domingo, 30 de agosto de 2015

Ceará: de Beto Studart para Dilma Rousseff.

Discurso de BETO STUDART Presidente da Federação da Indústrias do Estado do Ceará- FIEC na recepção à presidente Dilma em Fortaleza em 28/08/2015:

Exma. Senhora Presidente Dilma Rousseff, Exmo. Sr. Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Amigo Armando Monteiro, Exmo. Sr. Ministro do Planejamento Nelson Barbosa, Exma. Sra. Ministra Kátia Abreu, Exmo. Sr. Governador do Estado do Ceará, amigo Camilo Santana,

Amigos empresários...

Estamos muito satisfeitos em fazer parte desse momento importante do nosso Estado, quando o governador Camilo Santana anfitriona a Presidente Dilma Roussef e sua comitiva, e reúne tantas pessoas de diferentes setores da economia, de diferentes pensamentos, em um grande evento cujo título é tão simbólico quanto esperançoso. Este "Dialoga Ceará" diz muito de nós, cearenses, sempre abertos, prontos a receber, animados em construir laços, em interagir, em unir para crescer.

Porém, devo dizer que essa satisfação com a qual nos encontramos nesta tarde, está longe de ser o sentimento do nosso cotidiano, porque o cenário que nós, do setor produtivo brasileiro, enfrentamos, não nos permite maiores lampejos de euforia.

Mas é com um enorme senso de responsabilidade que enalteço, em nome da Federação das Indústrias do Estado do Ceará – FIEC e dos industriais do nosso Estado, a oportunidade de nos fazer ouvir pela Presidente Dilma Roussef e alguns de seus mais importantes ministros.

Graças à capacidade aglutinadora, ao espírito público e à visão coletiva do nosso governador, e também ao empenho do Ministro Armando Monteiro, esse momento se fez possível. Deste encontro, não seria honesto dizer que esperamos obter respostas para todos os problemas que se avolumam sobre nós. Mas é nosso dever registrar, de modo franco, de peito aberto, o descontentamento diante do quadro econômico nacional. É nossa missão trazer à tona aquilo que enxergamos como equívocos que devem ser corrigidos, e cobrar, direta e energicamente, uma tomada de posição imediata e assertiva para salvar nosso país e para aventar uma retomada do crescimento, ainda que num prazo não tão breve.

De modo geral, nós, industriais, nos vangloriamos de sermos visionários, somos tidos como otimistas, mas, no dia a dia, estamos vendo esta essência ser arrancada de nós. Mais especificamente nos últimos meses, tem sido doloroso empreender no Brasil, tem sido torturante produzir, tem sido impossível manter a confiança de que sairemos inteiros destas dificuldades.

Vimos acumular queda na produção industrial brasileira em torno de -6,5% nos últimos seis meses, e de -8% no Ceará, numa consequência direta da terrível redução da demanda nacional e também por força de problemas estruturais da economia, que reduzem drasticamente a competitividade dos produtos nacionais, em inúmeros setores da nossa indústria.

No que se refere ao emprego, além dos números propriamente ditos, nos assombra a velocidade com que tem acontecido as perdas dos postos de trabalho, denotando quanto essa crise pode alongar-se. Apenas neste ano, no Brasil, foram quase 400 mil demissões, num reflexo da ociosidade da produção e das incertezas econômicas.

No nosso Estado, foram suprimidas 35 mil vagas na Indústria, o que representa cerca de 10% de um universo já restrito de 350 mil empregos no nosso setor. Se esses números não são ainda maiores, é porque parte do empresariado conseguiu minimizar demissões com alguns artifícios, como a utilização de férias coletivas e o uso de banco de horas. Mas esse lastro já está sendo consumido em mais e mais empresas, e, portanto, o drama do desemprego pode ser ainda mais profundo.

Na construção civil, por exemplo, setor dos mais fortes, entre os maiores empregadores,  especialmente no nosso Estado, os sucessivos atrasos dos pagamentos referentes ao Projeto Minha Casa Minha Vida, chegando a R$ 160 milhões, impactam irremediavelmente sobre as construtoras. Caso não seja feita a devida regularização, estimamos que haja, já na próxima semana, uma leva de 4 mil novas demissões que se somarão a outras 5 mil já realizadas por este segmento econômico, apenas no Ceará.

No setor metal-mecânico, o cerco também está apertando, fazendo com que entre em forte desaceleração. Outros setores importantíssimos, como couro, calçados, confecções e alimentos também sentem fortemente o golpe da recessão e engrossam as fileiras dos setores em declínio.

Presidente Dilma, como é de conhecimento, por mais de 70 anos, o Nordeste tem mantido o PIB per capita médio inferior a 50% do PIB per capita brasileiro. Este é um desempenho muito aquém do potencial da nossa região, e não podemos aceitar continuar nesse patamar, porque nós podemos muito mais, podemos gerar riqueza para nossa sociedade, temos muito mais a oferecer para o Brasil.

Perceba, Presidente Dilma Roussef, é um sofrimento analisar o passado recente, é angustiante viver o presente, mas o pior tem sido o desalento ao olhar para frente. Afinal, como podemos ser otimistas, se nos vemos obrigados a cortar empregos, enquanto o Governo se arrasta nos ajustes da máquina pública e nos traz de volta a malfadada CPMF que dispensa comentários?

Respostas retóricas não nos bastam. Otimismo não recupera-se com o verbo. Precisamos de ação, de urgência, de foco, de verdade! Estamos aqui, abertos ao diálogo, mas palavras não nos convencem. São as atitudes efetivas que poderão nos reerguer.

Atitudes corajosas como uma reforma significativa na máquina pública, hoje reconhecidamente ineficiente, não demitindo apenas 1.000 pessoas, como divulgado, que é um montante irrelevante, mas fazendo um estudo profundo da real necessidade de corte para tornar o Estado eficiente. O superávit não vem pela ampliação de impostos, seria catastrófico, e sim por uma grande racionalização da máquina pública evitando desperdícios.

A verdade é que, efetivamente, o Governo Federal ainda não apresentou as saídas adequadas para esse momento agudo da economia. Para corroborar, tivemos hoje a confirmação da recessão, que sentíamos na própria pele há tempos e que nos devasta.

Para não dizer que só há desesperança, Presidente, ressalto o prenúncio da chegada das águas do Rio São Francisco ao Canal da Transposição, num feito histórico que trará a segurança do abastecimento de água para a população e para atividades produtivas de vários estados do Nordeste e, em particular, para o nosso Ceará.

Ainda que o volume liberado seja muito pequeno em relação à disponibilidade, vislumbrar que as obras se completem até o próximo ano, é um acalanto para nossa população. Mas é preciso que os prazos se cumpram, porque os efeitos da estiagem no nosso sertão já são sentidos e são verdadeiramente cruéis.

Outra obra da maior importância para o Nordeste é a Transnordestina, que vai permitir maior competitividade na produção agrícola e mineral da região, numa transformação positiva da nossa logística. A viabilização de sua continuidade e a sua conclusão significam uma grande abertura de oportunidades econômicas para regiões semi-áridas antes sem perspectiva. Também pelo ritmo atual das obras, é imperativo que o Governo Federal assegure sua continuidade.

Presidente, não permita que se instale a indústria de recuperação judicial, RJ, entre os empresários do nosso Estado, na eminência de acontecer, e colabore, por favor, com o governador Camilo Santana para que ele possa dar continuidade aos seus projetos estruturantes, fundamentais para o nosso desenvolvimento, saindo do marasmo atual.

Por fim, Presidente Dilma, meus amigos, ainda que encobertos por toda essa névoa de desencantamento e sob a sensação de navegarmos num barco sem leme, nós somos todos brasileiros e, como sabemos, não desistimos nunca.

É por isso que estamos aqui reunidos hoje, desejando fortemente que Deus ilumine a todos, e a senhora em particular, para que, enfim, possa ser encontrado o caminho para dias melhores.

Muito obrigado.


BETO STUDART

terça-feira, 25 de agosto de 2015

CORECON SP: Homenagem Dia do Economista.

DIA DO ECONOMISTA
13/08/2015

Carlos Roberto de Castro
Professor de Economia, ex-Presidente do CORECON-SP e do COFECON

Embora a profissão de economista já tenha atingido a sua terceira idade – completados no dia 13 agosto 64 anos de existência, reconhecida pela edição da Lei nº 1.411 de 13 de agosto de 1951 - até hoje sua atividade é pouco compreendida pela sociedade, sendo, não raro, muitas vezes confundida por outras profissões.

Se citarmos o médico, o advogado, o engenheiro, por exemplo, prontamente se cria uma expectativa de quais sejam as atividades de cada um desses profissionais.

Mais exposto à opinião pública e mais diretamente vinculado ao sucesso ou insucesso do cenário em que atua, o economista é frequentemente apontado como responsável pelos problemas econômicos que passam, invariavelmente, a ter cunho social.

O profissional economista se preocupa com um aspecto do comportamento humano: aquele que se origina do fato de as ambições dos homens serem maiores que sua possibilidade de satisfazê-las.

De forma resumida, questão econômica – em um conceito amplo – se configura quando estão presentes quatro condições:
1) múltiplos objetivos pretendidos;
2) possibilidade de apresentação desses objetivos em escala hierárquica
3) insuficiência de recurso para o atendimento integral de todos os objetivos propostos; e
4) possibilidade de aplicação desses meios, alternativamente entre os diversos objetivos.

Em outras palavras, cada solução tem seu custo. Existe sempre um preço a pagar.

Atuamos no campo das ciências humanas e, portanto, trabalhamos com variáveis condicionadas, também, por fatores sociais e políticos.

Jamais conseguiremos eliminar completamente as margens de erro porque não podemos fazer experiências de laboratório, repetindo simulação de fatores idênticos.

É a interação do comportamento de milhões de indivíduos, cada um pensando em si, com suas próprias expectativas, mas sujeitos a restrições do seu orçamento e do sistema de preços; ou seja, trata-se de uma ciência que procura descrever o comportamento de homens e mulheres produzindo, comprando e vendendo coisas.

Os economistas têm uma formação matemática que permite lidar com números com competência; uma formação histórica e sociológica que permite ter uma visão de conjunto das mudanças; um treinamento da expressão escrita e uma formação teórica consistente.

O Economista é, portanto, um profissional que a partir de um bom domínio da Ciência Econômica está capacitado para intervir no processo social, oferecendo a melhor contribuição específica sobre aspectos que são privativos de sua profissão. Ou seja, ele está apto a colocar a serviço da sociedade moderna um conjunto de conhecimentos científicos, acumulados e sistematizados ao longo de toda a história, tanto política, quanto social e econômica.

São essas regularidades que os economistas pretendem conhecer e utilizar para fins de política econômica. Cada cenário reúne condições novas, embora semelhantes aos fenômenos anteriores.

Nosso compromisso, como profissionais de economia é conhecer cada vez melhor nossa área de atuação e conhecer os instrumentos que essa ciência nos oferece para minimizar ao máximo as possibilidades de erro

Importa ter sempre em mente que o trabalho teórico tem uma destinação própria: Fazer compreender a realidade.

Mas é preciso compreender que a teoria deve ser aplicada ao momento histórico por quem conheça as suas limitações. É imprescindível que as condições reclamadas para sua validade estejam presentes.

Por sua formação o economista tem um mercado de trabalho bastante diversificado, podendo atuar em empresas públicas ou privadas, de vários segmentos produtivos.

O conhecimento da realidade de mercado e do ambiente político-legal em diversos países permite ao economista planejar as ações estratégicas (volume de oferta, política de preços, etc.), analisar o retorno dos investimentos da empresa e o comportamento da demanda, entre outras atividades de simulação e planejamento.

Para a consecução destes objetivos o economista tem que se relacionar com uma equipe multidisciplinar que envolve especialistas de diferentes áreas de atuação.

Portanto, economista não é somente aquele que faz orçamentos, planejamentos, análises de investimentos etc. Mas é aquele profissional que, além de exercer todas estas funções, é capaz de pensá-las dentro de um contexto geral de todo o processo de distribuição e produção da sociedade.

Parafraseando o saudoso professor Armando Dias Mendes:“Não basta ser um bom Economista, é preciso ser um Economista bom”.


quarta-feira, 19 de agosto de 2015

O Brasil no The New York Times: Brazil’s Rising Turbulence.

Brazil is in tatters. The economy is in a deepening recession: Last Tuesday, Moody’s downgraded Brazil’s credit rating to just about junk. A massive corruption scandal involving the national oil company Petrobras has ensnared scores of politicians and businessmen. The legislature is in revolt. President Dilma Rousseff’s popularity rating, less than a year after her re-election, is down to one digit, and nationwide protests on Sunday reverberated with calls for her impeachment.

In all this turbulence, it is easy to miss the good news: the fortitude of Brazil’s democratic institutions. In pursuing bribery at Petrobras, federal prosecutors from a special anticorruption unit of the Public Ministry have not been deterred by rank or power, dealing a blow to the entrenched culture of immunity among government and business elites. Former Petrobras executives have been arrested; the wealthy chief executive of the construction giant Odebrecht, Marcelo Odebrecht, is under arrest; the admiral who oversaw Brazil’s secret nuclear program has been arrested, and many others face scrutiny, including Ms. Rousseff’s predecessor and mentor, Luiz Inácio Lula da Silva.

Though the investigations have created huge political problems for Ms. Rousseff and have raised questions about her seven-year tenure as the chairwoman of Petrobras, before she became president, she has admirably made no effort to constrain or influence the investigations. On the contrary, she has consistently emphasized that no one is above the law, and has supported a new term for the prosecutor general in charge of the Petrobras probe, Rodrigo Janot.

So far, the investigations have found no evidence of illegal actions on her part. And while she is no doubt responsible for policies and much of the mismanagement that have laid Brazil’s economy low, these are not impeachable offenses. Forcing Ms. Rousseff out of office without any concrete evidence of wrongdoing would do serious damage to a democracy that has been gaining strength for 30 years without any balancing benefit. And there is nothing to suggest that any leaders in the wings would do a better job with the economy.


There is no question that Brazilians are facing tough and frustrating times, and things are likely to get worse before they get better. Ms. Rousseff is also in for a lot more trouble and criticism. But the solution must not be to undermine the democratic institutions that are ultimately the guarantors of stability, credibility and honest government.

quinta-feira, 13 de agosto de 2015