sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Brasil: BBB


O diretor de rating soberano da Standard & Poors, Sebastian Briozzo, afirmou à Agência Estado que a administração austera das contas públicas pelo governo federal foi fundamental para que a agência elevasse o rating soberano do Brasil de BBB- para BBB, com perspectiva estável. "Precisamos de algum tempo para avaliar o desempenho da economia pela administração da presidente Dilma Rousseff e comprovamos que vários indicadores, especialmente os fiscais, apresentaram um desempenho positivo", destacou.
Ele referiu-se à decisão do governo de cumprir um superávit primário cheio de R$ 117,89 bilhões neste ano. No dia 29 de agosto, quando a crise internacional ingressava no seu estágio mais grave neste ano, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou que esse resultado foi aumentado para R$ 127,89 bilhões.
De acordo com Briozzo, as manifestações do governo, por parte de várias autoridades, como Mantega, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, e pelo secretário-executivo da Fazenda, Nelson Barbosa, de que o superávit primário cheio é a meta também para 2012, 2013 e 2014 foi outro elemento essencial para a elevação do rating do País. "O compromisso fiscal de médio e longo prazo também são fatores importantes para a nossa decisão", destacou. "A questão fiscal é um elemento decisivo que permite o Banco Central de dar continuidade ao processo de queda dos juros", destacou.
Briozzo que a condução das contas públicas no Brasil é um dos diferenciais do País em relação a outras nações. "A condução da política econômica com suas principais ferramentas, como a gestão fiscal sólida, foi um dos fatores que permitiram a alta do rating do Brasil, num contexto mundial onde outros países tiveram suas notas reduzidas, como os EUA", destacou.
A evolução das contas públicas do Brasil ganha uma avaliação positiva de várias instituições internacionais, como o FMI, o que dá respaldo à avaliação da S&P sobre o País. De acordo com o Monitor Fiscal do Fundo, a dívida pública bruta brasileira deve atingir neste ano 65,0% do PIB, enquanto deve baixar gradualmente pelo menos um ponto porcentual do produto interno bruto por ano até 2016, quando deve atingir 57,2% do PIB. No caso de várias outras nações, o FMI prevê um desempenho bem menos alvissareiro desse passivo no mesmo período. Nos EUA, a dívida bruta deve saltar de 100% do PIB neste ano para 115,4% em 2016, no Japão deve avançar de 233,1% do PIB para 253,4%, enquanto, na Alemanha, deve variar de 82,6% do PIB para 75,0%. De acordo com o FMI, este passivo do Reino Unido deve variar de 80,8% para 80,4% do PIB, enquanto que na França deve subir de 86,8% para 87,7%, no caso da Grécia, oscilar de 165,6% para 162,8%, variar na Itália de 121,1% para 114,1% e subir em Portugal de 106,0% para 110,5% do PIB.
Para as principais agências internacionais de rating, como a S&P, Moody's e Fitch, a evolução do endividamento público é um dos principais indicadores de capacidade de pagamento o passivo mobiliário, o que é muito relevante para os credores de títulos soberanos. Quanto melhor a capacidade de um país honrar seus passivos, inclusive externos, melhora a confiança de investidores sobre aqueles papéis, o que tende a reduzir os juros cobrados por eles.
Segundo Sebastian Briozzo, os bons resultados das contas externas do Brasil também foram fundamentais para que a Standard & Poor's elevasse o rating do País. Um dos fatores que ele se referiu foi a evolução das reservas internacionais, que subiram de US$ 205 bilhões em agosto de 2008 para US$ 351,6 bilhões, registrada ontem pelo BC. "O País aproveitou muito bem a conjuntura internacional, apesar de ter sido marcada por turbulências nos últimos anos, para melhorar seus indicadores externos", disse.
Briozzo disse também que a decisão do Banco Central, defendida pelo presidente da instituição, Alexandre Tombini, de ter adotado uma inflexão da política monetária no dia 31 de agosto foi outro fator fundamental que colaborou na elevação do rating do País. "A decisão do BC naquele momento, que contou com o auxílio da política fiscal austera, deu condições para Brasil mitigar os efeitos da crise internacional sobre a sua economia", destacou.
De janeiro a julho, o Copom elevou a Selic em 1,75 ponto porcentual, mas, no último dia de agosto, decidiu adotar um ciclo de cortes "moderados" da taxa, quando reduziu o juro básico em 0,50 ponto porcentual. O presidente do BC destacou que a piora da crise internacional, sobretudo na Europa, fez com que o BC agisse de forma preventiva, pois "é dever do Banco Central atuar de forma proativa visando a mitigar potenciais riscos, principalmente quando eles não são perceptíveis ou mesmo não são aceitos pela maioria dos agentes participantes do mercado", afirmou no dia 31 de outubro, em evento realizado pela Associação Brasileira de Bancos Internacionais (ABBI) em São Paulo.
"E a sólida gestão das contas públicas pelo governo vai permitir a manutenção do processo de queda de juros, o que colabora para a continuidade das perspectivas favoráveis de crescimento do País", destacou Briozzo.

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