quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Faroeste em Fortaleza: cidade fantasma.



A edição de dezembro da VIAGEM E TURISMO divulgou que Fortaleza é o destino de desejo número 1 do Brasil. Um estado que espera receber quase UM MILHÂO de turistas no período entre dezembro/2011 e fevereiro/2012, o que deve resultar numa renda de R$ 2,4 bilhões na cadeia de turismo, merece ter um Estado mais atento a determinadas demandas sociais.   

Ontem, lamentavelmente a cidade estava mais para um velho faroeste americano. Excelente a visão de Sinfrônio, hoje no Diário do Nordeste.  

Abaixo, matéria de capa na FOLHA DE S. PAULO de hoje, relatando a situação de medo em pleno verão turístico.  

Policiais militares e bombeiros do Ceará ignoraram a ordem da Justiça de voltar ao trabalho e cumpriram ontem o quinto dia de greve geral que deixou Fortaleza, em plena alta temporada turística, com ares de cidade fantasma.

Durante todo o dia, o medo tomou a capital cearense, apesar do reforço no policiamento feito por homens da Força Nacional de Segurança e do Exército desde a sexta.

No fim da noite, enquanto as negociações indicavam que a greve poderia acabar, os policias civis também decidiram parar.

Ontem, lojas em ruas de áreas nobres e do centro, incluindo o turístico Mercado Central, fecharam as portas.

Creches, escolas municipais e estaduais -em reposição de aulas após greve-, repartições municipais, postos de saúde, o Tribunal de Justiça e o fórum encerraram o expediente mais cedo.

Algumas agências da Caixa não abriram. Outras encurtaram em duas horas o horário de trabalho. Os Correios interromperam o serviço de entrega e os agentes de trânsito ameaçavam parar por falta de segurança.

A reação em cadeia foi provocada pelo temor de arrastões e assaltos que começaram a se alastrar -pelo boca a boca e pelas redes sociais- na noite de segunda-feira.

Ao meio-dia, as principais artérias e zonas comerciais estavam praticamente vazias.

Luiz Brito, 65, dono de uma loja no centro, resolveu fechar as portas às 9h. "Começou a gritaria: 'Lá vem o arrastão'. Fechei e esperei. Não sei se vou trabalhar amanhã [hoje], vamos ver as condições."

O Mercado Central, o principal centro de compras voltados para o turismo na capital de 2,5 milhões de habitantes, fechou, mas, segundo os próprios comerciantes, não houve registro de assaltos.

Jornais e rádios locais confirmavam o assalto de um supermercado no bairro de classe média do Montese, na noite de segunda, e de tentativas de assalto em zonas nobres, como Aldeota e Seis Bocas.

Com medo de tentativas de resgate de presos, policiais civis fecharam as delegacias e se recusaram a fazer boletins de ocorrência. Uma mulher atingida por um tiro de raspão na cabeça não pôde fazer o registro no 25º DP, segundo o inspetor Lourival Lima. "A delegacia estava fechada por receio da segurança", disse.

O clima de tensão também afetou a praia do Futuro, a principal da cidade, cheia na terça ensolarada de férias.

Pouco antes do meio-dia, garçons orientavam os clientes a encerrar contas e reproduziam rumores de arrastão.

Nos hotéis, a orientação aos turistas era sair pouco e não levar objetos de valor. Operadores do cinco estrelas Marina Park e do hotel Mareiro informaram que não registraram cancelamento de reservas.

Segundo o Comando da 10ª Região Militar do Exército, 813 militares e 204 homens da Força Nacional de Segurança auxiliavam na segurança do Estado ontem. Era prevista a chegada de mais de cem militares.

Em nota, o governo do Ceará disse que a segurança estava sendo "garantida" pelos reforços e que "muitos boatos" estavam sendo propagados. Não divulgou, porém, o número de crimes registrados desde o início da greve.

3 comentários:

Pedreliano disse...

Isto é uma vergonhosa situação que ABSOLUTAMENTE de forma nenhuma é exclusividade de Fortaleza ou de outra cidade qualquer,é CENÁRIO BRASILEIRO!! Onde o crime impera, a polícia é maltratada pelo governo, se corrompe e ainda fica sem punição. Uma nação em que uma decisão judicial não é cumprida, que eu perante a lei posso requerer o direito de mentir, que NUNCA SE CUMPRE UMA PENA TOTALMENTE, é realmente reflexivo se pensar em democracia??? Liberdade de pensar e votar, mas dentro de casa, pois o restante dela "A LIBERDADE", é tolhida pelo crime..
JOÃO, FELIZ 2012, E MUITO CUIDADO COM O FUTURO! DIGO COM A PRAIA DO FUTURO!!

Cibele Bastos disse...

É João, o negócio foi tenso aqui em Fortal. Nunca tinha visto nada igual: ruas vazias, comércio fechado, pessoas trancafiadas... Todas reféns de um Estado e de encapuzados que se diziam policiais.

Ainda bem que não moras por aqui.

Fernando Carvalho disse...

Prezado João, e de Fortaleza o negócio foi se espalhando pelo interior.
Abraços