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Faroeste brasileiro é no Pará?

Hoje, com o título “Faroeste brasileiro” o editorial da FOLHA DE S. PAULO registra a opinião do jornal sobre os últimos problemas ocorridos no campo, também já objeto de postagem neste blog.
Soa desmedido estabelecer um vínculo causal, ainda que tênue, entre a aprovação do novo Código Florestal e os assassinatos de quatro agricultores com militância ambiental, entre terça-feira e sábado da semana passada.

Grilagem de terras e extração ilegal de madeira são atividades que, na Amazônia, sempre bordejaram a tradicional violência agrária em região de fronteira em expansão. Seus sicários nunca se preocuparam com a legislação, muito menos com o Congresso.

Primeiro foram abatidos a tiros José Claudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva, em Nova Ipixuna, sudeste do Pará. Extrativistas de castanhas, denunciavam madeireiros clandestinos e constavam de lista de líderes rurais ameaçados de morte feita pela Comissão Pastoral da Terra, entidade ligada à Igreja Católica.

No mesmo documento figurava o nome do agricultor Adelino Ramos, baleado na sexta-feira em Vista Alegre do Abunã, Rondônia. Ramos fazia campanha contra a atuação de madeireiros na divisa com o Acre e o Amazonas. Mais quatro líderes foram assassinados na área desde 2006. No sábado, outro agricultor, Herenilton Pereira dos Santos, foi achado morto em Nova Ipixuna.

É patente a incapacidade do Estado brasileiro de fazer valer a lei e a ordem na fronteira agrícola. O sinal mais claro disso está na providência anunciada pelo governo federal após a concentração de mortes dos últimos dias: formar um grupo interministerial. Criar uma comissão é a melhor maneira de não enfrentar um problema. No caso, serve também como biombo para a impotência da Ouvidoria Agrária Nacional.

Pelo menos em um caso, o de Adelino Ramos, o órgão ligado ao Ministério do Desenvolvimento Agrário recebeu denúncias sobre as ameaças de morte. Solicitou proteção à Secretaria de Segurança Pública do Amazonas e a autoridades policiais de Lábrea (AM). Sem resultado, vê-se. Além do grupo criado, o presidente interino, Michel Temer, liberou R$ 500 mil para pagar deslocamentos de agentes do Incra no Amazonas e no Pará. O Planalto prometeu também proteção da Polícia Federal para os jurados de morte, mas não dispõe de uma lista com os nomes mais visados. No mais, anunciou-se a intensificação de operações -Arco de Fogo e Arco Verde- que têm mais a ver com desmatamentos ilegais do que com violência no campo.
Embora esses dois tipos de crime possam prosperar e conviver onde o poder público se ausenta, ou até mesmo entrelaçar-se, associá-los assim equivale a aceitar o elo oportunista entre votação do Código Florestal e assassinatos.

Comentários

Erik Figueiredo disse…
Parece que temos mais um caso. Lamentável!
Erik Figueiredo disse…
Parece que temos mais um caso. Lamentável!

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