quinta-feira, 29 de abril de 2010

LULA NA LISTA DA TIME 2010!

Como faz anualmente a TIME publicou hoje a lista das pessoas mais influentes do mundo. E nela consta o perfil do Presidente LULA, assinado pelo cineasta Michael Moore. É uma boa notícia termos um brasileiro na lista, indiferente do juízo de valor que cada um tem sobre o mesmo. Abaixo o texto completo sobre o assunto.

When Brazilians first elected Luiz Inácio Lula da Silva President in 2002, the country's robber barons nervously checked the fuel gauges on their private jets. They had turned Brazil into one of the most inequitable places on earth, and now it looked like payback time. Lula, 64, was a genuine son of Latin America's working class — in fact, a founding member of the Workers' Party — who'd once been jailed for leading a strike.

By the time Lula finally won the presidency, after three failed attempts, he was a familiar figure in Brazilian national life. But what led him to politics in the first place? Was it his personal knowledge of how hard many Brazilians must work just to get by? Being forced to leave school after fifth grade to support his family? Working as a shoeshine boy? Losing part of a finger in a factory accident?

No, it was when, at age 25, he watched his wife Maria die during the eighth month of her pregnancy, along with their child, because they couldn't afford decent medical care.

There's a lesson here for the world's billionaires: let people have good health care, and they'll cause much less trouble for you.

And here's a lesson for the rest of us: the great irony of Lula's presidency — he was elected to a second term in 2006 and will serve through this year — is that even as he tries to propel Brazil into the First World with government social programs like Fome Zero (Zero Starvation), designed to end hunger, and with plans to improve the education available to members of Brazil's working class, the U.S. looks more like the old Third World every day.

What Lula wants for Brazil is what we used to call the American Dream. We in the U.S., by contrast, where the richest 1% now own more financial wealth than the bottom 95% combined, are living in a society that is fast becoming more like Brazil.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

BRASIL: CAMPEÃO!!!

Hoje o COPOM, ao elevar a taxa básica de juros SELIC para 9,5%, tornou o BRASIL campeão mundial nessa modalidade. Afinal, somos o país com a maior taxa de juros reais do mundo (4,5%). De qualquer maneira, o resultado era esperado pelo mercado e necessário neste início de ano eleitoral e com inflação à vista.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

A TRISTEZA DE OBAMA!

Leio a instantes no twitter o descontentamento de BARACK OBAMA sobre a reforma da legislação financeira que ele enviou ao Congresso e foi bloqueada pelos republicanos:“RT @BarackObama: I am deeply disappointed that Senate Republicans voted in a block today against allowing a public debate on Wall Street."

Que sucesso é esse negócio de twitter – o mundo agora além de plano é on line.

DÁ PARA REGULAR E SUPERVISIONAR AS FINANÇAS?

Há dias não posto um artigo do Professor da FGV LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA. Diretamente da Folha de S. Paulo de hoje, BRESSER-PEREIRA escreve sobre “REGULAR E SUPERVISIONAR AS FINANÇAS.” Para uma boa leitura, análise e reflexão.

Em Nova York, os dois temas que continuam a dominar a discussão de economistas e financistas são o "grande demais para quebrar" ("too big to fail") e a necessária regulação e supervisão dos bancos. Em outras palavras, pergunta-se, de um lado, como impedir que os grandes bancos comerciais façam operações arriscadas porque sabem que, na última hora, serão socorridos, e, de outro, como regulá-los e supervisioná-los melhor. Essa dupla preocupação dominou a Conferência Minsky, organizada pelo Levy Institute e patrocinada pela Fundação Ford. Participaram dela um equilibrado número de financistas, representantes do governo (inclusive três diretores do banco central americano) e professores de economia.

Na conferência, poucos se mostraram seguros quanto à solidez da recuperação econômica depois da crise.

Boa parte dos que intervieram nos debates se mostrou convencida de que a crise poderá voltar a qualquer momento, principalmente porque, apesar do empenho do presidente Barack Obama, o governo não foi ainda capaz de re-regular o sistema financeiro desregulado durante os 30 Anos Neoliberais (1979-2008). Há também uma grande insatisfação com a teoria econômica ortodoxa ou convencional, que, evidentemente, contribuiu para a crise ao pressupor um mercado financeiro eficiente, autorregulado.

Em relação ao problema do "grande demais para quebrar", a solução apresentada por Paul Volcker -ex-presidente do Fed e hoje assessor especial de Obama- de proibir os bancos de realizarem operações de tesouraria (uma espécie de volta à separação dos bancos comerciais dos bancos de investimento) dividiu as opiniões. Volcker argumentou que a medida é necessária para impedir que os bancos participem de operações financeiras arriscadas demais. Entretanto, muitos consideraram a proposta pouco realista; incompatível com a necessária rentabilidade dos bancos comerciais. Melhor será regulá-los e supervisioná-los mais cerradamente, já que são entidades quase públicas que criam crédito e, portanto, dinheiro.

Embora a principal causa da crise tenha sido a desregulação do sistema financeiro promovida no início dos 30 Anos Neoliberais, houve também grande falha de supervisão, já que muitas operações com securitização e derivativos não eram apenas excessivamente arriscadas; elas violavam a regulação ainda existente, implicando fraude. Esse fato, assinalado por diversos participantes, foi mais uma vez confirmado no dia seguinte ao término da conferência, quando os jornais publicaram que a SEC acusou de fraude e iniciou ação civil contra o banco Goldman Sachs, porque este teria participado, com o fundo hedge Paulson & Co., da securitização e empacotamento de hipotecas que sabiam ser de baixa qualidade. Eles as venderam para clientes e outros bancos mal informados para, em seguida, o próprio banco e o fundo hedge apostarem contra esses mesmos títulos e, assim, obterem enorme ganho à custa dos que compraram os títulos empacotados. Nessa fraude, o fundo ganhou US$ 1 bilhão, enquanto Goldman Sachs ganhava quase a mesma quantia.

Antes da crise, muitas operações desse tipo passaram sem supervisão, não por falta de regulação, mas porque se supunha que os mercados eficientes tudo regulavam. A crise global ainda custará muito ao mundo, mas, pelo menos, convenceu a todos quão importante é a regulação e a supervisão e quão enganadora é a teoria econômica neoclássica dos mercados autorregulados.

TAXA DE JUROS EM 2010!

Amanhã e quarta-feira teremos reunião do COPOM e tudo evidencia que devido o temor do retorno do dragão inflacionário a taxa básica Selic, que está hoje em 8,75%, seja alterada para até 9,75%. Nesse momento eleitoral essa sinalização por parte do BACEN é positiva, necessária e acreditamos que a racionalidade mais uma vez vença a política eleitoral.

domingo, 25 de abril de 2010

JOHN MAYNARD KEYNES.

De um recente artigo de Marcelo de Paiva Abreu no ESTADÃO:

Lydia Lopokova, mulher de John Maynard Keynes, tinha razão quando dizia, com seu delicioso sotaque russo, objeto de chacota no círculo de Bloomsbury: "Maynard is more than an economist."
Na verdade, ele continua sendo em pleno século XXI um economista genial, com seus inúmeros admiradores e críticos nos quatro cantos do mundo!!!

sexta-feira, 23 de abril de 2010

ECONOMIA BRASILEIRA E IMPORTAÇÕES.

Para os meus quase dois (milhões de) fiéis e devotados leitores/dia, hoje, 23/04/10, na FOLHA DE S. PAULO, o economista e engenheiro LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS escreve sobre a evolução da "ECONOMIA BRASILEIRA E IMPORTAÇÕES" e sua preocupação com o deficit em conta-corrente. Afinal, os dados do BACEN mostram que o país teve deficit de US$ 12,145 bilhões nas transações com o exterior (contas correntes) no primeiro trimestre do ano, o pior desempenho para o período desde 1947.
Ao longo dos últimos anos tenho acompanhado com muito entusiasmo a evolução da economia brasileira
Afinal, depois de muito tempo podia sentir que caminhávamos finalmente na direção de uma economia de mercado eficiente e moderna. Acordei para essa nova realidade - ou como gosto de chamar, para esse novo metabolismo econômico - em 2005, ao incorporar os elevados saldos comerciais dos anos anteriores à minha análise dos anos que viriam. Com uma nova dinâmica de preços e quantidades - devido principalmente ao crescimento da economia chinesa -, as exportações de produtos primários criavam condições para que o Brasil pudesse superar três décadas de fragilidade em suas contas externas.
Convencido de que o fenômeno China poderia ser projetado pelo menos para a década seguinte, passei a trabalhar com um cenário mais agressivo de abertura da economia brasileira. Minha vivência com empresas e empresários tinha me ensinado que a razão mais forte para o baixo coeficiente de importações no Brasil era o medo do futuro da taxa de câmbio.
Presenciei em várias ocasiões - dentro e fora do governo - os prejuízos daqueles que, acreditando na estabilidade da moeda brasileira, haviam incorporado produtos importados às suas cadeias produtivas e de distribuição. Sempre surpreendidos por uma desvalorização de grandes proporções, os que usavam fornecedores externos acabavam voltando atrás a cada frustração e depois de grandes perdas.
A partir de 2005, portanto, não tive mais dúvidas de que em um cenário de moeda nacional forte e com baixa volatilidade o movimento de integração produtiva com o exterior iria crescer de forma continuada.
As estatísticas do comércio exterior brasileiro nos primeiros três meses de 2010 mostram que eu tinha razão nas minhas projeções. Cinco anos depois do início dessa nova fase do real, as importações de componentes e de bens finais estão literalmente explodindo.
Uma das medidas usadas para quantificar a abertura da economia é a diferença física entre o valor das exportações e das importações. Até 2005, essa diferença era positiva, ou seja, o comércio exterior do Brasil representava uma fonte de demanda para a economia. A partir de 2005, de maneira ainda muito tímida, a quantidade importada passou a crescer mais rápido que a exportada. Em outras palavras, o comércio exterior brasileiro passava a ser uma fonte de oferta interna de bens e não de demanda, em termos líquidos.
Esse número veio crescendo de forma gradual, porém contínua, ao longo do tempo. Pouco antes da crise do banco Lehman Brothers, em setembro de 2008, as importações líquidas chegaram a subtrair três pontos percentuais do PIB, o que é um número muito grande. Com a crise bancária americana, a tendência foi temporariamente estancada, mas já em meados de 2009 as importações voltaram a crescer rapidamente.
Agora, conhecidos os números do primeiro trimestre, podemos ver que o processo de abertura continua com vigor. A diferença entre compras e vendas ao exterior já é de quatro pontos do PIB, e deve continuar a crescer. O próximo governo vai ter de olhar para esse movimento com atenção. Como tudo em economia, o aumento do coeficiente de importações tem aspectos bons e ruins. Do lado positivo há o aumento do consumo com menor pressão inflacionária. Mas o crescente déficit em conta-corrente deixará o país mais exposto aos humores do capital financeiro.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

O DRAGÃO DA INFLAÇÃO!

Todo cuidado é pouco com o dragão da inflação. Por isso, diretamente de FORTALEZA, do DIÁRIO DO NORDESTE, mestre SINFRÔNIO em genial charge. Diante disso, é recomendável ler na FOLHA ON LINE o alerta de hoje da MOODY’S.

O conjunto de incentivos monetários e fiscais do ano passado não apenas tirou o Brasil da recessão, como colocou a economia num ritmo superaquecido, o que leva o Banco Central a um impasse no esforço de controlar a inflação, disse a Moody's em relatório desta quinta-feira.

Segundo a instituição, mesmo com o ritmo de crescimento desacelerando nos próximos trimestres, o PIB brasileiro deve ter uma expansão de cerca de 6 por cento em 2010, num ritmo acima do potencial.

"Nessas circunstâncias, a inflação poderia chegar à casa dos 6 por cento no meio do ano, ainda abaixo mas muito perto do teto da meta de 6,5 por cento para o ano", diz trecho do relatório assinado pelo economista sênior para América Latina da Moody's Economy.com, Alfredo Coutiño.

Para evitar essa deterioração no cenário de preços, o economista sugere um aperto na política monetária já a partir deste mês, por meio de um aumento de 0,75 ponto percentual da Selic, hoje em 8,75 por cento ao ano.

O movimento, dirigido para conter a demanda superaquecida, principal motor da inflação alta segundo a Moody's, o juro deveria continuar subindo nos próximos meses, até chegar à casa de 10 a 11 por cento no final do ano.

O teor do documento está em linha com o alerta feito na véspera pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) que, ao elevar a previsão de crescimento do Brasil em 2010 de 4,7 para 5,5 por cento, sugeriu que a política monetária mude de muito expansiva para mais neutra.

Espera-se que o Banco Central do Brasil eleve a taxa de juro pela primeira vez em quase dois anos na próxima semana, embora os analistas não tenham consenso sobre o tamanho da alta --0,50 ou 0,75 ponto.

Mas tentar segurar a inflação apenas elevando o juro embute um risco, alertou a agência de classificação de risco, por incentivar a entrada de capital externo no país, levando à valorização do real, que por sua vez facilita as importações, o que pressiona o balanço de pagamentos e pode novamente pressionar a inflação.

"O jeito de o Banco Central resolver esse aparente dilema seria acelerar a acumulação de reservas internacionais, combinando isso com mecanismo de esterilização monetária", conclui a Moody's.

BRAZIL AND THE IMF.

Transcript of a Press Briefing on the International Monetary Fund’s Global Financial Stability Report - April 20, 2010 - Washington, DC.

QUESTION: Good morning. Would you identify Brazil as a hotspot regarding the capital flows, and would you recommend some kind of capital controls in Brazil, especially now that the central bank is poised to raise the interest rate?

MR. VINALS: Well, in the analysis that we have provided in the report, when we talk about hotspots, we talk about places where we see significant overvaluation in asset prices or residential real estate, equities, bonds, etc. The case of Brazil does not stand out in our report as one case where these problems are very large.

We think that there is some degree of slightly higher-than-average or historical average or equilibrium values for equity prices, but this is not something which is very far from these averages. The Brazilian authorities have already introduced some measures in terms of controls on capital inflows, so we do not have anything further to recommend to the authorities in this regard.

sábado, 17 de abril de 2010

A NOTÍCIA COM HUMOR É OUTRA COISA!

Mesmo diante de notícias tão sérias e graves, a TIME mantém o bom humor para o nosso início de uma fantástica semana.

UM NOVO MERCADO É POSSÍVEL.

Que bom poder ler na VEJA desta semana uma matéria que fala de uma visão ainda mais liberal para a Economia.

Há dois anos, uma crise inaudita eclodiu nos Estados Unidos e arruinou as finanças de países inteiros. Críticos de esquerda regozijaram-se pelo abalo de um dos pilares do capitalismo, o livre mercado, e culparam a cobiça desenfreada de banqueiros pelo crash. Já os economistas do mainstream, representantes do consenso capitalista que administra os países mais maduros do planeta, reconheceram que houve falhas, como a ausência de um sistema regulatório mais eficiente para controlar fraudes e a especulação predatória. Apesar da vala mental que separa essas duas visões de interpretar o mesmo fenômeno, ambas convergiram na prescrição do remédio destinado a combater a recessão mundial. Recomendaram, em doses distintas, a ampliação da presença do governo, pelas vias do aumento dos gastos públicos, e também o acirramento da regulação financeira. Entretanto, há quem pense de forma diferente. Trata-se dos economistas da Escola Austríaca, uma corrente coesa de ultraliberais que exonera os propagandeados vícios do capitalismo dessa história. Segundo eles, foram na verdade as intervenções do governo que proporcionaram a crise. Mais do que isso, acreditam que o remédio que tem sido usado pelos governos mundiais, sobretudo o despejo de somas maciças de recursos estatais, é inadequado e trará mais problemas no futuro.

Na semana passada, o Instituto Ludwig von Mises, que congrega adeptos dessa corrente, realizou em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, o I Seminário de Economia Austríaca do Brasil. Em dois dias, foram debatidos os acontecimentos recentes da economia mundial, assim como o receituário heterodoxo e radical desses pensadores. Embora centenária e influente no passado, essa escola esteve, nos últimos anos, à margem do pensamento dominante. No século XX, os seus dois teóricos mais proeminentes foram Ludwig von Mises (1881-1973) e o ganhador do Nobel Friedrich von Hayek (1899-1992). Ambos tiveram papel notável na exposição das fragilidades intrínsecas do planejamento econômico e na condenação do socialismo, num momento em que boa parte daintelligentsia mundial via com fascínio o avanço soviético. Os escritos de Mises e Hayek acabaram por inspirar as reformas liberais que começaram nos anos 80. Agora seus seguidores propõem uma recuperação dessas ideias para oferecer uma alternativa em relação ao novo consenso que se forma no mundo pós-crise.

"A crise que vivemos hoje teve início com políticas do governo que levaram à formação de uma bolha especulativa no mercado imobiliário", sentencia o historiador Thomas Woods, autor do best-seller Meltdown, sobre o recente crash. Para Woods e seus colegas, isso pode ser comprovado por causa do papel que tiveram as empresas de hipotecas Fannie Mae e Freddie Mac. Embora privadas, elas tinham um status privilegiado, porque dispunham de uma linha de crédito especial do governo para estimular a venda de casas a pessoas de baixa renda. Juntas, detinham 75% das hipotecas dos americanos. A política de estimular a venda de casas para quem não possuía a menor condição de assumir os compromissos de um financiamento imobiliário foi potencializada pelos juros extremamente baixos. Quando Alan Greenspan, o ex-presidente do Federal Reserve estava no comando, a taxa básica permaneceu abaixo da inflação por mais de dois anos. A facilidade de adquirir um imóvel incendiou a demanda e os preços subiram rapidamente. Entre 1998 e 2006, as casas americanas ficaram 150% mais caras. Mais tarde veio a onda de calotes, e os preços desabaram. Para os austríacos, tanto os subsídios como os juros baixos demais foram erros que só podem ser atribuídos ao governo. "Os preços estavam fora da realidade. Criou-se uma prosperidade artificial e insustentável", diz o economista americano Mark Thornton, especialista em bolhas financeiras. O setor imobiliário foi ao chão e arrastou consigo o mercado financeiro. "Não fossem as investidas do governo, nada disso teria tomado as atuais proporções. Por isso dizemos que essa crise é do intervencionismo, e não do liberalismo", conclui Woods.

Contrariados com o avanço da mão estatal, os austríacos veem riscos adiante para a economia mundial. Para eles, os pacotes de auxílio do governo para recuperar a economia repetirão os erros do passado. Avaliam que a nacionalização de empresas quebradas (como ocorreu com a Fannie Mae e a Freddie Mac), o socorro aos bancos e o aumento do endividamento prolongarão a agonia, apesar do efeito de alívio momentâneo. "De onde sairá o dinheiro para arcar com tudo isso? Não existem muitos caminhos além do aumento de impostos e da impressão de mais moeda", diz Lew Rockwell, fundador do Instituto Mises. "Não se pode aceitar um liberalismo pela metade. É inadmissível entregar ao estado o controle da economia. Os interesses de um governo são sempre políticos. Quando esses interesses interferem nos caminhos do mercado, desencadeiam crises", afirma Rockwell. Durante os dois dias de seminários em Porto Alegre, tradicional sede de encontros de esquerda, como o Fórum Social Mundial (cujo lema é "Um outro mundo é possível"), os ultraliberais austríacos alardearam a ideia de que um novo mercado é possível.

PARÁ É O ESTADO MAIS VIOLENTO DO BRASIL. ATÉ QUANDO?

Morando no Pará há alguns anos e conhecendo a riqueza do estado é totalmente desalentadora a leitura abaixo, publicada nesta data na FOLHA DE S.PAULO. Até quando uma sociedade permanece omissa e NÃO MUDA o que aqui está? A população poderia e deveria manter um padrão de vida melhor, SE a situação abaixo fosse realmente combatida pelos governos nas esferas federal, estadual e municipal. Lamentavelmente, o poder público continua arrecadando muito e não retornando à sociedade o que ela, minimamente, necessita. Quando vemos na capital do estado, nos melhores bairros, situações vergonhosas relacionadas a infraestrutura, imaginem meus fiéis quase dois (milhões de...) leitores o que vejo no interior do estado. Além da já conhecida devastação na floresta amazônica que ainda resiste, a quase totalidade da população está muito distante do que significa ter um padrão de vida que possa ser denominado "viver em dignas condições."

O Pará é o campeão em assassinatos cometidos em conflitos no campo nos últimos 13 anos. Das 467 mortes ocorridas no Brasil no período, 180 (39%) aconteceram no Estado, segundo dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT). O Pará registrou o maior número de homicídios em todos os anos em que os números foram levantados.

Nos cinco anos posteriores ao massacre de Eldorado dos Carajás -- no qual 19 sem-terra foram mortos e 79 mutilados ou feridos pela polícia em 17 de abril de 199 --, durante o mandato de Almir Gabriel (na época do PSDB), ocorreram 45 mortes, uma média de nove homicídios por ano.

Entre 2003 e 2006, quando o Estado foi governado por Simão Jatene (PSDB), foram 88 assassinatos, ou seja, em média, 22 por ano. Após a eleição de Ana Julia Carepa (PT), as mortes no campo voltaram a cair: 26 entre 2007 e 2009, uma média de aproximadamente nove homicídios anuais.

A petista foi eleita prometendo diálogo com os movimentos sociais e ações concretas para a realização da reforma agrária. Contudo, na avaliação do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), o atual governo reduziu a repressão aos sem-terra, mas tem uma atuação tímida na condução da reforma agrária.

“Nos governos anteriores a polícia reprimia as ocupações e manifestações públicas. Hoje existe a orientação de negociar com os trabalhadores”, afirma Ulisses Manaças, diretor estadual do MST no Pará e integrante da coordenação nacional do movimento. “Já na reforma agrária o Estado tem sido extremamente tímido”, acrescenta.

José Heder Benatti, presidente do Instituto de Terras do Pará (Iterpa), defende a atual gestão, que, segundo ele, já assentou mais de 5.000 famílias, e diz que para acabar com a violência no campo é necessário adotar “ações conjugadas”. “Temos que combinar a regularização fundiária, o reconhecimento de populações tradicionais e a mediação de interesses”, diz.

Já Eduardo Sizo, coordenador da Câmara Setorial de Defesa Social da Secretaria de Estado de Governo, órgão responsável pela mediação dos conflitos no campo, disse que os dados da CPT serão analisados antes de o governo tomar uma posição.

“Vamos analisar o relatório para saber efetivamente as razões das mortes. É o inquérito policial que trará elementos elucidativos para determinar se as mortes foram causadas pela disputa agrária. É conhecendo as causas da violência que temos condições de atacá-las”, disse.

Para Manaças, além da má-distribuição da terra, o agronegócio tem influência na violência no meio rural paraense. “A ocupação do território foi feita de forma violenta pelas elites. Desde a colonização o Pará foi visto como o exportador de matéria-prima. Hoje impera o modelo agromineral exportador, dominado pelas empresas transnacionais, e a pressão pelo lucro eleva os conflitos pela posse da terra. O agronegócio é um setor truculento, que oprime o movimento camponês”, diz.

O Pará também é detentor de outro recorde negativo, causador de um impacto direto na violência no campo: é o Estado brasileiro com a maior quantidade de terras griladas -- propriedades obtidas de modo irregular, por meio da falsificação de documentos cartoriais.

Se fossem considerados os registros em cartório, o território do Pará teria 490 milhões de hectares, o que representa mais de três vezes o tamanho real do Estado, segundo o Tribunal de Justiça. A discrepância é causada pela superposição de propriedades nos registros.

Dentre as irregularidades, estão documentos que não transferem domínio ou que não constam dados de título de origem, mais de mil registros de propriedades com área superior ao limite constitucional e ainda títulos emitidos pelo governo do Pará também em situações semelhantes, segundo o Iterpa.

O instituto diz que já foram bloqueados mais de 10 mil títulos de propriedade irregulares nos últimos três anos. “Precisamos deixar o Pará do tamanho que ele é, e declarar de forma segura os títulos que são podres e os títulos que tem validade”, disse Sizo.

JOSÉ SERRA E O BRASIL!

Como não poderia deixar de ser, registramos a capa da VEJA sobre a luta de JOSÉ SERRA para liderar O BRASIL na era pós-LULA.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

A ECONOMIA DE MARSHALL.

Economia é o estudo da humanidade nos afazeres cotidianos.
Alfred Marshall - 1890

BANCO E PETRÓLEO.

Como a economia é uma ciência genial: o Goldman Sachs é acusado de fraude pela Comissão de Valores Mobiliários americana e na Bolsa de Valores de Nova York o barril de petróleo bruto tipo WTI (West Texas Intermediate) para entrega em maio fechou em US$ 83,24, uma queda de 2,65% em relação à quinta-feira.

Nesse caso, a relação banco e petróleo deve ter seus quase 1.001 motivos...

A ECONOMIA BRASILEIRA EM 2010.

Mais uma vez, diretamente da FOLHA DE S. PAULO, vale ler com atenção “A ECONOMIA DO PAÍS EM DIREÇÃO AO MURO”, do economista e engenheiro LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS.

A aceleração do crescimento econômico no Brasil começa a me assustar. Com base nos dados do primeiro trimestre deste ano, um grupo de analistas já fala em crescimento do PIB de mais de 7% em 2010. Nós, na Quest Investimentos, ainda não chegamos a tal, talvez porque meus colegas sejam mais cautelosos do que eu... O crescimento da demanda interna pode ficar próximo a 10% em 2010. As importações respondem por essa diferença entre PIB e a chamada absorção interna. Mas elas acomodam a demanda aquecida apenas no grupo dos chamados bens "tradables", isto é, aqueles que podem ser comprados em outros países. A maior parte da oferta na economia brasileira é constituída por bens e serviços que não podem ser importados. O mais importante deles é o mercado de trabalho e nele é que está a componente mais ameaçadora que vejo para a frente. Também a infraestrutura econômica não está preparada para acomodar tal crescimento econômico. Afinal, são quase oito anos sem investimentos federais relevantes. Poderemos chegar ao fim deste ano com uma taxa de desemprego da ordem de 6%, mantido o crescimento atual da geração de postos de trabalho. Em março, o número de empregos formais aumentou em 266 mil, número muito forte para o mês. O ministro do Trabalho, encantado com o próprio sucesso, disse ontem que esse número deve se repetir neste mês. Dada a composição da oferta de mão de obra no país, a desocupação ainda elevada esconde uma situação de escassez nas faixas profissionais mais qualificadas. A pressão sobre os salários desse segmento dos trabalhadores já está ocorrendo e deve se acelerar. Na construção civil, um dos pontos mais aquecidos da economia, os salários já estão crescendo a mais de 10% ao ano. Mas outros sinais também alertam o analista mais cuidadoso. São evidências de instabilidade grave. Dou um exemplo: a produção de caminhões da Mercedes-Benz brasileira em março foi o dobro da matriz na Alemanha. Mesmo com a crise na Alemanha esse número é um aleijão para mim. Minha experiência profissional diz que estamos entrando em um daqueles momentos em que a euforia do brasileiro -aqui incluído trabalhadores, empresários e governo- vai nos levar a bater no muro das restrições econômicas. E a inflação é o problema mais grave que vamos enfrentar. Não me surpreenderia se, em poucos meses, estivermos falando de uma taxa de inflação, 12 meses à frente, superior a 6% ao ano. O governo -que teve atuação exemplar durante a curta crise que vivemos- entrou agora na defesa de uma macroeconomia keynesiana utópica e muito perigosa. Segundo a equipe econômica, os investimentos privados estão acontecendo e devem assegurar o equilíbrio entre oferta e demanda. São os eternos canarinhos que voam no universo dos economistas brasileiros. Já vi esse filme no passado e posso assegurar ao leitor que o final será triste. Por outro lado, a dinâmica eleitoral esta criando uma onda de benesses que apenas agrava o quadro de superaquecimento. Contabilizem os aumentos de gastos que estão saindo do Congresso nesses últimos meses e façam as contas. Isso joga mais lenha na fogueira da demanda privada. Para tentar esfriar o entusiasmo de todos, parece restar apenas a atuação do Banco Central. Mas trazer de volta o senso do real nesta altura do campeonato apenas com juros mais elevados será uma tarefa difícil e com prazo longo de maturação.

domingo, 11 de abril de 2010

LUIZ CARLOS NA CHINA!

LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS "E uma viagem à China de hoje", direto da FOLHA DE S. PAULO. As impressões do economista diante da populosa CHINA, tão comentada como o país que derrotará os ESTADOS UNIDOS e ser tornará o nº 1 do mundo.

Acabo de de chegar de uma viagem à China. Foram 15 dias conversando com autoridades do governo e visitando algumas fábricas de automóveis e caminhões na região sul do país de Mao. Não foi uma viagem de turista, mas a de um observador da dinâmica econômica desse incrível país.

Uma primeira observação é a de que, mesmo na capital, Pequim, podemos encontrar, lado a lado, a moderna e a velha China. No interior, esse contraste é ainda mais chocante. De um lado, as construções modernas e mesmo futuristas do boom imobiliário dos últimos anos. De outro, os velhos becos com suas casas modestas e empilhadas uma ao lado das outras. Junto aos modernos hotéis, administrados pelas cadeias internacionais mais famosas, podemos encontrar nos bairros mais afastados da milenar capital chinesa ainda os restaurantes populares que vi na minha primeira viagem, em 1984.

Mas, como disse anteriormente, o meu centro de atenção era a moderna economia chinesa e a forma como está organizada hoje. A presença do Estado é dominante. Em conversas com dirigentes de bancos e outras empresas estatais, isso fica muito claro. Todos estão amarrados a prioridades e metas dos Planos Quinquenais herdados da época do comunismo ortodoxo. E o respeito hierárquico ao quadro de dirigentes políticos do país é absoluto.

Mas aprendi também que, embora o Estado seja o controlador das empresas, existe entre elas uma profunda competição por mercados e eficiência, inclusive lucros. E os resultados obtidos na gestão das empresas é um dos mais importantes indicadores para subir na hierarquia do governo.

A geração atual de dirigentes chineses é quase toda formada por engenheiros que administraram com sucesso a implantação da gigantesca usina hidrelétrica de Três Gargantas. Essa característica de meritocracia - não baseada em bônus financeiros mas de poder na esfera política - talvez seja uma das causas mais importantes por trás do sucesso chinês nesta última década.

Por outro lado, percebe-se que o país de referência para a elite chinesa são os Estados Unidos. Um dos dirigentes com quem conversei longamente me perguntou por que a China é obrigada a comprar a soja brasileira de multinacionais americanas.

Procurei explicar as características especiais da relação comercial e financeira dessas empresas com os agricultores brasileiros, mas temo que não tenha sido entendido. E não por culpa do meu excelente tradutor chinês.

Outra surpresa foi encontrar nas empresas visitadas uma preocupação muito forte com a absorção de tecnologia ocidental e uma busca na melhoria de seus produtos. Fica claro que existe uma diferença muito grande na tecnologia usada nos produtos para exportação e para o mercado local. Mas, no longo prazo, o setor industrial vai superar o atraso atual em relação às economias mais avançadas e assumir a liderança em setores de ponta.
Outro motivo de espanto, em reunião com o dirigente de uma enorme fábrica de motores, foi saber que os operários trabalhavam oito horas por dia, 28 dias por mês. Lembrei-me de que, no Brasil, os sindicatos estão tentando aprovar no Congresso uma lei que limita em 40 horas a semana do trabalhador.
Ainda bem que a economia brasileira está ligada de forma muito forte ao desenvolvimento chinês. Essa vai ser uma das fontes mais importantes para nosso crescimento econômico na próxima década. É só ter juízo.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

AS RESERVAS DO NELSON!

É uma coisa realmente humana: na economia e na vida sempre alguém tem razão e o outro espera o momento de ter. Vendo os saldos anuais das nossas reservas internacionais observo que em 1991 elas estavam em US$ 9.406 milhões. Agora, em janeiro passado, chegamos ao valor de US$ 240.823 milhões. É interessante demais. Quando éramos “pobres” tínhamos o desejo de manter um elevado saldo em reservas. Hoje a pergunta é: será que esses US$ 240 bilhões já não estão trazendo problemas para a economia brasileira? Nem Nelson Rodrigues conseguiria decifrar até onde vai o desejo econômico...

SOROS E O ESTUDO DA ECONOMIA!

KENNETH MAXWELL em sua coluna de hoje na FOLHA DE S. PAULO esclarece “A ambição de George Soros.” Na verdade, existem homens que pensam e fazem enquanto outros nada fazem nem pensam. Na verdade, como tão bem escreveu John Steinbeck em seu famoso livro, isso recorda-me precisamente do título "RATOS E HOMENS". É sempre um excepcional prazer ler quando um homem cria para toda a humanidade um local para alguém estudar ECONOMIA, independentemente de suas convicções.

Nesta semana , o "Times", de Londres, reportou que George Soros vai criar um instituto de economia na Universidade de Oxford. Será, aparentemente, o primeiro de vários que ele pretende bancar em universidades da Europa e dos EUA por meio do Instituto para o Novo Pensamento Econômico, que criou no ano passado em Nova York. O objetivo é criar um espaço alternativo para os economistas que não seja dominado pelos defensores do livre mercado e da desregulamentação, aos quais Soros atribui responsabilidade parcial pela crise econômica mundial. O novo instituto será anunciado em uma conferência inaugural no King's College, em Cambridge, que reunirá importantes pensadores econômicos, entre os quais laureados com o Nobel da disciplina, como Joseph Stiglitz, da Universidade Columbia. Soros, nascido na Hungria em 1930, emigrou para o Reino Unido em 1947. Estudou na London School of Economics, onde se tornou discípulo do filósofo Karl Popper, autor de "A Sociedade Aberta e seus Inimigos". Depois de se transferir para Nova York, em 1956, começou a trabalhar como operador em Wall Street. Não demorou a compreender, no entanto, que estava, na melhor das hipóteses, repetindo as ideias de Popper. Por isso passou a se dedicar à gestão de fundos, atividade na qual se saiu excepcionalmente bem. Soros se tornou conhecido como "o homem que quebrou o Banco da Inglaterra". Em 1992, ele supostamente lucrou US$ 1 bilhão durante a crise cambial que levou o Reino Unido a abandonar o mecanismo europeu de taxas de câmbio, a um custo estimado de 3,4 milhões. Soros fez uma aposta de US$ 10 milhões e ganhou. Neste ano, constava da lista da revista "Forbes" como a 35ª pessoa mais rica do mundo, com patrimônio líquido de US$ 14 bilhões. Em comparação, Eike Batista, o homem mais rico do Brasil, tem patrimônio líquido de US$ 27 bilhões, de acordo com a "Forbes". Desde 2000, tornou-se conhecido, acima de tudo, como um dos mais ativos e politicamente aventurosos entre os filantropos mundiais, ainda que seu apoio a movimentos dissidentes e sua defesa dos direitos humanos na Europa Oriental datem dos anos 80. Doou somas consideráveis a uma campanha (malsucedida) para derrotar George W. Bush em 2004. Soros acredita que a economia não seja uma ciência propelida por mercados racionais, mas, sim, que ações, títulos e moedas dependam muito mais das emoções dos seres humanos que os compram e vendem. A principal ambição de seus novos institutos será a de oferecer ferramentas conceituais mais amplas e efetivas para explicar a atividade econômica.

domingo, 4 de abril de 2010

"O QUE MAYNARD DIRIA?"

Diretamente da FOLHA DE S. PAULO de hoje, LUIZ GONZAGA BELLUZZO, professor titular de Economia da UNICAMP, pergunta “O QUE MAYNARD DIRIA?’

Dizem os os frequentadores que, nas salas e corredores do King's College, em Cambridge, Inglaterra, ainda ressoa a indagação da professora Joan Robinson, uma das herdeiras intelectuais de Keynes: "O que Maynard diria?".
Maynard, o leitor já sabe, é John Maynard Keynes.
Maynard, imagino, estaria aflito com a mudança nas regras que definem o preço do minério de ferro. Os preços fixados nos contratos anuais de fornecimento deram lugar a um regime de revisão trimestral visando dar maior peso aos valores formados no mercado "spot". A finança global, ainda convalescente de suas façanhas e percalços, lambe os beiços diante da perspectiva de alta das operações de "swap". O mercado espera alcançar US$ 200 bilhões em 2020 (hoje, US$ 300 milhões).
O editorial de quinta feira do "Financial Times" reconhece que, "no novo regime é inevitável uma maior volatilidade do preço (...), o problema surgirá certamente quando um declínio na demanda chinesa ou um aumento da oferta provocarem uma queda no preço "spot". Nesse caso, novos contratos deverão ser adotados para encorajar um desenvolvimento consistente (?) do sistema".
Quanto ao mercado de "swaps", os acontecimentos recentes mostram que eles tendem a exasperar a volatilidade dos preços diante de possíveis desequilíbrios momentâneos entre oferta e procura. Esses derivativos ateiam gasolina ao fogo nos períodos de alta e, na baixa, jogam mais água do que o necessário na fervura.
Seja como for, Maynard ficaria chocado com uma mudança que poderá ampliar assustadoramente os intervalos de flutuação do preço de uma commodity importante como o minério de ferro. Pouca gente sabe, mas Keynes advogou, no espírito da Nova Ordem Econômica Internacional do pós-Guerra, a criação da Commod Control destinada a atenuar as excessivas flutuações de preços de commodities, lesivas aos países produtores e consumidores e danosas à estabilidade das economias.
Isso seria feito via uma política de gestão de estoques, coordenada por um comitê de especialistas com representantes dos países produtores e consumidores. "Uma agência internacional seria constituída, a Commod Control, com representantes dos governos dos principais países produtores e consumidores.
A Commod fixaria os preços em um nível mínimo razoável [garantindo a renda dos produtores e o conforto dos consumidores - LGB] e esses valores seriam modificados de tempos em tempos, com base na tendência observada na variação de estoques, para cima ou para baixo. Não seria tecnicamente difícil estabelecer uma relação entre os valores "básicos de sustentação" e o complexo de preços atuais, porquanto os movimentos de preços nos mercados futuros sinalizariam a atuação correta para o comitê de especialistas."
Keynes reconhece que a formação de preços deveria decorrer da interação entre as informações do mercado e a agência internacional incumbida de manejar os "estoques reguladores", com o propósito de aplainar as flutuações agudas e garantir a estabilidade das expectativas nos mercados de commodities.

PÁSCOA NA IGREJA!

Neste dia especial para todos os católicos, uma boa Páscoa para os meus quase ainda fiéis dois (milhões de) leitores. E para nossa alegria, nestes tempos também eleitorais, um pouco da irreverência de SINFRÔNIO, lá do CEARÁ, diretamente do DIÁRIO DO NORDESTE!!!

sexta-feira, 2 de abril de 2010

A ATUALIDADE DE SIMONSEN!

Considero MARIO HENRIQUE SIMONSEN, um dos melhores economistas brasileiros em todos os tempos. Na verdade, foi um gênio, que conhecia desde a matemática à ópera, da boa comida à economia. Recordando dele hoje, lembro que em 1990 ele já alertava que antes de tudo o Brasil deveria investir em educação. E quando do lançamento do Plano Real lá estava ele comentando que a estabilidade econômica depende de uma reforma do Estado.
Após tantos anos, o país continua sem ouvir e seguir os conselhos do grande Mestre. Quando finalmente chegaremos ao 1º mundo, num mundo de Dilma e Serra?

AMÉRICA: FINALMENTE, UMA LUZ!

After more than two years in which over 8 million jobs were lost, the country’s nonfarm payrolls surged in March. Employers added 162,000 jobs last month, and employment numbers in the previous two months were revised upward. Nationwide, the unemployment rate held steady at 9.7 percent. To many ordinary, out-of-work Americans, the recovery may finally start to feel real.

Speaking in Charlotte, N.C., President Obama called Friday’s report “the best news we’ve seen on the job front in more than two years.”

AINDA O CÂMBIO.

Diretamente da FOLHA DE S. PAULO, novamente DELFIM NETTO, comenta sobre o CÂMBIO.

O professor Carlos Antonio Rocca apresentou no Centro de Estudos de Mercado de Capitais, do IBMEC (em março deste ano), um interessantíssimo trabalho, com o título "Fatores da Taxa de Câmbio do Real: Uma análise Estatística". Nele, revela, como de costume, a sua integridade intelectual, a sua competência técnica, o seu pragmatismo e a sua cuidadosa modéstia nas conclusões.

Apenas para dar um exemplo das dificuldades de tais estudos, tomemos a moeda chinesa, o yuan. Há uma convicção generalizada, formada a partir de trabalhos com modelos apriorísticos e do uso de econometria sofisticada, de que ele está fortemente desvalorizado, o que facilitaria a invasão das exportações chinesas. Nos EUA, o Congresso, para atender à fúria dos sindicatos num ano eleitoral, está forçando Obama a declarar que a China "manipula" o seu câmbio.

Ocorre que a dúvida é geral. Basta dizer que a Goldman Sachs, cujo conhecimento dos mercados e competência são comprovados, estimou as taxas cambiais ("BRICs Monthly", 10/02, March 16, 2010) e concluiu que "o yuan, contrário à crença popular, não parece subvalorizado contra o dólar"! Quanto ao Brasil, diz o mesmo documento: "O real é uma das moedas mais sobrevalorizadas dos emergentes (cerca de 40%)".

O trabalho do professor Rocca não se aventura na tentativa de estimar a sobrevalorização do real. O seu objetivo secundário é tentar encontrar quais são as variáveis que provavelmente "explicam" a formação da taxa de câmbio real/ dólar e tentar medir a importância de cada uma delas. E, a partir do modelo, atingir seu objetivo principal: tentar medir o efeito da imposição do IOF de 2% sobre os investimentos estrangeiros.

O trabalho testa oito especificações e seleciona duas "melhores", que "explicam" mais de 3/4 das variações da taxa de câmbio real/dólar: 1) o próprio valor do dólar em relação a uma cesta de moeda; 2) o diferencial de juros EUA x Brasil; e 3), alternativamente, ou os investimentos na conta financeira total, ou os investimentos em carteira.

Em relação ao seu objetivo principal (o possível efeito do IOF), o trabalho afirma: "Não há razão para acreditar que a tributação do IOF sobre os investimentos estrangeiros em carteira tenha sido eficaz para reverter a tendência de valorização do real".

Em relação ao seu objetivo secundário (o que "explica" a taxa de câmbio), a conclusão é que "a principal variável doméstica na determinação da taxa de câmbio é o diferencial das taxas de juros Brasil x EUA". Logo, "ações voltadas para a redução sustentável dessa taxa são mais eficazes para evitar a valorização efetiva do real".

UM LUGAR NO PARAÍSO!

Que todos tenham um ótimo feriado!!!

O BACEN CONTINUA COM MEIRELLES!

Entendemos que a manutenção de HENRIQUE MEIRELLES no BACEN, oferece um pouco de segurança nestes tempos de eleições vale tudo.

Hoje, direto da FOLHA DE S. PAULO, Marcelo Moura, professor do Insper e especialista em bancos centrais, comenta que Henrique Meirelles tem feito um "excelente" trabalho como presidente do Banco Central, mas a instituição ainda precisa conseguir que o país viva em estabilidade de preços com juros menores.

FOLHA - Qual é a sua avaliação da gestão Meirelles no BC?

MARCELO MOURA - O BC foi eficiente. Em 2003, quando o Meirelles assumiu, o regime de metas de inflação estava sendo questionado. Os índices de preços haviam ficado acima do desejado, e ele conseguiu reverter essa alta.

FOLHA - Muitos especialistas dizem que não era preciso usar uma dose tão forte de juros.

MOURA - No começo do mandato do Meirelles, a taxa Selic estava na casa dos 20% ao ano; hoje, encontra-se em 8,75%. A tendência de longo prazo, portanto, sempre foi de queda. Comparei as políticas do BC com as dos seus pares na América Latina e vejo o brasileiro como um dos mais agressivos para controlar a inflação e reduzir os juros. Nos últimos anos, a autoridade monetária fez o melhor que poderia, considerando o histórico de hiperinflação do país.

FOLHA - O fato de Meirelles não ter conseguido a independência do BC, como desejava, deve ser considerado um fracasso?

MOURA - O Meirelles não é responsável por definir esse tipo de coisa, e sim o Poder Legislativo.

FOLHA - E quais deveriam ser as prioridades do BC agora?

MOURA - O trabalho realizado pelo Meirelles foi excelente, porém não está completo. O Brasil ainda precisa conquistar uma estabilidade de preços com juros menores. Acho que o país tem, sim, condições de viver com uma taxa Selic abaixo de 5%.