sexta-feira, 16 de março de 2012

A reputação da USP.


Editorial da Folha de hoje comenta uma boa notícia sobre a USP.                   

A classificação da USP entre as 70 universidades com melhor reputação no mundo evoca a metáfora um tanto gasta do copo cheio (ou vazio) pela metade. É uma boa notícia, por certo, ainda que não mereça ser brindada com entusiasmo.

A USP é a única instituição da América Latina entre as cem da lista das mais reputadas compilada pelo grupo THE (Times Higher Education). No ano passado, nem aparecia na relação. Fica longe de fazer feio, de toda maneira, uma universidade que se encontra no mesmo patamar de centros como a Universidade Humboldt (Berlim) e o King's College (Londres).

Galgar 30 posições de um ano para o outro, por outro lado, constitui um salto que não pode ser explicado por repentino avanço de qualidade. É provável que fatores externos, como a crescente visibilidade do Brasil -sexta maior economia, a caminho de tornar-se a quinta- no cenário mundial, estejam por trás da arrancada.

Tampouco se descartam mudanças na consulta do THE como explicação para o desempenho da USP. Quase 18 mil pesquisadores de todo o mundo -31% mais que na versão anterior- foram convidados a indicar as 15 instituições de pesquisa mais prestigiosas. Parece plausível que a amostra inclua número relativamente menor de cientistas da esfera anglo-saxã e europeia de pesquisa, o que aumentaria a chance de menções a universidades mais periféricas.

Tais hipóteses não desmerecem a colocação da USP, é claro. Afinal, duas outras nações do festejado grupo dos Brics -Rússia e Índia- desapareceram da lista de cem melhores. Só a China segue na relação, com duas universidades entre as 40 melhores: a Tsinghua (30º lugar) e a de Pequim (38º).

Deslocamentos assim abruptos dão testemunho, ainda, da precariedade intrínseca a essas classificações. Basta variar os critérios -como quantidade de artigos científicos publicados ou número de patentes e prêmios Nobel- e o peso atribuído a eles para chegar a listas díspares entre si. O próprio THE traz a USP na 178ª posição num ranking mais geral, que agrega 12 quesitos ao de reputação.

Tais classificações devem ser tomadas, em conjunto, apenas como guia para traçar um programa de reforma contínua daquela que é a melhor universidade do Brasil.



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