quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

A TAXA DE CÂMBIO

Diretamente da FOLHA DE S. PAULO, o colega DELFIM NETTO comenta novamente sobre o câmbio:
De acordo com estimativas (sempre sujeitas a chuvas e trovoadas), em 2008 transacionou-se diariamente, nos mercados de câmbio mundiais, qualquer coisa como US$ 1,8 trilhão (mais ou menos o PIB anual brasileiro).
Eles funcionaram cerca de 156 horas semanalmente para as 168 horas possíveis! Para ter uma ideia de sua dimensão, basta considerar que suas transações anuais andavam às voltas de US$ 450 trilhões, contra um pouco mais de US$ 16 trilhões de operações comerciais e serviços (exportação + importação, dividido por dois).
Esses números sugerem que mais de 95% das transações com moedas são oriundas do movimento internacional de capitais, para investimentos, arbitragem ou pura especulação. No Brasil, a situação não é muito diferente, porque dispomos de um eficiente e sofisticado sistema financeiro e uma Bolsa segura e organizada.
Mesmo quando não há nenhuma restrição às operações de comércio e serviços, a taxa de câmbio não é mais aquele animal pré-histórico, o preço relativo, que equilibrava fluxos de oferta e procura de divisas.
Ela é um ativo financeiro e, como tal, sujeita, no curto prazo, às condições que estabelecem o equilíbrio nos mercados daqueles ativos, particularmente as expectativas.
No mundo em que operam, 24 horas por dia, sete dias por semana, os agentes financeiros especializados têm à sua disposição a velocidade proporcionada pela moderna tecnologia ("high-frequency trading"). Para eles, o que importa são as condições de equilíbrio de seus portfólios, ou seja, dos estoques da riqueza (moedas, títulos nacionais e estrangeiros), que são ajustados a cada variação das condições internas e externas e das expectativas.
A taxa de câmbio é apenas um dos ingredientes do equilíbrio. Os outros são a sua própria expectativa, a taxa de juro interna e a externa, o nível do PIB e o saldo em conta corrente, que equilibram (ajustam os estoques de ativos) os mercados financeiros nominados nas várias moedas, como assistimos no Brasil nas últimas semanas. Esse é o preço da integração profunda do mercado de capitais nacional ao mercado internacional.
O câmbio flexível (e a liberdade de movimento de capitais, com instituições eficientes), ao mesmo tempo em que libera às autoridades a escolha da política monetária, pode tirar-lhe as condições de permitir o estabelecimento de uma taxa de câmbio adequada ao desenvolvimento econômico, o que só acontecerá quando a taxa de juro real interna for igual à externa.
Isso é claramente impossível no Brasil, onde o Banco Central namora a crença de que nossa taxa de juro real de equilíbrio está entre 7% e 8% ao ano!

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