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Antonio Barros de Castro.


A perda de Antonio Barros de Castro, “Um pensador do desenvolvimento (1938-2011)”, no texto de Luiz Carlos Mendonça de Barros publicado na revista ÉPOCA. O economista presidiu o BNDES e deixou uma obra que tenta entender os desafios da economia brasileira em toda a sua complexidade.

Antonio Barros de Castro morreu de forma trágica em sua casa no Rio de Janeiro no fim de semana passado. Apesar da perda que sua morte traz para todos nós, prefiro lembrar as coisas boas que dividimos por várias décadas. Barros de Castro e eu pertencíamos a uma escola de pensamento que entendia a economia como um fenômeno de natureza social e, portanto, sujeito a limitações do tempo histórico, dos valores sociais e da dinâmica política. Nunca aceitamos, por isso, que fosse possível colocar a economia sob as amarras de um modelo matemático determinista. Mas sabíamos também ser a opção por uma economia de mercado a única possível em uma sociedade plural como a brasileira. Nosso entendimento sobre a relação entre Estado e setor privado também era bastante próximo.

Nunca flertamos com um liberalismo extremado, da mesma forma que víamos qualquer opção socialista como apenas uma utopia típica de pensamento juvenil. Barros de Castro nunca esteve preso às amarras do debate ligeiro, conjuntural. Ao contrário, sempre buscou compreender os desafios do desenvolvimento brasileiro em toda a sua complexidade. Ofereceu valiosas contribuições à discussão e à prática, pois tinha em mente não apenas a dimensão econômica, mas também a história e a geopolítica. Seus estudos sobre inovação e desenvolvimento tecnológico são hoje referências para economistas mais jovens.

Nessa nossa busca por sermos atores na economia, e não apenas pensadores, aceitamos, em momentos distintos, presidir o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) – Barros de Castro assumiu essa responsabilidade entre 1992 e 1993. A instituição nos cativava por sua herança, por sua longa história de relevância e principalmente por se manter no presente como um agente importante na busca do desenvolvimento do Brasil. O BNDES propiciava a seus dirigentes a possibilidade de criar ferramentas econômicas de impacto, como programas especiais de crédito para tentar acelerar mudanças estruturais que eles entendessem necessárias para tornar a economia brasileira mais eficiente e produtiva.

Barros de Castro e eu sempre fomos apaixonados pelo estudo das mudanças estruturais que ocorrem na economia de uma sociedade dinâmica e diversa como a brasileira. Esse gosto comum nos aproximou nos últimos anos, na tentativa de entender o fenômeno do desenvolvimento chinês e sua influência na economia brasileira. Em 2007, em conjunto com meu irmão José Roberto e com Paulo Pereira Miguel, escrevi o artigo China, um dragão de três cabeças – a que devora energia e matérias-primas, a que cospe produtos industrializados cada vez mais sofisticados e a que quer consumir quantidades crescentes de produtos elaborados mundo afora, inclusive no Brasil. Barros de Castro me escreveu para manifestar concordância com nossa visão e complementá-la com observações suas. Nos últimos tempos, ele vinha participando ativamente das atividades do Instituto de Estudos Brasil-China (Ibrach) e do Centro China-Brasil de Mudança Climática e Tecnologias Inovadoras para Energia, da Coppe (o departamento de pós-graduação em engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro). Nem ele nem eu comungamos com a visão de que a economia chinesa se baseia apenas na produção de bens industriais baratos e sem qualidade. Dividíamos o entendimento de que a China é o fenômeno mais importante nas transformações estruturais que vive nosso país. É uma pena que a partida de Barros de Castro tenha ocorrido neste momento, tão rico para um economista no Brasil.

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