quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

DELFIM NETTO NA FOLHA DE S. PAULO

DELFIM NETTO, hoje na FOLHA DE S. PAULO - http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz2402201006.htm, explica que "Hoje, no Brasil, os agentes ativos que constroem o pensamento hegemônico são a taxa de juros, a taxa de câmbio, os pontos do Ibovespa e as crenças do Banco Central. Os agentes passivos, ignorados, são os empresários, que dão emprego, que correm os riscos, e os trabalhadores, cujo desemprego é saudado porque dá folga ao famoso "produto potencial"...
A última coisa que interessa é saber, por exemplo, que graças às "artes" chinesas (que o Brasil considera uma "economia de mercado"!) destrói-se o nosso setor calçadista.
A desculpa é facilmente formulada pelo pensamento hegemônico: nossa produtividade é menor que a chinesa! Os empresários falidos e os trabalhadores desempregados encontrarão, por definição, uso mais rentável para seu patrimônio e para sua força de trabalho em outro setor...
As recentes volatilidades da taxa de câmbio e do índice Ibovespa (que, obviamente, não são fenômenos independentes) deveriam levar-nos a uma reflexão mais profunda. Elas não são resultado de "leis naturais", mas produto do equívoco de subjugar o setor real da economia aos interesses do sistema financeiro

Um comentário:

Evandro disse...

Concordo que a preocupação maior é a economia real, e que a competitividade calçadista chinesa se deve, em grande parte, ao câmbio chinês(com outras coisas a mais) e não a nossa falta de produtividade nacional. Porém, não acredito que devemos dar um atenção especial para o comércio internacional, com políticas voltadas para ele em detrimento do juros e inflação. O nosso caso, como demonstrado na crise, é de um país mais dependente do mercado interno e, portanto, a relevância do mesmo é enorme e as políticas, como enfatizado pelo noticiário, consideram isso. Claro que o governo não esqueceu do comércio internacional e não o abandonou, apenas acredito que leram o Internacionalismo Pop de Krugman e souberam tirar proveito disso para conduzir melhor seu foco.