quinta-feira, 2 de junho de 2016
O problema do mundo não é a economia, é a “idolatria do dinheiro”.
O alerta é do professor João César das Neves, o convidado do Almoço/Debate que a Associação Cristã de Empresários e Gestores promoveu no passado dia 20 em Lisboa.
O docente de Economia da Universidade Católica Portuguesa falou do seu mais recente livro: “A Economia de Francisco. Diagnóstico de um equívoco”, oportunidade para dizer “que há um aproveitamento das intervenções do Papa”, que “está a ser interpretado de forma ideológica”.
“A Doutrina Social da Igreja não pode ser capturada por nenhuma ideologia”, sublinha César das Neves que destaca a solução proposta pelo Papa “no sentido da cultura do encontro que deve substituir a cultura do descarte”.
quarta-feira, 1 de junho de 2016
IPEA: Ernesto Lozardo, professor de economia da FGV é o novo presidente.
O novo presidente do Ipea é Ernesto Lozardo, empossado nesta quarta-feira, dia 1º, em cerimônia no Palácio do Planalto. O presidente interino, Michel Temer, também deu posse a Maria Silvia Bastos Marques no cargo de presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Paulo Rogério Caffarelli no cargo de presidente do Banco do Brasil, Gilberto Occhi no cargo de presidente da Caixa Econômica Federal e Pedro Parente no como presidente da Petrobras.
A cerimônia teve a presença do ministro interino do Planejamento, Orçamento e Gestão, Dyogo Oliveira, do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e do ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, entre outras autoridades. Em seu discurso, Michel Temer afirmou que Lozardo é uma pessoa de ideias – não de ideias abstratas, mas concretas –, algo essencial para a proposição de políticas públicas.
Lozardo é mestre em economia pela Columbia University, concluiu MBA na New York University e graduação em administração pública na mesma instituição. Foi secretário de Planejamento, Economia e Gestão do estado de São Paulo, bolsista em finanças na New York University e bolsista da Organização dos Estados Americanos (OEA). É professor de economia internacional, moedas e bancos na Fundação Getulio Vargas – Escola de Administração de Empresas de São Paulo.
Queda de 0,3% no PIB no 1º trim 2016 acumula 4,7% nos últimos 12 meses: tragédia brasileira!
O Produto Interno Bruto (PIB) apresentou variação negativa de 0,3% na comparação entre o primeiro trimestre de 2016 e o quarto trimestre de 2015, levando-se em consideração a série com ajuste sazonal. É o quinto resultado negativo consecutivo nesta base de comparação. Na comparação com igual período de 2015, houve contração do PIB de 5,4% no primeiro trimestre do ano, oitava queda seguida nesse tipo de comparação. No acumulado dos quatro trimestres terminados no primeiro trimestre de 2016, o PIB registrou queda de 4,7% em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores, a maior da série histórica, iniciada em 1996.
Em valores correntes, o PIB atingiu R$ 1,47 trilhão no primeiro trimestre de 2016. Já no acumulado nos quatro trimestres encerrados em março de 2016, totalizou R$ 5.943,3 bilhões, sendo R$ 5.088,3 bilhões referentes ao valor adicionado (VA) a preços básicos e R$ 855,1 bilhões aos impostos sobre produtos líquidos de subsídios.
A publicação completa da pesquisa pode ser acessada aqui.
terça-feira, 31 de maio de 2016
Oxford Economics: Emerging market fiscal adjustment: not all bad news.
Emerging market fiscal adjustment: not all bad news.
Major fiscal adjustment needed in some EMs.
Some past adjustments have seen stronger growth:
Brasil em 31/05/2016: 11,4 milhões de desempregados. Enquanto isso...
No trimestre móvel encerrado em abril, a taxa de desocupação (11,2%) cresceu 1,7 pp (ponto percentual) em
relação ao trimestre móvel encerrado em janeiro (9,5%) e 3,2 pp em relação ao
mesmo trimestre móvel de 2015 (8,0%). Essa foi a maior taxa de desocupação
desde o início da pesquisa (janeiro de 2012). A população desocupada (11,4 milhões de pessoas) cresceu em ambas as
comparações: 18,6% (ou mais 1,8 milhão de pessoas) em relação ao trimestre
móvel encerrado em janeiro 2016 e 42,1% (mais 3,4 milhões de pessoas
desocupadas) em relação ao mesmo trimestre móvel de 2015.
Já a população ocupada (90,6 milhões de pessoas) recuou (-1,1%) em
relação ao trimestre de novembro de 2015 a janeiro de 2016 e também caiu
(-1,7%, ou menos 1,5 milhão de pessoas trabalhando) comparada a igual trimestre
de 2015. O número de empregados no setor privado com carteira assinada recuou em ambas as
comparações: frente ao trimestre encerrado em janeiro de 2016 (-1,8%) e em
relação a igual trimestre do ano passado (-4,3% ou menos cerca de 1,5 milhão de
pessoas nessa condição).
O rendimento médio real habitualmente recebido em
todos os trabalhos pelas pessoas ocupadas (R$ 1.962) ficou
estatisticamente estável frente ao trimestre móvel encerrado em janeiro de 2016
(R$ 1.977) e recuou (-3,3%) em relação ao mesmo trimestre de 2015 (R$ 2.030).A massa de rendimento real habitualmente recebido
em todos os trabalhos pelas pessoas ocupadas (R$
173,3 bilhões) caiu nas comparações trimestral e anual (-1,5% e -4,3%,
respectivamente).
UFC/CAEN: Seminário de Pesquisa em 02/06/2016 com o Prof. Paulo Rogério Faustino Matos.
Convite para Seminário de Pesquisa (CAEN)
A Pós-Graduação em Economia da UFC
(CAEN) tem o prazer de convidá-lo (la) para o Seminário de Pesquisa
intitulado "How important is forward-looking behavior in Brazilian
sectorial indices risk premium?", a ser proferido pelo Prof. Paulo
Rogério Faustino Matos, as 17:30 do dia 02.06.2016 (quinta-feira), no auditório
do CAEN. O trabalho, vencedor do Prêmio ANBIMA de Mercado de
Capitais de 2014, está disponível no site: http://www.caen.ufc.br/attachments/article/143/NCF%20Researching%20Paper%20Series%2008.pdf
Obs.: Os certificados estarão disponíveis no site do
CAEN uma semana após a realização do evento.
Esperamos
vê-lo aqui!
Paulo Matos
Diretor de pesquisa
CAEN/UFC
Déficit primário de R$ 143,85 bilhões no período de 12 meses encerrado em abril! Queda na receita e aumento na despesa.
O Governo Central apresentou um
superávit primário de R$ 9,75 bilhões em abril deste ano, ante déficit de
R$ 7,94 bilhões em março. O resultado
de abril representa uma queda nominal de 3,2%
frente ao superávit de R$ 10,07 bilhões de igual mês do ano passado. No
acumulado de janeiro a abril, as contas do Tesouro Nacional, Previdência Social
e Banco Central ficaram deficitárias em R$ 8,45 bilhões, frente ao superávit de
R$ 14,56 bilhões de igual intervalo de 2015.
De acordo
com o Tesouro Nacional, responsável pela divulgação dos números, no período de
12 meses encerrado em abril o Governo Central apresentou um déficit primário de
R$ 143,85 bilhões, o equivalente a 2,30% do PIB.
O
secretário do Tesouro, Otavio Ladeira, explicou que o saldo positivo das contas
em abril foi provocado principalmente pelo efeito sazonal favorável do
pagamento do Imposto de Renda. “Os meses de abril são em geral de
resultados fiscais positivos, fundamentalmente explicados pela Receita”, disse.
Ainda
assim, o secretário destacou que a arrecadação continua sentindo o efeito da
atividade econômica fraca. A receita total em abril somou R$ 119,42 bilhões,
uma queda real de 6,9% ante abril do ano passado. A receita administrada pela
RFB caiu 4,9%, para R$ 75,91 bilhões. No acumulado dos quatro primeiros meses
do ano, a receita total diminuiu 5,5% em termos reais e a receita administrada
pela RFB recuou 7,4%.
“Quando
comparamos a evolução das receitas tributárias, vemos queda menos pronunciada neste
ano em comparação com o ano passado, mas ainda assim é uma queda forte”, disse
Ladeira.
A despesa
total, por sua vez, cresceu 2,2% em termos reais nos quatro primeiro meses do
ano ante igual intervalo de 2015. Entre os destaques dessa conta estão o aumento
de R$ 6,3 bilhões em abono e seguro-desemprego, cujo cronograma de desembolso
mudou do segundo semestre do ano passado para o primeiro deste ano, e a queda
real de 60,6% dos desembolsos do Minha Casa Minha Vida, que saíram do Orçamento
Geral da União e passaram a ser honrados pelo FGTS.
Em abril,
do lado das despesas, Ladeira chamou atenção para a queda do pagamento de
seguro-defeso, de R$ 505 milhões para R$ 35 milhões, e para o recuo de 72,3% do
dispêndio com o Fundeb. “O pagamento de abril foi suspenso pelo MEC em função
de uma ação judicial de um Estado. Julgada a liminar, o MEC fez a transferência
em maio.” Por isso, o valor de R$ 1,1 bilhão que deixou de ser pago em abril
impactará as contas de maio.
Outro
ponto destacado pelo secretário no resultado do mês foi a queda de 96,5% do
pagamento de subsídios e subvenções. “No passado, pagava-se a totalidade dos
subsídios quando o caixa permitia”, disse ele. Por isso, em abril de 2015 houve
forte dispêndio nessa rubrica. A partir da mudança definida pelo TCU, o
pagamento passa a ficar concentrado em janeiro e julho a partir deste ano”
esclareceu.
Ladeira
destacou que a mudança da meta fiscal para este ano, para um déficit primário
de R$ 170,5 bilhões para o Governo Central, foi importante. Segundo ele, havia
um conjunto de despesas, muitas delas já empenhadas e liquidadas, que não
poderiam ser pagas sem a recomposição de R$ 21,2 bilhões do contingenciamento
que havia sido anunciado em março.
Outro
ponto importante relacionado à nova meta, mencionou, são as incertezas do lado
da arrecadação e as negociações em torno das dívidas dos Estados. “O Tesouro
Nacional está consciente da situação fiscal dos demais entes da Federação e
está disposto a sentar e discutir com eles, tentando buscar a melhor solução”,
afirmou o secretário. As negociações passam necessariamente pelo reequilíbrio
de curto prazo e pelo enfrentamento de questões estruturais, acrescentou.
Ladeira
destacou também os três boxes do documento deste mês. O primeiro trata do Relatório
Anual do Tesouro Nacional. “Ele faz uma análise bem
mais ampla que a mensal, é bastante completo. Trabalha com os avanços
institucionais do Tesouro, uma série de eventos positivos para o acompanhamento
das contas públicas.”
O segundo
boxe menciona o novo modelo contábil que alinhou o Balanço
Geral da União às
melhores práticas internacionais, resultando em um documento muito mais
robusto, na opinião do secretário. O terceiro boxe fala do Relatório Bimestral
de Reavaliação de Receitas e Despesas Primárias, que se comunica plenamente com
os números mensais do Tesouro.
segunda-feira, 30 de maio de 2016
Raduan Nassar: Prêmio Camões 2016.
O Prémio Camões 2016 foi esta segunda-feira atribuído por unanimidade ao escritor Raduan Nassar, de 80 anos, o 12.º brasileiro a receber aquele que é considerado o mais importante prémio literário destinado a autores de língua portuguesa. O júri sublinhou "a extraordinária qualidade da sua linguagem" e a "força poética da sua prosa".
Boletim Focus: base 27/05 e o PIB cairá 3,81% em 2016!
No Boletim Focus, divulgado hoje pelo Banco
Central, o mercado fez alguns ajustes em suas projeções, com destaque para o
IPCA, a taxa Selic e o câmbio. Em síntese, destacamos:
PIB: melhorou de -3,83 para
-3,81%;
Inflação: subiu de 7,04% para 7,06%;
Dólar: caiu de R$ 3,67 para R$ 3,65;
Taxa básica de juros (Selic): subiu de 12,75% para
12,88%.
domingo, 29 de maio de 2016
Batalha de Verdun: 1916 - 2016. Cem anos de história.
Há exatamente 100 anos, na mais sangrenta batalha da Primeira Guerra Mundial, milhares de alemães e franceses morreram pela pátria em Verdun.
Hoje, "François Hollande et Angela Merkel seront à Verdun, pour le centième anniversaire de la Grande Guerre. L'objectif est de faire de ce haut lieu de l'héroïsme un symbole de l'amitié franco-allemande".
Gustavo Franco: "Precisamos falar sobre herança."
Neste domingo de outono brasileiro, Gustavo Franco é mais uma vez preciso e didático ao evidenciar a situação atual da economia brasileira.
Segundo ele, "E não por acidente as quedas no PIB do biênio 2015 e 2016, que se espera que atinjam 3,8% e 3,8%, ultrapassam o que se observou nos anos da Grande Depressão, 1930-31, quando as quedas foram de 2,1% e 3,3%. É fundamental que se tenha clara a exata natureza e extensão da herança, para que as dores inerentes ao árduo trabalho de reconstrução financeira e fiscal do crédito público sejam associadas a quem produziu a doença, e não ao médico."
Um texto para ler e reler.
sexta-feira, 27 de maio de 2016
Dr. Dr. h.c. Fernando Henrique Cardoso: Harvard University.
His Excellency Fernando Henrique Cardoso
Doctor of Laws
Fernando Henrique Cardoso served as president of the Federative Republic of Brazil from 1995 to 2003. He is a sociologist and the author of several books on social change and development in Brazil and Latin America.
Cardoso holds a degree in sociology from the University of Sao Paulo, where he later taught from 1952 to 1964. After the country’s 1964 coup d’etat, he was persecuted for his efforts to improve public education and modernize the university. He continued his academic career in exile, living in Chile and France before returning to Brazil in 1968. Before becoming president, he held several other positions in the Brazilian government, serving as a state senator, minister of foreign affairs, and minister of finance.
Cardoso has taught at universities in Chile, England, France, and the U.S., and he founded the Centro Brasileiro de Analise e Planejamento, which became an important center for research on Brazilian politics and culture. He is past president of the International Sociological Association and holds honorary degrees from more than 20 universities.
quinta-feira, 26 de maio de 2016
Elio Gaspari: A Ditadura Acabada.
Ler "A Ditadura Acabada", o quinto volume da Coleção Ditadura, escrito pelo Elio Gaspari, é simplesmente uma aula de história do Brasil com a vantagem de um texto elegante e inteligente.
Leitura imperdível.
quarta-feira, 25 de maio de 2016
CAGED abril/2016: 1.825.609 novos desempregados nos últimos 12 meses.
1.Segundo os dados do CAGED, em abril de 2016, foram eliminados 62.844 empregos
celetistas, equivalente à retração de 0,16% no estoque de assalariados com carteira assinada
do mês anterior.
2. Na série ajustada, que incorpora as informações declaradas fora do prazo, no acumulado do
ano, os dados mostram um decréscimo de 378.481 empregos (-0,95%).
3. Ainda na série com ajustes, nos últimos 12 meses verificou-se a redução de 1.825.609
postos de trabalho, equivalente à variação negativa de 4,44 % no contingente de empregados
celetistas do país.
Brasil: um teto ao gasto público ou não teremos futuro?
De 1997 a 2015, o gasto primário do Governo Federal se deslocou de 14% para 19% do PIB, portanto se observou crescimento anual médio da ordem de 0,3 p.p. do PIB no período e de 5,8% ao ano acima da inflação.
No período 2008/2015, enquanto a receita total anual cresceu 12,1%, em termos reais, a despesa total cresceu 47,7%.
Em resumo, as despesas do setor público se encontram em trajetória insustentável.
Por essa razão, o Governo Federal irá apresentar ao Congresso Nacional uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que limitará o crescimento da despesa primária total.
Para tanto, irá propor um limite para o crescimento da despesa primária total do Governo Central, equivalente à inflação do ano anterior, isto é, um crescimento de zero acima da inflação.
A aplicação mínima de recursos em educação e saúde terá como base o valor mínimo obrigatório observado em 2016, que será anualmente aumentado segundo o mesmo mecanismo (inflação do ano anterior).
Além de limitar o crescimento das despesas públicas, essa estratégia: (1) aumenta a previsibilidade da política macroeconômica, fortalecendo a confiança; (2) elimina o crescimento real do gasto público, portanto, em situações de emergência permitirá ao Estado alterar sua composição; e (3) reduz o risco-país e, assim, abre espaço para redução estrutural das taxas de juros.
Limite constitucional: Uma vez que o Congresso Nacional aprove a PEC, a aplicação mínima constitucional em educação e saúde passa a ser a calculada segundo a regra constante da PEC.
Prazo de vigência: Terá vigência permanente, e não temporária.
Estouro do Teto: Caso a norma constitucional seja desrespeitada, o agente público que deu causa à infração responderá conforme previsão legal. Cabe notar ainda que qualquer lei aprovada em desconformidade com norma constitucional pode ser vetada ou declarada inconstitucional.
terça-feira, 24 de maio de 2016
Henrique Meirelles: medidas de política econômica para o Brasil de hoje.
As medidas de política econômica que o governo anunciará nesta terça-feira (24/05) serão focadas no controle das despesas primárias e financeiras, na eliminação de ineficiências do gasto público e na busca pela melhoria do desempenho da prestação de serviços às camadas mais pobres da população. A afirmação foi feita pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, durante participação no seminário “O Brasil que temos para o Brasil que queremos”, promovido pela revista Veja nesta segunda-feira (23/5).
“A ideia é exatamente um plano de voo, com medidas que tenham efeitos plurianuais e impactos permanentes”, disse Meirelles. A ênfase, portanto, será menos numa melhora pontual do resultado primário e mais na tentativa de colocar a dívida pública em uma trajetória de sustentabilidade no longo prazo.
O ministro destacou que, se nada for feito, a dívida pode ultrapassar, em alguns anos, a marca de 80% do PIB, aproximando-se do dobro da média dos países emergentes, hoje em 44% do PIB. “Corremos risco de descumprimento da chamada regra de ouro, que veda emissão de dívida além do necessário para rolar a dívida vincenda e pagar as despesas de capital”, disse Meirelles.
A combinação de aumento permanente da carga tributária com contenção temporária das despesas – fórmula historicamente usada para resolver crises fiscais no Brasil – não se aplica mais, disse o ministro. De um lado, a carga tributária já atingiu um patamar que introduz ineficiências nas decisões dos agentes econômicos e limita o crescimento. De outro, o aumento do gasto concentrou-se em despesas obrigatórias, que dão pouca margem de manobra para ajustes.
Desta vez, “o processo começa por controle rígido e rigoroso da despesa”, afirmou Meirelles. O reforço da mensagem de que não haverá mais desequilíbrio fiscal trará aumento da confiança, do emprego, do investimento e consequente elevação da arrecadação tributária, facilitando o reequilíbrio das contas públicas, explicou o ministro. “O aumento da arrecadação tem que vir como consequência do processo, não como pressuposto de saída do processo”, defendeu.
Meirelles destacou que as ações a serem tomadas pelo governo não são um fim em si mesmas. “Elas, sem exceção, são um meio – a rigor o único – de trazer de volta ao mercado de trabalho os 11 milhões de brasileiros que hoje estão desempregados, de reduzir a dúvida de empresários quanto ao futuro dos seus negócios, de diminuir a insegurança dos trabalhadores que conseguiram permanecer no emprego, de garantir que, em cinco, dez ou 15 anos os nossos aposentados receberão seus benefícios”, disse o ministro.
domingo, 22 de maio de 2016
Vinicius Torres na FOLHA: "Quebramos"
Na FOLHA DE S. PAULO, Vinicius Torres Freire, essencial e didático.
Quebramos. O governo federal do Brasil está quebrado.
Não é novidade. No fundo, é força de expressão: o governo vai continuar a pagar as contas: vai ainda tomar emprestado, sabe-se lá até quando e a que custo (juros altos, dívida crescente e economia estagnada). No limite do desastre, sem crédito viável, fabrica dinheiro e paga as contas, ao custo de inflação desembestada
Quebramos? Não tem volta? Tem. Nessa volta, teremos de subir uma escadaria de joelhos nus sobre o milho, com uma pedra nas costas.
Se ainda era necessário um alerta final, tivemos a sexta-feira (20). Foi então que o governo anunciou que o deficit deste ano pode chegar a R$ 170 bilhões, o triplo do deficit teratológico de 2015 (já descontadas as despesas extraordinárias das "despedaladas" de 2015).
É um deficit 75% maior que o previsto pelo moribundo governo Dilma Rousseff, faz apenas uns dois meses. Em escala menor, é um episódio Grécia 2010: a lambança e a mentira eram maiores do que se imaginava.
Suponha-se, com razão, que o governo Temer tenha exagerado a herança maldita. Feitas contas alternativas e descontadas despesas extraordinárias, digamos que o deficit esteja correndo na casa de R$ 125 bilhões (deficit primário: em que não entra a despesa de juros).
O que são R$ 125 bilhões? Por exemplo, é o gasto total com os salários dos funcionários públicos federais. São mais de quatro anos e meio de Bolsa Família. É mais que o dinheiro que se paga por ano aos 8,4 milhões de aposentados da Previdência Rural. É um terço da despesa da Previdência. É colossal.
Dá para cortar? Algo, sempre dá. Mas o dinheiro cortável, aquela parte do Orçamento que não está comprometida com gastos obrigatórios, equivale a uns R$ 115 bilhões. Mexer em gasto obrigatório exige mudança de lei: em aposentadorias, em salários, no piso das despesas com saúde e educação.
Supondo que fosse possível cortar sem mais R$ 125 bilhões, o deficit primário cairia a zero. Melhor, mas insuficiente. No zero a zero, a dívida pública continua crescendo.
É verdade que a receita do governo cai sem parar praticamente desde março de 2014, em termos anuais. Desde então, foram-se R$ 142 bilhões, em termos reais (descontada a inflação). Parte maior da perda se deve à recessão; outra parte se deve às reduções de impostos de Dilma 1.
Sem aumentos de impostos, essa receita perdida não vai voltar a correr para os cofres do governo antes que o país recupere o PIB perdido na recessão. E olhe lá. Leva anos, com bom crescimento da economia. Para piorar, desde março de 2014 a despesa cresceu R$ 86 bilhões.
Será preciso esquecer, por vários anos, a meta de contas no azul (superavit primário) bastante para evitar o crescimento da dívida. A proposta modesta de agora é zerar o deficit primário, arrumar uns R$ 125 bilhões e dar um jeito de fazer a economia crescer o quanto antes.
Difícil zerar essa conta sem um baita aumento de impostos e outro tanto de corte dolorido de gastos. Quem acha que é possível fazer tal coisa sem mais impostos justamente distribuídos está brincando, entre outras coisas, com a ideia de que esfolar o povo sai de graça.
vinicius.torres@grupofolha.com.br
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