segunda-feira, 2 de maio de 2011

Quando uma meta não é uma meta.

Paul Krugman, em seu blog republicado pelo ESTADÃO em 28/04/2011:

Mais um pensamento sobre a entrevista coletiva de Bernanke, não muito diferente do que Yglesias tem a dizer, com a diferença de que prefiro me expressar em economês em lugar da linguagem comum.

Vamos lá: estamos descobrindo que a meta de 2% estipulada pelo Fed para o núcleo da inflação não é de fato uma meta, e sim um limite superior.

Não é assim que as coisas deveriam funcionar. Se realmente achamos que uma inflação de 2% seria ideal (eu preferiria algo mais próximo dos 4%, mas isso já é outra questão), devemos encarar uma inflação de 1% como sendo tão negativa quanto uma inflação de 3%; numa situação em que a inflação se encontra abaixo da meta, devemos encarar um aumento da inflação como algo positivo. Da mesma maneira, na situação em que nos encontramos, com o núcleo da inflação abaixo da meta e um alto desemprego, todos os sinais deveriam indicar um momento propício para a expansão.

Mas, em vez disso, já está claro que uma inflação abaixo da média não é considerada um problema significativo, e também que o Fed se mostra simultaneamente muito relutante em aceitar uma inflação acima da meta, mesmo que temporariamente.

Isso é muito ruim, especialmente quando somam-se a este fato as contundentes provas de que uma inflação levemente positiva pode coexistir com uma economia persistentemente deprimida.

Meu veredicto é que o Fed se deixou intimidar até se tornar uma instituição débil.

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