domingo, 12 de junho de 2011

É a economia, Obama!

Objetivo e direto editorial da FOLHA DE S. PAULO sobre a atual situacao de Barack Obama.
Foram efêmeros os efeitos positivos do assassínio de Bin Laden na popularidade do presidente americano, Barack Obama. Segundo pesquisa do jornal "Washington Post" com a rede de TV ABC, sua aprovação era de 47% em abril, pulou para 56% após a morte do terrorista e, neste mês, retornou ao nível anterior.
Não é bem uma surpresa. Nada menos que 59% dos americanos desaprovam, hoje, a condução da economia pelo presidente, nível mais alto desde a eleição do candidato do Partido Democrata. O descontentamento é generalizado e profundo: 89% acreditam que a economia é um problema, e 57% dizem que o país nem começou a sair da recessão.
Se as eleições fossem hoje, um dos potenciais contendores do Partido Republicano, Mitt Romney, teria 49% dos votos dos eleitores registrados, contra 46% de Obama. Um empate técnico, já que a margem de erro é de 3,5 pontos para mais ou para menos.
As pesquisas mostram fraqueza de Obama, mas dizem pouco sobre o que poderá ocorrer em 2012. O quadro pré-eleitoral nos EUA é sempre muito variável, e a corrida para selecionar um candidato republicano está longe de uma definição. Há várias facções influentes e antagônicas, como o movimento conservador Tea Party.
A economia, de fato, vai mal. A volta do crescimento para o patamar próximo de 2,5%, entre meados de 2009 e o primeiro trimestre deste ano, não tem sido suficiente para gerar empregos rapidamente. Apenas 2 milhões de postos de trabalho foram criados desde 2009, uma fração das 8,5 milhões de vagas perdidas na crise.
A persistir o ritmo recente, de 200 mil novos postos por mês, o emprego retornaria ao nível pré-crise apenas em 2014. Mesmo assim, a taxa de desemprego, atualmente em 9,1%, persistiria muito acima do padrão histórico -próximo de 5%- por mais de uma década. O desemprego se tornou um problema crônico: o tempo médio sem trabalho passou de 15 semanas (média desde 1980) para quase 40 semanas, atualmente.
Ainda pesam sobre os ombros das famílias americanas o excesso de endividamento e a queda dos preços dos imóveis. O crédito bancário permanece estagnado, mesmo depois da injeção de US$ 1,85 trilhão na economia.
A apreensão com o deficit público, da ordem de 10% do PIB, indica que em 2012 os maciços programas de expansão de gastos públicos devem reduzir-se, o que afetará o crescimento no ano eleitoral.
Obama certamente terá problemas na eleição por conta da situação econômica. Mas os republicanos também enfrentarão dificuldades, entre elas encontrar um candidato com propostas convincentes para gerar empregos.

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