quarta-feira, 9 de setembro de 2009

O CAPITALISMO AMERICANO

Recomendável o artigo do colega LUIGI ZINGALES – “Capitalism After the Crisis” na “National Affairs – Fall 2009”. Peguei esta frase de lá e, mais uma vez, continuamos capitalistas. Afinal, o mundo capitalista é terreno fértil para a liberdade.
The United States developed a system of capitalism that comes closer than any other to the ideal combination of economics freedom and open competition.”

DA SÉRIE: LEITURA INEVITÁVEL

Direto da Folha de S. Paulo, um artigo do colega ANTONIO DELFIM NETTO, com o sugestivo nome de “Lucas e a rainha”.
Em novembro de 2008, a rainha Elizabeth da Inglaterra visitou a London School of Economics. Surpreendeu seus professores reunidos com uma pergunta tão inconveniente quanto pertinente: como foi possível que, em mais de um século de dedicação ao estudo e à pesquisa do sistema econômico, a tragédia que tomou conta da economia inglesa não tivesse sido "prevista" e, tanto quanto podem os homens, evitada? Todos sabemos que a London School of Economics nasceu "heterodoxa", em 1895, pelo acidente de uma herança (da ordem de 10.000) deixada por um certo senhor Henry Hutchinson. Este fora "convertido" à doutrina da "Fabian Society" criada em 1884 (basicamente por Sidney Webb e George Bernard Shaw), que seria possível construir (pacificamente!) "uma sociedade eticamente superior à prevalente". Sidney Webb - o executor da herança - nunca foi um marxista (Marx havia morrido em 1883): sempre recusou, intuitivamente, o seu "determinismo histórico". Acreditava, entretanto, na possibilidade de que a análise científica da realidade concreta inglesa poderia sugerir uma sociedade moralmente mais decente. O ar "científico" do marxismo parecia óbvio. E os argumentos realmente antológicos do grande cientista R.B. Haldene (recolhidos depois num artigo que pode ser lido até hoje como "vacina" para prevenir a infecção do "socialismo científico") convenceram Webb (e seu grupo) de que o caminho era mesmo a análise científica da realidade.Na sua origem, ela negava o estudo da economia como parte das artes (o que faziam os "economistas") e tentava levá-lo para o campo das ciências (matemática, física e biologia). Isso encontrou séria oposição de Cambridge e Oxford (inclusive do grande Alfred Marshall). A tristeza é que mesmo esta semente (que a rigor frutificou muito pouco) foi incapaz de responder à crueza da pergunta da rainha! As respostas foram (como sempre) justificativas evasivas: a geologia também é incapaz de "prever" (e logo de "prevenir") os terremotos! A pequena diferença é que não é a ação dos geólogos que produz as flutuações das placas tectônicas! Mas talvez a maior desilusão da profissão tenha sido a resposta do que se supõe ser a "Teoria Econômica Moderna". A pobreza, a falácia, o escapismo e o cinismo da resposta de Robert Lucas (o Nobel de 1995) em "The Economist" (6/8/ 2009) sobre o assunto. O seu artigo ("Em Defesa da Ciência Trágica") foi o enterro de toda a mistificação da pseudociência que tentou substituir a humilde e útil economia política que estava na origem da London School...

PREVISÃO DO PIB PARA 2009

Com o final do ano chegando e a minha aposta sobre o resultado do PIB 2009 também, direto do blog da MÍRIAM LEITÃO, um breve trecho do Boletim Focus. De qualquer maneira, mantenho o já que escrevi antes.
O mercado financeiro melhorou de forma mais significativa sua previsão para o desempenho da economia brasileira neste ano, embora as perspectivas permaneçam de retração. Segundo a média das projeções de cem instituições financeiras, consultadas pelo boletim Focus, do Banco Central (BC), a economia deve encolher 0,16% neste ano. Na semana passada, o mercado previu no boletim que a economia deveria encolher 0,3% neste ano. Ainda em retração, porém mais próximo de crescimento zero. Em maio e abril deste ano, o mercado chegou a estimar um tombo de 0,73% do PIB. Muitos economistas esperam que o PIB deverá ter crescimento zero ou mesmo pequeno crescimento neste ano. O Focus pode estar caminhando para essa direção. Mas o mercado também já previu antes da crise que a economia cresceria algo como 4% neste ano. Isso foi perdido, quatro pontos percentuais.

EDUCAÇÃO É TUDO - 09/09/09

Neste 09/09/09, evidentemente um dia inesquecível, não poderia deixar de divulgar uma nota que li no blog do NOBLAT: O Brasil tem o menor índice de adultos com diploma universitário, entre 36 nações pesquisadas pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). A entidade divulgou ontem o relatório Education at a Glance 2009 (Panorama da Educação), mostrando que apenas 10% dos brasileiros de 25 a 64 anos concluíram o ensino superior. Não é nada não é nada, não é nada mesmo, mas o resultado está lá em Brasília...

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

ECONOMIA TAMBÉM NO CINEMA - VENEZA 2009

Ainda bem que não agendei o FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINEMA DE VENEZA nestes dias. Seria demais para as minhas idéias assistir SOUTH OF THE BORDER, do diretor americano OLIVER STONE, elogiando o coronel HUGO CHÁVEZ. No documentário CHÁVEZ é o protagonista absoluto, sendo apresentado como o máximo expoente de uma nova política na América Latina. Mas o fundo do poço não parou nele.

Nesse famoso festival o também americano MICHAEL MOORE denuncia o capitalismo perverso e desumano no seu “CAPITALISM: A LOVE STORY.” Para MOORE, o capitalismo é ruim e não pode ser reformado. O livre mercado na realidade é um sistema para roubar os trabalhadores e garantir que 1% da população dos Estados Unidos mantenha sua riqueza, enquanto 99% se empobrecem dia a dia.

Uma pergunta que não quer calar: como vivem financeiramente STONE e MOORE? Por que eles não pegam suas roupas e vão viver(?) em CUBA?

Fiz muito bem ficando aqui no interior desta quente e poeirenta floresta amazônica. É dose dupla para leão nenhum, preferenciamente de OURO, botar defeito...

A CHINA AINDA TEM MUITO O QUE FAZER

Para quem acredita que a CHINA substituirá imediatamente os Estados Unidos na liderança econômica, militar e política mundial, vejam o que diz BARRY EICHENGREEN, Professor de Economia e Ciências Políticas na Universidade da Califórnia, Berkeley, na CONJUNTURA ECONÔMICA da nossa FGV: "A CHINA NÃO conseguirá compensar sozinha o declínio do consumo nos Estados Unidos. O que significa que deverá haver um aumento do consumo em outros grandes mercados emergente, como o BRASIL, ÍNDIA e RÚSSIA."

ECONOMIA NO FERIADO DE 07 DE SETEMBRO

Direto da Folha de S. Paulo neste 07/09/2009,com os feriados da Independência do Brasil e do Trabalho nos EUA, hoje, os mercados retomam os negócios só amanhã. O destaque no Brasil será o resultado do PIB no segundo trimestre, que sai na sexta e deve carimbar oficialmente o fim da recessão no país. A expectativa é que a economia tenha tido crescimento entre 1,6% e 2% no período, em relação ao trimestre anterior.
Na quinta, o IBGE divulga o IPCA de agosto, que deve ficar em 0,2%. O evento mais aguardado é a ata do Copom, embora o mercado dê como certo que os juros serão mantidos em 8,75% até dezembro.
Nos EUA, o destaque fica para a divulgação na quarta do Livro Bege, que traz a interpretação do Federal Reserve (BC dos EUA) sobre a recuperação”.

domingo, 6 de setembro de 2009

ECONOMIA - PROFISSIONAIS NA REDE

Obrigado ao colega ENOCH FILHO, lá da famosa BAHIA DE TODOS OS SANTOS pela inclusão deste blog na página http://profissionais.nacumbuca.com/Economia, na companhia de outros colegas dos quais sou fiel leitor há tempos.
Habitualmente acompanho os posts do ENOCH FILHO lá no Além das Curvas http://profissionais.nacumbuca.com/Economia e é prazerosa essa troca de informações entre colegas distantes, mas que a internet nos torna tão próximos. Afinal, o prazer de estudar ECONOMIA é o elemento motivador que nos faz a cada dia aprender um pouco mais. E, se em boa companhia, melhor ainda.

MESTRADO NA FGV - DIVULGAÇÃO

A FGV - EESP Escola de Economia de São Paulo divulgou na CONJUNTURA ECONÔMICA de agosto as inscrições para os Mestrados Profissionais em Finanças e Economia e o outro em Agroenergia. Além das qualidades da FGV, a beleza do anúncio está na definição de ECONOMIA: QUANTO MAIS VOCÊ APRENDE, MAIS SIMPLES ELA PARECE.

UM MINUTO DE SILÊNCIO POR TED KENNEDY.

Fã da família KENNEDY desde os meus auréos tempos de IBIAPINA-CEARÁ, não poderia de divulgar a coluna do jornalista ÁLVARO PEREIRA JÚNIOR, sobre a morte do TED KENNEDY. Quanta diferença dele para os nossos políticos (?), se é que podemos chamá-los assim...

Bebum, mulherengo e autodestrutivo, Ted Kennedy, senador americano morto aos 77 anos na semana passada, era um político com todas as letras maiúsculas. P-O-L-Í-T-I-C-O.
Seu obituário tomou sete páginas do "New York Times" on-line. Não há nem houve ninguém parecido no Brasil.
De família riquíssima, Ted era o Kennedy caçula. Viu o irmão, John, presidente, ser assassinado em 1963. Outro irmão, mais velho, tinha morrido na Segunda Guerra. Em 1968, um maluco matou mais um irmão, Robert.
Coube a Ted manter viva a chama da política entre os Kennedy. Difícil.
Foi estudante vagabundo e trapaceiro em Harvard (acabou afastado e voltou, anos depois, convertido em ótimo aluno).
Bebeu, aprontou, calcinou o filme dezenas de vezes. A pior: 18/7/1969, ilha de Chappaquiddick, litoral de Massachusetts. Depois de um churrasco, Ted "ofereceu carona" a Mary Jo Kopechne, jovem ex-secretária do mano Bob.
Numa ponte precária de uma estradinha, Ted caiu com o carro na água. Conseguiu se salvar. Mary Jo morreu afogada. Ted levou dez horas para avisar a polícia. Antes de ligar para o resgate, passou horas conversando com assessores.
Incrivelmente, não teve a carreira arruinada. Foi à TV pedir desculpas. Os eleitores o perdoaram.
Transformou-se num senador obstinado. Envolveu-se profundamente em questões políticas delicadas, com efeito direto sobre as pessoas: imigração, saúde. Votou contra a invasão do Iraque. Apoiou Obama num momento crucial. A socidade americana lhe deve muito.
Sua vida louca não afetou o desempenho como senador. Era assíduo, presente, preparado. Ia direto a vários pontos.
No obituário, assim o definiu o "New York Times" (traduzir estragaria a poesia): "He was a celebrity, sometimes a self-parody, a hearty friend, an implacable foe, a man of large faith and large flaws, a melancholy character who persevered, drank deeply and sang loudly. He was a Kennedy".

DA SÉRIE: VOCÊ SABIA?

Você sabia, antes da EXAME divulgar, que:

  • Os Estados Unidos respondem, sozinhos, por 23,5% do PIB mundial, algo em torno de 14 trilhões de dólares?
  • Dos 120 trilhões de dólares em investimento direto estrangeiro no mundo em 2008, 20% saíram dos Estados Unidos?
  • Das 100 maiores empresas do mundo, 29 são americanas. Em segundo lugar vem a Alemanha, com 15 empresas?
E ainda tem quem admire a Coréia do Norte e CUBA...

BRASIL: 1822 - 2009 - INDEPENDÊNCIA?

Amanhã, 7 de Setembro de 2009, o que temos para comemorar neste Brasil que ainda acha que é um país do futuro. Até quando? Com a riqueza que fez a taxa de crescimento das 500 maiores companhias brasileiras em 2008 ser mais de cinco vezes superior a das 500 maiores americanas (sim, dos Estados Unidos), por que não temos uma liderança competente a fazer que o nosso BRASIL seja um país sério, respeitado e onde os quase duzentos milhões de brasileiros possam se orgulhar dele, sem a necessidade de bolsas esmolas?

DA SÉRIE: TEXTOS INTERESSANTES - MENDONÇA DE BARROS

Neste caso, vamos ler e apostar como estará o dólar ao final de 2009? Direto do ESTADÃO, o colega José Roberto Mendonça de Barros, irmão do também colega Luiz Carlos, comenta "O Real e o futuro da produção".

O real voltou a se valorizar e tudo indica que irá para algo como R$ 1,75 por dólar em futuro próximo.
Desta vez, a valorização decorre muito mais de fatores externos que internos. Embora a taxa de juros ainda seja elevada, a atração da arbitragem (considerando os riscos) é muito menor do que antes, como mostram os dados do mercado cambial. Por outro lado, o dólar tem-se desvalorizado consistentemente contra diversas moedas, e todos os analistas esperam que isso continue nos próximos períodos. Neste caso, a busca por alternativas tem levado, entre outras coisas, a uma forte procura pelas chamadas moedas commodities, grupo que tradicionalmente inclui Austrália, Nova Zelândia, Noruega e Canadá.
A novidade recente é que o real foi incluído nesse clube, não só por conta da relativa resistência à crise, como especialmente porque o País é claramente ganhador na reestruturação produtiva global no quesito cadeias de recursos naturais. Daí decorre uma elevação do fluxo de exportações, nos investimentos diretos e na compra de ações de empresas brasileiras.
Muitos analistas e produtores se inquietam com o novo quadro, resgatando as teses de desindustrialização. Sigo acreditando que há muito exagero nessa percepção, inclusive porque não se pode projetar a frio um momento de ajuste à recessão mundial. Ademais, creio que existe uma clara subestimação do resultado da expansão das cadeias de recursos naturais no dinamismo do aparelho produtivo (revelado pelo breve período de aceleração do crescimento de 2007/2008), em termos de impactos na indústria de bens de capital, nas inovações da engenharia de produtos e de processos, na ligação com serviços de elevada produtividade e no emprego. Uma análise cuidadosa dos novos "players", das inovações e dos projetos que estão ocorrendo na cadeia da cana-de-açúcar certamente surpreenderia os mais afoitos.
Os analistas da desindustrialização também subestimam a relevância do tamanho do mercado interno, que permite a produção de muitos produtos de forma competitiva, bem como das dificuldades de ter fornecedores distantes quando se utilizam processos de "just in time". Essas dificuldades vão desde as maiores necessidades de capital de giro, do risco de flutuação das moedas, dos riscos de logística, etc.
É interessante que várias análises recentes apontam que a atual crise internacional está levando a uma revisão e a um encurtamento de certas cadeias de produção, afetando positivamente países como o México. Também é útil aqui lembrar que a queda das exportações de manufaturados brasileiros tem, além do câmbio e outras causas domésticas, muito que ver com a crise de nossos clientes, como atesta a crise da Argentina, o maior deles.
Mesmo após essas observações é evidente que muitos produtores menos competitivos sentem o aperto resultante do movimento do real. Muito mais que o câmbio, a questão central é que o País vem perdendo competitividade ao longo dos últimos anos. Sinais disso podem ser encontrados na contínua elevação da carga tributária e de sua complexidade administrativa, agravada pelo absurdo anúncio da tentativa de aprovação da nova CPMF. Reduções temporárias e localizadas de alíquotas não enfrentam minimamente a questão.
Em segundo lugar, é tedioso, porém necessário, relembrar a questão da infraestrutura logística brasileira. Nem com a avalanche de publicidade oficial dá para esconder que estradas e portos continuam a erodir a competitividade da produção brasileira. Na verdade, tirando a Petrobrás, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) é composto por algo como 80% de fumaça, pedras fundamentais, placas, obras não iniciadas, paralisadas ou atrasadas. Ademais, a energia elétrica está mais cara pela contínua criação de encargos adicionais, resultante, entre outras causas, da construção de usinas movidas a óleo. Na mesma direção vai a regulação complexa e muitas vezes de má qualidade. Em suma, nossa competitividade sistêmica está pior e isso se deve em muito a uma fantástica expansão dos gastos de custeio em vez do investimento, ocorrida nos últimos anos.
O Banco Central pode e deve continuar a elevar as reservas do País. Entretanto, intervenções no câmbio são ações de curto prazo que não encaminham a questão da competitividade ao longo do tempo, que é o que garante, de fato, o desenvolvimento.

KRUGMAN E A ECONOMIA - CRISE E HISTÓRIA

Apesar de ser obrigatória neste blog a publicação integral do artigo ou texto disponibilizado para a leitura de seus quase dois (milhões) leitores, neste caso específico realmente o texto é longo, mas vale pelas palavras do autor, Nobel de Economia em 2008. Direto do The New York Times, PAUL KRUGMAN e seu “How Did Economists Get It So Wrong?” no link http://www.nytimes.com/2009/09/06/magazine/06Economic-t.html, que nem por isso deixa de estar dentre os mais lidos, pela sequência dos fatos e visão geral da economia desde SMITH até KEYNES.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

A PODEROSA ECONOMIA AMERICANA NA EXAME

Preparem-se, pois a EXAME que estará nas bancas neste final de semana é daquelas de ler com prazer. Para começar, deixo com eles o melhor da edição: “As vésperas do primeiro aniversário da eclosão da maior crise das últimas décadas, os Estados Unidos tentam se reerguer. EXAME percorreu o país e entrevistou dezenas de empresários, pessoas comuns e quatro prêmios Nobel de Economia para construir a imagem da América após a quebra do banco Lehman Brothers. O resultado está nesta edição especial com oito reportagens, que mostram como os pacotes econômicos, a reinvenção das montadoras, a ressurreição de Wall Street e os investimentos em energia e inovação farão com que o país permaneça como a mais poderosa economia do planeta.”
E ainda tem colega que aposta na CHINA...

A importância de debater o PIB nas eleições 2022.

Desde o início deste 2022 percebemos um ano complicado tanto na área econômica como na política. Temos um ano com eleições para presidente, ...