segunda-feira, 26 de março de 2012

O caráter humano da política.


No Milênio de hoje, saiba mais sobre o poder transformador da filosofia política e a importância de nos questionarmos constantemente sobre nossa realidade. Não perca a entrevista que Jorge Pontual fez com o filósofo Michael Sandel para o Milênio! Hoje, às 23h30, na Globo News.

Há cerca de duas décadas, Michael Sandel leciona, na Universidade de Harvard, o famoso curso "Justice", pelo qual já passaram mais de 15 mil alunos.  É dele o livro Justiça - o que é fazer a coisa certa, aqui publicado pela Civilização Brasileira, já na 4ª edição em 2011.    

Rodrigo Bodstein comentou o programa conforme abaixo: 
 
Ao lermos as notícias, parece que o mundo está caminhando para um cenário apocalíptico. Alguns países anunciam a intenção de entrar em guerra, enquanto outros estão envolvidos em batalhas difíceis de serem justificadas. Discute-se a intervenção militar para derrubar regimes ditatoriais. O combate à crise econômica, que perdura desde 2008, traz, a cada novo pacote de austeridade, manifestações e duros confrontos com as forças policiais que tentam manter a frágil ordem que ainda existe. O consumismo e a obsessão por crescimento econômico perpassam o tecido social e pressionam o limite dos recursos naturais do planeta. Casos de corrupção surgem por todos os cantos, sem fazer distinção entre governos. Enquanto isso, pessoas morrem de fome. Cada decisão, seja no nível internacional ou no cotidiano, afeta outras pessoas. Como, então, separar a política da moral? Qual é o propósito da política?

Nesse contexto em que o debate tornou-se cada vez mais tecnocrático e, ao mesmo tempo, crucial para a vida no e do planeta, Michael Sandel traz uma reflexão sobre a natureza do fazer político, do exercício do diálogo e do enfrentamento construtivo de ideias e posições que determinam a nossa realidade. Devemos basear nosso cálculo puramente em custos e benefícios? Devemos considerar a liberdade de cada um como algo absoluto e não interferir? Ou temos um dever moral que deve nos guiar? Devemos ser utilitaristas, libertários ou humanistas? Diante de um momento decisivo e de questões específicas, cada pessoa terá sua resposta para essas perguntas. O mais importante é o exercício da reflexão sobre a ética, a moral e a política. Como Sandel coloca “sentir a força dessa confusão e a pressão para resolvê–la é o que nos impulsiona a filosofar.” e ele vai além ao afirmar que “a reflexão moral não é uma busca individual e sim coletiva.”

Determinar o que é certo ou errado é quase impossível sem estar dentro da situação, sem ver todas as variáveis que podem influenciar a decisão, mas questionar é um dever cívico. É um exercício de cidadania e de respeito a si próprio e à sociedade em que vivemos. Em linhas gerais, Sandel afirma que se precisarmos escolher entre falar ou não falar é melhor optarmos pelo primeiro. O não falar dá espaço para ideologias e dogmas. Engessa as escolhas. Cria frases como “sempre foi assim”, “as coisas são desse jeito”, etc. Ao fazer isso, abre caminho para abusos de poder, abusos morais, para uma compreensão que as instituições que temos são as únicas possíveis e restringe nossa capacidade de pensar novas soluções para a vida em sociedade. A busca, como bem diz Sandel, é coletiva, mas depende do esforço individual. Somos mais do que consumidores ou eleitores. Somos mais do que reféns de situações intransponíveis. Somos humanos


sábado, 24 de março de 2012

Protecionismo x Abertura?


No momento que a presidente Dilma Rousseff fala a VEJA que “o que vamos continuar fazendo é contrabalançar com medidas defensivas as pressões desestabilizadoras externas, que estão carreando para o Brasil quantidades excessivas de capital especulativo”, lembro o que Mário Henrique Simonsen escreveu em 07.02.1990:

Na realidade, o que mostram as experiências do México e Chile é que a liberação do comércio costuma beneficiar o grosso da indústria. Isso porque a maioria eficiente livra-se da contaminação dos ineficientes. Sucateia-se apenas aquilo que já era sucata e não se sabia. Não se faz omelete sem quebrar ovos.”

Recente editorial do GLOBO afirma que “a Brasília atual tem a cabeça nas décadas de 70 e 80”. E acrescenta que “o câmbio é um problema, porém ele é efeito de várias causas. A solução efetiva está no aprimoramento das condições de competição brasileiras. Menos impostos, legislação trabalhista moderna, melhor infraestrutura, menos burocracia, mão de obra mais bem adestrada.”      

Why Capitalism?


Allan H. Meltzer, professor e economista americano, lançou pela Oxford University Press USA o livro "Why Capitalism?" A informação está na Folha de hoje e cita que o texto "debate o capitalismo em tempos de crise. Para Meltzer, apesar das críticas, ele ainda é a melhor opção para obter crescimento e liberdade. O autor mostra pontos positivos do sistema e diz que a maior parte das falhas são humanas e não inerentes ao modelo."

Verifiquei que o livro já está disponível no Reino Unido, Canadá, Estados Unidos e Índia, porém sem previsão para o Brasil. 

Allan H. Meltzer é também conhecido pela sua frase ""Capitalism without failure is like religion without sin. It doesn't work."

Chico Anysio.


Direto do nosso Ceará, Sinfrônio no Diário do Nordeste, e a nossa homenagem ao genial Chico Anysio. 

sexta-feira, 23 de março de 2012

iPhone e cartório: tudo a ver.


Recentemente li na VEJA que o iPhone 4S, 32 gigabytes, desbloqueado, é vendido em Nova York por US$ 815.00. No Brasil, o mesmo aparelho não sai por menos de US$ 1.650.00. Na mesma matéria, o André Petry informa que na pequena cidade de Alvinópolis, em Minas Gerais, existem NOVE cartórios e em Bodocó, uma cidade de Pernambuco, existem QUATRO. 

E conclui afirmando que evidente há algo errado quando 20.000 alvinopolenses e 35.000 bodocoenses precisam de TREZE cartórios para viver e 310 milhões de americanos não precisam de nenhum.

Pensando bem, não é difícil entender porque ainda somos um país com miséria.  

Crise na indústria brasileira.


Editorial do Valor Econômico de hoje alerta que a crise da indústria brasileira vai muito além do câmbio.
  
Reportagem publicada pelo Valor na segunda-feira revelou que um acúmulo de fatores mais e menos antigos conspirou para deprimir a indústria brasileira, especialmente o segmento de transformação, nos últimos anos. Infraestrutura precária, custos elevados de mão de obra, carga tributária alta, spreads bancários turbinados em cima dos maiores juros do planeta e educação insuficiente são alguns desses antigos problemas que afloraram com toda intensidade quando a crise internacional acentuou a tendência de apreciação do real e aumentou a concorrência mundial.

Os custos da indústria brasileira vêm subindo continuamente. Conforme a reportagem registrou, a folha de salários da indústria aumentou 25% desde 2005 em reais, já descontada a inflação. A energia elétrica, um importante indicador da infraestrutura, ficou 28% mais cara, apesar da abundância de recursos hídricos. Com a valorização do real, os custos tornaram-se ainda maiores. Em dólares, a energia saltou 86%, e a mão de obra, 57%.

Nesse espaço de tempo, o câmbio teve uma valorização de 40% em termos reais, frente a uma cesta de 15 moedas, que deixou a indústria brasileira com dificuldades de competir não só com a China, mas também com a Alemanha.

O impacto desses fatores na perda da competitividade da produção brasileira foi fulminante. Em 2004, a chapa de aço nacional tinha praticamente o mesmo preço da importada. Em 2011, o aço doméstico custava 75,5% mais do que sete anos antes e o importado subiu 38,2%. O preço sem impostos da tonelada da chapa grossa de aço laminado brasileiro chegou a US$ 1.130 no ano passado, 31,9% mais cara do que a importada (US$ 857).

Em outro exemplo recolhido pela reportagem, o custo da mão de obra industrial no Brasil, de US$ 10,08 por hora, é um terço da verificada nos Estados Unidos e Japão, mas é maior do que a de países como o México, cuja indústria automobilística vem preocupando Brasília, e, naturalmente, do que o da China.

A produção industrial brasileira perdeu espaço não só no mercado externo mas também no interno. Para driblar o aumento de custos, a própria indústria passou a buscar fornecedores estrangeiros, montou fábricas no exterior e deixou mercados externos arduamente conquistados para vender aos consumidores brasileiros, que absorvem os preços mais salgados.

Segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), levantados em parceria com a Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior (Funcex), a indústria brasileira importou 22,4% dos insumos utilizados no ano passado, o maior patamar da série histórica, iniciada em 1996. Em 2005, o percentual era de 17,2%. Em 2011, enquanto o Brasil teve um superávit de US$ 29,8 bilhões na balança comercial, a indústria de manufaturas teve déficit de US$ 92,5 bilhões.

O segmento mais afetado é a indústria de transformação, que ficou estagnada em 2011 (variação de 0,1%), enquanto a indústria crescia 1,6%, e o Produto Interno Bruto (PIB), 2,7%. Nos últimos dez anos, a indústria manteve a participação no PIB, com 27,5% em 2011, em comparação com 27,3% em 2000. A indústria extrativa mineral aumentou sua fatia nesse período. Mas a indústria de transformação perdeu terreno, encolhendo de 17,1% para 14,6% no ano passado, o menor patamar em cinco décadas. A indústria perdeu algum espaço também no conjunto do emprego e responde atualmente por 16% do emprego no país, percentual que estava ao redor de 17% até 2009.

O pior desse quadro é que o governo não parece seriamente envolvido em uma solução abrangente como a complexidade do quadro exige. As iniciativas governamentais têm mais se assemelhado a improvisos, medidas que não vão em frente ou ataques pontuais. O Reintegra, por exemplo, que promete devolver ao exportador 3% do valor exportado por conta de impostos não recuperados, foi lançado em agosto no plano Brasil Maior, mas até agora não reembolsou nenhuma empresa.

O governo prefere tentar estancar a desvalorização cambial, mas muitas medidas adotadas acabaram criando distorções. Além de o câmbio não ser o único problema, esse é um caminho arriscado porque a desvalorização do dólar é um fenômeno global, desencadeado pela crise internacional e pelo afrouxamento monetário usado pelas economias avançadas para tentar reativar suas economias.

O problema precisa ser enfrentado em todas as suas facetas, levando em conta o novo cenário internacional de dólar fraco, capacidade ociosa da indústria global e intensa competitividade.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Previsão 2012: PIB e inflação.

Segundo o Sensor Econômico, boletim bimestral do IPEA, o PIB brasileiro crescerá 3,5% neste 2012, menor do que o percentual de 4,5% que trabalha o governo. A taxa de inflação estimada é de 5,3%, superior a meta de 4,5% estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, mas dentro da margem de tolerância permitida de 2%. 

terça-feira, 20 de março de 2012

E o dólar vai subindo a ladeira.

Para os meus dois fiéis leitores - e que estão sempre viajando, informo que o Banco Central através do Focus – Relatório de Mercado – edição de 16.03.2012 registra a expectativa do mercado com relação à taxa de câmbio para o final de março e também abril em R$ 1,78

Hoje fechou a R$ 1,82 e não observo perspectiva de baixa.    

Dia do Blogueiro.


Leio na rede que hoje é o Dia do Blogueiro. Desconheço o grau de confiabilidade da informação, mas como existe dia para tudo, porque não o dia do Blogueiro? Nesse caso, parabéns para todos os colegas que fazem do blog um instrumento de comunicação. E por falar em blog, o seu dia é comemorado em 31 de agosto.  

segunda-feira, 19 de março de 2012

Capitalismo.

Em homenagem ao nome deste blog, registro uma frase que li recentemente num livro do professor Claude Jessua: “O capitalismo triunfou, e não se imagina agora que tipo de sistema rival lhe possa ser oposto."

Insper - evento em 22.03.2012.


O Insper – Instituição de Ensino e Pesquisa sem fins lucrativos – promove no dia 22 de março, em seu campus, Seminário “Fundraising – Melhores Práticas”. O objetivo desse seminário gratuito é o de disseminar para diferentes Institutos, Fundações e ONGs Brasileiras as melhores práticas de Governança e perenidade, contribuindo para o desenvolvimento da sociedade, por meio do fortalecimento dessas Instituições de cunho social.

Como Keynote speaker, o Insper receberá o especialista em captação de recursos, Howard Stevenson, para debater as melhores práticas nesta área. Professor da Harvard Bussiness Administration e membro do Conselho Deliberativo do Insper, ele traz ao Brasil os conceitos de seu mais novo livro – “Getting to Giving: Fundraising the Entrepreneurial Way”.
Participantes:

Claudio Lottenberg – Presidente do Hospital Israelita Albert Einstein e Professor Titular do curso de Ciências Políticas do MBA em Saúde do Insper. Foi membro do Conselho Nacional de Assistência Social e do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional; ex Secretário Municipal de Saúde do município de São Paulo. Conselheiro da Fundação Nacional da Qualidade – FNQ, no triênio 2007-2010 e Membro do Board do Pan-American Ophtalmological Foundation.

Alvaro de Sousa – Presidente do Conselho da GOL - Linhas Aéreas Inteligentes e do Conselho Diretor do WWF - Worldwide Wildlife Fund no Brasil. É também Conselheiro das seguintes empresas e entidades: WWF International Board of Trustees, Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO), Duratex S/A, CSU-CardSystem e Santos Futebol Clube, além de Coordenador do Comitê de Auditoria e Conselho Fiscal da AMBEV. É também Diretor da AdS – Gestão, Consultoria e Investimentos Ltda.

Marcelo Barbosa - Sócio fundador do Escritório, Conselheiro da Fundação Estudar e Diretor Estatutário do Insper. É bacharel em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Master of Laws pela Columbia University School of Law.

Mediador:

Claudio Haddad - Presidente do Insper Instituto de Ensino e Pesquisa (entidade sem fins lucrativos). Membro do Conselho de Administração da BM&FBovespa, da Ideal Invest S.A., do Instituto Unibanco e do Hospital Israelita Albert Einstein. Presidente do Conselho do Brazil Harvard Office, do David Rockfeller Center for Latin American Studies. Sócio e Diretor Superintendente do Banco Garantia (83-98). Diretor do Banco Central do Brasil (80-82).


Fundraising – Melhores Práticas
Data: 22/03/2012 (quinta-feira)
Horário: das 9h00 às 12h00
Local: Auditório Steffi e Max Perlman - Campus Insper 
Rua Quatá, 300 - Vila Olímpia - São Paulo/SP
Estacionamento: Rua Uberabinha, s/nº


PROGRAMAÇÃO

         9h00 – 9h30
Welcome Coffee
        9h30 - 11h00
Palestra: Getting to Giving: Fundraising the Entrepreneurial Way  (Howard Stevensen)
      11h00 - 12h00
Mesa redonda: Captando recursos para uma ONG Internacional (Alvaro de Sousa); Hospital Albert Einstein um case de sucesso (Claudio Lottemberg); Formação e Administração de Endowment (Marcelo Barbosa)

domingo, 18 de março de 2012

Ilan Goldfajn entrevistado na Folha.


Na Folha de hoje, entrevista com Ilan Goldfajn, ex-diretor do Banco Central. 

Na entrevista, Goldfajn diz que problemas como a baixa competitividade da indústria nacional e a falta de mão de obra qualificada em vários setores são tão ou mais importantes para o futuro do país do que o nível dos juros.

sábado, 17 de março de 2012

Três mentes pensantes: pensar é preciso.


Poupar ou viajar?


A revista EXAME destaca que entre os países do BRIC, o Brasil é o que tem a menor taxa de poupança doméstica. Isso significa que depende mais de capitais externos para financiar seus investimentos. E cita que enquanto a China registra a taxa de poupança doméstica (% do PIB) de 53,8%, a Índia de 35,4%, a Rússia de 28,2%, o Brasil tem apenas 17,3%.

Enquanto isso, os aeroportos das maiores cidades do mundo estão recebendo diariamente mais e mais brasileiros. Em 2011 os gastos de brasileiros no exterior somaram US$ 21,2 bilhões. Com isso, as despesas de brasileiros lá fora cresceram 29,2% em relação ao ano de 2010, que totalizou US$ 16,42 bilhões e bateram novo recorde da série histórica do Banco Central, que começa em 1947. O recorde anterior havia sido registrado justamente em 2010.

Acredito que precisamos fazer um estágio no Japão...

Bradesco 2012.


Conforme ranking da Brand Finance, publicado na revista The Banker, o brasileiro BRADESCO, com US$ 15.692 bilhões, é a 9ª marca de banco mais valiosa do mundo.  A 1ª posição ficou com o britânico, o nosso conhecido HSBC, com o valor de US$ 27.597 bilhões. 

sexta-feira, 16 de março de 2012

A reputação da USP.


Editorial da Folha de hoje comenta uma boa notícia sobre a USP.                   

A classificação da USP entre as 70 universidades com melhor reputação no mundo evoca a metáfora um tanto gasta do copo cheio (ou vazio) pela metade. É uma boa notícia, por certo, ainda que não mereça ser brindada com entusiasmo.

A USP é a única instituição da América Latina entre as cem da lista das mais reputadas compilada pelo grupo THE (Times Higher Education). No ano passado, nem aparecia na relação. Fica longe de fazer feio, de toda maneira, uma universidade que se encontra no mesmo patamar de centros como a Universidade Humboldt (Berlim) e o King's College (Londres).

Galgar 30 posições de um ano para o outro, por outro lado, constitui um salto que não pode ser explicado por repentino avanço de qualidade. É provável que fatores externos, como a crescente visibilidade do Brasil -sexta maior economia, a caminho de tornar-se a quinta- no cenário mundial, estejam por trás da arrancada.

Tampouco se descartam mudanças na consulta do THE como explicação para o desempenho da USP. Quase 18 mil pesquisadores de todo o mundo -31% mais que na versão anterior- foram convidados a indicar as 15 instituições de pesquisa mais prestigiosas. Parece plausível que a amostra inclua número relativamente menor de cientistas da esfera anglo-saxã e europeia de pesquisa, o que aumentaria a chance de menções a universidades mais periféricas.

Tais hipóteses não desmerecem a colocação da USP, é claro. Afinal, duas outras nações do festejado grupo dos Brics -Rússia e Índia- desapareceram da lista de cem melhores. Só a China segue na relação, com duas universidades entre as 40 melhores: a Tsinghua (30º lugar) e a de Pequim (38º).

Deslocamentos assim abruptos dão testemunho, ainda, da precariedade intrínseca a essas classificações. Basta variar os critérios -como quantidade de artigos científicos publicados ou número de patentes e prêmios Nobel- e o peso atribuído a eles para chegar a listas díspares entre si. O próprio THE traz a USP na 178ª posição num ranking mais geral, que agrega 12 quesitos ao de reputação.

Tais classificações devem ser tomadas, em conjunto, apenas como guia para traçar um programa de reforma contínua daquela que é a melhor universidade do Brasil.



quinta-feira, 15 de março de 2012

A taxa de juro real: o Banco Central e o mercado.


Cristiane Alkmin J. Schmidt é doutora em Economia pela EPGE/FGV, ex-secretária-adjunta da Seae/MF e professora da FGV. Este artigo foi publicado no Valor Econômico.

O Banco Central (BC) sonda as instituições sobre temas que julga relevantes. O tópico da vez é a taxa de juros real neutra do país, que para o BC pode ser até menor do que 4%, pois, para dezembro de 2012, mesmo com uma inflação esperada em 5,27%, a Selic indicada é 9%. A mediana do mercado, porém, considera que ela seja de 5,5%.

A discussão é pertinente e tempestiva, pois o Brasil, ainda que tenha apresentado mudanças estruturais, está com uma dinâmica peculiar: preços relativos estranhos, custo de vida acima do de economias com renda per capita o dobro da brasileira, muito fluxo de capital entrando no país, inflação acima da meta e crescimento abaixo do potencial. Por isso deve-se questionar qual é o juro real que permite à economia crescer sem criar pressão inflacionária.

Pesquisa feita em 2010 aponta que a mediana da taxa neutra era de 6,75%. Há consenso (88%), assim, de que ela decresceu. Mas mesmo que ela siga sendo uma das mais altas do mundo e que haja o desejo (da sociedade, não só do governo) em diminuí-la, a redução da taxa Selic se sustenta no médio prazo?

Antes de responder, pois, vale tocar em dois pontos. Primeiro que, sem choques na economia, se o Banco Central entende que a taxa neutra é mais baixa do que aquela verdadeira (não observável), a demanda agregada é estimulada, que pressiona a inflação. Segundo, uma forma de inferir como ditas taxas divergem é comparar as taxas de inflação efetiva e esperada com relação à sua meta.

Isso posto, até 2004, esses desvios foram elevados, indicando que o BC estava subestimando a taxa neutra ou que a economia estava sofrendo choques. Em março de 2003, por exemplo, o IPCA foi de 17%, a meta de 4%, e a diferença, assim, de 13 pontos percentuais. De fato, além da crise na Argentina, o evento de 11 de setembro e o racionamento de energia, em 2001, após as eleições em 2002, o Brasil passou por um período conturbado, com real desvalorizado, que pressionou ainda mais a inflação nos períodos subsequentes.

Com respeito ao período após 2004, os desvios não foram grandes ou persistentes. A partir de março de 2010, porém, eles sugerem alguma preocupação. Pode ser que revertam, como ocorreu entre junho de 2004 e abril de 2006, mas já são 23 meses consecutivos de desvios positivos e a expectativa é de que sigam assim por pelo menos mais 24 meses (Focus). Não se pode rejeitar, portanto, a hipótese de que o juro real neutro esteja acima daquele que o BC entende que é.

Tome-se, por exemplo, o ano de 2011. Como o IPCA foi de 6,5% e a média Selic de 11,62%, a taxa de juros real implícita foi de 4,81%, valor abaixo da mediana de mercado (5,5%). Não por menos o desvio entre o IPCA e a meta (4,5%) ficou positivo todo o ano de 2011. Em janeiro de 2012, com a inflação em 6,22% e a média-Selic em 10,69%, a taxa de juros real implícita ficou ainda menor, em 4,21%. Finalmente para o ano de 2012, com a inflação projetada em 5,25% e média-meta-Selic ao redor de 9,5%, a taxa real deverá ser de 4%, também abaixo do consenso do mercado.

Em suma, o juro real efetivo (induzido pelo BC ao impor a meta-Selic) parece não estar condizente nem com o que o mercado estima como sendo o neutro, nem com o verdadeiro. Ou seja, esta taxa hoje não parece estar condizente com os fundamentos da economia brasileira.

De certo, os fatos falam por si. Para crescer precisa-se de investimento (a taxa é de 19,3%), que, por sua vez, precisa-se de poupança, que tem sido baixa (17,2%). Adiciona-se o fato de que há 6 trimestres a produtividade não cresce (Ibre/FGV, Valor, 5/3/12) e de que o Brasil parece estar passando pelo "Lewis turning point" (o ponto em que o mercado de trabalho saturado passa a pressionar os salários). Assim, por mais que o produto esteja crescendo abaixo do seu potencial (argumento para reduzir a Selic), o desemprego está baixo (o que pressiona o custo das empresas) e a inflação, mesmo decrescente desde outubro de 2011, está há dois anos acima da meta e pode ficar assim por pelo menos mais um. A inflação de serviços, que representa 25% do IPCA, está acima de 9% e não parece que dará trégua. E com o governo evitando a valorização do real e impondo barreiras à importação, a inflação dos bens comercializáveis pode deixar de ajudar a arrefecer o IPCA.

Impor juro real baixo como o governo vem fazendo e dizendo que continuará a fazer, é, portanto, discutível. Enquanto o BC sustenta que haverá convergência da inflação para a meta, o mercado não enxerga este cenário nem para 2013.

Para dar mais transparência, o BC poderia aumentar a meta de inflação ou, talvez, alterar a sua estratégia com relação à Selic. Diminui-la hoje (até 6%!) para conter o fluxo externo de capitais e estimular o PIB pode significar ter que aumentá-la mais ainda no futuro para frear a inflação.

A realidade é que há dúvidas quanto à meta de inflação que o BC de fato persegue e também sobre o juro real que ele julga ser o neutro. Mesmo considerando os complexos desafios que o BC tem passado, há questionamentos quanto à redução da taxa de juro real, que, como parece ser insustentável, acaba sendo uma estratégia não crível no médio prazo.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Mises, sempre atual.


Se caem as importações, as exportações também caem. Os cidadãos que foram impedidos de comprar mercadorias importadas, de pagar dívidas a estrangeiros e de viajar ao exterior não vão entesourar o dinheiro não gasto, aumentando os seus encaixes. Irão aumentar as suas compras de bens de consumo ou de produção, provocando, assim, maior tendência de aumento dos preços domésticos. E quanto mais os preços internos aumentam, mais difícil exportar.

Ludwig von Mises em “Ação Humana – Um Tratado de Economia" – página 905.      

Microcrédito.


Antonio Delfim Netto, hoje na Folha de S. Paulo.

Talvez um dos fatos importantes a respeito da sociedade brasileira seja a afirmação de "identidade" de um enorme contingente populacional que gosta de imaginar-se como "classe média".

Isso, obviamente, não é acidente nem produto espontâneo. É consequência de um processo civilizatório recente em que as políticas sociais sujeitas a algumas condicionalidades foram mais bem focadas.

Paralelamente, houve uma "inclusão" desses cidadãos na economia de "mercado" devido ao forte aumento das oportunidades de emprego e ao acesso ao crédito.

Uma das características mais marcantes desses novos cidadãos é a "internalização" de que o fator mais importante para "subir na vida" é a conquista da educação para si e para seus filhos, ainda que lhes custe enormes sacrifícios.

Só não percebe essa ascensão social quem sofre de miopia. É tal ascensão que vai continuar a permitir a construção de um mercado interno capaz de garantir o mínimo de economicidade e "incluir" o Brasil, de forma adequada e relativamente segura, na globalização avassaladora que fragmentou o processo produtivo.

Esses fatos são visíveis na recente pesquisa feita pela Fondapol (Fondation pour l'Innovation Politique), em meados de 2011, com jovens de 25 países, em que se perguntou: 1º) Você acha seu futuro promissor ("prometteur")?; 2º) Você acha o futuro do seu país promissor?

À primeira pergunta 87% dos jovens brasileiros responderam afirmativamente, e à segunda, 72%. Isso contrasta com os EUA, onde à primeira pergunta 81% responderam afirmativamente, mas à segunda, apenas 37%. O curioso é que na China a coisa se inverte: 73% creem que têm futuro promissor, mas 82% creem no futuro promissor do seu país.

O governo decidiu estimular o Banco do Brasil -agora proprietário do Banco Postal- e a Caixa Econômica Federal -que controla as "lotéricas"- a expandirem cuidadosa e seguramente o microcrédito, com taxas de juros mais acessíveis e menor burocracia, o que deve aumentar a "inclusão" social.

É importante dizer que, para fazê-lo, não se cogita subsídio do Tesouro ou violação das garantias exigidas pelo Banco Central, mas, sim, redução da distância entre os bancos e o tomador de crédito, diminuindo o evidente constrangimento dos mais pobres de acessarem os bancos.

Isso vai ser feito aproveitando a "imagem" e a reputação secular do BB e da CEF -que, para os mais simples, significam segurança absoluta. A economia de escala deve tornar os seus "spreads" mais atrativos do que os dos bancos privados que só agora começam a "descobrir" os potenciais novos clientes e vão ter que disputá-los.

terça-feira, 13 de março de 2012

USP é universidade que mais forma doutores no mundo.


Agência FAPESPA Universidade de São Paulo (USP) é a universidade que mais forma doutores mundialmente. A constatação é do Ranking Acadêmico de Universidades do Mundo (ARWU, na sigla em inglês) por indicadores, elaborado pelo Centro de Universidades de Classe Mundial (CWCU) e pelo Instituto de Educação Superior da Universidade Jiao Tong, em Xangai, na China, que aponta a universidade paulista como a primeira colocada em número de doutorados defendidos entre 682 instituições globais.

O ranking também indica a USP como a terceira colocada em verba anual para pesquisa, entre 637 universidades, além de a quinta em número de artigos científicos publicados, entre 1.181 instituições em todo o mundo, e a 21ª em porcentagem de professores com doutorado em um universo de 286 universidades.

Na avaliação de Vahan Agopyan, pró-reitor de Pós-Graduação da USP e membro do Conselho Superior da FAPESP, a liderança mundial na formação de doutores, apontada pelo levantamento global, deve-se à tradição da pós-graduação da USP no Brasil.

Em 1965, quando foram definidas as novas diretrizes da pós-graduação no país, baseadas no trabalho de Newton Sucupira (1920-2007) – responsável pela criação do Conselho Federal de Educação, atualmente Conselho Nacional de Educação – a USP já possuía um número muito expressivo de docentes com doutorado, e se destacou como a universidade que viria a suprir a demanda do país por mestres e doutores.

Nas décadas de 1970 e 1980, praticamente metade dos doutorados no Brasil eram realizados na USP, e hoje mais de 20% dos pós-graduandos no país também obtém o título de doutor aqui. Isso permitiu que a universidade se tornasse um grande centro mundial de pós-graduação, agora confirmado por esse ranking internacional”, disse Agopyan à Agência FAPESP.

Nos últimos dez anos tem diminuído o número de mestrandos e de doutorandos na USP. Em 2011, pela primeira vez o número de doutorandos na universidade, que celebrou em agosto a concessão de 100 mil títulos de pós-graduação, foi maior que o de mestrandos.

“É um reflexo do aumento no número de programas de mestrado oferecidos em todo o país. Em função disso, os pós-graduandos estão preferindo realizar mestrado em sua própria região e procuram a USP para fazer doutorado ou alguma outra atividade mais especial”, avaliou Agopyan.

Por outro lado, o número de estudantes de pós-graduação da USP tem se mantido estável nos últimos anos. Atualmente, a universidade conta com cerca de 23 mil alunos de pós-graduação stricto-sensu e titulou 2.192 doutores e 3.376 mestres em 2011 – números que oscilaram pouco nos últimos 15 anos.

“Nós já somos grandes e estamos trabalhando no máximo da nossa capacidade há vários anos. Cada um dos nossos docentes tem, em média, mais de cinco orientandos, que é um número elevadíssimo”, afirmou Agopyan.

Segundo o pró-reitor, esse fenômeno também é comum às principais universidades no mundo, como as norte-americanas, europeias e chinesas listadas no ranking, cujo número de pós-graduandos também está bastante estável e seus programas de pós-graduação operam no limite de suas capacidades.

Um dos fatores atribuídos por Agopyan para a USP continuar liderando a formação de doutores é a atuação da universidade em todas as áreas do conhecimento, sendo que as universidades no exterior normalmente têm algumas áreas de especialidade. “Somos uma instituição pluridisciplinar”, destacou.

Na avaliação de Agopyan, o desafio agora é ser não apenas a maior, mas a melhor em formação de doutores no mundo. Para isso, a USP tem buscado padrões internacionais de qualidade, por meio da promoção da mobilidade de seus docentes e alunos para outros países, da avaliação e do apoio aos seus programas de pós-graduação. “Não queremos apenas quantidade, mas sim qualidade”, afirmou.

A FAPESP desembolsou R$ 277,3 milhões em 2010 com Bolsas no país, dentro de seu Programa de Bolsas. Desse total, por vínculo institucional do pesquisador responsável pelo projeto ou do bolsista, a USP recebeu R$ 132,7 milhões (ou 47,87%).  Em 2010, a FAPESP concedeu 1.362 bolsas de Doutorado e Doutorado Direto.

Além da USP, o ranking elaborado pela CWCU apontou a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) como a 38ª colocada em número de doutorados defendidos, a 138ª em número de artigos publicados e a 62ª em percentual de professores com doutorado.

Por sua vez, a Universidade Estadual Paulista (Unesp) obteve a 55ª posição em doutorados concedidos, a 150ª colocação em número de artigos publicados e o 31º lugar em percentual de professores com título de doutor.

Um outro ranking divulgado em janeiro, o Web of the World Universities, conhecido como Webometrics, que mede a visibilidade das universidades nos principais mecanismos de busca da internet, apontou a USP como a 20ª colocada e a primeira da América Latina, seguida na região pela Universidade Nacional Autônoma do México, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul e a Unesp. A Unicamp obteve a 9ª colocação entre as universidades latino-americanas.

Outras universidades brasileiras que figuram entre as dez mais bem colocadas no ranking latino americano são a Universidade Federal de Santa Catarina, a Universidade Federal do Rio de Janeiro, a Universidade de Brasília e a Universidade Federal do Paraná.

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