sábado, 1 de junho de 2013

Brasil rico é um Brasil sem inflação.

Nesta parte de um artigo do Gustavo Franco, o poder da palavra certa escrita de maneira inteligente. Desconheço a data em que ele escreveu este artigo, mas continua tão atual, como somente assim são os autores que ficam na história.     

Na economia, o charlatanismo é mais flagrante por que há interesses envolvidos. Seria, de fato, extraordinário que a inflação brasileira fosse “puramente inercial”, há muita gente que acredita nisso, tal como os que acreditam que foram abduzidos por discos voadores. Uma pesquisa de 1992 indica que cerca de 2% da população americana genuinamente acredita ter sido abduzida por alienígenas, ou seja, cerca de 3,7 milhões de terráqueos, só nos EUA.

É tão absurdo como pensar que uma das maiores inflações que a humanidade conheceu, e que acumulou 20,7 trilhões por cento em 15 anos, teria acontecido por nenhuma razão, por que a inflação de hoje é a de ontem, e se “apagarmos” o “ontem”, ela desaparece, como por mágica.

O fato é que a crença na “inflação inercial” atua como uma poderosa influência no sentido de barrar os esforços para moralizar as contas públicas brasileiras, onde, com efeito, as maiores atrocidades acontecem. Há um enorme público para essa ladainha da “inércia”, ou para o efeito sem causa, pois ela serve para preservar a irresponsabilidade fiscal, mãe da corrupção e outras criaturas aparentadas, e os interesses a elas relacionados.


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