terça-feira, 21 de dezembro de 2010

BOAS FESTAS - FELIZ 2011.

Como não poderia deixar de ser, um blog reflete a visão do seu articulista. Diante disso, por exemplo, se em determinado momento o blog encontra-se sem postagens, isso ocorre devido algum fato que acontece com o autor. De qualquer maneira, tenho uma satisfação enorme em procurar manter este blog, mesmo com as dificuldades operacionais que surgem em nossas atividades diárias.

Neste espaço universal, conectado com o mundo em tempo real, registro aqui neste final de 2010 meu muito OBRIGADO por ter tido a liberdade de divulgar as minhas idéias e as de colegas que pensam junto comigo, além até de colegas que divergem do nosso entendimento. É nesse aprendizado e entrosamento com outros blogs, que ampliamos a nossa visão do mundo econômico, corporativo, acadêmico e, porque não, o pessoal.

Aproveitando estes dias e um excelente motivo particular, este ambiente entrará em recesso por algum tempo, mas com certeza retornará. Portanto, espero revê-los em 2011 e continuarmos mantendo a nossa integração.

Para todos os meus (quase dois) leitores, os votos são de BOAS FESTAS e um até breve!

CHEGA DE SONHAR.

Li na FOLHA DE S. PAULO este artigo do GUSTAVO GERBASI e, considerando a época atual, gostaria de divulgar aos meus quase dois leitores. O GUSTAVO CERBASI é autor de "Casais Inteligentes Enriquecem Juntos" (ed. Gente) e "Como Organizar Sua Vida Financeira" (Campus) e mantém o site www.maisdinheiro.com.br. Boa leitura a todos!

As festas de final de ano nos proporcionam um forte sentimento de generosidade. É por causa desse sentimento que presenteamos mais, seja para parentes, para o amigo secreto ou para nós mesmos; tornamo-nos mais indulgentes. A generosidade de final de ano também nos leva a doar mais, com gorjetas e caixinhas mais polpudas para o lavador de carros e para a empregada doméstica, ou mesmo para o gari que varre nossa rua somente durante a primeira quinzena de dezembro. É também como consequência da tal generosidade que, a instantes do final do ano, prometemos a nós mesmos que realizaremos no ano novo tudo aquilo que não conseguimos nos últimos cinco anos. Não importa se conseguiremos conquistar ou não o que prometemos. Perder cinco quilos? Voltar à pós-graduação? Limpar o armário dos fundos? Começar a contribuir para o VGBL? Bater a inalcançável meta de vendas da empresa? Tanto faz, quando não temos muita esperança da conquista. O que importa é fazer a promessa e torcer, afinal a sorte que nos faltou até hoje pode resolver sair debaixo do colchão nesse ano novo, não? Taí a grande hipocrisia coletiva de Ano-Novo! Ano após ano, prometemos, torcemos, desistimos antes do meio do ano após constatar nosso provável fracasso e então começamos a torcer pela chegada do fim do ano para fazer novas promessas. Ano após ano, o ciclo se repete, a história não muda. Mudam, talvez, os sonhos, mas não mudamos nossa história. Promessas não passam de pura expectativa do futuro enquanto não adotamos nenhuma ação para que elas se concretizem. Se você quer realmente realizar seus sonhos em 2011, pare de sonhar, deixe de simplesmente prometer. Assuma seus sonhos como projetos pessoais, faça as contas de quanto tempo e/ou dinheiro você precisa para concretizá-los e, simplesmente, aja. Em vez de desejar poupar 10% da renda, assuma esse compromisso de forma objetiva, entrando em seu internet banking e cadastrando uma aplicação automática mensal no valor que pretende poupar. Investir assim que o dinheiro entra em sua conta é bem diferente da simples intenção de poupar se ou quando sobrar dinheiro. Uma vez garantida a disciplina que construirá seu sonho tijolinho a tijolinho, seu trabalho não será mais o de batalhar durante um ano para alcançar um grande objetivo, mas sim de se virar por um mês com o dinheiro que sobra após garantir seu objetivo. Se, a cada mês, você faz o pequeno esforço necessário para alcançar sua grande meta, o trabalho fica menor, e seu desgaste também. O problema por trás do insucesso de nossas promessas é que muitas pessoas passam a vida sonhando demais e esquecem de agir para concretizar seus sonhos. Peter Drucker, o maior pensador na ciência da administração, dizia que a melhor maneira de prever o futuro é construí-lo. Uma construção não é feita de sonhos, mas sim de projetos e de várias ações para completar as diversas fases deles. Descobri, ao planejar, executar e finalizar diversos projetos em minha vida e na vida de meus clientes, que um sonho bem planejado tende a acontecer antes ou melhor do que o inicialmente previsto. O motivo é simples: no momento em que planejamos, temos um conhecimento sobre nosso projeto bastante inferior ao conhecimento que acumularemos nos meses ou nos anos seguintes. Projetos benfeitos e praticados com foco sofrem um processo contínuo de melhoria e, por isso, tendem a ser finalizados em condição melhor do que o previsto. Por isso, ao nos aproximarmos de mais uma virada de ano, não quero desejar que seus sonhos se realizem, mas sim que sejam realizados os planos que o conduzem aos sonhos, que você tenha atitude e disciplina para torná-los concretos. Aproveite o fim de ano para fazer planos. Em 2011, apenas os execute. Essa receita já é suficiente para que você tenha um ano novo mais rico, talvez até com muito dinheiro no bolso.

A EDUCAÇÃO QUE TEMOS E NÃO MERECEMOS.

Editorial de hoje da FOLHA DE S. PAULO cita que instituições de ponta no Brasil, como USP e Unicamp, precisam deixar de olhar só para si próprias e competir de fato na cena internacional.

A comparação das melhores universidades paulistas -USP e Unicamp- com as dez mais bem colocadas no reconhecido ranking Times Higher Education (THE) é reveladora. No cotejamento feito ontem na Folha, salta aos olhos a disparidade entre as verbas de pesquisa que as instituições conseguem atrair.

A Universidade Estadual de Campinas, que amargou um longínquo 248º na classificação, contou em 2009 com R$ 248,1 milhões para financiar investigações científicas. As quatro primeiras colocadas - Harvard, CalTech, MIT e Stanford, todas americanas- obtiveram entre R$ 1,2 bilhão e R$ 3,8 bilhões cada.

A única com cifra comparável, R$ 300,9 milhões, ocupa a quinta posição, Stanford. Mas só tem 7.500 estudantes de graduação e pós, contra 33 mil da Unicamp.

Pior figura faz a Universidade de São Paulo, 232ª colocada no ranking. A principal universidade do país, com mais de 82 mil graduandos e pós-graduandos, não sabe informar qual é a verba de pesquisa que manuseia.

Embora o valor de verbas para pesquisa não seja o critério que mais pesa no ranking (5,25% do escore final), trata-se de excelente indicador de prestígio e competitividade. As universidades brasileiras precisam cuidar melhor da qualidade dos dados que coletam e transmitem às organizações classificadoras, para garantir que recebam destaque merecido.

As mais destacadas instituições universitárias do país são organizações pesadas e burocráticas, acostumadas ao financiamento garantido pelo dinheiro público. No caso das paulistas, pela parcela fixa de 9,57% da arrecadação do ICMS. À USP cabe pouco mais de 5% do arrecadado e à Unicamp, 2,2% (o restante vai para a Unesp).

No ano passado, as duas receberam, respectivamente, R$ 2,89 bilhões e R$ 1,28 bilhões. Para a Unicamp, essa fonte representa 72% do orçamento total. Harvard, em contraste, recebe do Estado menos de 17% de seus recursos.

Várias outras características distinguem as universidades paulistas das que estão no topo do ranking. Estas são bem mais antigas, como a britânica Cambridge, fundada em 1209. Cobram mensalidades de seus alunos e têm entre eles mais estrangeiros -até 38%- do que USP (2%) e Unicamp (4%).

A comparação direta, nesse sentido, pode ser injusta e até inapropriada. Afinal, análise dos próprios autores do ranking THE indica que as instituições de São Paulo, precisamente por contarem com financiamento assegurado, são as universidades sul-americanas com melhor chance de vir a integrar a classificação das 200 melhores do mundo (em outro ranking, o da Universidade de Xangai, a USP está em 143º).

A China tem seis universidades entre as 200 melhores. A Turquia, duas. São países emergentes, como o Brasil, que não têm como escapar da necessidade de gerar tecnologia e inovação. Nossas melhores universidades, USP e Unicamp, precisam tornar-se de fato as instituições de classe internacional de que o país precisa.

ECONOMIA NÃO É CIÊNCIA EXATA!

Sempre ao final do ano gosto de ler as previsões econômicas para o ano seguinte. Vide abaixo uma matéria que li hoje na EXAME e que compartilho com prazer aos meus quase dois m... de leitores.

São Paulo - Os economistas frequentemente recebem críticas por erros em suas previsões. Embora muitos utilizem modelos matemáticos e econométricos para tentar antecipar o futuro, não há como garantir 100% de acerto.

Em 2011, a grande incógnita é a Europa. No mercado, poucos têm uma visão tão pessimista como a de Ricardo Amorim, que vislumbra sérios problemas na Espanha. A maioria embutiu em suas projeções "apenas" um crescimento lento dos países ricos. Outra ponto-chave é a China. Uma pequena desaceleração já foi incorporada às análises, mas não uma pisada forte no freio.

O Brasil, nesse contexto, deve ter um ano positivo. Dentre as projeções coletadas por EXAME.com, a menor é de um crescimento de 4,3% do PIB. Câmbio comportado, inflação pressionada (mas não superior ao teto da meta) e juros em alta são outras previsões predominantes. Já o desempenho da balança comercial dependerá fundamentalmente do preço das commodities (novamente entram aqui incertezas internacionais).

Os economistas renomados ouvidos nessa reportagem têm currículo invejável, farta experiência em cargos públicos e privados e, em muitos casos, uma numerosa e competente equipe de analistas que olham com lupa todos os indicadores. Isso tudo não é garantia de perfeição. A figura da bola de cristal, evidentemente, é uma brincadeira, mas é importante reconhecer que a Economia não é uma ciência exata.

Ilan Goldfajn tem as menores projeções para PIB e balança

São Paulo - Do grupo de renomados economistas ouvidos por EXAME.com, Ilan Goldfajn é quem possui as menores previsões para PIB (4,3%) e superávit da balança comercial (US$ 1 bilhão). O economista-chefe do Itaú Unibanco, que tem no currículo a experiência como diretor de política econômica do Banco Central, aposta que o aperto nos juros começará na próxima reunião do Copom, nos dias 18 e 19 de janeiro.

Elaboração: EXAME.com

Indicadores

2011

PIB

4,3%

IPCA

5,6%

Taxa de câmbio - média (R$/US$)

1,74

Taxa de câmbio - fim de período (R$/US$)

1,77

Balança comercial (US$)

1 bi

Meta taxa Selic - fim de período (a.a.)

12,25%

1ª alta (se houver)

Janeiro

Mailson da Nóbrega prevê saldo comercial superior ao de 2010

São Paulo - O ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega é o único economista citado nesta reportagem que projeta um saldo para a balança comercial maior no ano que vem (US$ 18 bilhões) do que o registrado em 2010 (entre US$ 16 bilhões e US$ 17 bilhões). O sócio da Tendências Consultoria acredita que a alta dos juros aconteça apenas a partir da reunião de março do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

Elaboração: EXAME.com

Indicadores

2011

PIB

4,4%

IPCA

5,5%

Taxa de câmbio - média (R$/US$)

1,75

Taxa de câmbio - fim de período (R$/US$)

1,79

Balança comercial (US$)

18 bi

Meta taxa Selic - fim de período (a.a.)

12,25%

1ª alta (se houver)

Março

Alexandre Schwartsman prevê a maior alta de juros

São Paulo - Do grupo de especialistas ouvidos por EXAME.com, o economista-chefe do Santander, Alexandre Schwartsman, é quem vislumbra o maior aperto monetário, com a Selic chegando a 13% ao ano. No quesito câmbio, o ex-diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central tem a segunda maior projeção para o dólar: R$ 1,78, na média, e R$ 1,85, na ponta de dezembro.

Elaboração: EXAME.com

Indicadores

2011

PIB

4,5%

IPCA

5,5%

Taxa de câmbio - média (R$/US$)

1,78

Taxa de câmbio - fim de período (R$/US$)

1,85

Balança comercial (US$)

6,5 bi

Meta taxa Selic - fim de período (a.a.)

13%

1º alta (se houver)

Janeiro

J. R. Mendonça de Barros tem a menor projeção para o dólar

São Paulo - Com um dólar estimado em R$ 1,70 no final do ano que vem, o ex-secretário de política econômica do Ministério da Fazenda José Roberto Mendonça de Barros projeta, ao lado de Octavio de Barros, do Bradesco, a taxa de câmbio mais valorizada em 2011. O sócio da MB Associados prevê alta dos juros na reunião de janeiro do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central e saldo positivo da balança comercial de apenas US$ 2,7 bilhões (o segundo menor superávit entre os consultados por EXAME.com).

Elaboração: EXAME.com

Indicadores

2011

PIB

5%

IPCA

5,3%

Taxa de câmbio - média (R$/US$)

1,70

Taxa de câmbio - fim de período (R$/US$)

1,70

Balança comercial (US$)

2,7 bi

Meta taxa Selic - fim de período (a.a.)

12,75%

1ª alta (se houver)

Janeiro

Antonio Corrêa de Lacerda tem o maior dólar e a menor Selic

São Paulo - Do grupo de economistas consultados por EXAME.com, o professor doutor do departamento de Economia da PUC-SP Antonio Corrêa de Lacerda é quem possui as maiores projeções para o dólar: R$ 1,80 (média) e R$ 1,90 (na ponta de dezembro). Lacerda, que integra o Conselho Superior de Economia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), é o único que prevê queda da taxa Selic no ano que vem, passando dos atuais 10,75% para 9,50% ao ano.

Elaboração: EXAME.com

Indicadores

2011

PIB

5%

IPCA

5%

Taxa de câmbio - médio (R$/US$)

1,80

Taxa de câmbio - fim de período (R$/US$)

1,90

Balança comercial (US$)

12 bi

Meta taxa Selic - fim de período (a.a.)

9,50%

1ª alta (se houver)

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Carlos Thadeu de Freitas possui a maior projeção de inflação

São Paulo - Do grupo de especialistas ouvidos por EXAME.com, o chefe do departamento econômico da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas, é quem possui a previsão mais alta para a inflação no ano que vem (5,7%). O ex-diretor do Banco Central prevê o início do aperto monetário apenas em março e projeta saldo da balança comercial parecido com o que será registrado nesse ano: US$ 16 bilhões.

Elaboração: EXAME.com

Indicadores

2011

PIB

4,5%

IPCA

5,7%

Taxa de câmbio - média (R$/US$)

1,70

Taxa de câmbio - fim de período (R$/US$)

1,75

Balança comercial (US$)

16 bi

Meta taxa Selic - fim de período (a.a.)

12%

1ª alta (se houver)

Março

Octavio de Barros prevê estabilidade na taxa de juros

São Paulo - O economista-chefe do Bradesco, Octavio de Barros, é o único do grupo consultado por EXAME.com que aposta na manutenção da Selic em 2011. Esse cenário, segundo o especialista, tem 60% de chances de acontecer. O cenário alternativo seria de alta dos juros, a partir de março, de 10,75% para 12% ao ano. Ao lado de José Roberto Mendonça de Barros, tem a taxa de câmbio mais valorizada no encerramento de 2011: R$ 1,70

Elaboração: EXAME.com

Indicadores

2011

PIB

4,5%

IPCA

5,3%

Taxa de câmbio - média (R$/US$)

1,70

Taxa de câmbio - fim de período (R$/US$)

1,70

Balança comercial (US$)

14,1 bi

Meta taxa Selic - fim de período (a.a.)

10,75%

1ª alta (se houver)

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José Julio Senna tem previsões ao redor da média

São Paulo - As projeções para PIB, IPCA, dólar, Selic e balança comercial do sócio-diretor da MCM Consultores José Júlio Senna estão próximas à média das estimativas colhidas por EXAME.com. O aperto monetário, segundo ele, começa em janeiro e o dólar encerra o ano vendido a R$ 1,77. Ex-diretor do Banco Central, José Júlio Senna lançou recentemente o livro "Política Monetária: ideias, experiências e evolução", pela Editora FGV.

Elaboração: EXAME.com

Indicadores

2011

PIB

4,47%

IPCA

5,37%

Taxa de câmbio - média (R$/US$)

1,74

Taxa de câmbio - fim de período (R$/US$)

1,77

Balança comercial (US$)

9,02 bi

Meta taxa Selic - fim de período (a.a)

12,25%

1ª alta (se houver)

Janeiro

domingo, 19 de dezembro de 2010

THE ECONOMIST 2010.

Esta é uma edição especial de final de ano da THE ECONOMIST e estou totalmente de acordo com a mesma.

DOUTOR ALOIZIO MERCADANTE.

Leio na FOLHA DE S. PAULO, uma interessante matéria sobre a tese de doutorado do senador ALOIZIO MERCADANTE.

Futuro ministro da Ciência e Tecnologia no governo Dilma, o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) defendeu nesta sexta-feira (17), no Instituto de Economia da Unicamp, em Campinas (SP), tese de doutorado sobre a política econômica do governo Lula. Depois de quatro horas de debates, a tese de 519 páginas foi aprovada, mas recebeu críticas da banca, formada pelos economistas Delfim Netto, Luiz Carlos Bresser Pereira, Ricardo Abramovay e João Manuel Cardoso de Mello.

A defesa da tese foi presenciada por cerca de 300 pessoas – duas centenas espremidas num auditório lotado, e mais cem, por meio de um telão, num espaço anexo. Mercadante, que se desligou da Unicamp na década de 90 sem concluir o doutorado, pediu reingresso na universidade no final de 2009, um procedimento previsto pelo regimento interno.

Sua tese defende a ideia de que o governo Lula estabeleceu um novo modelo de crescimento econômico, o “neo-desenvolvimentismo”, diferente do “nacional-desenvolvimentismo”, que vigorou na década de 70, e do neoliberalismo, a partir dos anos 90. Este novo modelo, disse, se construiu a partir do primado da política social sobre a econômica.

Dizendo-se à vontade para defender o governo Lula na universidade, depois de fazer isso por oito anos no Senado, Mercadante desfiou dezenas de números e estatísticas sobre o desempenho da economia nos últimos oito anos, enalteceu a política externa e detalhou as diferentes políticas sociais do governo, nas áreas de saúde, educação e previdência.

Empolgado, falou por quase uma hora, o dobro do tempo que lhe foi concedido. Em algumas passagens, a apresentação de Mercadante lembrou a propaganda da então candidata Dilma Rousseff durante a campanha eleitoral.

Delfim Netto não perdoou. Começou sua arguição logo provocando: “Sua história é muito boa, Aloizio”, disse. “Mas há alguns exageros”, apontou, provocando gargalhadas da plateia, formada basicamente por alunos e professores da Unicamp.

Delfim lembrou que as premissas desta política econômica “inclusiva” do governo Lula estão dadas pela Constituição de 1988 – apenas não haviam sido colocadas em prática, disse, pelos governos Sarney, Collor, Itamar e FHC.

Conselheiro econômico do governo (“Tenho fidelidade tribal, inexplicável, ao Lula”, afirmou), Delfim questionou a avaliação de Mercadante sobre a política econômica do governo FHC. Segundo a tese, os tucanos teriam se submetido ao chamado “Consenso de Washington”, que ditou as regras de uma política econômica neoliberal.

O governo Fernando Henrique não usou Consenso de Washington nenhum”, disse Delfim. “O governo sabia que 30% dos problemas são insolúveis e 70% o tempo resolve”, completou, arrancando mais gargalhadas.

Delfim criticou a política cambial do governo Lula e o crescimento muito modesto do volume de exportações em relação ao PIB do país no período. “Do ponto de vista externo, não fizemos nada”, observou Delfim, usando a primeira pessoa do plural. “Nossa política monetária também não foi muito melhor que a do Fernando Henrique”, criticou. “Houve conservadorismo na política monetária”, concordou Mercadante.

Em sua réplica a Delfim, Mercadante fez menção às “ironias” do economista e rechaçou a crítica sobre os exageros de sua defesa do governo. “Nesta história tenho lado”, disse, defendendo a ideia de que não é necessário dissociar “razão de emoção” mesmo num trabalho acadêmico.

Bresser Pereira, autor do termo “neo-desenvolvimentismo”, adotado por Mercadante, elogiou a tese, mas criticou a falta de um debate teórico no trabalho. O economista criticou as falhas do governo Lula na área de gestão, um problema também apontado por Delfim. E igualmente lamentou a ausência de críticas à política cambial, “claramente um fracasso deste governo”.

A economista Maria da Conceição Tavares, que também faria parte da banca, não compareceu. Enviou um bilhete, elogiando o trabalho do “discípulo” e aprovando a tese central do trabalho: “O novo desenvolvimentismo não se parece nada com o nacional-desenvolvimentismo”, disse, em sua mensagem.

Único professor da Unicamp na banca, João Manoel Cardoso de Mello elogiou o “aluno” Mercadante e aprovou o viés político da tese. “Não vejo nenhum problema em ser um trabalho de combate”, disse, defendendo-o das ironias de Delfim Netto.

“O trabalho se equilibra bem entre a apologia do governo e o diálogo imaginário dos opositores”, disse. “Fernando Henrique se achava o Juscelino (Kubitscheck), mas se revelou um (Eurico Gaspar) Dutra”, afirmou, sendo aplaudido pela plateia.

João Manoel também mencionou as “barbeiragens terríveis da política monetária” do governo Lula, não tratadas na tese. Criticou o tamanho do trabalho e lamentou que Mercadante não tenha feito uma reflexão sobre o futuro. “Acho que faltou olhar para frente”, disse.

Na plateia, muitos estudantes acompanharam o debate de pé ou sentados no chão. Convidados a assistir no espaço anexo, pelo telão, não se moveram. “É igual ver jogo da Copa. Você prefere ver ao vivo ou pela tevê?”, perguntou o estudante Diego Santiago Lopez. Diante do espanto de seus colegas, rapidamente se corrigiu: “Quer dizer, jogo de Copa é muito melhor que defesa de tese”. Verdade inquestionável.