domingo, 13 de setembro de 2009

ECONOMIA EM CRISE - UM ANO DEPOIS

Ainda do caderno MAIS da FOLHA DE S. PAULO de hoje, VINICIUS CARRASCO, coordenador de graduação do departamento de economia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, responde a grande questão acadêmica: Há alternativas, novos temas ou enfoques que devam ser incorporados ao ensino de economia?
O papel de um economista é avaliar o desempenho de instituições econômicas (por exemplo, mercados, organizações e outros) em mediar a interação de agentes.
Portanto, a suposição feita de que os agentes econômicos são autointeressados e racionais (tomam as melhores decisões para eles) é indispensável: caso não a fizéssemos, não conseguiríamos identificar se uma determinada ineficiência econômica advém de instituições mal desenhadas ou de ações tomadas por agentes imperfeitos.
Não quero, de maneira nenhuma, subestimar a imperfeição humana. Só acredito que ela não deva ser objeto de análise de economistas (talvez o seja de psicólogos e psi- quiatras).
Usando a crise atual como exemplo, ao supor racionalidade por parte dos agentes, os economistas conseguem identificar de maneira limpa, entre outras, as falhas que houve nos desenhos da regulação financeira e de incentivos dos tomadores de decisão e, com isso, propor mudanças.
Segue daí que não sou entusiasta das abordagens comportamentais e psicológicas à economia, muito em voga em alguns centros nos EUA. Em particular, acredito que, antes de sua incorporação ao currículo de economia, é necessário que incorporemos, tanto aos currículos quanto às agendas de pesquisa, aspectos não psicológicos extremamente relevantes, mas que nossos modelos, especialmente os macroeconômicos e de finanças, ignoram em geral: heterogeneidade, dispersão (e assimetria e imperfeição) de informação entre agentes e falhas de mercado, entre outros.

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