segunda-feira, 4 de outubro de 2010

O CISNE NEGRO NAS ELEIÇÕES.

Foi comum ouvir hoje de vários colegas que os institutos de pesquisas erraram feio na comparação entre os números divulgados para os candidatos e o resultado real obtido diretamente das urnas. Nisso eu fico com o MARTIN WOLF, principal comentarista econômico do FINANCIAL TIMES, que ao ser questionado pela revista ÉPOCA sobre qual foi a principal lição que ele aprendeu em mais de 20 anos trabalhando no jornalismo econômico, ele respondeu:

O INESPERADO ACONTECE.

E A VIDA CONTINUA NESTE 2010.

Deixando a economia dormindo após esta esta gloriosa ressaca eleitoral, nada como ouvir Marisa Monte, Janis Joplin, Maysa, Madonna, Aretha Franklin, Carmem Miranda, Tina Turner, Rita Lee, Billie Holiday e Elis Regina, até hoje considerada a maior intérprete da música brasileira. E a vida continua...

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

CONTABILIDADE BRASILEIRA!

Precisamos bem entender o que hoje escreve Míriam Leitão: Toda semana o governo está criando truques contábeis. Quem acompanha a evolução das contas públicas está horrorizado, porque o governo consegue transformar dívida em receita. É um milagre. Um dinheiro inventado, o que é muito perigoso. Está escondendo o déficit e dando uma falsa impressão de equilíbrio nas contas.

THE ECONOMIST E O BRASIL.

Neste final de governo, novamente LULA está nas páginas da The Economist e em longa entrevista, ele afirma que Um ex-presidente deve se recolher para algum lugar confortável e tranquilo, e não ficar dando palpite sobre política nacional, deixando seja lá quem for eleito governar o país, cometer erros e acertar, mas deixando eles governarem o país”. Você acredita que vai ser assim?

Gostei demais da foto acima que acompanha a entrevista no site da revista: não é a cara do Brasil de hoje?

HORÁRIO ELEITORAL - ADEUS!

Finalmente não teremos mais que assistir ao macabro horário eleitoral. Que já vai tarde, sem adeus. Por isso, pelo menos vale ver a charge do CLAYTON no jornal O POVO, na sua edição de hoje.

ECONOMIA E ELEIÇÃO EM 2010.

Quem acreditaria que véspera de mais uma eleição presidencial no Brasil, o dólar comercial estaria sendo cotado a R$ 1,6810, o Ibovespa passando dos 70.000 pontos, o risco pais em 203 pontos e a inflação de agosto, medida pela IPCA, em 0,04%? No entanto, meus caros e-leitores, apesar desses exemplos de números mágicos, não se deixem enganar. A economia brasileira necessita de urgentes ajustes e o (a) próximo (a) presidente (a?) deverá tomar medidas “antipáticas”, se realmente deseja transformar o Brasil num país desenvolvido. Ou vocês estão felizes em saber, por exemplo, que os números de saneamento básico no Brasil estão próximos aos dos mais pobres países africanos? Somente à título de exemplo, recentemente o respeitado IBGE registrou que 4 em cada 10 domicílios do País não têm saneamento básico. Portanto, imaginem essa informação dentro do contexto de um país tão grande como o BRASIL

terça-feira, 28 de setembro de 2010

O CONSELHO DE JIM O'NEILL.

Hoje no UOL, direto da BBC, o “pai” dos BRICs alerta quefortalecer classe média é chave para desenvolvimento do Brasil.

Políticas públicas para fortalecer a classe média podem ser a chave para que o Brasil deixe de ser apenas um país emergente para se estabelecer como um país desenvolvido, na avaliação do economista britânico Jim O’Neill, considerado o “pai” dos Brics.

O'Neill, que está deixando o cargo de economista-chefe do banco de investimentos Goldman Sachs para gerir a divisão de administração de ativos da instituição, cunhou o acrônimo Bric para se referir aos quatro gigantes emergentes da economia mundial – Brasil, Rússia, Índia e China.

O economista é um dos especialistas ouvidos pela BBC Brasil como parte da série O que falta ao Brasil?, que discute os desafios do Brasil para se tornar um país desenvolvido.

Se há uma diferença específica entre uma economia tipicamente desenvolvida e uma em desenvolvimento, é talvez o tamanho da classe média. E a melhor maneira para (a classe média) aumentar e prosperar é por meio da elevação da renda real”, avalia O'Neill.

domingo, 26 de setembro de 2010

MARTIN WOLF NO BRASIL.

O Instituto Fernando Henrique Cardoso (iFHC) e a BM&FBovespa promovem, no próximo dia 5 de outubro, o seminário “World economy: what lies ahead?", com o principal comentarista econômico do jornal britânico Financial Times, Martin Wolf. O evento acontece na sede do iFHC, no Centro de São Paulo, das 17h00 às 19h00. A palestra será em inglês, sem tradução simultânea.

Para quem estiver em São Paulo, trata-se de um evento imperdível.

sábado, 25 de setembro de 2010

FHC NO FINANCIAL TIMES

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO hoje no FINANCIAL TIMES:

As we prepare to leave, I ask Cardoso what he thinks history will make of Lula? “I think he will be remembered for growth and continuity, and for putting more emphasis on social spending. He’s a Lech Walesa who worked out.”

And of his own importance?

I did the reforms. Lula surfed the wave.”

FHC NO FINANCIAL TIMES

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO hoje no FINANCIAL TIMES:

As we prepare to leave, I ask Cardoso what he thinks history will make of Lula? “I think he will be remembered for growth and continuity, and for putting more emphasis on social spending. He’s a Lech Walesa who worked out.”

And of his own importance?

I did the reforms. Lula surfed the wave.”

domingo, 19 de setembro de 2010

ESTUDE ECONOMIA COM OS MELHORES.

Na análise de TODD G. BUCHHOLZ, em 200 anos de ECONOMIA, ou seja, de 1776 a 1976 apenas CINCO livros reinam sobre a ciência econômica. São eles: A riqueza das nações de SMITH, os Princípios de RICARDO, os Princípios de MILL, os Princípios de MARSHALL e o nosso clássico Economics de SAMUELSON.

É na genialidade desses mestres que continuamos a estudar ECONOMIA. Outros economistas escreveram e escrevem buscando na economia caminhos para uma sociedade mais justa, mas nem sempre suas ideias permanecem ativas, tanto quanto a dos cinco acima citados.

O papel do Estado na economia brasileira.

Sobre qual deve ser o papel do Estado na economia brasileira, a opinião de dois analistas conscientes do momento atual:

Segundo LUIS CARLOS MENDONÇA DE BARROS, “gosto de olhar a história da economia como o movimento de um pêndulo que oscila entre duas posições extremas. Podemos caracterizá-las entre Estado de um lado e iniciativa privada de outro. Vivemos um desses momentos em que o pêndulo começa a ser mover rapidamente de uma posição para outra.”

Para PAULO RABELLO, “estamos administrando uma democracia de fachada. Vou cobrar a absoluta falta de projeto dos candidatos e dos partidos que os abrigam. As pessoas que se candidatam a ‘síndico’ deste ‘condomínio’ não têm compromisso com qualquer acerto.

Ainda chegaremos LÁ?

Bem, se depender do que estamos participando nesta campanha eleitoral de 2010, por mais otimista que eu seja, considero essa possibilidade impossível. Estou sabendo que SE a nossa taxa média de crescimento for de 7,2% ao ano, levaremos TRINTA anos para atingir o atual patamar americano de US$ 46,000 de renda per capita. Na realidade, AINDA estamos abaixo da renda americana registrada na década de 40.

E enquanto deveríamos estar discutindo as alternativas para MUDAR isso, ficamos o dia todo lendo sobre dossiês...

O PREÇO DE BENS NO BRASIL.

CARLOS PIO foi meu professor na Universidade de Brasília e é um intelectual inteligente que conhece da economia política à economia. Por isso, divulgo para os meus quase dois leitores, e-mail que ele recentemente enviou ao jornalista CARLOS SARDENBERG - TV GLOBO, sobre um assunto que tem tudo a ver com o nosso mundo real: o preço dos bens que pagamos no Brasil. Afinal, quem nunca questionou quanto é caro comprar determinados bens no Brasil?

Prezado Jornalista,

Sua campanha para denunciar que pagamos mais pelos mesmos produtos globais do que os nossos vizinhos e para explicar porque isso ocorre é maravilhosa.

Como professor de Economia Política Internacional da UnB há mais de 10 anos, tenho obtido muito sucesso em cruzada muito semelhante, semestre após semestre, com turmas de 50 alunos que chegam do ensino médio sabendo de cor todos os argumentos protecionistas recitados pelos professores de Geografia e História e pelos nossos empresários e governantes por meio da imprensa. (Vide, nas duas últimas semanas, a cruzada em defesa da proteção comercial e do subsídio liderada por gente como Correia de Lacerda, Steinbruch, Skaff, Mantega, Coutinho, etc.)

Acho que nos seus próximos artigos vc deveria reforçar vários pontos, que me animo em apontar:

1. A excessiva proteção comercial do Mercosul foi uma imposição brasileira aos parceiros menores e tradicionalmente mais liberais. Ela é a maior responsável pelos diferencias de preços de produtos globais que chegam aqui e em outros países. No Peru, por exemplo, um Honda Civic custa US$ 20 mil enquanto custa o dobro aqui. Almocei semanas atrás com um diplomata de país asiático recém-chegado a Brasília que me disse que o novo Hyunday i35 custa US$ 18 mil em seu país e US$ 110mil aqui. Mesmo podendo abater os impostos domésticos praticados no Brasil, ele preferiu pagar US$ 20mil a uma importadora (por ser diplomata estrangeiro servindo no Brasil ele tem direito de importar o carro que quiser) para lhe entregar o carro em sua casa.

2. Os formuladores de políticas industriais e comerciais (ou de desenvolvimento) e os políticos de todos os partidos professam uma crença enganosa de que a proteção comercial gera empregos no Brasil, por isso é vantajosa. Que a crença é falsa, a literatura empírica especializada já tratou de demonstrar há muito tempo -- vide os textos clássicos de Krugman, Bhagwati, Irwin, Anne Krueger, Eliana Cardoso, etc. O argumento defendido por nossos influentes políticos e tecnocratas heterodoxos não se sustenta porque a proteção encarece o produto produzido localmente (pela falta de concorrência, pela falta de liberdade para importar tecnologia e insumos) que acaba sendo vendido quase que exclusivamente aqui mesmo (salvo quando o empresário pouco competitivo internacionalmente ainda ganha um bônus na forma de subsídio à exportação). Pois bem, os consumidores locais (família e empresas) têm que comprar mais caro o que existe disponível na economia internacional por preço muito mais em conta e, com isso perdem bem-estar (as famílias) e competitividade internacional (as empresas). A acumulação de capital sai prejudicada. No conjunto, empobrecemos.

Para continuar com meu exemplo anterior do Honda Civic, as empresas de aluguel de veículos, como a Localiza e a Unidas, têm que optar entre adquirir carros baratos e de má qualidade -- como o Pálio 1.0, câmbio manual -- e os carros "nacionais" de luxo exorbitantemente mais caros do que se pratica no resto do mundo. Com os preços altos aqui e a impossibilidade de importar, elas oferecem a seus clientes carros ruins e caros a preços internacionais e empregam menos pessoas do que poderiam se os carros tivessem preços competitivos e elas pudessem ter uma frota mais ampla em todo o território nacional. O resultado é que o emprego gerado nas cidades onde se instalam as montadoras é compensado pelo desemprego de potenciais trabalhadores de empresas que deixam de adquirir automóveis em quantidade maior e que se espalham por todo o território nacional.

O burocrata heterodoxo acaba decidindo onde haverá demanda por emprego e por qual tipo de emprego, mas não é capaz de determinar um aumento geral do nível de emprego do País por meio da proteção comercial à indústria.

3. Câmbio flutuante e metas de inflação em nível internacional eliminam a possibilidade de crise cambial em decorrência da decisão de unilateralmente abrir a economia nacional às importações. Argumentei isso em artigo publicado no caderno de Economia do Estado de S. Paulo ("São as importações, estúpido!"), publicado em 30/1/2010. Quanto mais se importar, mais o real se desvalorizará automaticamente, encarecendo as importações. Da mesma forma, se nenhum outro país comprar produtos e serviços de empresas brasileiras, não entram dólares aqui e o real fica muito barato, barateando os preços do que se exporta daqui e encarecendo os produtos estrangeiros. Que não há crise cambial em economias abertas ao comércio e com regime de câmbio flutuante e inflação baixa é um fato que poucos brasileiros reconhecem.

Mais uma vez, parabéns pela iniciativa!

Abraço,

Carlos Pio Professor of International Political Economy, Universidade de Brasília.

O PREÇO DE BENS NO BRASIL.

CARLOS PIO foi meu professor na Universidade de Brasília e é um intelectual inteligente que conhece da economia política à economia. Por isso, divulgo para os meus quase dois leitores, e-mail que ele recentemente enviou ao jornalista CARLOS SARDENBERG - TV GLOBO, sobre um assunto que tem tudo a ver com o nosso mundo real: o preço dos bens que pagamos no Brasil. Afinal, quem nunca questionou quanto é caro comprar determinados bens no Brasil?

Prezado Jornalista,

Sua campanha para denunciar que pagamos mais pelos mesmos produtos globais do que os nossos vizinhos e para explicar porque isso ocorre é maravilhosa.

Como professor de Economia Política Internacional da UnB há mais de 10 anos, tenho obtido muito sucesso em cruzada muito semelhante, semestre após semestre, com turmas de 50 alunos que chegam do ensino médio sabendo de cor todos os argumentos protecionistas recitados pelos professores de Geografia e História e pelos nossos empresários e governantes por meio da imprensa. (Vide, nas duas últimas semanas, a cruzada em defesa da proteção comercial e do subsídio liderada por gente como Correia de Lacerda, Steinbruch, Skaff, Mantega, Coutinho, etc.)

Acho que nos seus próximos artigos vc deveria reforçar vários pontos, que me animo em apontar:

1. A excessiva proteção comercial do Mercosul foi uma imposição brasileira aos parceiros menores e tradicionalmente mais liberais. Ela é a maior responsável pelos diferencias de preços de produtos globais que chegam aqui e em outros países. No Peru, por exemplo, um Honda Civic custa US$ 20 mil enquanto custa o dobro aqui. Almocei semanas atrás com um diplomata de país asiático recém-chegado a Brasília que me disse que o novo Hyunday i35 custa US$ 18 mil em seu país e US$ 110mil aqui. Mesmo podendo abater os impostos domésticos praticados no Brasil, ele preferiu pagar US$ 20mil a uma importadora (por ser diplomata estrangeiro servindo no Brasil ele tem direito de importar o carro que quiser) para lhe entregar o carro em sua casa.

2. Os formuladores de políticas industriais e comerciais (ou de desenvolvimento) e os políticos de todos os partidos professam uma crença enganosa de que a proteção comercial gera empregos no Brasil, por isso é vantajosa. Que a crença é falsa, a literatura empírica especializada já tratou de demonstrar há muito tempo -- vide os textos clássicos de Krugman, Bhagwati, Irwin, Anne Krueger, Eliana Cardoso, etc. O argumento defendido por nossos influentes políticos e tecnocratas heterodoxos não se sustenta porque a proteção encarece o produto produzido localmente (pela falta de concorrência, pela falta de liberdade para importar tecnologia e insumos) que acaba sendo vendido quase que exclusivamente aqui mesmo (salvo quando o empresário pouco competitivo internacionalmente ainda ganha um bônus na forma de subsídio à exportação). Pois bem, os consumidores locais (família e empresas) têm que comprar mais caro o que existe disponível na economia internacional por preço muito mais em conta e, com isso perdem bem-estar (as famílias) e competitividade internacional (as empresas). A acumulação de capital sai prejudicada. No conjunto, empobrecemos.

Para continuar com meu exemplo anterior do Honda Civic, as empresas de aluguel de veículos, como a Localiza e a Unidas, têm que optar entre adquirir carros baratos e de má qualidade -- como o Pálio 1.0, câmbio manual -- e os carros "nacionais" de luxo exorbitantemente mais caros do que se pratica no resto do mundo. Com os preços altos aqui e a impossibilidade de importar, elas oferecem a seus clientes carros ruins e caros a preços internacionais e empregam menos pessoas do que poderiam se os carros tivessem preços competitivos e elas pudessem ter uma frota mais ampla em todo o território nacional. O resultado é que o emprego gerado nas cidades onde se instalam as montadoras é compensado pelo desemprego de potenciais trabalhadores de empresas que deixam de adquirir automóveis em quantidade maior e que se espalham por todo o território nacional.

O burocrata heterodoxo acaba decidindo onde haverá demanda por emprego e por qual tipo de emprego, mas não é capaz de determinar um aumento geral do nível de emprego do País por meio da proteção comercial à indústria.

3. Câmbio flutuante e metas de inflação em nível internacional eliminam a possibilidade de crise cambial em decorrência da decisão de unilateralmente abrir a economia nacional às importações. Argumentei isso em artigo publicado no caderno de Economia do Estado de S. Paulo ("São as importações, estúpido!"), publicado em 30/1/2010. Quanto mais se importar, mais o real se desvalorizará automaticamente, encarecendo as importações. Da mesma forma, se nenhum outro país comprar produtos e serviços de empresas brasileiras, não entram dólares aqui e o real fica muito barato, barateando os preços do que se exporta daqui e encarecendo os produtos estrangeiros. Que não há crise cambial em economias abertas ao comércio e com regime de câmbio flutuante e inflação baixa é um fato que poucos brasileiros reconhecem.

Mais uma vez, parabéns pela iniciativa!

Abraço,

Carlos Pio Professor of International Political Economy, Universidade de Brasília.

A importância de debater o PIB nas eleições 2022.

Desde o início deste 2022 percebemos um ano complicado tanto na área econômica como na política. Temos um ano com eleições para presidente, ...