sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Antonio Delfim Netto: um economista notável.

Um momento inesquecível na vida deste economista cearense, que compartilho com os meus ainda, espero, dois (milhões de) leitores deste blog.

Um café na companhia do brilhante mestre Antonio Delfim Netto, que em 1959 defendeu sua tese justamente com o título "O problema do café no Brasil".

Ter o prazer de conversar com uma mente realmente privilegiada e de uma polidez somente encontrada em raras pessoas, não tem preço. 




   

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

CAEN/UFC: Prêmio ANBIMA de Mercado de Capitais 2014.

A Pós-Graduação em Economia da Universidade Federal do Ceará, CAEN/UFC, foi novamente agraciada com o Prêmio ANBIMA de Mercado de Capitais. 

Em sua oitava edição, no ano de 2012, o aluno Wandermon Silva, do Mestrado Profissional em Finanças e Seguros, orientado pelo Professor Paulo Matos havia ganho na categoria de Mestrado.

Agora, em 2014, o aluno Glaylson Sampaio, também do Mestrado Profissional em Finanças e Seguros, sob a orientação do Prof. Paulo Matos, ganha na mesma categoria o 10º Prêmio ANBIMA de Mercado de Capitais, com o trabalho intitulado: Modelagem do Comportamento Forward-looking dos índices setoriais no Brasil.

Os demais trabalhos vencedores são da Universidade de São Paulo (USP), da Fundação Getulio Vargas do Rio de Janeiro (FGV) e do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA).

Atenciosamente, 
Coordenação do CAEN/UFC


domingo, 7 de dezembro de 2014

Vitória amarga.

Fernando Henrique Cardoso, hoje em seu artigo dominical.  

Raras vezes houve vitória eleitoral tão pouco festejada. Nem mesmo o partido da vencedora, tonitruante e dado a autocelebrações, vibrou o suficiente para despertar o país da letargia.

Os mais espertos talvez tenham percebido que seus quadros minguaram, com graves perdas de entusiasmo e adesão na juventude e certo rancor em setores do empresariado mais moderno.

A reeleita possivelmente saboreie o êxito com certo amargor. É indiscutível a legalidade da vitória, mas discutível sua legitimidade. O que foi dito durante a campanha eleitoral não se compaginava com a realidade.

Só mesmo seu ministro da Fazenda, que coabita com o novo ministro designado, pôde dizer de cara lavada que a economia saíra da estagnação e que os males que a assolam vêm da crise mundial.

Recentemente, fazendo coro a esta euforia de encomenda, diante de dados que mostram um “crescimento” de 0,1% do PIB no trimestre passado, houve a repetição da bobagem: finalmente a economia teria saído da “recessão técnica”, de dois ou mais trimestres seguidos.

Palavras, palavras, palavras, que não enganam sequer aos que as estão pronunciando.

Na formação do novo gabinete, a presidenta começou a atuar (escrevo antes que a tarefa esteja completa) no sentido de desdizer o que pregara na campanha. Buscou um tripé “de direita” para o comando da economia.

Na verdade, o adjetivo é despiciendo: a calamidade das contas públicas levou-a a escolher quem se imagina possa repô-las em ordem, pois sem isso não existe direita nem esquerda, mas o caos.

Menos justificável, senão pela angústia dos apoios perdidos, é a composição anunciada do resto do Ministério de cunho mais conservador/clientelístico. Esperemos.

A presidenta, com esta reviravolta, deve sentir certa constrangedora falta de legitimidade. Foi a partir da ação dela na Casa Civil, e daí por diante, que se implantou a “nova matriz econômica”: mais gastança governamental e mais crédito público, à custa do Tesouro.

Foi isso que não deu certo, e serviu de alavanca para outros equívocos que levaram o governo do PT a perder a confiança de metade do país. Sem falar da quebra moral.

Metade, sim, mas que metade? É só ver os dados eleitorais com maior minúcia, município por município: a oposição ganhou, em geral, nas áreas mais dinâmicas do país, inclusive nas capitais onde há sociedade civil mais ativa, maior escolaridade, capacidade empreendedora mais autônoma e menos amarras aos governos.

O lulopetismo, nascido no coração da classe trabalhadora do ABC, recuou para as áreas do país onde a ação do governo supre a ausência de uma sociedade civil ativa e de setores produtivos mais independentes de decisões governamentais.

É falaciosa a afirmação de que houve vitória da oposição em áreas geográficas tomadas isoladamente: Sudeste rico em contraposição ao Nordeste pobre, idem quanto ao Sul ou quanto ao Centro-Oeste em relação ao Norte. Ou de ricos contra pobres, à moda lulista.

Por certo, como há maior concentração da pobreza nas áreas mais dependentes do assistencialismo governamental, houve, de fato, uma distinção na qual as faixas de renda pesam. Mas os sete milhões de dianteira que Aécio levou sobre Dilma em São Paulo terão sido “dos ricos”? Absurdo.

Nas áreas menos dependentes do governo, ricos e pobres tenderam a votar contra o lulopetismo; nas demais, a favor de Dilma, ou melhor, do governo.

A votação na oposição no Acre, em Rondônia, em Roraima ou nas capitais do Norte e Nordeste se explica melhor pelo dinamismo do agronegócio e pelos serviços que ele gera, e, no caso das capitais, pela maior autonomia de decisão das pessoas.

Este o xis da questão. Eleito com apoio dos mais dependentes (não só dos mais pobres, mas também dos dependentes “da máquina pública” e das empresas a ela associadas), o “novo” governo precisa fazer uma política econômica que atenda aos setores mais dinâmicos do país.

Vem daí certa tristeza na vitória: a tarefa a ser cumprida seria mais bem realizada com a esperança, o ânimo e o compromisso de campanha dos que não venceram.

Cabe agora aos vitoriosos vestir a camisa de seus opositores (como Lula já fez em 2003), continuar maldizendo-nos e fazendo malfeito o que nós faríamos de corpo e alma, portanto, melhor. Atenção: a economia não é tudo. Menos ainda um ajuste fiscal.

O êxito de uma política econômica depende, como é óbvio, da política. Economia é política. Política exige convicção, capacidade de comunicar-se, mensagem e desempenho.

No Plano Real, coube-me ser o arauto, falar com a sociedade, ir ao Congresso, convencer o próprio governo. O presidente Itamar Franco teve a sabedoria de indicar o embaixador Ricupero para me suceder, que fez o mesmo papel.

E agora, quem desempenhará a função de governar numa democracia, isto é, obter o apoio, o consentimento, a adesão dos demais atores políticos? Do Congresso, das empresas, dos sindicatos, das igrejas, da mídia, numa palavra, da sociedade.

A presidenta Dilma, mulher sincera, ciosa de suas opiniões, terá condições para se transmutar em andorinha da mensagem execrada por ela e sua grei? A nova equipe econômica terá esse perfil ou se isolará no tecnicismo?

O “petrolão” será uma ventania ou um tufão a derrubar as muralhas do governo e da “base aliada”? E a oposição se oporá de verdade, ou embarcará no tecnicismo e na boa vontade à espera de que o “mercado”, sobretudo o financeiro, acalme-se e que tudo volte à moda antiga? O mesmo se diga de cada setor da sociedade.

É mais fácil rearranjar a economia do que acertar a política. Que fazer com essa quantidade de partidos e ministérios, interligados mais por interesses, muitos dos quais escusos?


Sem liderança, nada a fazer. Com miopia eleitoreira, menos ainda. Tomara não sejam os juízes os únicos a purgar nossos males, como ocorreu na Itália, até porque no exemplo citado o resultado posterior, a eleição de um demagogo como Berlusconi, não foi promissor.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Economia brasileira: adeus 2015. Feliz 2016!

Nestes dias já tão próximos de 2015 e da nova posse em Brasília da presidente Dilma Rousseff, nossas orações e pensamentos estão direcionadas para que a nova equipe de governo consiga para este segundo mandato, o que não se conseguiu durante o período de 2011 a 2014.

Em que pese o esforço do governo na inclusão social das classes menos favorecidas, lamentavelmente os números econômicos não brilharam tanto nestes últimos anos. A relevância da taxa de desemprego em sucessivas quedas, estimando-se 5,1% para este ano, não condiz com um cenário macroeconômico de pífio crescimento e desenvolvimento.

A mediocridade do resultado do PIB esperado para 2014, algo em torno de zero, é frustrante para uma nação com mais de duzentos milhões de habitantes. Enquanto isso, a inflação registra a sua deletéria presença diariamente e a meta de 4,5% ao ano é algo que a equipe econômica efetivamente não conseguiu atingir, mesmo com o forçoso represamento de preços e tarifas.

O Banco Central ainda tenta manter a taxa de câmbio sob controle, porém estudos demonstram a real possibilidade de em 2015 a cotação R$/US$ atingir rapidamente os R$ 3,00.

Neste final de ano, para tentar sinalizar uma política monetária ortodoxa e demonstrar uma independência que efetivamente ainda não possui, o Banco Central eleva mais uma vez a taxa Selic de 11,25% para 11,75% ao ano. Para quem iniciou o governo com 10,75% de taxa Selic, a presidente não deve ter ficado muito feliz.

Enquanto o saldo da balança comercial para o final de 2014 chega a quase zero, o saldo em contas correntes estoura em quase US$ 80 bilhões.

E um governo que promoveu gastos e mais gastos em um ano de eleições presidenciais, não poderia realmente fechar bem suas contas contábeis, mesmo mantendo uma contabilidade para lá de criativa. E esquecendo que ainda possa existir algum superávit primário em 2014, o que nos restará será mais um aumento da dívida pública líquida (% PIB) para cerca de 35,5%.


Diante de tantos indicadores negativos, que os votos de um feliz 2015 já sejam acrescidos de um pedido para que 2016 não demore muito.

Best books of 2014 - The Economist.

Economics and business: 
Capital in the Twenty-First Century. By Thomas Piketty. Belknap Press; 696 pages; $39.95 and £29.95. Buy from Amazon.com<http://www.amazon.com/exec/obidos/ASIN/067443000X/theeconomists-20>; Amazon.co.uk<http://www.amazon.co.uk/exec/obidos/ASIN/067443000X/economistshop-21>
An unlikely bestseller by a French economist, who, by looking at historical changes in the concentration of income and wealth, shows that the importance of wealth in modern economies is approaching levels unseen since before 1914.

The Forgotten Depression, 1921: The Crash that Cured Itself. By James Grant. Simon & Schuster; 254 pages; $28. Buy from Amazon.com<http://www.amazon.com/exec/obidos/ASIN/1451686455/theeconomists-20>; Amazon.co.uk<http://www.amazon.co.uk/exec/obidos/ASIN/1451686455/economistshop-21>
A study of the searing 1920s by the founder of a well-regarded financial newsletter. It sheds light on a nasty, but largely ignored, episode and demonstrates that a laissez-faire approach can cure slumps better than the government activism of the 1930s-or indeed 2008.

Brazil: The Troubled Rise of a Global Power. By Michael Reid. Yale University Press; 334 pages; $32.50 and £20. Buy from Amazon.com<http://www.amazon.com/exec/obidos/ASIN/0300165609/theeconomists-20>; Amazon.co.uk<http://www.amazon.co.uk/exec/obidos/ASIN/0300165609/economistshop-21>

Our former Americas editor, now the Bello columnist, analyses the troubled rise of a global power and looks at the challenges that lie ahead.

The status of economists: The power of self-belief.

"IF ECONOMISTS could manage to get themselves thought of as humble, competent people, on a level with dentists, that would be splendid!" said John Maynard Keynes, a British economist. Despite their collective failure to predict the financial crisis, let alone follow Keynes's injunction, economists are still very influential. They write newspaper columns, advise politicians and offer expensive consulting services to business-folk far more than other academics. A new paper* tries to explain why.
One reason, say the authors, is that economists have come to believe that they are superior. A survey in 1985 found that just 9% of graduate students in economics at Harvard strongly believed that economics was "the most scientific of the social sciences". But as economics became ever more mathematical, its practitioners grew in self-confidence. By 2003 54% of the graduate economists studying at Harvard strongly agreed with the statement. A glance at a popular blog for doctoral students in economics, econjobrumors.com, gives a taste of the contempt in which its users hold other disciplines. Sociologists "play around with big important ideas without too much effort or rigour," one econo-nerd asserts.
The authors point out that economists demonstrate their self-belief in subtler ways too. Articles in the American Economic Review cite the top 25 political-science journals one-fifth as often as the articles in the American Political Science Review cite the top 25 economics journals. Another study found that American economics professors were less likely than their peers in other subjects to agree with the notion that "interdisciplinary knowledge is better than knowledge obtained by a single discipline."
The odd thing, the authors argue, is that we believe in economists almost as much as they believe in themselves. Journalists and politicians seek strong arguments and clear answers. Most academics are reticent types: historians, for instance, question whether you can learn anything from history. "For a moderate fee," jokes Deirdre McCloskey, an economic historian, "an economist will tell you with all the confidence of a witch doctor that interest rates will rise 56 basis points next month or that dropping agricultural subsidies will increase Swiss national income by 14.8%."

* "The superiority of economists<http://pubman.mpdl.mpg.de/pubman/faces/viewItemOverviewPage.jsp?itemId=escidoc:2071743:2>", by M. Fourcade, E. Ollion and Y. Algan, MaxPo Discussion Paper 14/3.

Adolfo Sachsida: um exemplo para Brasília.


Receber a Folha de S. Paulo e visualizar a imagem do colega Adolfo Sachsida sendo retirado à força do interior do Congresso Nacional é de aterrorizar um democrata.
Sachsida é um competente economista, com sólida bagagem acadêmica, funcionário do IPEA e foi professor nos Estados Unidos.
A infante democracia brasileira não merece conviver com uma cena tão desastrada.
É fato que atualmente o Brasil perpassa por um momento político e econômico que desanima a sociedade e com o agravante da falta de lideranças capazes de transformarem ideias em realidades.

É neste momento que conclamo os homens de bem deste país, dos setores públicos e privados, a unirem-se em um governo de coalização nacional que busque trabalhar pelo país e não por um partido político, com o simples propósito de proporcionar as próximas gerações os benefícios que a nossa geração está desperdiçando.

Copom eleva a taxa Selic para 11,75% ao ano.

Brasília – O Copom decidiu, por unanimidade, intensificar, neste momento, o ajuste da taxa Selic e elevá-la em 0,50 p.p., para 11,75% a.a., sem viés.
Considerando os efeitos cumulativos e defasados da política monetária, entre outros fatores, o Comitê avalia que o esforço adicional de política monetária tende a ser implementado com parcimônia.
Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Alexandre Antonio Tombini (Presidente), Aldo Luiz Mendes, Altamir Lopes, Anthero de Moraes Meirelles, Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo, Luiz Awazu Pereira da Silva, Luiz Edson Feltrim e Sidnei Corrêa Marques.
Brasília, 3 de dezembro de 2014
Banco Central do Brasil
Assessoria de Imprensa

(61) 3414-2808

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

London Business School - a melhor da Europa.

Leio no VALOR matéria do Financial Times sobre a melhor escola de negócios da Europa. 

A britânica London Business School foi escolhida a melhor escola de negócios da Europa, segundo ranking do jornal "Financial Times" publicado neste domingo (30). É a primeira vez que ela sobe ao topo da lista desde 2005.

A francesa HEC Paris e a espanhola IE Business School, que no ano passado empataram em primeiro lugar, ficaram neste ano com a segunda e terceira posição, respectivamente. Suíça e Itália também tiveram instituições incluídas no top 10.

Segundo pesquisa do jornal com mais de 1.500 alunos formados entre 2010 e 2011, 40% sentiram impacto negativo na carreira decorrente das baixas taxas de crescimento econômico da Europa. Entre eles, 67% citam menos vagas de emprego, 41% encontraram pouca oportunidade de promoção e 36% reportam remuneração e bônus mais baixos. Mas 77% acreditam que as habilidades adquiridas nas escolas de negócios ajudaram a lidar com o cenário econômico, e 40% receberam acesso a eventos de networking e conselhos de carreira por meio das instituições.

Ainda assim, cerca de um terço dos ex-estudantes que vivem na Europa consideram mudar para outro país dentro de um ano em busca de mais oportunidades de crescimento. O Estados Unidos é opção mais citada. 

Educação: a força de um cearense.


Para um mês de festas, uma notícia que somente poderia acontecer no meu Ceará. 
A força do João é orgulho de todo brasileiro que ama educação.

Parabéns.