sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Brasil rico, Brasil pobre.


Recebi através do Grupo de Economia Política, o direto editorial do ESTADÃO publicado em 28.10.2012. Triste, porém a mais pura verdade. Basta apenas você olhar ao ser redor, independente se você mora em determinadas grandes capitais, quanto no interior sem lei.

O aumento da renda nos últimos dez anos proporcionou uma notável melhora no padrão de vida da maioria das famílias brasileiras, aproximando-o de indicadores de países desenvolvidos, se o que se leva em conta é a aquisição de bens de consumo. No entanto, como mostrou o jornal Valor (21/10), se o critério for o fornecimento de serviços públicos básicos, pelos quais o Estado é diretamente responsável, uma boa parte desses mesmos cidadãos ainda convive com situações típicas dos países mais pobres do mundo. Ou seja: quando depende da renda das famílias, o avanço dos brasileiros na direção do mundo do conforto é significativo; no entanto, quando há necessidade de investimentos estatais, as demandas mais óbvias de grande parte da população ainda estão muito longe de serem satisfeitas.

O Brasil é hoje o oitavo maior mercado consumidor do mundo, segundo o Fórum Econômico Mundial. Desde 2001, saltou de 85,1% para 96,3% o total de domicílios que dispõem de geladeiras. No caso dos televisores, o índice passou de 89% para 97,2%, e no de máquinas de lavar, de 33,6% para 51,6%. Quase 100% das casas agora têm fogão, e o número de residência com computador ligado à internet quadruplicou, chegando a 37,1%. Para o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), esses dados têm relação direta com a redução da desigualdade de renda verificada no período. Houve expansão de 16% do rendimento médio real do trabalho entre 2001 e 2011, e esse crescimento foi mais acentuado entre os 50% mais pobres da população. Estudo da Fundação Getúlio Vargas indica que o ganho nessa faixa foi de 68% acima da inflação. Além disso, o total de trabalhadores com carteira assinada cresceu 48,1% entre 2003 e 2011.

Ao mesmo tempo, a oferta de crédito, capitaneada por bancos oficiais, passou de 25% para 51% do Produto Interno Bruto (PIB) entre 2002 e agosto passado, o que, ao lado do abatimento de impostos para reduzir os preços, também ajuda a explicar o aumento substancial da aquisição de bens duráveis. Com relativa estabilidade de emprego e de ganhos salariais, aliada ao crédito fácil e aos incentivos estatais, os brasileiros foram às compras.

No entanto, muitos desses consumidores da "nova classe média", que passaram a assistir a seus programas favoritos em modernas TVs de tela plana, são os mesmos que topam com lixo na porta de casa, que enfrentam esgoto a céu aberto e que não têm escola com qualidade ao menos razoável para seus filhos.

O IBGE mostra que cerca de 40% das residências brasileiras não dispõem de abastecimento de água e coleta de esgoto. A comparação com os países ricos é dramática: nos Estados Unidos, segundo o Valor, apenas 0,6% das casas não tinham água encanada e vaso sanitário com descarga em 2011. Ainda segundo o IBGE, 11% das casas brasileiras não têm nenhum tipo de saneamento básico e 5% convivem com lixo acumulado. E 40% dos logradouros não têm nenhuma identificação, de modo que seus habitantes não sabem dizer exatamente onde moram. O quadro é igualmente sombrio na educação. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica de 2011 mostra que, no ensino médio, a maioria dos alunos não sabe ir além das quatro operações aritméticas nem consegue ler e escrever de modo satisfatório.

Tudo isso se reflete na capacidade do Brasil de competir por mercados. O último ranking do Fórum Econômico Mundial sobre o tema indica que o País, embora tenha subido cinco posições, para o 48.º lugar, ainda marca passo em indicadores-chave. No item "saúde e educação básica", por exemplo, o Brasil figura em 88.º lugar entre 144 países, perdendo 9 posições desde 2009.

Como se observa, lentamente estamos deixando de ser a "Belíndia", à qual se referiu o economista Edmar Bacha, em 1974, para designar a concentração de renda que gerou o abismo entre o minúsculo Brasil rico, isto é, a "Bélgica", e o enorme Brasil pobre, a "Índia". Agora, o País está mais para um "Engana", apelido dado recentemente pelo ex-ministro Delfim Netto para designar esse festejado Brasil que tem renda da Inglaterra (England), mas que ainda dispõe de serviços públicos de Gana.

Seminário em SP: Economia em 2013.


InterNews promove em 30 de novembro de 2012 em São Paulo, seminário para melhor identificar os fatores que irão influenciar o desempenho da economia em 2013.  

A economia brasileira terá um crescimento, já praticamente assegurado, de 3% a 4% em 2013. O ambiente de negócios deve melhorar para a maioria das empresas. A economia está em aquecimento neste 4º trimestre de 2012, o que estabelecerá um novo patamar para as atividades econômicas.

No entanto, os desafios estruturais que o país não consegue superar impõem um teto neste crescimento. As expectativas de um desempenho mais dinâmico, que existiam em 2009 e em 2010, tornaram-se altamente improváveis. Mesmo o crescimento ainda baixo que se espera no Brasil para 2013 é vulnerável à possibilidade de agravamento da crise da zona do euro, de uma piora na economia americana ou de um pouso forçado do crescimento chinês.

Para ter um crescimento mais dinâmico e sustentável, o governo terá que melhorar a qualidade dos seus gastos correntes, criar condições para o aumento de produtividade, aprimorar os marcos regulatórios, promover uma reforma tributária, investir na educação e na qualificação de mão de obra e criar condições para a efetiva eliminação de gargalos de infraestrutura.

O crescimento do PIB em 2013 está limitado em 3,5%?

Qual o risco de um choque externo frustrar o crescimento esperado para o ano que vem?

O Brasil tem condições de resolver os entraves que impedem um crescimento mais dinâmico?
Quais as condições para a estabilidade nos patamares atuais das taxas de câmbio, juros e inflação?

Tudo isso e muito mais será respondido pelos conferencistas abaixo:

Amaury Bier
Presidente da Gávea Investimentos. Ex-diretor executivo do Banco Mundial, IFC e MIGA, foi secretário-executivo e secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda. Doutor em Economia pela USP.

Luiz Roberto Cunha
Professor da PUC-RJ, especialista em inflação, mestre em Economia pela Universidade de Vanderbilt (EUA).

Raul Velloso
Consultor econômico especializado em Contas Públicas Brasileiras. É sócio-diretor da ARD Consultores Associados. PhD em Economia pela Universidade de Yale, foi secretário-adjunto da Secretaria Nacional de Planejamento do Ministério da Economia.

Roberto Padovani
Economista –chefe da Votorantim Corretora. Mestre em Economia pela FGV-SP. Foi assessor do Ministério da Fazenda durante o Plano Real, sócio da consultoria Tendências e economista para América Latina do Banco WestLB.

O novo livro do Rodrigo Constantino.


Nas melhores livrarias, o novo livro do colega economista e blogueiro Rodrigo Constantino, sempre no ótimo http://rodrigoconstantino.blogspot.com.br/.

Segue a resenha publicada na “Livraria da FOLHA”. O livro, com 400 páginas, foi publicado pela Editora LEYA. 

Em Privatize Já, o economista Rodrigo Constantino procura desmistificar o termo "privatização", expondo as vantagens de um processo como este quando é bem feito.

Para o autor, está provado que o modelo de empresas estatais no Brasil não funciona. Hoje, são as menos lucrativas e as que mais empregam. Ainda assim, boa parte da população treme ao ouvir o palavrão ""privatizado"". Mas se o serviço público não funciona, por que a privatização se tornou essa heresia? De acordo com Constantino, por pura falta de informação.

O economista destaca o caso das empresas brasileiras de telefonia, que há alguns anos eram as detentoras das linhas e licenças. Quando um cidadão queria uma linha telefônica devia preencher um pedido, enfrentar uma fila, passar por um sorteio e, mesmo assim, só podia adquirir um número depois de meses, ou anos. Hoje, após as privatizações, o consumidor pode ter quantas linhas quiser, brigar por taxas mais baixas e optar pelas opções pré-pagas. A quantidade e a qualidade dos serviços aumentaram exponencialmente.

Tomando por base a lei do livre comércio, Constantino afirma que a concorrência entre empresas privadas costuma ser garantia de bons serviços, e um passo extremamente importante na direção de mais progresso, prosperidade e liberdade.

Minha homenagem à NYC.




Através do texto de RUY CASTRO, hoje na FOLHA DE S. PAULO, a minha homenagem a Nova York, a cidade que nunca dorme e que é um dos meus melhores destinos no mundo.   

Nova York, devastada pela furacão Sandy, não esperou a chuva estiar para sair às ruas, começar a passar o rodo e cuidar dos estragos. É como se milhões de pessoas tivessem se cansado de ficar sem energia - elevadores parados, gente presa no 80° andar, hospitais fechados em meio a cirurgias, telefones mudos, voos cancelados -, de metrô, trens e túneis alagados, prédios, garagens e estacionamentos idem, com pisos, móveis e carros destruídos, e ruas cobertas de lixo, lama e, dizem, ratos mortos, vindos dos subterrâneos.

Toda a Costa Leste americana foi atingida, mas é inevitável que Nova York atraia as atenções. Não se entende a cidade sem o comércio funcionando, as luzes piscando e o dinheiro girando. E não se a concebe também sem seus cidadãos se mobilizando de forma coletiva e solidária, todos se empenhando em resolver os problemas de todos -sem desprezar a ajuda dos poderes oficiais, apenas antecipando-se a eles e fazendo a sua parte.

Foi assim no 11/9, quando, poucos dias depois do ataque aéreo e com a poeira ainda no ar, Blossom Dearie começou a cantar "It's All Right to Be Afraid" num clubinho; os teatros reabriram as portas e as pessoas voltaram à vida em vez de ficar olhando para o céu. Normal ter medo, dizia a canção, desde que ele não as impedisse de fazer o que tinham a fazer.

A maratona de Nova York, a maior do mundo, programada há meses para este domingo, poderia ter sido cancelada. As ruas estão um caos e inúmeros participantes, vindos de toda parte, não tiveram ou terão como chegar. Mas será realizada assim mesmo. A imagem dos corredores cruzando os cinco distritos e terminando no Central Park simbolizará a invencibilidade desta cidade, ultimamente mais posta à prova do que nunca.

Os furacões passam longe das nossas costas, melhor assim.

domingo, 28 de outubro de 2012

29 de outubro - Dia Nacional do Livro.


Você sabe por que comemoramos o dia Nacional do Livro no dia 29 de outubro? Por que foi nesse dia, em 1810, que a Real Biblioteca Portuguesa foi transferida para o Brasil, quando então foi fundada a Biblioteca Nacional e esta data escolhida para o DIA NACIONAL DO LIVRO. 
 
O Brasil passou a editar livros a partir de 1808 quando D.João VI fundou a Imprensa Régia e o primeiro livro editado foi "MARÍLIA DE DIRCEU", de Tomás Antônio Gonzaga. 

Fonte: Instituto Pró-Livro. 

Leia sempre. Ler é cultura. 

O lado pop do Nobel.

Da série: minhas leituras - 3:

"Em A RIQUEZA DAS NAÇÕES, lançado em 1776, ADAM SMITH defendeu, entre outras coisas, a livre concorrência entre os empresários como forma de garantir preços mais justos e a inovação tecnológica. Desde a publicação da obra-prima de SMITH, a população mundial saltou de 1 bilhão para 7 bilhões de habitantes, houve duas grandes guerras mundiais, o surgimento e a derrocada do comunismo e a invenção dos computadores. Com toda essa evolução, é natural esperar que o estudo da economia também esteja se redescobrindo a cada dia. O mais incrível, talvez, seja o fato de SMITH continuar tão atual. Foi ele quem mostrou a utilidade e o dinamismo da economia de mercado e por que - e, em particular, como - esse dinamismo operava. Por mais pop que seja, o Nobel continua tão ortodoxo como sempre".     

Fonte: Revista EXAME. 

Da série: minhas leituras - 2.

Esta vai para os Professores Alexandre Schwartsman e Carlos Pio: "As pessoas deveriam sustentar-se graças a seus esforços e àquilo que ganham [...] e depender o menos possível do Estado."

"Ela acreditava que, em contraste com o Estado socialista, o Estado do bem-estar social era perfeitamente compatível com o livre mercado e a democracia. Apresentava o Estado do bem-estar social como o próximo estágio da evolução natural do Estado Liberal".

Trata-se do pensamento da aqui desconhecida Beatrice Ellen Potter, esposa de Sydney Webb, que juntos criaram o conceito de "Estado do bem-estar social" e do "think tank". Em almoço em Oxford, conheceu Alfred Marshall.

Fonte: A imaginação econômica: gênios que criaram a economia moderna e mudaram a história - Sylvia Nasar. 

7,25%.


Li recentemente na FOLHA, Antonio Delfim Netto e sua análise da última decisão do Copom.

O exercício da política econômica é, por sua própria natureza, um fato datado e incerto. Datado pelo conhecimento acumulado ao longo dos anos, de que seu agente se supõe portador. Incerto porque necessariamente envolve uma perspectiva sobre o ambiente interno e externo em que ela se executará.


O problema técnico encontra o seu limite no conhecimento do agente. Depois, trata-se de uma decisão tomada entre prospectivas razoáveis construídas pela imaginação e a cuja realização pode-se, apenas, atribuir uma probabilidade subjetiva.

Um exemplo parcialmente típico dessa situação foi enfrentado pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, quando decidiu, por 5 votos a 3, reduzir a taxa Selic de 7,5% para 7,25%, "porque o cenário prospectivo para a inflação ainda comportava um último ajuste nas condições monetárias".

Os membros que votaram contra "entenderam que não era necessário mais um corte de juros para garantir a melhora do crescimento econômico", pois o cenário não o recomendava.

Não parece ter havido nenhuma divergência técnica. Podemos supor, com toda razoabilidade, que os oito votantes têm formação profissional competente, colhida em excelentes academias, nenhuma das quais se pode classificar como heterodoxa ou ideologicamente muito diferente.

A mais importante diferença talvez seja a da probabilidade subjetiva que cada um atribuiu ao que supõe será o desenvolvimento da economia mundial no futuro próximo.

Os vencedores apostaram na prospectiva que sugere que a fragilidade e as incertezas que dominam a economia mundial serão mais prolongadas do que se supõe e terão algum efeito "desinflacionário" sobre a doméstica.

Os perdedores apostaram na prospectiva de que os efeitos das medidas já tomadas pela política econômica (fiscal, monetária e cambial) não esgotaram os seus efeitos e que, portanto, mais uma queda marginal dos juros não era necessária para garantir a volta ao crescimento. Estes, talvez, tenham sido atendidos com o registro de que seria o "último ajuste (...) por um tempo suficientemente prolongado" nas condições monetárias.

O que o Banco Central não explicita é que sua hipótese, se verdadeira, ajudará a elevar o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) ao mesmo tempo em que fará a inflação convergir para a sua meta.

Temos a impressão (não é nada mais do que isso) de que a prospectiva dos vencedores tem maior probabilidade de realizar-se, mas isso só o tempo revelará. Não a teoria ou a ideologia. 

Barack Obama for Re-Election.


Como já tinha ocorrido em 2008, o jornal "The New York Times" anunciou ontem que apoia a candidatura de reeleição de Barack Obama.
Abaixo, pequeno trecho do editorial publicado. Isso é liberdade de imprensa. Enquanto isso, no Brasil... 
The economy is slowly recovering from the 2008 meltdown, and the country could suffer another recession if the wrong policies take hold. The United States is embroiled in unstable regions that could easily explode into full-blown disaster. An ideological assault from the right has started to undermine the vital health reform law passed in 2010. Those forces are eroding women’s access to health care, and their right to control their lives. Nearly 50 years after passage of the Civil Rights Act, all Americans’ rights are cheapened by the right wing’s determination to deny marriage benefits to a selected group of us. Astonishingly, even the very right to vote is being challenged.
That is the context for the Nov. 6 election, and as stark as it is, the choice is just as clear.
For these and many other reasons, we enthusiastically endorse President Barack Obama for a second term, and express the hope that his victory will be accompanied by a new Congress willing to work for policies that Americans need.

Da série: minhas leituras - 1.

"Muitos acreditam também que a América Latina jamais enriquecerá devido ao caráter intrinsecamente libertino e carente de seu povo, que além disso sofre do mal da cultura 'ibérica', a tendência a deixar tudo para mañana". 

Fonte: Por que as nações fracassam: as origens do poder, da prosperidade e da pobreza - Daron Acemoglu & James Robinson. .   

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Nobel em Economia 2012.

The Sveriges Riksbank Prize in Economic Sciences in Memory of Alfred Nobel 2012 was awarded jointly to Alvin E. Roth and Lloyd S. Shapley "for the theory of stable allocations and the practice of market design"

sábado, 13 de outubro de 2012

Peso morto.


Editorial de hoje da FOLHA DE S. PAULO e o pessimismo do FMI com a economia global.  

Não são nada animadoras as conclusões do último encontro do FMI, realizado em Tóquio nesta semana. Houve nova revisão para baixo das projeções de crescimento global em 2012 (de 3,5% a 3,3%) e 2013 (de 3,9% a 3,6%).

As incertezas sobre as economias desenvolvidas, cujo PIB deve expandir-se mero 1,3% neste ano, é a principal razão do desalento.

Mais preocupante foi o quadro de médio prazo apresentado pelo economista-chefe do FMI, Olivier Blanchard, para quem é possível que os efeitos da crise financeira de 2008 e o baixo crescimento durem uma década. Ou seja, o mundo pode estar apenas na metade do caminho para resolver os desequilíbrios acumulados.

Foram também reforçados os alertas quanto ao risco de deterioração ainda maior. A Europa não afastou completamente a possibilidade de ruptura do euro. Os EUA podem ter de recorrer a cortes traumáticos no Orçamento, caso democratas e republicanos não entrem em acordo para renovar medidas de estímulo após as eleições.

E a China, a despeito das projeções de crescimento próximo a 8% para 2013, pode ter uma desaceleração abrupta durante o processo atual de transição para um modelo menos ancorado em investimentos estatais.

Por fim, em seu "Relatório de Estabilidade Financeira", o FMI apresentou estimativas das fragilidades do sistema bancário mundial, em especial do europeu. Ainda haveria a necessidade de reduzir a exposição dos bancos em cerca de US$ 2,8 trilhões até o fim de 2013. Nessa perspectiva, certamente o crédito continuará deprimido na zona do euro.

Como o foco da crise permanece na Europa, a diretora-geral do FMI, Christine Lagarde, pediu mais flexibilidade nos planos de ajuste orçamentário. Os países, defendeu, não devem se agarrar cegamente a programas duros, caso o crescimento se mostre aquém do esperado.

É correto, mas a alternativa tampouco soa atraente. Para os países presos na camisa de força da moeda única, dificilmente será com mais endividamento público que a confiança de empresários e consumidores será restaurada.

A única saída -fora do cenário extremo de desmantelamento do euro- parece ser a manutenção do curso no ajuste fiscal e nas reformas estruturais. E, nesse meio-tempo, que o Banco Central Europeu financie os governos, caso o mercado privado não o faça.

Esse é o equilíbrio precário que foi conseguido a duras penas até aqui. O restante do mundo -além da amarra do baixo crescimento- permanece dependente de um desfecho para o imbróglio europeu.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Cair na real com Delfim.


Neste tempo de Círio de Nazaré em Belém do Pará, comento com os meus ainda, espero, dois fiéis leitores, que os atrasos nas postagens ocorrem devido a dificuldades logísticas. Isso posto, como estamos com um final de semana prolongado e para afirmar que não esquecemos deste democrático espaço, abaixo texto do Professor Delfim Netto, publicado nesta data na FOLHA DE S. PAULO.

Alguns analistas econômicos são vítimas de grave processo obsessivo misticamente ligado ao número três.

Há poucos meses, acreditavam piamente num ridículo modelo mágico. Uma espécie de "síntese" de toda a política econômica apoiada nas últimas descobertas da "ciência monetária" que, com três equações, cobriria toda a complexidade do mundo real.
O próprio Banco Central namorou a ideia. Diante da lenda urbana, o setor privado gastou milhares de homens/hora de alta qualificação para mimetizá-la e, assim, "adivinhar" o que faria o Copom na próxima reunião.

A nova obsessão são os famosos "três pilares" da política econômica adotada quando o modelo mágico quase nos levou ao "default", em 1998. Introduzida em 1999, depois da desvalorização cambial, a política de responsabilidade fiscal, de metas de inflação e de liberdade cambial não nos poupou da ameaça de outro "default" em 2002. Só nos livramos graças à assistência do FMI.

No período que vai de 1999 a 2001, em que alguns analistas supõem que aplicamos o regime "puro", os números mostram resultados não muito interessantes: taxa de crescimento médio de 2,1% do PIB; taxa média de inflação anual de 8,8%; déficit público médio de 4,4%.

A dívida líquida/PIB, que era de 39% no fim de 1998, elevou-se a 51% no fim de 2002. No período, acumulamos um déficit em conta-corrente de US$ 80 bilhões. Houve, sim, grande progresso institucional, o maior dos quais, seguramente, foi a Lei de Responsabilidade Fiscal, de 2000, que transformou o Brasil numa área monetária ótima.

Não há nada contra o uso comedido dos três pilares, mas não é possível erigi-los em objetivos religiosos como parecem fazer alguns. Aliás, o competente economista Armínio Fraga, responsável pela política econômica que os criou, sempre pareceu entendê-los "cum grano salis".

Não creio que alguém tenha ouvido dele a proposição de que, com um único instrumento (a taxa de juros nominal de curto prazo), o Banco Central só pode atingir um objetivo (a taxa de inflação)! E a razão é simples: o teorema no qual ela se sustenta é logicamente verdadeiro. O que é falso são suas hipóteses!

Isso, hoje, é reconhecido por excelentes acadêmicos convertidos pela vivência da política econômica a uma pequena "heterodoxia". Dentre eles, dois que tiveram grande importância na formação de nossos economistas: Stanley Fischer e Olivier Blanchard.

Afirmar, portanto, que a política monetária tem de considerar a taxa de crescimento do PIB é pecado apenas no mundo "virtual" em que vivem alguns de nossos analistas.

sábado, 22 de setembro de 2012

Nobel de Economia de 2012.


Dia 15 de outubro próximo será anunciado o Prêmio de Ciências Econômicas, mais conhecido como o Prêmio Nobel de Economia. No site da Reuters, os "favoritos" para Economia são:

Sir Anthony B. Atkinson
Research Professor, Department of Economics
Oxford University,
Oxford, England U.K.
For studies of income inequality and contributions to welfare state and public sector economics
-and-
Angus S. Deaton
Dwight D. Eisenhower Professor of International Affairs and Professor of Economics and International Affairs
Woodrow Wilson School
Princeton University
Princeton, New Jersey, USA
For empirical research on consumption, income and savings, poverty and health, and well-being.

Stephen A. Ross
Franco Modigliani Professor of Financial Economics and Professor of Finance
The MIT Sloan School of Management
Massachusetts Institute of Technology
Cambridge, Massachusetts, USA
For his arbitrage pricing theory and other fundamental contributions to finance.

Robert J. Shiller
Arthur M. Okun Professor of Economics
Cowles Foundation for Research in Economics and Professor of Finance
The International Center for Finance
Yale University
New Haven, Connecticut, USA
For pioneering contributions to financial market volatility and the dynamics of asset prices.


Abaixo, relação com o nome de todos os premiados desde a criação do prêmio em 1969.
Thomas J. Sargent, Christopher A. Sims
2010
Peter A. Diamond, Dale T. Mortensen, Christopher A. Pissarides
2009
Elinor Ostrom, Oliver E. Williamson
2008
Paul Krugman
2007
Leonid Hurwicz, Eric S. Maskin, Roger B. Myerson
2006
Edmund S. Phelps
2005
Robert J. Aumann, Thomas C. Schelling
2004
Finn E. Kydland, Edward C. Prescott
2003
Robert F. Engle III, Clive W.J. Granger
2002
Daniel Kahneman, Vernon L. Smith
2001
George A. Akerlof, A. Michael Spence, Joseph E. Stiglitz
2000
James J. Heckman, Daniel L. McFadden
1999
Robert A. Mundell
1998
Amartya Sen
1997
Robert C. Merton, Myron S. Scholes
1996
James A. Mirrlees, William Vickrey
1995
Robert E. Lucas Jr.
1994
John C. Harsanyi, John F. Nash Jr., Reinhard Selten
1993
Robert W. Fogel, Douglass C. North
1992
Gary S. Becker
1991
Ronald H. Coase
1990
Harry M. Markowitz, Merton H. Miller, William F. Sharpe
1989
Trygve Haavelmo
1988
Maurice Allais
1987
Robert M. Solow
1986
James M. Buchanan Jr.
1985
Franco Modigliani
1984
Richard Stone
1983
Gerard Debreu
1982
George J. Stigler
1981
James Tobin
1980
Lawrence R. Klein
1979
Theodore W. Schultz, Sir Arthur Lewis
1978
Herbert A. Simon
1977
Bertil Ohlin, James E. Meade
1976
Milton Friedman
1975
Leonid Vitaliyevich Kantorovich, Tjalling C. Koopmans
1974
Gunnar Myrdal, Friedrich August von Hayek
1973
Wassily Leontief
1972
John R. Hicks, Kenneth J. Arrow
1971
Simon Kuznets
1970
Paul A. Samuelson
1969
Ragnar Frisch, Jan Tinbergen

Bases para crescer em 2013.


No editorial do ESTADÃO, a leitura do atual momento econômico visando 2013. 

Prometido pelo governo, o crescimento econômico de pelo menos 4% no próximo ano parece garantido, se depender do consumo. As famílias continuam com boa capacidade de compra, sustentada pelo emprego elevado e pelo aumento da renda média e da massa de rendimentos, como acaba de confirmar mais uma vez o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com o reforço do crédito ainda vigoroso, os brasileiros continuarão indo às compras neste semestre e, se outros fatores ajudarem, a economia poderá retomar um bom ritmo de expansão antes do fim do ano. Mas a boa disposição dos consumidores é apenas uma das condições necessárias para o aumento geral do nível de atividade. Falta ver se a indústria será capaz de atender à demanda interna e de retomar o espaço perdido, nos últimos anos, para os concorrentes de fora.

Do lado do consumo, os dados são claramente positivos, como têm sido quase invariavelmente há alguns anos. As condições do mercado de trabalho permanecem muito favoráveis, nas seis áreas metropolitanas cobertas pela pesquisa do IBGE, embora a economia esteja em marcha lenta há mais de um ano. No mês passado, a desocupação ficou em 5,3%, praticamente sem variação em relação a julho (5,4%) e bem abaixo do nível observado em agosto de 2011 (6%). Nas seis regiões, o rendimento médio habitual dos trabalhadores foi 1,9% maior que o do mês anterior e 2,3% superior ao de agosto do ano passado. Como consequência da criação de empregos e da elevação do rendimento médio, a massa dos ganhos da população ocupada aumentou 2,3% de julho para agosto e foi 3,6% maior que a de um ano antes.

Com o crédito ainda em expansão e alguma redução da inadimplência, os consumidores continuam com elevado potencial de compra. Os últimos dados gerais sobre o varejo, referentes a julho, mostram um cenário positivo. O volume de vendas do comércio varejista cresceu 1,4% de junho para julho. Nesse mês, foi 7,1% maior que o de igual mês do ano anterior. O total acumulado em 12 meses foi 7,5% superior ao dos 12 meses anteriores.

O varejo ampliado (com veículos e material de construção) recuou 1,5% em julho, porque as vendas de automóveis diminuíram 8,9% depois de um crescimento espetacular de 23,9% no mês anterior. No acumulado de 12 meses, o volume vendido pelo varejo ampliado foi 5,9% maior que o do período precedente.

Apesar da vigorosa demanda de consumo, o Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro semestre foi só 0,6% maior que o de janeiro a junho de 2011. Mesmo com alguma recuperação, o crescimento médio do ano dificilmente passará de 2%, em nova estimativa do governo (a anterior era de 3%). A mediana das projeções do mercado coletadas pelo Banco Central no dia 14 havia chegado a 1,57%. Será o segundo ano de estagnação. Em 2011 o PIB aumentou só 2,7%.

Esses números refletem principalmente o mau desempenho da indústria. O mercado interno tem crescido, mas a indústria de transformação vem sendo afetada, há anos, por desvantagens crescentes diante da concorrência. Durante anos, o governo atribuiu as dificuldades do setor principalmente à valorização do real - fator de encarecimento dos produtos nacionais e de barateamento dos importados - e aos juros altos. Mas o real desvalorizou-se desde o ano passado, os juros caíram e as exportações empacaram, enquanto as importações continuaram vigorosas. Além disso, o crédito para investimentos já era barateado por subsídios. Mas têm ocorrido novidades promissoras.

A presidente Dilma Rousseff decidiu dar menos ênfase ao discurso costumeiro e cuidar mais da produtividade geral da economia e das condições de competição da indústria. O governo deu um passo além dos estímulos pontuais e temporários e anunciou políticas de redução de custos. É cedo para dizer se essas medidas permitirão à empresa brasileira, em poucos meses, acompanhar mais de perto a expansão da demanda interna. Os sinais são positivos e o índice de confiança do empresário industrial, medido pela confederação do setor, subiu em setembro pelo segundo mês seguido e superou o de um ano antes.

Banco Real - 16 de junho de 1925.

A Editora da USP publicou recentemente o "BRASIL DOS BANCOS" de autoria do Fernando Nogueira da Costa. O tema bancário é objeto de estudo do Fernando desde a sua dissertação de mestrado com o título "Bancos em Minas Gerais (1889-1964). Em seu doutorado o tema continuou presente através da tese "Banco de Estado: O Caso Banespa". Com orelha de sua ex-professora Maria da Conceição Tavares, a leitura do livro traz a este blogueiro à sua própria história do mundo bancário. E para complementar, cita a história do Banco Real, início das minhas atividades laborais. 

Nas sábias palavras do fundador do Banco da Lavoura de Minas Gerais, Clemente de Faria, "O importante é emprestar pouco a muitos", está a origem do poderoso conglomerado financeiro, conhecido a partir de 1971 pelo nome de "Banco Real" e que foi posteriormente vendido ao ABN Amro Bank, hoje o nosso Santander. 

Em 1957, portanto antes da inauguração de Brasília, o Banco da Lavoura de Minas Gerais foi o primeiro banco a se instalar na capital da República, recebendo a carta patente nº 1. Foi o primeiro banco privado brasileiro a se lançar no exterior, abrindo, em 1958, escritório de representação em Nova York e em Paris. Em 1975 o Banco Real mantinha unidades em Bogotá, Panamá, Grand Cayman, Nassau, Curaçao, Los Angeles, Nova York, Toronto e Cidade do México. Apesar do Fernando não citar, em 1978 o banco também mantinha uma agência em IBIAPINA-CE, cidade natal deste blogueiro. 

Em outubro de 1948, com o falecimento de Clemente de Faria aos 57 anos, assumiu a superintendência do banco, seu filho Aloysio de Andrade Faria, com apenas 28 anos de idade e, na minha opinião, o maior banqueiro brasileiro de todos os tempos. E olha que a concorrência foi/é forte. 

Para concluir esta postagem, destaco do texto do Fernando a informação de que em 1964 o Banco da Lavoura era o maior banco particular em funcionamento no Brasil e na América Latina. E claro que tinha que ser. Afinal, em 1950 já funcionava em BELÉM do PARÁ.          

Um forte abraço a todos os colegas realinos.          

domingo, 16 de setembro de 2012

FED e política monetária.


Li na FOLHA a análise do GUARDIAN sobre a atual "política monetária" americana. 

Bancos centrais precisam de credibilidade. A habilidade de se comprometer de modo firme com uma determinada política monetária produz expectativas nos mercados e transmite sinais importantes para a economia real.

Além disso, a credibilidade do Fed, o banco central norte-americano, permite que ele use suas ferramentas de comunicação para moldar essas expectativas, o que deveria favorecer a atividade econômica como um todo.

Desse ponto de vista, fica bastante claro que o Fed tinha de anunciar uma nova rodada de relaxamento monetário ("quantitative easing", a prática de compra de títulos do Tesouro que injeta dinheiro na economia) ao final da sua reunião de ontem.

Como havia sido demonstrado pelos quatro últimos relatórios sobre desemprego nos EUA - nenhum deles mostrou crescimento no emprego, na renda ou na força de trabalho - as condições da economia do país são frágeis.

Além disso, os americanos ainda estão tendo de se haver com a retração no crescimento mundial e com o fantasma de possíveis choques financeiros advindos da Europa.

Se o Fed tivesse deixado de agir, os mercados só poderiam concluir que ou o banco central americano não compreende as condições da economia - o que é improvável - ou que sua credibilidade foi minada. E o Fed não se arriscaria a esse ponto.

Isso não significa, no entanto, que novas intervenções do banco central serão capazes, por si sós, de estimular o crescimento do país.

O próprio presidente do Fed, Ben Bernanke, disse que "a política monetária não pode, sozinha, obter os mesmos efeitos de um conjunto maior e mais equilibrado de medidas econômicas; em especial, ela não é capaz de neutralizar os riscos fiscais e financeiros que o país enfrenta".

Os EUA precisam de reformas fiscais e orçamentárias, que são fundamentais, especialmente em setores como saúde e aposentadorias.

Pode-se dizer que as medidas de política monetária resultam em poucos benefícios, mas vale a pena implantá-las. O custo delas, porém, é considerável, e vai de inflação ao risco de politização do Fed.

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