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ATA DO COPOM

Recebi do Professor Carlos Pio, o editorial do Estadão sobre “o viés político das Ata do COPOM."

A interpretação mais audaciosa sobre a Ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) foi do diretor da Global Financial Advisor, Miguel Daoud, que, ao ler o documento, concluiu que o Banco Central (BC) introduziu nele um viés político.

Na sua opinião, o BC fotografou o cenário atual e passou a foto por meio da Ata. Na realidade, isso já se vinha percebendo em atas anteriores, chegando à máxima clareza no presente documento, especialmente no que diz respeito à expansão monetária e, mais ainda, ao déficit das contas públicas. A impressão foi reforçada pela declaração do presidente do BC, Henrique Meirelles, quando transformou o que o Copom considera uma hipótese de trabalho em certeza: de cumprimento das metas fiscais e de inflação em 2010.
A Ata considera que existem apenas dois riscos: o comportamento dos preços dos serviços e a elevação dos das commodities. Não vê nenhum problema no que se refere ao crédito, que aumenta para as pessoas físicas e conta com a atuação dos bancos públicos para que não haja risco de redução. O risco do impulso fiscal sobre a trajetória da inflação, embora assinalado, não preocupa as autoridades monetárias, que consideram que os investimentos da indústria, que atualmente dispõe de margem de ociosidade, darão condições de responder a um forte aumento da demanda doméstica.
Certamente, o Copom se mostra tranquilo com a possibilidade de recorrer à importação para completar a oferta interna, embora não manifeste preocupação com a excessiva deterioração das transações correntes do balanço de pagamentos. Isso pode até afetar a taxa cambial, mas o Copom acredita que manterá estabilidade em torno de R$ 1,70. No entanto, uma desvalorização do real ante o dólar teria um efeito devastador sobre os preços de produtos brasileiros nos quais cresce a participação de componentes importados.
Não se pode menosprezar, hoje, a dependência das entradas de capitais estrangeiros na economia brasileira, tanto na sustentação dos investimentos quanto na dinâmica do mercado bolsista. Ora, uma deterioração das contas públicas, ainda mais acompanhada de déficit crescente das transações correntes, que poderá não ser facilmente coberto pela entrada de recursos externos, representará a médio prazo um sério problema. Não em 2010, mas o Copom, que atua essencialmente sobre o futuro, parece-nos que deveria advertir-se desse risco.

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