de um 2014 estagnado.

A inflação, sempre ela, há muito tempo ultrapassou o centro da meta de 4,5% a.a. e nas compras o consumidor observa o seu dinheiro não chegar ao final do mês.  

As contas do governo registraram em março um superávit primário de R$ 1,5 bilhão, valor muito inferior ao esperado pelo mercado que era de cerca R$ 3,2 bilhões.

Para complicar, os políticos não se entendem e no horizonte ainda não temos uma liderança capaz de reverter este quadro. 

E quem podia ajudar, hoje mais atrapalha. 

Pelo menos, Joaquim Levy demonstra ser um moço calmo. 

Até quando?

Royal baby born: Kate Middleton gives birth to a girl!


Valor Econômico - 15 anos.

FOLHA DE S. PAULO: Maior jornal de economia e negócios do país, o "Valor Econômico" completa, neste sábado (2), 15 anos de circulação. Uma parceria entre o Grupo Folha e o Grupo Globo, o "Valor" passa a investir em produtos cada vez mais específicos e segmentados de seu conteúdo, produzido por mais de 200 jornalistas.

Segundo a diretora de Redação do "Valor", Vera Brandimarte, essa é a tendência de qualquer empresa, "interpretar o que o cliente quer, como ele muda seus hábitos e adaptar produtos específicos para ele".

Com 60.118 assinantes nas edições impressa e digital, o "Valor" lançou em 2014 o Valor PRO, que oferece em tempo real notícias e informações exclusivas.

Todo o conteúdo feito pela equipe do jornal é inicialmente disponibilizado aos assinantes do Valor PRO e, depois, adaptado e publicado nas edições impressa e digital. O jornal também possui o Valor Empresas, um banco de dados com informações de mais de 5.000 companhias de todo o Brasil.

Lançado em maio de 2000 em meio ao boom de novos sites de notícias, o "Valor" se impôs como jornal de economia em sua versão impressa. A base de sua direção editorial era oriunda da "Gazeta Mercantil", jornal fundado em 1920, que deixou de circular em maio de 2009.

Seu primeiro diretor de Redação --e um dos principais responsáveis pela definição da linha editorial do veículo-- foi o jornalista Celso Pinto, ex-colunista da Folha, que se licenciou do "Valor" em 2003.

Ao longo desses 15 anos, o jornal se firmou em outras plataformas e se tornou referência no seu segmento. Encerrou 2014 com faturamento bruto de R$ 220 milhões.

"O 'Valor' não passou ao largo de todas as situações difíceis e de mudanças no modelo de negócio das empresas do setor, principalmente nos anos entre 2002 e 2004", diz Vera Brandimarte.

"Mas sempre tivemos o lastro financeiro dos controladores e um time de jornalistas que fizeram a diferença nesses anos."


Grupo Folha e Grupo Globo detêm 50% cada um de participação, os conselhos administrativo e editorial do jornal são divididos em partes iguais, e as decisões são sempre tomadas por unanimidade. "A relação é harmônica, e o comando da Redação, muito autônomo", afirma Antonio Manuel Teixeira Mendes, diretor-superintendente do Grupo Folha.