quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

MENSAGEM DE NATAL - 2008

Apesar da revista "Dicta & Contradicta" já ter lançado o seu número dois, até o momento ainda não tive o prazer de comprá-la aqui neste interior do Pará. Porém espero que em breve, eu consiga localizar uma banca que tenha a mesma.

Já tinha lido algumas ótimas referências com relação a revista e a sua apresentação que está no site http://www.dicta.com.br/a-revista/, já diz para que veio. A Dicta & Contradicta é uma revista semestral lançada em 10 de junho de 2008 em São Paulo pelo Instituto de Formação e Educação.

Reúne artigos e resenhas de intelectuais brasileiros e estrangeiros sobre os grandes temas da cultura ocidental: a ética, a filosofia, a literatura e as artes, sob uma perspectiva de longo prazo, desvinculada da política partidária e com uma vocação, na medida do possível, universal. Com isso, a revista – com uma mentalidade acadêmica, mas sem academicismos – procura atender a uma demanda do mercado por textos de maior transcendência e profundidade.

Normalmente procuro escrever mensagens de NATAL/ANO NOVO diretas, objetivas, sem procurar adoçar um momento em detrimento de outros 364 amargos. Neste ano, minha mensagem de NATAL/ANO NOVO é a mensagem da DICTA & CONTRADICTA. Depois que li, refleti e resolvi postar algo maior que a minha objetividade. Espero que meus dois quase leitores, também gostem da mesma. BOA LEITURA E BOAS FESTAS.

De todas as épocas do ano, o Natal parece ser a mais carregada de “peso”, de “sombras”. Claro que a ocasião é de festa: afinal, é Deus quem nasce, mais uma vez. Mas é de se pensar que ninguém sabe o que acontece quando Deus nasce. Por isso, o “peso”, as “sombras”. Em um mundo dominado por uma “crise” que jamais encontra uma solução, o Natal parece ser somente uma ocasião para comprar e dar presentes ou, pior, para descansar a cabeça de um ano díficil e preparar-se para um ano que promete ser mais díficil ainda.

Entretanto, ele não é apenas um “descanso para a mente do homem comum” ou o “nascimento de Deus”. O Natal é o nascimento do Deus que veio para nos salvar - eis a diferença. Um deus pode nascer e até ajudar o crente em seus caminhos no mundo tortuoso; mas um deus que nasça para salvar efetivamente o crente e, ainda depois deste resgate, continua a ter paciência para dar conselhos e confortá-lo - isso sim é quase impossível (e olhem que o tal do crente nunca é o melhor dos seres humanos).

No entanto, isso aconteceu - e a rejeição deste simples fato coloca em perigo não só uma questão civilizacional, mas também a nossa própria existência pessoal. Vivemos em um mundo que, mais cedo ou mais tarde, vai nos devorar em suas presas e temos Alguém com quem, através de um pouco de esforço, podemos conversar, dialogar e chegar em finais muito surpreendentes. E este Alguém também pede muito pouco - na verdade, segundo o Salmo 51, pede apenas um coração verdadeiramente contrito. Por “contrito” entenda-se o verdadeiro exame de consciência que só você e Deus podem saber o que se passa dentro do seu coração. Mas se perdermos a noção deste Alguém, como poderemos conversar, dialogar? Perdemos isso e tudo está perdido - nada mais, nada menos.

O Natal serve para mergulharmos nas suas “sombras”, no seu “peso” e relembrarmos constantemente que o nosso nascimento não acontece em um único dia, mas em todos os dias. O mesmo ocorre com a Ressurreição - que é um Natal redobrado, por assim dizer. Esta é a verdadeira alegria deste evento - uma alegria agridoce, sem dúvida, pois, como nos lembra São João de Ávila, a madeira da manjedoura é o prenúncio da madeira da Cruz. Mas entre uma e outra há todo um percurso e é nele que esse Alguém está do nosso lado, sem hesitar, sem nunca recusar seu conforto, mesmo que seja no mais perturbador de todos os silêncios.

Um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo para todos os leitores que fizeram deste blog uma realidade!

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