sábado, 30 de outubro de 2010

REFLEXÃO ELEITORAL 2010.

Em dia de eleição, nada como lembrar ARNOLD TOYNBEE, economista inglês, que trabalhava com história econômica, compromisso e desejo de melhoria nas condições das classes sociais e sua famosa frase:
“O maior castigo para aqueles que não se interessam por política, é que serão governados pelos que se interessam."

DUAS EXCELENTES INDICAÇÕES.

Li na coluna do JANIO DE FREITAS, na FOLHA DE S. PAULO, as indicações dos dois livros abaixo. Li e tenho o primeiro em algumas edições. É leitura obrigatória para quem vive neste mundo. Quanto ao segundo, já andei folheando várias vezes, mas ainda não comprei. É um colosso. Agora, nesta edição atualizada, já está na minha lista de compras.
São dois livros muito oportunos e, cada qual no seu gênero, merecedores de todo leitor. A editora combinada Penguin Companhia lança edição caprichada de "O Príncipe", de Maquiavel, com adendos bastante úteis. Entre eles, um prefácio de Fernando Henrique Cardoso.
Lançado há mais de dez anos pela extinta Scritta, a Paz e Terra faz a edição atualizada pelo autor de "Petróleo - Uma história mundial de conquistas, poder e dinheiro". Vencedor do Prêmio Pulitzer, é fascinante e quase indispensável nesta época brasileira de pré-sal.

MEDO DA CHINA?

Li recentemente na FOLHA DE S. PAULO entrevista com o economista ROBERTO GIANNETTI DA FONSECA, diretor de comércio exterior da Fiesp, a qual gostaria de compartilhar com os meus quase dois e-leitores.
"O Brasil não precisa ter medo da China, que não tem opção à soja e ao minério de ferro brasileiros", disse. O economista da Fiesp afirma que é "escandalosa" a carona da China na desvalorização mundial do dólar.Isso porque os EUA desvalorizam devido ao duplo deficit fiscal e comercial, enquanto a China é duplamente superavitária. "Todo mundo tem medo da China, por isso os países articulam uma ação coordenada pela mudança cambial", disse.
Folha - Brasil e China tinham várias posições em comum na reunião do FMI. O Brasil quer parecer ou é "amigo" da China na tal guerra cambial? Roberto Giannetti - Essa pode ser uma posição de parte da diplomacia brasileira, mas não acredito que seja dos ministérios que estão no front da articulação comercial e nos fóruns globais.
E se for? Há uma visão no governo de que a valorização do yuan pode levar à queda no preço das commodities, que não interessa ao Brasil. Seria um absurdo completo. O país está se desindustrializando e eles estão achando que exportar commodity é legal. É totalmente fora da realidade. Vem aqui para o chão de fábrica sujar a mão de graça e depois a gente conversa... Estão vendo milhares de pessoas ficando desempregadas por conta da concorrência desleal com a China e você vai passar a mão na cabeça deles? Isso seria uma proposta de uma diplomacia míope, dissociada da realidade. Duvido que algum diplomata em sã consciência possa achar que esse movimento coletivo de reação à manipulação da moeda chinesa seja algo em que o Brasil tenha de ficar fora. É de um absurdo inacreditável. Duvido que seja posição oficial. Não tem lógica.
Não pode ser um jogo duplo para aumentar o poder de barganha do Brasil? Não tem jogo duplo nenhum. Nessas negociações, o país tem de ser muito claro. A posição é essa e o interesse é esse. Não tem barganha.
Qual a melhor estratégia? É participar de uma ação articulada, coletiva e internacional. Nenhum país isoladamente pode tomar medidas de restrição contra a China, que vai dar risada e não acontece nada. Fica mais fácil se for um conjunto de países, representando dois terços da economia mundial, que bate na mesa dizendo: ou flutua a moeda ou vai colocar 25% de imposto sobre os produtos chineses. Isso é a guerra cambial!
A China pode retaliar o Brasil? O Brasil não tem de estar preocupado. A China não tem onde comprar esse volume todo de minério de ferro e de soja, que responde por 60% da exportação brasileira para os chineses. A China não tem de onde comprar esse volume todo. Ou compra do Brasil ou tem um problema de suprimento e uma crise estrutural. De certa forma, a China se tornou um país dependente do Brasil.
A China é aberta aos produtos brasileiros? Setores do Itamaraty dizem que os empresários brasileiros não vão buscar aquele mercado. A China não tem um mercado aberto para importações; é um mercado administrado. E, com a moeda desvalorizada, a importação fica cara. Nós temos um preço muito maior do que o chinês. Não dá para vender lá.

ELEIÇÕES 2010 - A PEQUENA FINAL!

SERRA + DILMA = DEZ letras.
DEZ é a nota que todos desejam.
Uma pena que a campanha terminou, a eleição é amanhã, muita coisa não foi explicada e os aspirantes ao Planalto NÃO receberam nota DEZ.
Mais uma vez o BRASIL perdeu a chance de discutir o presente.
Nesse caso, que vença quem tiver maior número de votos, é claro.

RECOMENDAÇÃO DE LEITURA.

A PROSPERIDADE DO VÍCIO, é mais um livro de DANIEL COHEN, economista francês, sobre a história econômica do mundo, do surgimento da agricultura à recente crise financeira em Wall Street. Reconstituindo as peripécias do homem para produzir e acumular riquezas, aponta para o futuro com indagações perturbadoras. Para onde o capitalismo nos conduz? A humanidade pode evitar o colapso ecológico?
Boa leitura para as próximas férias ou feriado prolongado.

UM BRASIL CORRUPTO?

Índice divulgado pela ONG Transparência Internacional REPROVOU o BRASIL no item CORRUPÇÃO.
Na 69ª posição estamos muito bem acompanhados pela potência CUBA, MONTENEGRO e ROMÊNIA.
Afinal, o brasileiro é corrupto por natureza ou o ambiente faz dele um corrupto?

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

CONTAS EXTERNAS

ROBERTO PADOVANI, mestre em economia e estrategista-chefe do Banco WestLB, escreveu na FOLHA DE S. PAULO sobre o que o “governo terá de fazer sua parte para evitar a explosão das CONTAS EXTERNAS.”
O deficit externo deverá mais que dobrar neste ano, saindo dos cerca de US$ 24 bilhões em 2009 para algo próximo de US$ 52 bilhões. Os números obviamente preocupam. Mas será que a atual trajetória será mantida em 2011? Muito provavelmente, não. O resultado em conta-corrente vem sendo explicado em grande medida pelo diferencial de crescimento interno e externo. Como a economia cresce bem mais que a média mundial e, principalmente, acima de sua própria capacidade, a contrapartida ao crescimento local é o aumento das importações de bens e serviços. O câmbio reforça esse movimento, ainda que tenha um papel secundário. Diante desse cenário, há duas alternativas. No curto prazo, é preciso que o país dose o ritmo de crescimento e acione as políticas fiscal e monetária. O BC tem feito sua parte. Além de ter retirado vários estímulos monetários, elevou a taxa de juros em dois pontos percentuais. O comportamento dos gastos públicos, porém, ainda é uma incógnita. Superado o ano eleitoral e os piores momentos da crise global, não se pode descartar um cenário em que as despesas cresçam a um ritmo mais moderado. Nosso regime cambial também ajuda. Caso a política fiscal continue a todo o vapor e a piora das contas externas seja significativa, o câmbio se desvaloriza e contribui para a correção do desequilíbrio externo. O deficit em conta-corrente em 2011 deverá piorar, mas a um ritmo bem mais moderado. O consenso de mercado é que o número alcance cerca de US$ 64 bilhões no próximo ano. Ainda que os valores sejam altos, o deficit se mostra mais bem comportado quando comparado ao PIB: o número pode alcançar 2,6% do PIB neste ano e dificilmente superará 3% em 2011. O país tem, assim, instrumentos capazes de dosar o ritmo de crescimento e, com isso, evitar trajetórias explosivas nas contas externas. Como resultado, o mundo deverá continuar financiando o Brasil e o balanço de pagamentos não deverá ser fonte de maiores turbulências.

domingo, 24 de outubro de 2010

QUANTO CUSTA UM BIG MAC?

O BRASIL está caro: o Big Mac, da rede McDonald's vendido por aqui por míseros US$ 5.26 somente é mais barato do que na SUIÇA , onde está por US$ 6.78. Na ZONA DO EURO custa US$ 4.79 - no pobre JAPÃO US$ 3.91 e no REINO UNIDO US$ 3.63.

Falta pouco para o BRASIL ser o melhor dos mundos... Que eu recorde, nunca antes neste país isso aconteceu. Mas, afinal, aqui é terra de rei. Rei PELÉ, claro.

sábado, 23 de outubro de 2010

CANDIDATOS SEM POLÍTICAS FISCAIS.

O alerta abaixo foi matéria publicada no FINANCIAL TIMES e aqui no portal UOL. É fato: para agradar seus eleitores, os candidatos NÃO divulgam suas propostas de maneira formal e o futuro fica imprevisível. Coisas de Brasil...
Após meses de uma campanha frívola e de um primeiro turno inconclusivo, os eleitores que participam da eleição presidencial do Brasil finalmente deverão saber algo de concreto a respeito da escolha que farão no segundo turno, em 31 de outubro. Muitos economistas temem que o agravamento das condições econômicas globais e uma inundação de capital especulativo provocada pela política monetária expansionista no mundo desenvolvido façam com que as problemáticas contas públicas do Brasil sofram mais pressões no ano que vem. Mas os candidatos à presidência não têm se mostrado dispostos a dizer como enfrentarão tais problemas. Dilma Rousseff, a candidata governista do Partido dos Trabalhadores (PT), uma agremiação de esquerda, surpreendeu quase todo mundo no Brasil ao mostrar-se incapaz de obter uma vitória no primeiro turno da eleição em 3 de outubro. Apoiada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que conta com a aprovação de 80% dos eleitores, ela contava com uma expressiva liderança nas pesquisas de intenção de voto. José Serra, da sigla centrista de oposição, o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), empenhou-se em responder ao apoio de Lula da Silva a Rousseff e à poderosa mistura, utilizada pelo governo, de uma política monetária rígida, uma política fiscal flexível e programas baratos, mas bem aplicados, de transferência de renda. Essas políticas inseriram milhões de indivíduos no mercado consumidor pela primeira vez e poderão gerar um crescimento econômico de pelo menos 7% neste ano. A campanha de Rousseff prometeu continuidade, e evitou fazer qualquer promessa relativa a políticas governamentais. Já a campanha de Serra foi criticada até mesmo pelos seus aliados devido à falta de uma mensagem clara. Mas ele chegou ao segundo turno em parte porque uma terceira candidata, Marina da Silva, do Partido Verde, tirou votos de Rousseff. ndré César, um consultor político de Brasília, diz que agora os candidatos terão que apresentar as suas políticas. “Os eleitores querem ouvir o que os candidatos farão quanto aos problemas mais importantes enfrentados pelo Brasil”, diz André César. “Chegou a hora de eles apresentarem pelo menos alguns sinais daquilo que pretendem fazer”. Esse processo teve início no fim de semana passado, quando Paulo Bernardo, o ministro do Planejamento, declarou em uma entrevista concedida a um jornal que, caso eleita, Rousseff – que continua sendo a clara favorita – reduzirá os gastos governamentais, algo que é tido pelos economistas como essencial para que o Brasil reduza as suas altíssimas taxas de juros e alcance um crescimento sustentável. “São medidas necessárias? Creio que sim. Mas isso não representará uma mudança de direção”, disse ele ao jornal “O Estado de São Paulo”. Bernardo acrescentou que os aumentos dos salários do funcionalismo público, que representam uma das maiores parcelas dos gastos, terão que ser “compatíveis com a inflação baixa”. No entanto, muitos economistas estão céticos quanto ao compromisso de Rousseff com a disciplina fiscal e apontam para os recentes aumentos de gastos públicos, ainda que a economia tenha se recuperado após uma curta recessão no ano passado. “O governo brasileiro enxergou a necessidade de políticas anticíclicas em 2008 e 2009, mas quando deixou de considerar essas políticas necessárias, ele preferiu não reverter os padrões de gastos, apesar da virada para cima na economia”, diz Nick Chamie, diretor de pesquisas sobre mercados emergentes do RBC Capital Markets, em Toronto. Serra é tido como um conservador fiscal que teria maior possibilidade de controlar os gastos. Em uma entrevista a redes de televisão na última terça-feira, o candidato prometeu mudanças na política econômica, incluindo “a questão dos gastos públicos”, sem entretanto entrar em maiores detalhes. Ele defendeu também as privatizações, uma estratégia arriscada, já que tais medidas continuam sendo impopulares no Brasil, apesar da melhoria drástica dos serviços como as telecomunicações após as privatizações implementadas no final da década de noventa pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, que é membro do PSDB. A campanha de Rousseff está prometendo “continuar sem privatizar”. Fernando Henrique Cardoso, apesar de ser considerado o indivíduo que criou as bases para a atual prosperidade do Brasil, esteve ausente da campanha de primeiro turno de José Serra. Depois disso ele assumiu um papel mais ativo por trás dos bastidores e, segundo pessoas próximas à campanha de Serra, em breve aparecerá pessoalmente na campanha. Muitos investidores têm praticamente ignorado esta eleição, acreditando que nenhum dos dois candidatos promoveria muitas mudanças nas atuais políticas econômicas. Outros temem que as questões fiscais tornem-se cada vez mais importantes no ano que vem, especificamente à medida que os Estados Unidos afrouxarem a sua politica monetária, fazendo com que haja uma inundação de “hot money” movida pelo desejo dos investidores de tirar vantagem das altíssimas taxas de juros do Brasil, gerando assim mais desequilíbrios.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

POLÍTICA ECONÔMICA INGLESA.

PAUL KRUGMAN, em sua última coluna no THE NEW YORK TIMES, é totalmente desfavorável ao pacote inglês do primeiro-ministro DAVID CAMERON de reduzir o gasto público cortando empregos, mais precisamente uns 490 mil. Segundo KRUGMAN, essa situação de austeridade levará a uma nova desaceleração econômica, quando no momento, a demanda privada não está pronta para compensar os cortes no orçamento governamental. Conclui KRUGMAN que “como sempre, aqueles que se recusam a aprender com o passado estão condenados a repeti-lo.” Nesse caso, ele refere-se ao que ocorreu no próprio Reino Unido em 1931, ou com os Estados Unidos em 1937, ou com o Japão em 1997. A pergunta que não quer calar é: o corte de gastos reduz o desemprego? A depender de CAMEROM teremos um SIM. Para KRUGMAN, um sonoro NÃO.

ACORDAR PARA UMA NOVA AGENDA.

Hoje na FOLHA DE S. PAULO, o engenheiro e economista LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS, recomenda ”ACORDAR PARA UMA NOVA AGENDA”.
O analista das coisas da economia precisa tomar muito cuidado quando vive em períodos de grandes transformações estruturais. Nesses momentos, a dinâmica conjuntural de uma economia acaba sendo afetada de forma importante por esses fatores estruturais. No início os sinais dessa interferência são muito esparsos e de difícil visualização. Mas, com o caminhar do tempo, as coisas vão ficando mais claras e passam a ser percebidas por um número maior de observadores. Posteriormente o processo de mudanças ganha maturidade e permite uma visualização histórica, quando os indícios iniciais ganham contornos tão claros que mesmo o mais medíocre observador é capaz de entender o que está ocorrendo. Vivemos nos últimos dez anos um desses períodos de profundas transformações estruturais na economia mundial. Ousaria dizer que vivemos hoje momentos tão importantes como os anos seguintes ao fim da Segunda Guerra. A década dos 50 do século passado trouxe de forma inquestionável a ascensão dos EUA ao posto de maior economia no então chamado mundo livre. Hoje, 60 anos depois desse verdadeiro movimento tectônico na economia mundial, entramos em outra fase de rearranjo estrutural e que deve nos levar a um mundo econômico totalmente diferente do de hoje. Assistimos à emergência de uma nova potência -a China- e à mudança do centro econômico para o lado do Pacífico. Mas o que ocorre hoje atinge de forma diferente nosso querido Brasil. Na segunda metade do século passado, a economia brasileira era muito pequena e frágil e não conseguimos ser -sequer- um ator de terceira categoria no processo de redesenho do mundo. Nos dias de hoje, o Brasil é um agente importante no processo de mudanças e faz parte do seleto grupo de nações que vai formar o centro da economia mundial do futuro. Mas, para que possamos usar essas mudanças -em toda a sua intensidade- em benefício da sociedade, é preciso que o novo governo, que tomará posse no início do próximo ano, acorde para o que vem acontecendo fora de nossas fronteiras. E esse não me parece ser o comportamento dos dois candidatos à Presidência no segundo turno das eleições deste ano. Os principais pontos de uma política econômica para o futuro, levantados nos debates a que assistimos, não incorporam os novos desafios que teremos que enfrentar. As propostas continuam a tratar apenas de questões meramente conjunturais, como taxa de juros, política de salário mínimo e questões orçamentárias, entre outras. Sei que, em uma campanha eleitoral nas democracias modernas, é muito difícil que os candidatos tratem de problemas estruturais ou especulem sobre o mundo dentro de dez anos. Mas discutir o que fazer no próximo mandato presidencial, sem sequer fazer referência aos novos desafios -e oportunidades- que vamos encontrar pela frente e à necessidade de mudanças no "soft" econômico que tem sido utilizado, me incomoda muito. Talvez esse comportamento seja ditado pelo péssimo hábito do brasileiro -herdado de nossa cultura futebolística- de não mexer em time que está ganhando. Nos últimos anos a economia brasileira tem sido vitoriosa e motivo de inveja de muitas nações. Mas, para que isso continue, é necessário que se preste atenção ao mundo que deve existir na terceira década do século e que se adapte nossa política econômica vitoriosa a esta nova realidade. Tenho escrito com frequência sobre essa questão neste espaço na Folha. E pretendo continuar a fazê-lo como uma contribuição pessoal ao debate que me parece essencial. Não tenho a pretensão de escrever uma proposta tipo receita de bolo, pois não saberia ir além de alinhar algumas questões que me parecem essenciais. O que viveremos nos próximos anos nas economias brasileira e mundial não tem paralelo histórico. Por isso uma nova política econômica só será construída com debate sério e profundo sobre alternativas. A simples repetição de princípios e propostas tradicionais -seja à direita ou à esquerda do espectro político- não vai nos levar a uma solução eficiente dos problemas que vamos enfrentar.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

O BRASIL É DOS CARTÕES?

A ABECS - Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços estima que ao final de 2010, os brasileiros tenham em seu poder 628.015.000 cartões. Isso equivale a aproximadamente três cartões por brasileiros.
Estamos no caminho da Holanda, Suiça e Alemanha que quase não utilizam o nosso velho conhecido cheque?

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

POLÍTICA MONETÁRIA E CÂMBIO

Hoje na FOLHA DE S. PAULO, MONICA BAUMGARTEN DE BOLLE, economista, professora da PUC-RJ e diretora do Iepe/Casa das Garças, escreve sobre políticas monetárias frouxas e descompassos cambiais.

A forte valorização das moedas emergentes, resultante do agravamento do quadro global, tem sido o principal assunto nas últimas semanas. Que o enfraquecimento das principais moedas globais é desejável é algo difícil de contrapor.

As economias avançadas, sobretudo os EUA e a Europa, entalados com suas dívidas excessivas, não conseguem catalisar o crescimento de curto prazo de que tanto necessitam a partir apenas de políticas internas, precisando urgentemente de fluxos externos oriundos de um aumento da capacidade exportadora.

A China, com sua política de administração cambial, limita a extensão desses ajustes, gerando um enorme descontentamento. No meio do fogo cruzado cambial entre o Oriente e o Ocidente estão países emergentes como o Brasil, tentando administrar a enxurrada de recursos externos derivada do descompasso cambial e das políticas monetárias excessivamente frouxas das economias maduras.

Há saída fácil para esse dilema? Infelizmente não, fato reconhecido pelas autoridades brasileiras e uma das razões para que tenham preferido se abster de um embate mais fervoroso com a China.

Claro que ajudaria se a China permitisse que o yuan se fortalecesse mais rapidamente, limitando o aumento das reservas do país. No entanto, as autoridades chinesas têm um plano de abertura gradual para o balanço de pagamentos que dificilmente será alterado por meio das pressões de outros países.

O estado precário da economia mundial resulta do sobre-endividamento das economias maduras, e a resolução das crises de excesso de dívida são complexas.

O processo de limpeza dos balanços tende a ser demorado e, frequentemente, doloroso no curto prazo.

Além do mais, com o emissor da moeda internacional -os EUA- plenamente engajado em enfraquecer o dólar por intermédio de uma intensificação do afrouxamento monetário, não há como evitar as políticas de intervenção cambial das economias emergentes.

O intervencionismo cambial gera ineficiências. O Brasil, com reservas em US$ 280 bilhões, paga caro por esse estoque, fato ilustrado pelo vultoso "spread" entre a taxa de juros brasileira e a americana, de mais de dez pontos percentuais.

Entretanto, no momento atual certas escolhas de política econômica estão restritas à subotimalidade. O que se pode fazer é evitar que as distorções e as ineficiências cresçam em outras áreas da política econômica interna brasileira, controlando os gastos do governo e freando a expansão excessiva do crédito público, por exemplo, e abrindo um maior espaço para a redução dos juros.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

O BRASIL E A CHINA.

Hoje, na FOLHA DE S. PAULO entrevista com o economista ROBERTO GIANNETTI DA FONSECA, diretor de comércio exterior da Fiesp. "O Brasil não precisa ter medo da China, que não tem opção à soja e ao minério de ferro brasileiros", disse. O economista da Fiesp afirma que é "escandalosa" a carona da China na desvalorização mundial do dólar.Isso porque os EUA desvalorizam devido ao duplo deficit fiscal e comercial, enquanto a China é duplamente superavitária. "Todo mundo tem medo da China, por isso os países articulam uma ação coordenada pela mudança cambial", disse.

Folha - Brasil e China tinham várias posições em comum na reunião do FMI. O Brasil quer parecer ou é "amigo" da China na tal guerra cambial? Roberto Giannetti - Essa pode ser uma posição de parte da diplomacia brasileira, mas não acredito que seja dos ministérios que estão no front da articulação comercial e nos fóruns globais.

E se for? Há uma visão no governo de que a valorização do yuan pode levar à queda no preço das commodities, que não interessa ao Brasil. Seria um absurdo completo. O país está se desindustrializando e eles estão achando que exportar commodity é legal. É totalmente fora da realidade. Vem aqui para o chão de fábrica sujar a mão de graça e depois a gente conversa... Estão vendo milhares de pessoas ficando desempregadas por conta da concorrência desleal com a China e você vai passar a mão na cabeça deles?

Isso seria uma proposta de uma diplomacia míope, dissociada da realidade. Duvido que algum diplomata em sã consciência possa achar que esse movimento coletivo de reação à manipulação da moeda chinesa seja algo em que o Brasil tenha de ficar fora. É de um absurdo inacreditável. Duvido que seja posição oficial. Não tem lógica.

Não pode ser um jogo duplo para aumentar o poder de barganha do Brasil?

Não tem jogo duplo nenhum. Nessas negociações, o país tem de ser muito claro. A posição é essa e o interesse é esse. Não tem barganha.

Qual a melhor estratégia?

É participar de uma ação articulada, coletiva e internacional. Nenhum país isoladamente pode tomar medidas de restrição contra a China, que vai dar risada e não acontece nada. Fica mais fácil se for um conjunto de países, representando dois terços da economia mundial, que bate na mesa dizendo: ou flutua a moeda ou vai colocar 25% de imposto sobre os produtos chineses. Isso é a guerra cambial!

A China pode retaliar o Brasil?

O Brasil não tem de estar preocupado. A China não tem onde comprar esse volume todo de minério de ferro e de soja, que responde por 60% da exportação brasileira para os chineses. A China não tem de onde comprar esse volume todo. Ou compra do Brasil ou tem um problema de suprimento e uma crise estrutural. De certa forma, a China se tornou um país dependente do Brasil.

A China é aberta aos produtos brasileiros? Setores do Itamaraty dizem que os empresários brasileiros não vão buscar aquele mercado.

A China não tem um mercado aberto para importações; é um mercado administrado. E, com a moeda desvalorizada, a importação fica cara. Nós temos um preço muito maior do que o chinês. Não dá para vender lá.

sábado, 16 de outubro de 2010

EQUILÍBRIO NAS CONTAS PÚBLICAS.

Numa época de contas governamentais que não fecham, nada como recordar do economista inglês ARTHUR CECIL PIGOU quando afirmou que “Ter lugar para cada coisa e ter cada coisa em seu lugar, eis o orçamento mínimo.”

REALMENTE, O MOMENTO É DE PRECES!

Direto de Fortaleza, do DIÁRIO DO NORDESTE, mestre SINFRÔNIO mostra a imagem que retrata muito bem o momento atual para duas diferentes situações, porém com o mesmo personagem principal.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

ESTE É O VERDADEIRO BRASIL!

Há chance real de CRESCIMENTO SUSTENTÁVEL para um país que não abriga nenhuma das 100 melhores universidade do mundo?

Uma nação pode ter a ambição de se transformar em potência quando um ranking com 57 países, elaborado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico para medir o conhecimento em ciências de alunos do último ano do ensino fundamental, consegue apenas a 53ª posição?

É factível que uma sociedade onde 15% da população entre 15 e 24 anos de idade é funcionalmente ANALFABETA atinja o pleno desenvolvimento social econômico?

Fonte: Revista EXAME.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

POR QUE OS EUA VÃO GANHAR ESSA GUERRA

No VALOR ECONÔMICO, Martin Wolf, editor e principal comentarista econômico do FINANCIAL TIMES, comenta sobre o assunto do momento: a cotação do dólar. Como aqui não é o twitter, é possível postar texto um pouco mais longo.

As moedas dominaram as discussões nos encontros anuais do Fundo Monetário Internacional (FMI) neste ano. Mais precisamente, duas moedas o fizeram: o dólar e o yuan, a primeira por ser considerada desvalorizada demais e a última por ser considerada inflexível. Mas, por trás da briga, há um grande desafio: como administrar melhor o ajuste da economia mundial.

Em sua apresentação do novo Panorama Econômico Mundial, Olivier Blanchard, assessor econômico do FMI, declara: "Alcançar uma "recuperação mundial sustentável, equilibrada e forte" - para citar a meta traçada em Pittsburgh pelo G-20 - não era para ser algo fácil. Exige duas ações de reequilíbrio econômico fundamentais e difíceis."

A primeira é o reequilíbrio interno - que os países avançados voltem a depender da demanda privada e que ocorra a diminuição dos déficits fiscais abertos com a crise. A segunda é o reequilíbrio externo - que os Estados Unidos e alguns outros países avançados dependam mais das exportações líquidas e que alguns países emergentes, mais notavelmente a China, dependam mais da demanda doméstica. Infelizmente, conclui o professor Blanchard, "essas duas ações de reequilíbrio vêm ocorrendo de forma muito lenta".

Podemos considerar esse reequilíbrio em duas dimensões. Primeira, os países avançados precisam desalavancar seus setores privados na jornada em direção ao que Mohamed El-Erian, da empresa de investimentos Pimco, chamou de "o novo normal", em sua palestra na fundação Per Jacobsson. Segunda, as taxas de câmbio reais das economias com posições externas robustas, fortes oportunidades de investimento ou ambas as coisas, precisam valorizar-se, com a expansão da demanda doméstica compensando o consequente obstáculo às exportações líquidas.

Sem meias palavras, os EUA querem inflacionar o resto do mundo, enquanto o resto do mundo tenta deflacionar os EUA. Os EUA deverão ganhar, já que possuem munição infinita: não há limite para os dólares que o Federal Reserve pode criar. O que precisa ser discutido são os termos da rendição mundial: as mudanças necessárias nas taxas de câmbio nominais e das políticas domésticas por todo o mundo.

Se você desejar entender até que ponto a política dos EUA pode tornar-se agressiva, leia um recente discurso de William Dudley, presidente do Fed regional de Nova York. Ele destaca que "nos últimos trimestres, o ritmo de crescimento vem sendo decepcionante mesmo em relação a nossas expectativas mais modestas no início do ano". Por trás disso está a desalavancagem das famílias dos EUA, em particular. Portanto, o que a política monetária pode fazer a respeito? Sua resposta é que "taxas de juros muito baixas podem ajudar a suavizar o processo de ajuste ao respaldar o valor dos ativos, inclusive deixando as residências mais acessíveis e permitindo que alguns captadores reduzam os pagamentos de juros das dívidas. Além disso, (..) até quando a política monetária puder "cortar a cauda" da distribuição de possíveis resultados econômicos adversos (...) poderá ajudar a encorajar essas famílias e empresas com dinheiro para gastar a fazê-lo".

Em resumo, as autoridades monetárias dos EUA farão o que for necessário para evitar a deflação. De fato, o Fed prosseguirá até que os EUA estejam satisfatoriamente "reflacionados". O que esses esforços farão para o resto do mundo não é motivo de preocupação para eles.

As consequências globais são evidentes: a política monetária elevará os preços dos ativos de longo prazo e encorajará o capital a fluir para países com políticas monetárias menos expansionistas (como a Suíça) ou com maiores retornos (como as economias emergentes). É isso que está acontecendo. O Instituto Internacional de Finanças (IIF), cuja sede fica em Washington, prevê entrada líquida de capital externo nas economias emergentes de mais de US$ 800 bilhões em 2010 e 2011. Também prevê intervenções maciças dos recipientes de capital, embora em ritmo declinante.

Os recipientes da entrada de capital, sejam países emergentes ou avançados, deparam-se com escolhas incômodas: deixar a taxa de câmbio valorizar e, portanto, prejudicar a competitividade externa; intervir nos mercados cambiais e, portanto, acumular dólares indesejados, ameaçando a estabilidade monetária doméstica e prejudicando a competitividade externa; ou restringir a entrada de capital, via impostos e controles. Historicamente, os governos escolheram combinações dessas três opções. Desta vez, também será esse o caso.

Naturalmente, é possível imaginar uma rota oposta. De fato, a China opõe-se aos imensos déficits fiscais dos EUA e políticas monetárias não convencionais. A China também está determinada a manter a inflação baixa e limitar a valorização de sua moeda. A implicação dessa política é clara: os ajustes nas taxas de câmbio reais deverão ocorrer via queda dos preços domésticos dos EUA. A China quer impor um ajuste deflacionário nos EUA, assim como a Alemanha está fazendo com a Grécia. Isso não vai ocorrer. Nem seria do interesse da China que ocorresse. Como credor, gozaria de um aumento no valor real do que reivindica dos EUA. Mas a deflação dos EUA ameaçaria uma depressão mundial.

O professor Blanchard está evidentemente certo: os ajustes pela frente serão muitos difíceis; e mal começaram. Em vez de uma cooperação nos ajustes das taxas de câmbio e das contas externas, os EUA estão buscando impor sua vontade, via impressão de dinheiro. Os EUA vão ganhar a guerra de uma forma ou de outra: ou inflacionarão o resto do mundo ou obrigarão que suas taxas de câmbio nominal subam em relação ao dólar. Infelizmente, o impacto também será desordenado, com as economias menos protegidas (como Brasil ou África do Sul) sendo obrigadas a ajustar-se e as outras, protegidas por controles de câmbio (como a China), conseguindo administrar melhor esse ajuste.

Seria muito melhor para todos buscar um resultado cooperativo. Talvez os líderes do Grupo dos 20 até sejam capazes de usar seu "processo de avaliação mútua" para alcançar exatamente isso. Quanto à vontade de fazer o necessário, há muitas dúvidas. Na pior fase da crise, os líderes se uniram, pendurando-se juntos. Agora, o Fed está se preparando para pendurá-los separadamente.

POLÍTICA COM HUMOR EM 2010?

Nesta época de eleições, cuidado para não sujar sua vida. Direto de Fortaleza, o Mestre SINFRÔNIO mostra o Brasil que a maioria não vê.

A POLÍTICA ECONÔMICA DO NOVO GOVERNO.

Carlos Francisco Ribeiro de Lessa, professor emérito de economia brasileira e ex-reitor da UFRJ, foi presidente do BNDES e hoje na FOLHA DE S. PAULO escreve sobre a política econômica do novo presidente.

O primeiro turno das eleições não permitiu perceber, com nitidez, qual seria a política econômica que daria sustentação a um projeto brasileiro. Temos, agora, pouco mais de vinte dias para tentar perceber as diferenças político-econômicas dos dois candidates à presidência.

A candidata da continuidade fez a exaltação sistemática dos feitos do governo Lula e prometeu continuar - e mesmo ampliar - os programas estritamente sociais, e enfrentar os temas da educação, saúde e segurança. Fez, de modo parcelado, referências a ferrovias que incluem o trem-bala. Não ouvi referências à reordenação da infraestrutura brasileira e, pelas promessas, a candidata parece fazer repousar na moradia popular o principal e - praticamente único - programa voltado para as redes metropolitanas e urbanas. Li que a candidata, antes do início da disputa, declarou que o Brasil necessitava "de um choque de capitalismo". Se o objetivo é gerar mais empregos de melhor qualidade e renda, estaria (?) atrás da ideia de "choque" uma significativa mudança político-econômica.

Sei que o presidente Lula acompanhou de perto o ingresso do dr. Meirelles no PMDB e houve uma forte campanha para que o PMDB indicasse o nome de Meirelles para vice-presidente. Quando Meirelles abriu mão da candidatura a governador de Goiás, disse que o presidente lhe havia solicitado a permanência no comando da política econômica. Fontes me informam que há um programa de governo em elaboração no PMDB, por um grupo que integra, entre outros, Meirelles e Delfim Netto. Sei que, quando da última viagem aos EUA, Meirelles afirmou que tudo permaneceria como antes e um importante banqueiro declarou que, no caminho certo que o Brasil seguiria, alterações cambiais fariam pouca importância. Dado o silêncio da candidata sobre a política econômica (posso crer que quem cala consente), manteremos a âncora cambial para o processo inflacionário e seguiremos praticando juros primários hiperelevados.

A equação brasileira acumula dólares em busca de uma rentabilidade anual garantida em 11,85% em papel pré-fixado do Tesouro brasileiro com vencimento em 2021. O nosso Banco Central aplica a maior parcela das reservas internacionais brasileira em títulos do Tesouro americano, com vencimento em 2021. É uma brincadeira de mau gosto a decisão de elevar o IOF sobre investimentos externos em renda fixa de 2% para 4%. A continuidade político-econômica levará o Brasil a um crescimento medíocre; apenas uns poucos setores - bancos e instituições do mercado financeiro, bem como concessionários de serviços públicos, com tarifa indexada - terão rentabilidade espetacular.

Os brasileiros endividados pagam mais juros do que a própria prestação. Segundo estudo do Banco Central, as famílias já gastam 13,3% do salário com o pagamento de juros e apenas 10,1% com a dívida principal.

O ponto de inovação mais surpreendente está no destino do pré-sal que, para a candidata, gerará as exportações necessárias "para que a transição do Brasil para uma era cuja economia e produção industrial sejam baseadas na baixa emissão de carbono". Meu espanto decorre de o presidente Lula haver afirmado que "o Brasil não será exportador de óleo cru".

O projeto brasileiro não é nacional e propõe ampliar, pelo produto geopoliticamente mais perigoso - o petróleo -, a densidade das exportações brasileiras. Assim sendo, é de se supor que a globalização, com o real cada vez mais valorizado, irá atrofiar atividades produtivas internas. É de se supor que, para o Nordeste, serão multiplicadas as termelétricas e será confirmada a política de intensificar vendas financiadas de carros bebedores de petróleo e derivados.

O outro candidato também não perfilou que política econômica pretende, nem qual é o seu projeto nacional de desenvolvimento. Ele sabe que o Brasil pode crescer muito mais e de forma sustentada. Certamente, podem ser afastados os riscos de apagões e é possível estimular o mercado interno para produtores instalados no Brasil, se for modificada a política cambial. Porém, o candidate, até agora, pouco falou sobre política econômica. Em um relâmpago de lucidez, afirmou ser contrário à autonomia do Banco Central, porém fez silêncio sobre o que é óbvio: com a massa de juros que o governo federal paga, é impossível tocar para a frente, no tamanho e ritmo necessários, a infraestrutura bem como promover a elevação da qualidade de ensino, saúde e segurança.

Na eleição presidencial anterior, em que Lula derrotou Alckmin, foram realizados dois longos debates na TV. Resumindo o conteúdo, foi algo assim: o tema educação era muito importante para os dois candidatos, Lula disse que recebeu uma condição deteriorada e Alckmin falou maravilhas do que estava sendo feito em São Paulo. Nada de realmente importante foi colocado nos dois debates esterilizados daquele segundo turno.

Espero que agora, ao contrário do que ocorreu, os dois candidatos construam e divulguem proposições mais sólidas. Afinal, a crise mundial está aí e, provavelmente, terá ressurgências. A taxa de investimento macroeconômica (18% do PIB) é ridícula; se o Brasil quiser crescer modestos 5%.a.a, necessita de uma taxa de 22% e duplicação dos gastos de investimento público. A pauta que os brasileiros esperam é o que os candidatos propõem como projeto nacional e que ajustes deverão ser realizados na política econômica. Creio que a candidata Marina conseguiu seu surpreendentes 20% com um discurso muito suave em que afirmava que é necessário pensar um projeto global para o Brasil.

A importância de debater o PIB nas eleições 2022.

Desde o início deste 2022 percebemos um ano complicado tanto na área econômica como na política. Temos um ano com eleições para presidente, ...