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"O QUE MAYNARD DIRIA?"

Diretamente da FOLHA DE S. PAULO de hoje, LUIZ GONZAGA BELLUZZO, professor titular de Economia da UNICAMP, pergunta “O QUE MAYNARD DIRIA?’

Dizem os os frequentadores que, nas salas e corredores do King's College, em Cambridge, Inglaterra, ainda ressoa a indagação da professora Joan Robinson, uma das herdeiras intelectuais de Keynes: "O que Maynard diria?".
Maynard, o leitor já sabe, é John Maynard Keynes.
Maynard, imagino, estaria aflito com a mudança nas regras que definem o preço do minério de ferro. Os preços fixados nos contratos anuais de fornecimento deram lugar a um regime de revisão trimestral visando dar maior peso aos valores formados no mercado "spot". A finança global, ainda convalescente de suas façanhas e percalços, lambe os beiços diante da perspectiva de alta das operações de "swap". O mercado espera alcançar US$ 200 bilhões em 2020 (hoje, US$ 300 milhões).
O editorial de quinta feira do "Financial Times" reconhece que, "no novo regime é inevitável uma maior volatilidade do preço (...), o problema surgirá certamente quando um declínio na demanda chinesa ou um aumento da oferta provocarem uma queda no preço "spot". Nesse caso, novos contratos deverão ser adotados para encorajar um desenvolvimento consistente (?) do sistema".
Quanto ao mercado de "swaps", os acontecimentos recentes mostram que eles tendem a exasperar a volatilidade dos preços diante de possíveis desequilíbrios momentâneos entre oferta e procura. Esses derivativos ateiam gasolina ao fogo nos períodos de alta e, na baixa, jogam mais água do que o necessário na fervura.
Seja como for, Maynard ficaria chocado com uma mudança que poderá ampliar assustadoramente os intervalos de flutuação do preço de uma commodity importante como o minério de ferro. Pouca gente sabe, mas Keynes advogou, no espírito da Nova Ordem Econômica Internacional do pós-Guerra, a criação da Commod Control destinada a atenuar as excessivas flutuações de preços de commodities, lesivas aos países produtores e consumidores e danosas à estabilidade das economias.
Isso seria feito via uma política de gestão de estoques, coordenada por um comitê de especialistas com representantes dos países produtores e consumidores. "Uma agência internacional seria constituída, a Commod Control, com representantes dos governos dos principais países produtores e consumidores.
A Commod fixaria os preços em um nível mínimo razoável [garantindo a renda dos produtores e o conforto dos consumidores - LGB] e esses valores seriam modificados de tempos em tempos, com base na tendência observada na variação de estoques, para cima ou para baixo. Não seria tecnicamente difícil estabelecer uma relação entre os valores "básicos de sustentação" e o complexo de preços atuais, porquanto os movimentos de preços nos mercados futuros sinalizariam a atuação correta para o comitê de especialistas."
Keynes reconhece que a formação de preços deveria decorrer da interação entre as informações do mercado e a agência internacional incumbida de manejar os "estoques reguladores", com o propósito de aplainar as flutuações agudas e garantir a estabilidade das expectativas nos mercados de commodities.

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